{"id":206,"date":"2010-02-22T16:27:25","date_gmt":"2010-02-22T15:27:25","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2010\/02\/22\/contra-as-ameacas-imperialistas-ao-irao\/"},"modified":"2010-02-22T16:27:25","modified_gmt":"2010-02-22T15:27:25","slug":"contra-as-ameacas-imperialistas-ao-irao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2010\/02\/22\/contra-as-ameacas-imperialistas-ao-irao\/","title":{"rendered":"Contra as amea\u00e7as imperialistas ao Ir\u00e3o!"},"content":{"rendered":"<p>A disputa que envolve o programa nuclear iraniano aumentou no in\u00edcio de 2010, elevando o n\u00edvel das acusa\u00e7\u00f5es, press\u00f5es diplom\u00e1ticas e amea\u00e7as de san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas ao Ir\u00e3o. J\u00e1 se fala novamente da possibilidade de \u201cconflito militar\u201d, com um poss\u00edvel ataque dos EUA, ou inclusive de Israel, ao pa\u00eds. Est\u00e1-se a desenvolver uma agressiva campanha internacional, encabe\u00e7ada pelos EUA e Israel, com o objectivo de pressionar as outras pot\u00eancias mundiais a aceitar medidas mais duras contra o Ir\u00e3o. A campanha procura tamb\u00e9m convencer e preparar a opini\u00e3o p\u00fablica internacional para este poss\u00edvel ataque militar ou, mais provavelmente, para aplicar san\u00e7\u00f5es ainda mais duras que as j\u00e1 existentes.<br \/> <!--more--> <br \/>O objectivo \u00e9 \u201cdemonizar\u201d o Ir\u00e3o, classificando-o como uma \u201cditadura\u201d que poderia \u201cp\u00f4r a humanidade em perigo\u201d, se tiver acesso \u00e0 tecnologia nuclear. Uma das \u00faltimas jogadas desta campanha foi a grotesca e vergonhosa \u201ccarta aberta\u201d, assinada por diversos vencedores do Pr\u00e9mio Nobel e outros cientistas, dirigida \u00e0s m\u00e1ximas autoridades das pot\u00eancias mundiais (EUA, Fran\u00e7a, R\u00fassia, Inglaterra e Alemanha), instando-as a que \u201creajam frente \u00e0s atrocidades do regime iraniano e suas ambi\u00e7\u00f5es nucleares irrespons\u00e1veis e absurdas, com san\u00e7\u00f5es mais duras&#8230;\u201d. Esta \u201ccarta aberta\u201d foi publicada numa p\u00e1gina inteira nos jornais {The New York Times} (7\/2\/2010) e {International Herald Tribune} (9\/2\/2010) e sua publica\u00e7\u00e3o foi paga por uma organiza\u00e7\u00e3o sionista. Estes ilustras escritores e cientistas nunca se sensibilizaram ou se mobilizaram contra o arsenal nuclear norte-americano ou israelita. <\/p>\n<p>N\u00f3s temos um posi\u00e7\u00e3o clara de defesa dos direitos democr\u00e1ticos e dos trabalhadores do Ir\u00e3o contra os abusos do reaccion\u00e1rio regime dos aiatol\u00e1s, solidarizamo-nos com as mobiliza\u00e7\u00f5es que enfrentaram a ditadura e apelamos a que a luta das massas a derrube. Mas queremos alertar que a actual campanha imperialista procura utilizar esse car\u00e1cter do regime e a repress\u00e3o que exerce num sentido mais reaccion\u00e1rio ainda: preparar um ataque contra a autonomia do pa\u00eds e um maior ataque \u00e0s liberdades democr\u00e1ticas. <\/p>\n<p>Esta campanha contra o Ir\u00e3o existe h\u00e1 muito tempo e a sua verdadeira raz\u00e3o \u00e9 que o imperialismo n\u00e3o aceita que um pa\u00eds que n\u00e3o esteja totalmente submetido aos seus des\u00edgnios, e que tenha certa independ\u00eancia, desenvolve tecnologia numa \u00e1rea t\u00e3o estrat\u00e9gica e sens\u00edvel. No caso do Ir\u00e3o, em particular, ainda n\u00e3o foi digerida pelo imperialismo norte-americano a derrota que sofreu h\u00e1 31 anos, quando uma revolu\u00e7\u00e3o derrubou o X\u00e1 Reza Pahlevi, que chefiou uma ditadura corrupta, testa-de-ferro dos ianques na regi\u00e3o. Esta revolu\u00e7\u00e3o nacionalizou o petr\u00f3leo e o g\u00e1s, expulsando as companhias petrol\u00edferas norte-americanas. <\/p>\n<p><strong>A \u201chipocrisia nuclear\u201d imperialista<\/strong><\/p>\n<p>Quando se trata de temas relacionados com a tecnologia nuclear, o que prevalece \u00e9 a mentira e a hipocrisia por parte dos pa\u00edses que possuem este tipo de armamento, que actuam sempre de modo a criar e alimentar d\u00favidas, suspeitas e inseguran\u00e7a na popula\u00e7\u00e3o de todo o mundo. Sectores da esquerda mundial, sob a press\u00e3o de posi\u00e7\u00f5es pacifistas, pretensamente \u201cprogressistas\u201d, fazem eco deste discurso, contribuindo, na pr\u00e1tica, com a perpetua\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio pol\u00edtico, econ\u00f3mico e militar destas \u201cpot\u00eancias nucleares\u201d. Com a justificativa de \u201cevitar o perigo nuclear\u201d, acabam apoiando, na pr\u00e1tica, a pol\u00edtica imperialista de manter o monop\u00f3lio das armas nucleares em suas m\u00e3os e de seus aliados ou agentes directos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do terreno militar, outro aspecto a considerar \u00e9 que o imperialismo quer o monop\u00f3lio nuclear tamb\u00e9m no com\u00e9rcio da tecnologia e dos insumos necess\u00e1rios para a produ\u00e7\u00e3o pac\u00edfica e, assim, poder obter grandes lucros deste sector energ\u00e9tico. \u00a0<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que o \u201cperigo nuclear\u201d j\u00e1 existe e \u00e9 concreto desde h\u00e1 muito tempo, independentemente do programa nuclear iraniano, ou de qualquer outro pa\u00eds que o esteja desenvolvendo. O \u00fanico pa\u00eds que utilizou, at\u00e9 agora, este tipo de armas contra uma popula\u00e7\u00e3o foi os Estados Unidos, que jogou duas bombas at\u00f3micas no Jap\u00e3o (Hiroshima e Nagasaki) no final da 2\u00aa Guerra Mundial, em 1946. Foi um ataque criminoso e militarmente desnecess\u00e1rio, pois o Jap\u00e3o j\u00e1 estava praticamente derrotado (Alemanha e It\u00e1lia j\u00e1 haviam se rendido) e n\u00e3o teria como manter a guerra. Estes bombardeios foram uma mensagem ao mundo de demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a e poder da grande pot\u00eancia que emergia vitoriosa. Hoje, os EUA possuem um arsenal nuclear capaz de destruir v\u00e1rias vezes o planeta, e a sua burguesia imperialista demonstrou que, se o considerar necess\u00e1rio, est\u00e1 disposta a us\u00e1-lo. Este, sim, \u00e9 o real \u201cperigo nuclear\u201d que amea\u00e7a a humanidade, e n\u00e3o o do Ir\u00e3o. <\/p>\n<p>Mais escandaloso, ainda, \u00e9 o caso de Israel: n\u00e3o \u00e9 segredo que este pa\u00eds possua de 200 a 300 armas nucleares, que n\u00e3o se submete a nenhuma inspec\u00e7\u00e3o ou controlo externo e que o desenvolvimento de seu programa nuclear vem sendo apoiado pelos EUA. Al\u00e9m disso, j\u00e1 utilizou armas proibidas n\u00e3o nucleares, provocando matan\u00e7as de civis palestinianos, como na Faixa de Gaza, e vive em guerra permanente com os pa\u00edses vizinhos, amea\u00e7ando-os com bombardeios, como faz agora com o Ir\u00e3o. <\/p>\n<p>O ideal seria que n\u00e3o houvesse arsenais nucleares, mas enquanto existir o imperialismo e o seu arsenal nuclear, ao qual n\u00e3o renuncia, e as suas For\u00e7as Armadas com armas qu\u00edmicas e alta tecnologia, n\u00e3o se pode falar de \u201cdesarmamento\u201d em geral sem falar primeiro quem desarmar\u00e1 o principal arsenal, o dos EUA. Finalmente, inclusive com o fim da Guerra Fria com a ex-URSS, que era a velha justificativa norte-americana para o seu imenso arsenal nuclear, este arsenal continuou intacto e se modernizou, com o seu terr\u00edvel poder de destrui\u00e7\u00e3o amea\u00e7ando a humanidade.<\/p>\n<p><strong>O papel da AIEA e do Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o Nuclear<\/strong><\/p>\n<p>A Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f3mica (AIEA ou IAEA em ingl\u00eas) foi criada, em 1957, como uma organiza\u00e7\u00e3o aut\u00f3noma destro da ONU, com o suposto objectivo de \u201cpromover o uso pac\u00edfico da energia nuclear e desalentar o seu uso para fins militares em armas at\u00f3micas\u201d. Logicamente, a sua actua\u00e7\u00e3o pouco tem a ver com isso e \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o completamente manipulado pelas grandes pot\u00eancias imperialistas, em particular com os EUA.<\/p>\n<p>A ferramenta com a qual a AIEA actua selectivamente para que determinados pa\u00edses n\u00e3o avancem no desenvolvimento de tecnologia nuclear \u00e9 o Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares (TNP). Este tratado foi assinado em 1968 e entrou em vigor em 1970. Preconizava o congelamento da produ\u00e7\u00e3o de armas nucleares: os signat\u00e1rios que ainda n\u00e3o as possu\u00edssem renunciariam a desenvolv\u00ea-las, enquanto que os pa\u00edses que j\u00e1 as tivessem se comprometiam a reduzir o seu arsenal at\u00f3mico (entretanto, n\u00e3o se estipulavam prazos nem metas concretas para esse \u201cdesarmamento\u201d). Assim, na pr\u00e1tica, a tecnologia para a fabrica\u00e7\u00e3o de armas at\u00f3micas ficou restrita apenas a cinco na\u00e7\u00f5es, que, nessa \u00e9poca, j\u00e1 a dominavam (EUA, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha, R\u00fassia e China).<\/p>\n<p>Em contrapartida, as demais na\u00e7\u00f5es signat\u00e1rias receberiam apoio e incentivo para o desenvolvimento da energia nuclear com fins pac\u00edficos (por exemplo, produ\u00e7\u00e3o de electricidade, radiois\u00f3topos e r\u00e1dio-f\u00e1rmacos, irradia\u00e7\u00e3o de materiais, de alimentos, etc.). Os pa\u00edses signat\u00e1rios do TNP comprometem-se a comunicar e reportar \u00e0 AIEA todas as suas actividades nucleares e devem permitir que seus inspectores fiscalizem as suas instala\u00e7\u00f5es. Estas obriga\u00e7\u00f5es, entretanto, n\u00e3o precisam ser cumpridas pelas cinco na\u00e7\u00f5es que j\u00e1 possu\u00edam armas nucleares. O TNP foi assinado por 187 dos 190 pa\u00edses que fazem parte da ONU, mas foi ratificado por menos da metade desses pa\u00edses. Os que n\u00e3o o assinaram foram \u00cdndia, Paquist\u00e3o e Israel. <\/p>\n<p>Como se v\u00ea, o Tratado \u00e9 extremamente discriminat\u00f3rio, buscando concentrar e consolidar o poder militar em pouco pa\u00edses imperialistas ou alguns pouco aliados. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que as principais \u201cpot\u00eancias nucleares\u201d sejam as mesmas na\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU (EUA, R\u00fassia, China, Reino Unidos e Fran\u00e7a), reflectindo a reparti\u00e7\u00e3o do poder ap\u00f3s o fim da 2\u00aa Guerra Mundial. N\u00e3o fica nenhuma d\u00favida, portanto, que significou e significa a posse da tecnologia nuclear como um factor de poder, dom\u00ednio e imposi\u00e7\u00e3o de interesses. <\/p>\n<p>O outro t\u00f3pico deste Tratado, a promessa das pot\u00eancias nucleares de reduzir o seu arsenal nuclear, n\u00e3o passou de declara\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas de boas inten\u00e7\u00f5es. Na pr\u00e1tica, nestes anos de vig\u00eancia do TNP, ocorreu um significativo aumento deste arsenal. Al\u00e9m das cinco pot\u00eancias nucleares originais, sabe-se que mais quatro pa\u00edses j\u00e1 produziram armas nucleares: \u00cdndia, Paquist\u00e3o e Israel; exactamente os pa\u00edses que se haviam negado a aderir ao TNP. Al\u00e9m da Coreia do Norte, que se retirou do TNP em 2003. Mas, por n\u00e3o tratar-se de um aliado do imperialismo, vem sendo igualmente pressionada a interromper o seu programa nuclear.<\/p>\n<p>O TNP \u00e9 cada vez mais questionado por n\u00e3o ser democr\u00e1tico e por n\u00e3o garantir os seus objectivos originais. Pelo contr\u00e1rio, cresceu o n\u00famero de pa\u00edses que dominam a tecnologia de fabrica\u00e7\u00e3o de armas nucleares e as pot\u00eancias nucleares n\u00e3o cumprem a sua parte do Tratado (o desarmamento). Al\u00e9m disso, a AIEA \u00e9 utilizada conforme os interesses definidos pela maior pot\u00eancia imperialista, os EUA. Em Maio de 2010, realizar-se-\u00e1 uma nova confer\u00eancia internacional de revis\u00e3o do TNP (que tem uma periodicidade de 5 anos), quando os EUA e os seus aliados pressionar\u00e3o para que os pa\u00edses assinem o Protocolo Adicional, que permitiria \u00e0 AIEA promover revistas irrestritas, mais amplas e detalhadas, e sem programa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via. O actual protocolo \u00e9 de 1997 e s\u00f3 foi assinado por 93 dos signat\u00e1rios originais do TNP. <\/p>\n<p>Al\u00e9m desta, h\u00e1 a proposta norte-americana de estabelecer um \u201cbanco internacional de ur\u00e2nio enriquecido\u201d, que supostamente coordenaria a sua distribui\u00e7\u00e3o conforme as necessidades comprovadas pelos pa\u00edses. Tal proposta \u00e9 vista com muita reserva, sendo de dif\u00edcil aceita\u00e7\u00e3o, pois significaria que os pa\u00edses aderentes abririam m\u00e3o de capacitar-se tecnologicamente para dominar as etapas do enriquecimento do ur\u00e2nio, ficando totalmente dependente das grandes pot\u00eancias. Actualmente s\u00e3o poucos os pa\u00edses que dominam todo o ciclo de enriquecimento do ur\u00e2nio (as cinco pot\u00eancias nucleares, Alemanha, Holanda, Brasil e, parcialmente, Argentina). Mas v\u00e1rios outros v\u00eam realizando esfor\u00e7os neste sentido, como o Ir\u00e3o, que acaba de anunciar o dom\u00ednio completo da tecnologia. Como as grandes pot\u00eancias n\u00e3o dever\u00e3o oferecer nada em troca, em rela\u00e7\u00e3o ao seu pr\u00f3prio desarmamento, vislumbra-se que esta confer\u00eancia tende a fracassar como a confer\u00eancia anterior, de 2005, que n\u00e3o conseguiu sequer um consenso m\u00ednimo que permitisse um documento de fecho. O outro t\u00f3pico que cruzar\u00e1 a Confer\u00eancia \u00e9 sobre a crise gerada pelo programa nuclear iraniano. <\/p>\n<p><strong>O programa nuclear iraniano<\/strong><\/p>\n<p>O Ir\u00e3o iniciou o seu programa nuclear em meados dos anos 60, ainda sob a ditadura do X\u00e1 Reza Pahlevi, com o apoio e incentivo dos EUA. Em 1967, foi constru\u00edda a primeira instala\u00e7\u00e3o nuclear iraniana, o Centro de Investiga\u00e7\u00e3o Nuclear de Teer\u00e3o, com um pequeno reactor de investiga\u00e7\u00e3o de 5 megawats de pot\u00eancia. Em 1968, o Ir\u00e3o assinou o Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares (TNP), ratificado pelo seu parlamento em 1970.<\/p>\n<p>Em meados dos anos 70, valendo-se de um estudo do Stanford Research Institute (SRT), os EUA convenceram o X\u00e1 a construir v\u00e1rios reactores nucleares para suprir a demanda futura de energia el\u00e9ctrica, j\u00e1 que, segundo os estudos do SRT, em 1990 o Ir\u00e3o necessitaria de uma matriz energ\u00e9tica de 20.000 megawats. Dessa forma, as empresas norte-americanas poderiam vender tecnologia nuclear ao Ir\u00e3o, ou construir estes reactores, e os EUA recuperariam parte de seus gastos com a compra do petr\u00f3leo iraniano. <\/p>\n<p>Em 1979, ano da revolu\u00e7\u00e3o que derrubou o X\u00e1, o Ir\u00e3o constru\u00eda dois reactores para a produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9ctrica, sob a responsabilidade de empresas alem\u00e3es: uma com 90% e outra com 50% de suas instala\u00e7\u00f5es constru\u00eddas. Por press\u00e3o dos EUA, nenhuma empresa ou pa\u00eds aceitou dar continuidade \u00e0 constru\u00e7\u00e3o destes reactores, e apenas recentemente, em Fevereiro de 2009, a primeira central nuclear iraniana foi conclu\u00edda por empresas russas.<\/p>\n<p>Em 2003, revelou-se que o Ir\u00e3o possu\u00eda instala\u00e7\u00f5es nucleares em Natanz e Arak, nas quais seriam poss\u00edvel, teoricamente, enriquecer ur\u00e2nio a n\u00edveis suficientes para a produ\u00e7\u00e3o de armas. O Ir\u00e3o assinou ent\u00e3o o protocolo adicional do TNP, como forma de reduzir as press\u00f5es internacionais, e o ent\u00e3o presidente Khatami abriu as instala\u00e7\u00f5es para inspectores da AIEA, afirmando que o Ir\u00e3o produziria o seu pr\u00f3prio combust\u00edvel nuclear para suprir as necessidades de seus reactor de investiga\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Isto \u00e9, desde 2003, pelo menos, n\u00e3o era surpresa para ningu\u00e9m que o Ir\u00e3o, assim como v\u00e1rios outros pa\u00edses, estava tentando desenvolver e\/ou adquirir tecnologia para o enriquecimento de ur\u00e2nio, o que \u00e9 totalmente permitido pelos pa\u00edses signat\u00e1rios do TNP, que podem ter o seu programa nuclear e enriquecer ur\u00e2nio a 20%, sempre que declarem que \u00e9 para \u201cfins pac\u00edficos\u201d e abram as suas instala\u00e7\u00f5es \u00e0 inspec\u00e7\u00e3o da AIEA. Portanto, o Ir\u00e3o n\u00e3o estava infringindo nenhuma regra do TNP, que serve aos interesses das grandes pot\u00eancias. <\/p>\n<p>Apesar disso, os EUA argumentaram que o Ir\u00e3o, por possuir enormes reservas de petr\u00f3leo e g\u00e1s, n\u00e3o necessitava de energia nuclear para a produ\u00e7\u00e3o de electricidade. E que, portanto, o seu interessa seria a constru\u00e7\u00e3o de armas nucleares. Com este argumento, exigiu o fim o programa nuclear iraniano, esquecendo que h\u00e1 alguns anos usou argumento contr\u00e1rio para poder vender reactores ao Ir\u00e3o, quando este pa\u00eds era chefiado por um governo fantoche. Assim fica claro que o imperialismo s\u00f3 se preocupa com a \u201cprolifera\u00e7\u00e3o\u201d quando pode significar que algum pa\u00eds escape de seu controlo absoluto de armas nucleares. <\/p>\n<p><strong>A quest\u00e3o central \u00e9 o monop\u00f3lio nuclear para o imperialismo<\/strong><\/p>\n<p>Durante os anos de Guerra Fria, quando a URSS e outros pa\u00edses j\u00e1 possu\u00edam a tecnologia e produziram armas nucleares, os EUA deviam ter em conta a possibilidade de uma repres\u00e1lia antes de usar novamente o seu poderoso arsenal nuclear. Era o que se costumava chamar de \u201cpoder de dissuas\u00e3o\u201d. O que os EUA buscam garantir hoje \u00e9 que n\u00e3o haja mais pa\u00edses que possam ter a possibilidade de alcan\u00e7ar esse poder, para que n\u00e3o possam resistir \u00e0s suas ordens e \u00e0 sua pol\u00edtica de coloniza\u00e7\u00e3o e dom\u00ednio mundial, assegurando-se uma hegemonia militar incontest\u00e1vel. <\/p>\n<p>Desde 2003, o programa nuclear do Ir\u00e3o, inclusive cumprindo todos os artigos do TNP, \u00e9 motivo de press\u00f5es e san\u00e7\u00f5es por parte das pot\u00eancias internacionais, apesar de todas as revistas feitas pela AIEA. Inclusive depois de o anterior presidente desta Ag\u00eancia, Mohamed El Baradei, ter afirmado n\u00e3o possuir nenhuma informa\u00e7\u00e3o ou evid\u00eancia de que o Ir\u00e3o pudesse ter um programa de fabrico de armas. <\/p>\n<p>Fica claro que esta mesma ag\u00eancia mudou de posi\u00e7\u00e3o ao calor das press\u00f5es pol\u00edticas das grandes pot\u00eancias. Como exemplo desta actua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o independente da AIEA podemos citar a sua posi\u00e7\u00e3o quando o Egipto e a Coreia do Sul foram surpreendidos ap\u00f3s realizar experi\u00eancias nucleares secretas por muitos anos: em nenhum momento especulou-se que estes pa\u00edses poderiam construir armas nucleares; n\u00e3o se mobilizou diplomatas, n\u00e3o se exigiu repres\u00e1lias ou san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas&#8230; A Ag\u00eancia limitou-se a uma pequena repreens\u00e3o a estes pa\u00edses aliados dos EUA. O outro exemplo absurdo \u00e9 o j\u00e1 citado de Israel, com centenas de bombas at\u00f3micas, que nunca foi sequer notificado ou \u201cmolestado\u201d pela AIEA. <\/p>\n<p>Por tudo que foi apontado, defendemos o direito do Ir\u00e3o de desenvolver a sua tecnologia nuclear e, inclusive, fabricar bombas at\u00f3micas para defender-se de um ataque imperialista ou de Israel. Na realidade, a sua posse seria um forte obst\u00e1culo a estes poss\u00edveis ataques. Nesse sentido, \u00e9 necess\u00e1rio disputar a consci\u00eancia e alertar os trabalhadores contra essas mentiras e hipocrisias do imperialismo. Que aqueles que fazem alarde contra o programa nuclear do Ir\u00e3o se posicionem sobre o maior arsenal nuclear j\u00e1 existente e que ningu\u00e9m controla, o dos EUA, o \u00fanico pa\u00eds que j\u00e1 utilizou bombas at\u00f3micas contra os povos. Desafiamos-lhes tamb\u00e9m a pronunciar-se claramente contra as san\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses e organismos imperialistas contra o Ir\u00e3o. <\/p>\n<p>Reafirmamos que o perigo de um desastre nuclear para a humanidade n\u00e3o est\u00e1 no programa nuclear iraniano (ou brasileiro, argentino, norte-coreano, etc.), mas no arsenal j\u00e1 existente, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es imperialistas e suas aliadas, que, a todo momento, violam as regras que tentam impor aos demais e demonstram o seu car\u00e1cter beligerante, colonizador e imperialista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A disputa que envolve o programa nuclear iraniano aumentou no in\u00edcio de 2010, elevando o n\u00edvel das acusa\u00e7\u00f5es, press\u00f5es diplom\u00e1ticas e amea\u00e7as de san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas ao Ir\u00e3o. J\u00e1 se fala novamente da possibilidade de \u201cconflito militar\u201d, com um poss\u00edvel ataque dos EUA, ou inclusive de Israel, ao pa\u00eds. Est\u00e1-se a desenvolver uma agressiva campanha internacional, encabe\u00e7ada pelos EUA e Israel, com o objectivo de pressionar as outras pot\u00eancias mundiais a aceitar medidas mais duras contra o Ir\u00e3o. A campanha procura tamb\u00e9m convencer e preparar a opini\u00e3o p\u00fablica internacional para este poss\u00edvel ataque militar ou, mais provavelmente, para aplicar san\u00e7\u00f5es ainda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-206","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-correio-internacional"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/206","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=206"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/206\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=206"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=206"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=206"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}