{"id":2039,"date":"2015-12-23T16:26:58","date_gmt":"2015-12-23T15:26:58","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2015\/12\/23\/banif-vamos-continuar-a-penalizar-os-contribuintes-em-beneficio-de-banqueiros\/"},"modified":"2015-12-23T16:26:58","modified_gmt":"2015-12-23T15:26:58","slug":"banif-vamos-continuar-a-penalizar-os-contribuintes-em-beneficio-de-banqueiros","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2015\/12\/23\/banif-vamos-continuar-a-penalizar-os-contribuintes-em-beneficio-de-banqueiros\/","title":{"rendered":"Banif. Vamos continuar a penalizar os contribuintes em benef\u00edcio de banqueiros?"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p>No contexto da crise econ\u00f3mica em que as fal\u00eancias de empresas se v\u00e3o amontoando, os bancos t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de refor\u00e7ar as suas reservas de capital para fazer face a eventuais perdas futuras. Em 2012, o Banif regista preju\u00edzos hist\u00f3ricos de 576,4 milh\u00f5es \u20ac, o que compara com perdas de 161,6 milh\u00f5es \u20ac em 2011.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>De acordo com a avalia\u00e7\u00e3o da <em>Troika<\/em>, o Banif apresentava baixos n\u00edveis de reservas de capital para fazer face a eventuais preju\u00edzos. A sua administra\u00e7\u00e3o e accionistas constitu\u00edram as reservas necess\u00e1rias? N\u00e3o. Procuraram formas de refor\u00e7ar as suas reservas de capital? Tamb\u00e9m n\u00e3o. Quem o fez? O Estado atrav\u00e9s de capitais p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Em finais de 2012, o Banif foi a quarta institui\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria a ser recapitalizada com recursos p\u00fablicos, depois do BCP, BPI e CGD. Foram injectados 1,1 mil milh\u00f5es \u20ac no Banif, o que perfazia, na altura, um total de 5,6 mil milh\u00f5es de \u20ac injectados na banca portuguesa pelo Estado. O Estado ficou ent\u00e3o dono de 99,2% das ac\u00e7\u00f5es do Banif e de 98,7% dos direitos de voto. O Governo, Banco de Portugal (\u201cBdP\u201d) ou CMVM preocuparam-se em investigar o porqu\u00ea de necessidades t\u00e3o elevadas de capital? Foi investigada a exist\u00eancia de ind\u00edcios de actividades il\u00edcitas? A quem foram concedidos os cr\u00e9ditos? Com que finalidade? Existiu gest\u00e3o danosa? Nada foi feito\u2026<\/p>\n<p>Daquilo que se conhece do plano acordado com a Comiss\u00e3o Europeia, o Banif teria de, at\u00e9 2017, vender activos (a maior parte das opera\u00e7\u00f5es que tinha no estrangeiro) e reduzir a sua actividade.<\/p>\n<p>Nos meses seguintes \u00e0 recapitaliza\u00e7\u00e3o, o Banif foi fazendo aumentos de capital. No entanto, n\u00e3o consegue alcan\u00e7ar o montante com que se tinha comprometido. Entre aumentos de capital e pagamentos ao Estado, a posi\u00e7\u00e3o estatal alcan\u00e7a, em meados de 2014 (passado ano e meio), 60,5% do banco.<\/p>\n<p>N\u00e3o consegue amealhar capitais suficientes para pagar ao Estado mas, em Outubro de 2013, vem a conhecimento p\u00fablico que mant\u00e9m pagamentos luxuosos aos seus antigos administradores. Exemplo disso \u00e9 o pagamento de 980 mil \u20ac a Maria da Concei\u00e7\u00e3o Leal, ex-administradora do Banif no Brasil. Para que estavam a servir os capitais p\u00fablicos? Pelos vistos,\u00a0 para continuar a pagar os privil\u00e9gios de uma administra\u00e7\u00e3o, no m\u00ednimo, incompetente.<\/p>\n<p>Entretanto, o tempo passa e nem o Governo Passos\/Portas, nem BdP, nem CMVM, nem a Comiss\u00e3o Europeia d\u00e3o grande import\u00e2ncia ao caso. Dizem-nos hoje que \u201cfoi dada prioridade ao processo do Novo Banco\u201d ou que \u201cn\u00e3o seria a melhor altura para abrir um processo de venda do Banif\u201d. Tudo falso! Depois da estrondosa derrocada do antigo BES, em meados de 2014, com repercuss\u00f5es a n\u00edvel mundial, e num per\u00edodo que antecedia as elei\u00e7\u00f5es legislativas em Portugal, o Governo, com o aval da Comiss\u00e3o Europeia, preferiu proteger-se a enfrentar mais uma explos\u00e3o financeira.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Novamente, n\u00e3o h\u00e1 respons\u00e1veis pelo buraco mas j\u00e1 h\u00e1 quem o pague: os contribuintes.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>A antiga administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pelos preju\u00edzos apresentados em 2012 e a subsequente recapitaliza\u00e7\u00e3o estatal? Mais: como \u00e9 permitido que administradores continuem a usufruir de rendimentos astron\u00f3micos pagos pelo Banif, depois de este ter sido intervencionado? O BdP, mais uma vez, nada v\u00ea, nada regula, nada resolve? O Governo de Passos\/Portas n\u00e3o tem qualquer tipo de responsabilidade por ter enterrado 1,1 mil milh\u00f5es \u20ac num banco e mais nada ter feito para o reaver?<\/p>\n<p>Na Isl\u00e2ndia, o n\u00famero de banqueiros responsabilizados j\u00e1 vai em 26. Todos presos por crimes financeiros.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Como se n\u00e3o bastasse, o que faz o actual Governo PS?<\/strong><\/span> Vende a \u201cparte boa\u201d da participa\u00e7\u00e3o de 60,5% que o Estado detinha no banco por 150 milh\u00f5es \u20ac ao espanhol Santander; e, cria um ve\u00edculo com a \u201cparte m\u00e1\u201d (activos t\u00f3xicos de dif\u00edcil recupera\u00e7\u00e3o) do Banif onde ter\u00e1 de injectar ainda mais 2,3 mil milh\u00f5es \u20ac de capitais p\u00fablicos.<\/p>\n<p>E, perante isto, BE e PCP apenas se limitam \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o palaciana: (<strong><em>i<\/em><\/strong>) n\u00e3o votam a favor da solu\u00e7\u00e3o encontrada, \u00e9 certo; e (<strong><em>ii<\/em><\/strong>) prometem mais uma comiss\u00e3o de inqu\u00e9rito parlamentar onde se \u201ctiram belos retratos\u201d e se exercita a \u201ca arte de bem falar\u201d mas que n\u00e3o trazem grandes consequ\u00eancias para a vida das pessoas. Para al\u00e9m disso, n\u00e3o tomam qualquer iniciativa de mobiliza\u00e7\u00e3o que pressione o Governo de Costa a tomar as medidas necess\u00e1rias para a responsabiliza\u00e7\u00e3o dos culpados. \u00c9 caso para dizer que as \u201cabsten\u00e7\u00f5es violentas\u201d v\u00e3o fazendo escola.<\/p>\n<p>Quantos mais buracos financeiros teremos n\u00f3s de pagar e calar? At\u00e9 quando o dinheiro ser\u00e1 retirado dos nossos sal\u00e1rios e directamente transferido para as contas de banqueiros incompetentes e corruptos?<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o encontrada est\u00e1 completamente do avesso. Por um lado, a \u201cparte boa\u201d do banco \u00e9 vendida, a pre\u00e7o de saldo, aos banqueiros que nos conduziram \u00e0 gigantesca crise econ\u00f3mica que atravessamos e, por outro, a \u201cparte m\u00e1\u201d \u00e9 colocada sob a responsabilidade dos contribuintes, que s\u00e3o completamente alheios aos problemas financeiros existentes.<\/p>\n<p>Porque \u00e9 que os \u201cactivos bons\u201d n\u00e3o s\u00e3o integrados na CGD? Passaria o Estado a usufruir de um conjunto de activos que lhe renderiam dinheiro para financiar a economia e criar emprego. Porque \u00e9 que os \u201cactivos maus\u201d, fruto de incompet\u00eancia, da m\u00e1 gest\u00e3o e corrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o ficam \u00e0 responsabilidade dos banqueiros? Basta de impunidade! Todos os bens dos banqueiros, as suas propriedades, contas <em>offshore<\/em>, etc. devem servir para pagar a sua m\u00e1 gest\u00e3o e actos de corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para o futuro, o economista Jorge Bateira adianta uma medida com a qual concordamos e que seria de uma enorme relev\u00e2ncia: <strong>o controlo p\u00fablico do cr\u00e9dito<\/strong>. Atrav\u00e9s deste controlo o Estado poderia definir onde, a quem e de que forma deve ser concedido o cr\u00e9dito; quais os sectores econ\u00f3micos que mais necessitam de investimento e quais os sectores que maior interesse t\u00eam para a economia nacional.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Basta de roubar a quem trabalha para salvar banqueiros!<\/strong><\/p>\n<p> <strong> <\/strong> <\/p>\n<p><strong>&#8211; Fa\u00e7amos como na Isl\u00e2ndia! Fim da impunidade! Responsabiliza\u00e7\u00e3o e pris\u00e3o de quem roubou os bancos!<\/strong><\/p>\n<p> <strong> <\/strong> <\/p>\n<p><strong>&#8211; Pelo controlo p\u00fablico do cr\u00e9dito!<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No contexto da crise econ\u00f3mica em que as fal\u00eancias de empresas se v\u00e3o amontoando, os bancos t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de refor\u00e7ar as suas reservas de capital para fazer face a eventuais perdas futuras. Em 2012, o Banif regista preju\u00edzos hist\u00f3ricos de 576,4 milh\u00f5es \u20ac, o que compara com perdas de 161,6 milh\u00f5es \u20ac em 2011.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2038,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[31],"tags":[757,260,233,758,114,756,421],"class_list":["post-2039","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional","tag-banco","tag-banif","tag-crise","tag-falencia","tag-mas","tag-movimento-altenativa-socialista","tag-solucao"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/banif.jpg?fit=635%2C340","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2039","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2039"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2039\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2038"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2039"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2039"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2039"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}