{"id":2023,"date":"2015-11-25T16:32:38","date_gmt":"2015-11-25T15:32:38","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2015\/11\/25\/basta-de-violencia-basta-de-opressao-basta-de-exploracao-contra-a-metade-da-humanidade\/"},"modified":"2015-11-25T16:32:38","modified_gmt":"2015-11-25T15:32:38","slug":"basta-de-violencia-basta-de-opressao-basta-de-exploracao-contra-a-metade-da-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2015\/11\/25\/basta-de-violencia-basta-de-opressao-basta-de-exploracao-contra-a-metade-da-humanidade\/","title":{"rendered":"Basta de viol\u00eancia, basta de opress\u00e3o, basta de explora\u00e7\u00e3o contra a metade da humanidade!"},"content":{"rendered":"\n<p>Durante o ano de 2015, foram realizadas muitas&nbsp;manifesta\u00e7\u00f5es multitudin\u00e1rias que, em diferentes pa\u00edses do mundo, expressaram o seu profundo rep\u00fadio \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher. No come\u00e7o do ano, na Turquia, houve&nbsp;uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o contra o assassinato de uma jovem de 20 anos que tinha resistido a um estupro.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p><em><strong><a href=\"http:\/\/litci.org\/es\/opresiones\/mujeres\/basta-de-violencia-basta-de-opresion-basta-de-explotacion-contra-la-mitad-de-la-humanidad\/\">Secretaria Internacional de Mulheres da LIT-QI<\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p>No dia 3 de junho, na Argentina, sob a palavra de ordem de \u201cNenhuma a menos\u201d, mais de meio milh\u00e3o de pessoas manifestaram-se nas ruas contra o feminic\u00eddio de outra jovem, desta vez de 14 anos de idade, que al\u00e9m do mais estava gr\u00e1vida. Seu corpo foi encontrado no quintal da casa de seu namorado. No dia 7 de novembro, em Madri e outras cidades do Estado Espanhol, 100 mil pessoas, com uma destacada presen\u00e7a masculina, sa\u00edram em passeata do Museu do Prado \u201ccontra as viol\u00eancias machistas\u201d e exigindo que esse tema seja tomado como uma pol\u00edtica de Estado. Essas mobiliza\u00e7\u00f5es contaram com a participa\u00e7\u00e3o de sindicatos e setores dos trabalhadores que come\u00e7am a ligar a luta contra a viol\u00eancia e pelos direitos da mulher, como o direito ao aborto, com a luta contra os planos de austeridade que atacam fortemente as fam\u00edlias trabalhadoras. Foi o que aconteceu na \u00cdndia, na Argentina, no Estado Espanhol, onde a marcha de 7 de novembro teve como pre\u00e2mbulo a derrota da Lei Gallard\u00f3n contra o direito ao aborto, conseguindo, al\u00e9m disso, a ren\u00fancia do Ministro.<\/p>\n<p>Essas e muitas outras manifesta\u00e7\u00f5es contra diferentes express\u00f5es nacionais do mesmo flagelo, a viol\u00eancia contra as mulheres, come\u00e7am a demonstrar o reconhecimento de que esse problema tomou n\u00edveis alarmantes sob o capitalismo, desmentindo aqueles que afirmam que o problema da opress\u00e3o contra a metade da humanidade \u00e9 um assunto do passado.<\/p>\n<p><strong>A viol\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o somente os feminic\u00eddios<\/strong><\/p>\n<p>O assassinato de mulheres pelo simples fato de serem mulheres, como produto da cultura machista, \u00e9 o que foi denominado feminic\u00eddio. Esta, que \u00e9 a forma mais vis\u00edvel e repulsiva e \u00e9 tamb\u00e9m a que alcan\u00e7ou um rep\u00fadio mais amplo no conjunto da sociedade, \u00e9 somente a ponta do iceberg do que significa a opress\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o da imensa maioria do sexo feminino.<\/p>\n<p>Viol\u00eancia machista tamb\u00e9m \u00e9 a carga de trabalho dom\u00e9stico que implica a dupla jornada para as mulheres trabalhadoras. \u00c9 a responsabilidade pelo cuidado dos membros improdutivos da sociedade, as crian\u00e7as e os idosos, relegado pelo Estado \u00e0s mulheres trabalhadoras quando corta os direitos e os or\u00e7amentos sociais. \u00c9 o corte e a elimina\u00e7\u00e3o dos direitos \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o para uma grande parte dos trabalhadores e dos setores mais pobres. \u00c9 a falta de moradia e os despejos promovidos pelos bancos e pelos governos capitalistas. \u00c9 a falta de pol\u00edticas para prevenir a gravidez na adolesc\u00eancia, e a dificuldade para ter acesso aos anticoncepcionais. \u00c9 a proibi\u00e7\u00e3o do direito ao aborto livre e gratuito, como op\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da mulher diante de uma gravidez indesejada. \u00c9 o corte de direitos da maternidade, a aus\u00eancia ou limita\u00e7\u00e3o das licen\u00e7as maternidade, compartilhadas pelo companheiro ou companheira. \u00c9 a demiss\u00e3o pelo fato de estar gr\u00e1vida.<\/p>\n<p>Viol\u00eancia machista \u00e9 o ass\u00e9dio sexual nos locais de trabalho ou de estudo. \u00c9 a publicidade e a propaganda que coloca a mulher como objeto sexual. \u00c9 o ass\u00e9dio sexual e o estupro nas ruas, a agress\u00e3o f\u00edsica e psicol\u00f3gica, o maltrato dom\u00e9stico. Viol\u00eancia machista \u00e9 o uso do corpo da mulher como trof\u00e9u de guerra, utilizado como s\u00edmbolo de poder dos vencedores e de sujei\u00e7\u00e3o dos povos e na\u00e7\u00f5es vencidas. Viol\u00eancia machista \u00e9 negar asilo \u00e0s fam\u00edlias e \u00e0s mulheres que chegam com seus filhos \u00e0s fronteiras dos pa\u00edses europeus e que s\u00e3o recebidas com viol\u00eancia e repress\u00e3o por parte dos aparatos policiais, como vimos nas imagens que percorreram o mundo na recente crise dos refugiados.<\/p>\n<p>Viol\u00eancia machista \u00e9 a homofobia desenfreada contra a comunidade LGBTTI, sua discrimina\u00e7\u00e3o sofrida no trabalho, sua censura social e sua segrega\u00e7\u00e3o. Viol\u00eancia machista \u00e9 o tr\u00e1fico de pessoas que, segundo estimativas da ONU, chega a 20,9 milh\u00f5es, sendo a maior parte com o fim de explora\u00e7\u00e3o sexual, ou seja, prostitui\u00e7\u00e3o em sua maioria de mulheres e crian\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>A dupla moral burguesa e imperialista<\/strong><\/p>\n<p>O dia mundial da n\u00e3o viol\u00eancia contra a mulher \u00e9 promovido pela ONU, organiza\u00e7\u00e3o dos governos capitalistas que \u00e9 comandada pelo imperialismo mundial. Sua inten\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201clegitimar\u201d o sistema capitalista aos olhos das massas oprimidas e exploradas, mostrando que h\u00e1 sa\u00edda diante do problema da opress\u00e3o por dentro do sistema. No entanto, a sua forma de \u201ccanalizar\u201d um problema social cada vez mais explosivo \u00e9 declarando uma data, assim como fazem com o problema dos direitos humanos, dos direitos da inf\u00e2ncia, do direito \u00e0 maternidade, do dia da ra\u00e7a, etc. Um dia para canalizar os descontentamentos, que \u00e9 propagandeado e convocado pelas pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es de seus Estados burgueses. N\u00f3s, mulheres socialistas, chamamos a participa\u00e7\u00e3o nas mobiliza\u00e7\u00f5es que s\u00e3o organizadas com esse objetivo, porque \u00e9 urgente acabar com a viol\u00eancia machista e a opress\u00e3o da mulher. Por\u00e9m, ao mesmo tempo denunciamos a pol\u00edtica mentirosa do \u201cempoderamento\u201d, uma sa\u00edda individual ao problema da opress\u00e3o que hoje \u00e9 impulsionada a partir da ONU, passando pelos Estados e pelas burocracias sindicais. Uma pol\u00edtica que deixa nas m\u00e3os das v\u00edtimas a responsabilidade pela opress\u00e3o, que ilude os oprimidos com o argumento de que basta assumir uma \u201catitude\u201d de rep\u00fadio diante do opressor para que o problema seja resolvido, ocultando as verdadeiras ra\u00edzes econ\u00f4micas, pol\u00edticas e sociais que a sustentam. Uma pol\u00edtica na qual os respons\u00e1veis s\u00e3o outros: \u201ca sociedade\u201d, uma abstra\u00e7\u00e3o que oculta a responsabilidade particular de uma classe social: a burguesia, para a qual a opress\u00e3o \u00e9 \u00fatil ao seu sistema de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Denunciamos que, enquanto chamam um dia&nbsp;pela n\u00e3o viol\u00eancia&nbsp;contra a mulher, aplicam em todos os pa\u00edses pol\u00edticas de austeridade que&nbsp;atacam de maneira violenta&nbsp;as mulheres, principalmente as mulheres trabalhadoras. Reduzem o or\u00e7amento, fecham escolas e casas-abrigo e fecham creches p\u00fablicas. Tamb\u00e9m pro\u00edbem o direito ao aborto ou o limitam, como no Brasil, governado por uma mulher, Dilma Roussef, onde est\u00e1 sendo discutido um projeto de lei apresentado por v\u00e1rios partidos, incluindo o da presidente, o PT. Este projeto prev\u00ea nada menos do que a proibi\u00e7\u00e3o da p\u00edlula do dia seguinte, exige Boletim de Ocorr\u00eancia para que o medicamento seja fornecido \u00e0s mulheres v\u00edtimas de estupro, penaliza trabalhadores da sa\u00fade que orientem sobre o aborto e dificulta o procedimento legal de aborto para v\u00edtimas de estupro. Inclusive criminaliza todos que defendam a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto como uma medida de sa\u00fade p\u00fablica ou como um direito da mulher, por considerar esta atitude uma incita\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Denunciamos a dupla moral da burguesia e do imperialismo e chamamos os trabalhadores e as trabalhadoras a nos unirmos na luta contra a explora\u00e7\u00e3o capitalista, que utiliza a opress\u00e3o da mulher para superexplor\u00e1-la com contratos de trabalhos mais prec\u00e1rios que os do conjunto da classe trabalhadora, com sal\u00e1rios mais baixos e condenada \u00e0 dupla jornada, \u00e0 viol\u00eancia cotidiana, ao ass\u00e9dio sexual no trabalho pelas m\u00e3os dos \u201cchefes\u201d que o utilizam como chantagem para n\u00e3o demitir e que, ao deix\u00e1-las na rua e sem trabalho, obrigam-nas a cair nas redes de prostitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>25 de Novembro contra a viol\u00eancia machista e a explora\u00e7\u00e3o capitalista<\/strong><\/p>\n<p>No dia 25 de Novembro, sairemos \u00e0s ruas para denunciar e para repudiar a viol\u00eancia contra as mulheres. Juntas, todas as mulheres de distintas classes sociais lutaremos contra a viol\u00eancia machista. Participaremos das passeatas nas ruas. Mas esta unidade de a\u00e7\u00e3o no 25N terminar\u00e1 em seguida e n\u00f3s, trabalhadoras, continuaremos nosso caminho de maneira separada das mulheres burguesas, pois sabemos que elas n\u00e3o est\u00e3o dispostas a continuar na luta cotidiana pela conquista de plenos direitos e plena igualdade. Na luta por sal\u00e1rio igual para trabalho igual, por pleno direito ao aborto financiado pelo Estado, por creches, lavanderias e restaurantes p\u00fablicos financiados pelo Estado, ou seja, para que o Estado capitalista assuma os custos do trabalho dom\u00e9stico. Elas tamb\u00e9m n\u00e3o estar\u00e3o ao nosso lado contra os planos de austeridade que nos condenam ao trabalho prec\u00e1rio, ao trabalho tempor\u00e1rio, \u00e0 mis\u00e9ria e \u00e0 fome. Elas estar\u00e3o, como t\u00eam demonstrado gerentes, ministras e presidentas, ao lado das pol\u00edticas do Estado capitalista, contra as trabalhadoras e a classe trabalhadora como um todo. Estar\u00e3o tamb\u00e9m na trincheira oposta aos direitos dos imigrantes. Na luta de classes contra a explora\u00e7\u00e3o capitalista e a opress\u00e3o pol\u00edtica, estar\u00e3o do outro lado defendendo os interesses de sua classe, porque s\u00e3o esses os interesses que lhes proporcionam seus privil\u00e9gios.<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora, de maneira independente, devem levantar as bandeiras da luta contra a opress\u00e3o, contra a viol\u00eancia e o machismo, devem organizar nas suas fileiras as mulheres trabalhadoras, porque a nossa luta, dos homens e das mulheres trabalhadoras, \u00e9 uma luta que vai al\u00e9m do rep\u00fadio \u00e0 viol\u00eancia. N\u00f3s queremos eliminar todo tipo de viol\u00eancia e opress\u00e3o. Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio mudar as bases materiais deste sistema baseado na explora\u00e7\u00e3o e na opress\u00e3o, um sistema no qual os meios de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o sejam propriedade privada de um punhado de privilegiados, mas sim propriedade comum de toda a sociedade. Por isso, esta n\u00e3o pode ser uma luta somente das mulheres. As mulheres trabalhadoras devem ser a vanguarda para que a classe trabalhadora de conjunto tome para si essa batalha.<\/p>\n<p><strong><em><span style=\"font-size: 10pt;\">Tradu\u00e7\u00e3o de Pedro Nascimento<\/span><\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante o ano de 2015, foram realizadas muitas&nbsp;manifesta\u00e7\u00f5es multitudin\u00e1rias que, em diferentes pa\u00edses do mundo, expressaram o seu profundo rep\u00fadio \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher. No come\u00e7o do ano, na Turquia, houve&nbsp;uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o contra o assassinato de uma jovem de 20 anos que tinha resistido a um estupro.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2022,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[42],"tags":[370,737,368,738,455,739,211],"class_list":["post-2023","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo","tag-machismo","tag-manifestacao","tag-mulher","tag-mundo-machista","tag-opressao","tag-violacao","tag-violencia"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/violenciacontramujer.jpg?fit=500%2C275","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2023","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2023"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2023\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2022"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2023"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2023"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2023"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}