{"id":2015,"date":"2015-11-15T15:37:56","date_gmt":"2015-11-15T14:37:56","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2015\/11\/15\/frente-aos-atentados-em-paris\/"},"modified":"2015-11-15T15:37:56","modified_gmt":"2015-11-15T14:37:56","slug":"frente-aos-atentados-em-paris","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2015\/11\/15\/frente-aos-atentados-em-paris\/","title":{"rendered":"Frente aos atentados em Paris"},"content":{"rendered":"\n<p>A Fran\u00e7a viveu uma das suas noites mais dram\u00e1ticas em muitos anos. O terror tomou conta de Paris a partir de uma s\u00e9rie de atentados suicidas, realizados em oito pontos da cidade que, segundo os n\u00fameros at\u00e9 conhecidos, deixaram pelo menos 127 mortos e mais de 200 feridos, muitos deles em estado grave.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><a href=\"http:\/\/litci.org\/es\/mundo\/europa\/francia\/ante-los-atentados-en-paris\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Pelo Secretariado InternacionaI da LIT-QI<\/em><\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A maioria morreu crivada de balas na sala de espect\u00e1culos Bataclan, abarrotada de pessoas que assistiam a um concerto musical. Houve outros ataques, com bombas e armas autom\u00e1ticas, em restaurantes e at\u00e9 nas imedia\u00e7\u00f5es do Est\u00e1dio de Fran\u00e7a, enquanto se disputava um jogo de futebol entre as selec\u00e7\u00f5es da Fran\u00e7a e da Alemanha. Ap\u00f3s a explos\u00e3o de um dos \u201chomem-bomba\u201d, a multid\u00e3o que presenciava a partida correu aterrorizada e ocupou o terreno de jogo. Oito dos atacantes morreram ao fazer explodir os cintos carregados de explosivos.<\/p>\n<p>Estamos diante de um dos maiores atentados terroristas numa capital europeia em d\u00e9cadas. Este acontecimento s\u00f3 \u00e9 compar\u00e1vel com o ataque ao metro de Madrid realizado a 11 de mar\u00e7o de 2004, quando a Al Qaeda reivindicou o assassinato de 191 pessoas e 2000 feridos.<\/p>\n<p>O presidente franc\u00e9s, Fran\u00e7ois Hollande, respondeu rapidamente com a frase como \u201co combate [contra os terroristas] ser\u00e1 sem piedade\u201d; \u201cA Fran\u00e7a ser\u00e1 implac\u00e1vel\u201d. Nesse sentido, as suas primeiras medidas foram a imposi\u00e7\u00e3o do \u201cestado de emerg\u00eancia\u201d em toda a Fran\u00e7a e o an\u00fancio do fecho de fronteiras. Ordenou, tamb\u00e9m, a mobiliza\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito, mandando imediatamente mais de 1.500 soldados para as ruas, que se somaram aos 7.000 que patrulham Paris permanentemente desde o atentado \u00e0 sede do seman\u00e1rio sat\u00edrico <em>Charlie Hebdo<\/em>, perpetrado em janeiro deste ano.<\/p>\n<p>Passada a madrugada, Hollande fez novas declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas desde o Eliseu e assegurou \u201cn\u00e3o ter d\u00favidas\u201d de que o respons\u00e1vel dos atentados seria o Estado Isl\u00e2mico (EI): \u201c\u00c9 um acto de guerra cometido pelo EI contra os valores que defendemos\u201d. O presidente franc\u00eas aludiu ainda a que os terroristas teriam actuado mediante \u201cc\u00famplices dentro do pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>Frente a estes factos, expressamos:<\/p>\n<ol>\n<li>O nosso completo rep\u00fadio aos atentados que cobraram a vida de pessoas inocentes em Paris e expressamos a nossa solidariedade com os feridos e com as fam\u00edlias das v\u00edtimas falecidas. Sentimos profundamente a dor do povo parisiense.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"2\">\n<li>O Estado Isl\u00e2mico assumiu a autoria dos      atentados. Isto n\u00e3o deve surpreender ningu\u00e9m, pois trata-se de um \u201cpartido-ex\u00e9rcito\u201d      que defende um programa teocr\u00e1tico ultra-reaccion\u00e1rio e que se faz valer      de m\u00e9todos fascistas para aterrorizar e escravizar popula\u00e7\u00f5es inteiras na      S\u00edria e no Iraque. Este tipo de ac\u00e7\u00f5es, inscritas no chamado m\u00e9todo de \u201cterrorismo      individual\u201d, a alguns poderiam parecer-lhes \u201canti-imperialistas\u201d por terem      sido levadas a cabo numa importante capital como a francesa. Mas n\u00e3o \u00e9      assim. Estamos diante de uma ac\u00e7\u00e3o claramente reaccion\u00e1ria , que ser\u00e1      usada contra a classe trabalhadora europeia e imigrante. Na verdade,      tratam-se de ataques a pessoas comuns, muitas delas trabalhadoras. Ou      seja, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o est\u00e3o dirigidos contra os capitalistas nem \u201cdebilitam\u201d os      estados imperialistas. Antes pelo contr\u00e1rio, fortalecem-os \u2013 ao menos por      um tempo \u2013 , pois oferecem argumentos aos governos para remeter, com uma      escalada repressiva e reaccion\u00e1ria, contra as minorias \u00e9tnicas,      religiosas, ou contra o movimento oper\u00e1rio e da esquerda em geral. Neste      caso, seguramente a ofensiva ser\u00e1 contra os imigrantes \u00e1rabes, mul\u00e7umanos      e contra as dezenas de milhar de pessoas que chegam \u2013 ou tentam chegar \u2013      como \u201crefugiadas\u201d desde o M\u00e9dio Oriente. A imprensa burguesa tentar\u00e1 associar,      mais uma vez, o \u201cislamismo\u201d com o Estado Isl\u00e2mico, ainda que a compara\u00e7\u00e3o      seja completamente falsa e absurda.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"3\">\n<li>Ao mesmo tempo, o justo rep\u00fadio ao Estado      Isl\u00e2mico e aos seus m\u00e9todos n\u00e3o nos deve impedir de condenar a enorme e      asquerosa hipocrisia de Hollande, o expresidente franc\u00e9s Nicolas Sarkozy,      Obama, Merkel, etc. que tratam de se embandeirarem com uma suposta defesa      da \u201chumanidade\u201d e da \u201cdemocracia\u201d frente \u00e0 \u201cbarb\u00e1rie terrorista\u201d, quando      promoveram terr\u00edveis invas\u00f5es terrestres (como as do Iraque e do Afeganist\u00e3o)      que causaram centenas de milhares de mortos no M\u00e9dio Oriente e actualmente      encabe\u00e7am bombardeamentos na S\u00edria e no Iraque. Os governos europeus e o      dos EUA, por mais que insistam em invocar a luta da \u201cciviliza\u00e7\u00e3o\u201d contra a      \u201cbarb\u00e1rie\u201d, s\u00e3o os principais respons\u00e1veis pelo selvagem terrorismo de      estado em todo o M\u00e9dio Oriente. As marcas das suas garras imperiais      remontam-se a s\u00e9culos de colonialismo \u2013 no caso dos franceses, por      exemplo, na Arg\u00e9lia &#8211; , pasando pela imposi\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de ditaduras      sangrentas \u2013 como a de Bashar Al-Assad, na S\u00edria -, at\u00e9 chegar aos genoc\u00eddios      de popula\u00e7\u00f5es inteiras atrav\u00e9s das suas interven\u00e7\u00f5es militares, onde      contamos a hist\u00f3rica limpeza \u00e9tnica na Palestina. <strong>Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio repudiar categoricamente os m\u00e9todos atrozes      do Estado Isl\u00e2mico, mas n\u00e3o esquecer nem por um segundo e muito menos      silenciar, que os maiores terroristas da hist\u00f3ria humana s\u00e3o as potencias imperialistas.<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"4\">\n<li>O cinismo destes senhores n\u00e3o tem limites. <strong>A imprensa internacional j\u00e1 come\u00e7a a      falar do \u201c11 de setembro franc\u00eas\u201d e muitos colocam abertamente impulsionar      uma \u201cguerra total contra o terrorismo\u201d ao estilo de Gerge W. Bush<\/strong>.      Neste sentido, opomo-nos a todas as medidas repressivas que Hollande      anunciou: estado de emerg\u00eancia e mais militariza\u00e7\u00e3o. Certamente, isto ser\u00e1      usado contra os imigrantes que com imensas dificuldades tentam ganhar a      vida em Fran\u00e7a e noutros pa\u00edses europeus. O \u201cfecho das fronteiras\u201d est\u00e1      claramente associado com a pol\u00edtica de n\u00e3o acolher mais refugiados, no      momento em que presenciamos a maior onda migrat\u00f3ria na Europa desde o fim      da Segunda Guerra Mundial. Para aplicar estas medidas reaccion\u00e1rias,      Hollande e os demais governos europeus apoiar-se-\u00e3o no inevit\u00e1vel      fortalecimento do clima de racismo e xenofobia que este tipo de atentados      alimenta. Os partidos de extrema direita, ao estilo Le Pen e outros, sem      d\u00favida que alimentar-se-\u00e3o deste clima <strong>para      tentar responsabilizar e perseguir directamente os refugiados que fogem da      guerra na S\u00edria e de outros pa\u00edses do M\u00e9dio Oriente.<\/strong> A pol\u00edtica de      Hollande e o imperialismo europeu convocam para uma suposta \u201cunidade      nacional e internacional contra o terror\u201d, no entanto alertamos que esta      ret\u00f3rica \u00e9 uma cortina de fumo para atacar as liberdades democr\u00e1ticas dos      pr\u00f3prios povos europeus e perseguir com viol\u00eancia os imigrantes e      refugiados.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"5\">\n<li>A esquerda mundial, especialmente a      europeia, e o todo o movimento oper\u00e1rio, social e promotor dos Direitos      Humanos deve recusar nas ruas o conjunto destas medidas repressivas e      discriminat\u00f3rias do governo franc\u00eas, que o Estado Isl\u00e2mico, com os seus      m\u00e9todos terroristas, facilita que sejam aplicadas.<\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Toda a solidariedade com as v\u00edtimas e as suas fam\u00edlias!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Abaixo as medidas repressivas de Hollande, facilitadas pela ac\u00e7\u00e3o terrorista do Estado Isl\u00e2mico!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Contra qualquer tipo de xenofobia e \u201cislamofobia\u201d!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Asilo imediato e irrestricto para todos os refugiados que chegam a Fran\u00e7a e \u00e0 Europa!<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em>Secretariado Internacional da LIT<\/em><\/p>\n<p> <em> <\/em> <\/p>\n<p><em>S\u00e3o Paulo, 14 de novembro de 2015<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Fran\u00e7a viveu uma das suas noites mais dram\u00e1ticas em muitos anos. O terror tomou conta de Paris a partir de uma s\u00e9rie de atentados suicidas, realizados em oito pontos da cidade que, segundo os n\u00fameros at\u00e9 conhecidos, deixaram pelo menos 127 mortos e mais de 200 feridos, muitos deles em estado grave. Pelo Secretariado InternacionaI da LIT-QI<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2014,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[22],"tags":[116,722,723,267,352,272,593,114,725,115,726,719,162,271,117,415,724,175,721],"class_list":["post-2015","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-correio-internacional","tag-alternativa","tag-atentados","tag-bataclan","tag-estado-islamico","tag-franca","tag-guerra","tag-imperialismo","tag-mas","tag-medio-oriente","tag-movimento","tag-mulcumanos","tag-paris","tag-revolucionario","tag-siria","tag-socialista","tag-terrorismo","tag-terrorista","tag-trabalhadores","tag-xenofobia"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/atentado_paris.jpg?fit=450%2C275","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2015","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2015"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2015\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2014"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2015"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2015"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2015"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}