{"id":1998,"date":"2015-10-14T16:21:22","date_gmt":"2015-10-14T15:21:22","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2015\/10\/14\/o-ps-vai-fazer-um-governo-de-esquerda\/"},"modified":"2015-10-14T16:21:22","modified_gmt":"2015-10-14T15:21:22","slug":"o-ps-vai-fazer-um-governo-de-esquerda","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2015\/10\/14\/o-ps-vai-fazer-um-governo-de-esquerda\/","title":{"rendered":"O PS vai fazer um governo de esquerda?"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es do passado dia 4 de Outubro correram mal para o regime.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Os mais de setecentos mil votos perdidos pela direita n\u00e3o foram canalizados para o PS, criando uma maioria parlamentar de altern\u00e2ncia como seria de esperar numa situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica normal. O PS apenas captou uma pequena parte desses votos, tendo os restantes refor\u00e7ado a esquerda (sobretudo o BE) ou a absten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Encontramo-nos assim perante uma situa\u00e7\u00e3o inaudita em Portugal: pela primeira vez est\u00e1 colocada a possibilidade de forma\u00e7\u00e3o de um governo com o PS e as for\u00e7as \u00e0 sua esquerda. Esta possibilidade n\u00e3o \u00e9 o resultado de uma mera aritm\u00e9tica parlamentar. Ela coloca-se porque o PS (assim como o BE e o PCP) sabe que ap\u00f3s quatro anos de ferozes ataques ao trabalho, \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida e ao estado social, o povo est\u00e1 exausto e exige uma resposta \u00e0 altura. Ant\u00f3nio Costa tem bem presente o que aconteceu ao PASOK (o partido irm\u00e3o do PS na Gr\u00e9cia) e sabe que aliar-se acriticamente com a direita pode, a prazo, esvaziar o PS. Al\u00e9m disso, um eventual governo do PS\/BE\/PC apoiar-se-ia em mais de 50% dos votos e teria um forte apoio popular.<\/p>\n<p>Um tal governo poderia assumir diferentes formas, desde o PS a governar sozinho com um acordo parlamentar com BE e PCP at\u00e9 \u00e0 participa\u00e7\u00e3o directa no governo de um ou ambos os partidos \u00e0 esquerda do PS. Mas, independentemente da forma que assume, preocupa-nos acima de tudo o conte\u00fado program\u00e1tico desse governo. E neste ponto achamos que n\u00e3o h\u00e1 motivos para optimismo. O PS \u00e9 um partido profundamente comprometido com as pol\u00edticas de austeridade, com o euro, o Tratado Or\u00e7amental e a necessidade de \u201creformar\u201d o estado social (durante a campanha Ant\u00f3nio Costa tentou mostrar, com a proposta de descida da TSU, ser t\u00e3o capaz de destruir a Seguran\u00e7a Social como Coelho e Portas). \u00c9 certo que um governo destes partidos representaria de alguma forma vermo-nos livres de imediato de um governo da direita (PSD\/CDS) de m\u00e1 mem\u00f3ria. Mas um governo liderado pelo PS, seja com que apoios for, muito dificilmente ir\u00e1 opor-se ao roubo de que a classe trabalhadora foi alvo nos \u00faltimos anos por via do desemprego, dos cortes salariais e do pagamento dos juros da d\u00edvida p\u00fablica. O PS (at\u00e9 porque as institui\u00e7\u00f5es europeias n\u00e3o lho permitir\u00e3o) jamais reverter\u00e1 a gigantesca transfer\u00eancia de rendimentos do trabalho para o capital que se verificou nos \u00faltimos quatro anos. E o PS n\u00e3o quer romper com as institui\u00e7\u00f5es europeias nem com o euro.<\/p>\n<p>Este governo ser\u00e1 na melhor das hip\u00f3teses um governo de austeridade suave mas austeridade violenta para quem j\u00e1 tem baixos sal\u00e1rios e parcas pens\u00f5es ou teve que emigrar. Solu\u00e7\u00f5es destas j\u00e1 foram tentadas anteriormente e nunca com bons resultados para a esquerda. Em 2006, o Partido da Refunda\u00e7\u00e3o Comunista (It\u00e1lia) para entrar num governo com o centro-esquerda, afastou-se de tal modo do seu programa que perdeu todos os seus deputados nas elei\u00e7\u00f5es seguintes. Recentemente o SYRIZA mostrou-nos como as ambiguidades pol\u00edticas e o pragmatismo governativo transformam rapidamente um partido que era visto na Gr\u00e9cia como anti-austeridade a transformar-se no executor do mais agressivo plano de austeridade at\u00e9 agora imposto a qualquer pa\u00eds da UE. Podemos tamb\u00e9m dar como certo que o pr\u00f3ximo governo, seja qual for a sua composi\u00e7\u00e3o (e considerando a possibilidade bem real de ser um governo da direita apoiado pelo PS), ser\u00e1 um governo inst\u00e1vel e que dificilmente cumprir\u00e1 a legislatura.<\/p>\n<p>Por estas raz\u00f5es, o processo em curso coloca indubitavelmente em quest\u00e3o o facto de o BE e o PCP, que agora encontram tantos pontos de converg\u00eancia com o PS, nunca os terem conseguido encontrar entre si para apresentar uma candidatura conjunta \u00e0s elei\u00e7\u00f5es. N\u00e3o teria uma tal candidatura influenciado de forma mais decisiva a discuss\u00e3o das alternativas \u00e0 austeridade? N\u00e3o teria uma tal candidatura criado uma rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as mais favor\u00e1vel para a esquerda? N\u00e3o teria uma tal candidatura enfraquecido mais o PS (e a pr\u00f3pria P\u00e0F), enfraquecendo assim a capacidade negocial do polo austerit\u00e1rio? Cremos que a resposta \u00e9 um evidente SIM a todas estas quest\u00f5es, e que \u00e9 por esta via, a unidade de BE, PCP com as outras for\u00e7as da esquerda, que se poder\u00e1 criar um polo verdadeiramente alternativo na pol\u00edtica nacional e que possa p\u00f4r fim \u00e0s pol\u00edticas de austeridade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As elei\u00e7\u00f5es do passado dia 4 de Outubro correram mal para o regime.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1997,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[31],"tags":[520,496,500,476,276,114,145,663,688,609,247],"class_list":["post-1998","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional","tag-be","tag-bloco-de-esquerda","tag-coligacao","tag-esquerda","tag-governo","tag-mas","tag-movimento-alternativa-socialista","tag-partido-comunista-portugues","tag-partido-socialista","tag-pcp","tag-ps"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/antoniocosta.jpg?fit=1160%2C773","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1998","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1998"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1998\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1997"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1998"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1998"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1998"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}