{"id":1990,"date":"2015-10-06T00:12:00","date_gmt":"2015-10-05T23:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2015\/10\/06\/pensar-as-eleicoes-e-preparar-o-contra-ataque-da-esquerda\/"},"modified":"2015-10-06T00:12:00","modified_gmt":"2015-10-05T23:12:00","slug":"pensar-as-eleicoes-e-preparar-o-contra-ataque-da-esquerda","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2015\/10\/06\/pensar-as-eleicoes-e-preparar-o-contra-ataque-da-esquerda\/","title":{"rendered":"Pensar as elei\u00e7\u00f5es e preparar o contra-ataque da esquerda"},"content":{"rendered":"<p>As elei\u00e7\u00f5es de dia 4 de Outubro merecem uma profunda reflex\u00e3o da parte dos trabalhadores e dos revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Faz falta um balan\u00e7o n\u00e3o apenas das elei\u00e7\u00f5es mas de um ciclo de 4 anos de troika, austeridade e lutas cujo resultado se expressou em parte nas urnas no passado Domingo.<\/p>\n<ol>\n<li>\n<p>O governo perde muitos votos mas \u00e9 um vencedor. A coliga\u00e7\u00e3o de direita, a PaF, perdeu quase 730 mil votos, mas o facto de ter conseguido manter-se no governo \u00e9 uma vit\u00f3ria, sobretudo depois das lutas massivas que marcaram o in\u00edcio do mandato de Passos e Portas, em 2011, 2012 e 2013, das demiss\u00f5es e esc\u00e2ndalos de Relvas, Gaspar, Macedo, da crise \u201cirrevog\u00e1vel\u201d de Portas, da Tecnoforma etc. E sobretudo depois de terem imposto um verdadeiro retrocesso aos trabalhadores e pensionistas e ao pa\u00eds, que hoje \u00e9 mais pobre, dependente e mais fr\u00e1gil perante novas crises econ\u00f3micas.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>O PS \u00e9 o grande derrotado. O PS segue, ao seu ritmo, a crise dos partidos \u201csocialistas\u201d na Europa. O PS hoje n\u00e3o \u00e9 a primeira op\u00e7\u00e3o de nenhuma classe em Portugal: nem dos trabalhadores, nem das classes m\u00e9dias, nem dos capitalistas, banqueiros e patr\u00f5es. J\u00e1 todos estes sectores perceberam que o PS \u00e9 uma c\u00f3pia da direita, coisa que Costa nem tentou disfar\u00e7ar, e entre a c\u00f3pia e o original, preferem o original. Costa n\u00e3o se demite e fica \u00e0 espera do fim deste governo para o poder substituir, \u00e9 o c\u00famulo do oportunismo de quem criticou a vit\u00f3ria do anterior l\u00edder nas elei\u00e7\u00f5es europeias. O LIVRE\/Tempo de Avan\u00e7ar, por se colar a este peso morto, afundou tamb\u00e9m, provando que o rumo da converg\u00eancia \u00e0 esquerda n\u00e3o passa pelo PS;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Os grandes vencedores da noite s\u00e3o os dois partidos da esquerda parlamentar, em particular o BE. Juntos tiveram quase 20%. O BE, em particular, duplicou a vota\u00e7\u00e3o e voltou a ultrapassar o PCP, que mant\u00e9m a vota\u00e7\u00e3o, \u00e9 o sinal dos ventos de mudan\u00e7a que correm a Europa, para al\u00e9m de uma boa performance medi\u00e1tica das suas novas caras. Ambos fizeram uma boa campanha no sentido eleitoral, ou seja, de ganhar votos. N\u00e3o foi uma campanha t\u00e3o boa ao n\u00edvel program\u00e1tico pois continuam incapazes de dizer claramente ao pa\u00eds que n\u00e3o h\u00e1 qualquer solu\u00e7\u00e3o para a austeridade dentro do euro, que n\u00e3o conseguem explicar como impor uma renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida, nem conseguem fazer um balan\u00e7o claro do falhan\u00e7o do governo grego. Claro que a estrat\u00e9gia de n\u00e3o extremar posi\u00e7\u00f5es quanto a temas sens\u00edveis como o euro renderam votos. Por\u00e9m, a ambiguidade rende votos a curto prazo mas tamb\u00e9m trag\u00e9dias a m\u00e9dio prazo, como demonstra a experi\u00eancia grega. Por fim comprovou-se de novo que a divis\u00e3o \u00e0 esquerda, sobretudo entre BE e PCP \u00e9 tr\u00e1gica. Estes dois partidos coligados teriam arrastado parte do eleitorado do PS e gerado uma vaga de fundo que poderia disputar o governo. Mesmo que n\u00e3o ganhassem, a direita ficaria no governo ainda mais a prazo e, num segundo assalto, a BE e PCP poderiam vencer.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>N\u00e3o se deu nenhum fen\u00f3meno assinal\u00e1vel no campo dos novos partidos, a n\u00e3o ser a elei\u00e7\u00e3o de um deputado do PAN, o que expressa por um lado a procura de alternativas fora do arco da esquerda parlamentar, uma justa preocupa\u00e7\u00e3o da sociedade com as quest\u00f5es ecol\u00f3gicas e os direitos dos animais, mas tamb\u00e9m uma confus\u00e3o ideol\u00f3gica profunda, que o pr\u00f3prio PAN reflecte. Ao n\u00e3o ter qualquer agenda para derrotar os partidos do centr\u00e3o, a austeridade e o euro, a pr\u00f3pria agenda ecol\u00f3gica ficar\u00e1 comprometida, porque os maiores inimigos da natureza \u00e9 o capitalismo e ser verdadeiramente ecologista implica ter uma estrat\u00e9gia contra este sistema.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>O MAS concorreu junto com o PTP e do grupo da Joana Amaral Dias e Nuno Ramos de Almeida na coliga\u00e7\u00e3o AGIR PTP-MAS. Um balan\u00e7o mais profundo deste processo exige melhor reflex\u00e3o, por\u00e9m podemos dizer desde j\u00e1 que a campanha teve alguns pontos positivos, como ensaiar agregar for\u00e7as com uma agenda anti-austeridade e anti-corrup\u00e7\u00e3o, que timidamente pela voz da cabe\u00e7a de lista e abertamente pela voz do MAS questionou o euro, al\u00e9m de trazer \u00e0 campanha temas bastante ausentes como a den\u00fancia da corrup\u00e7\u00e3o como um mal sist\u00e9mico ou a solidariedade com os refugiados. Em torno desta campanha juntaram-se alguns sindicalistas e activistas por causas como o direito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, que devem pensar agora novos passos a dar em comum. Posto isto, o resultado eleitoral \u00e9 obviamente reduzido, embora n\u00e3o envergonhe ningu\u00e9m: o LIVRE, com uma campanha dez vezes mais cara e maior aten\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica, teve uma vota\u00e7\u00e3o semelhante, tal como o MPT. Todos eles resultados semelhantes aos que tiveram as for\u00e7as que fundaram o BE \u2013 UDP, PSR e PXXI \u2013 antes de se juntarem.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Ainda assim, a reduzida vota\u00e7\u00e3o da coliga\u00e7\u00e3o AGIR deve-se a tr\u00eas factores: primeiro a polariza\u00e7\u00e3o contra a austeridade deu-se atrav\u00e9s dos partidos representados no parlamento; segundo, para que isso assim acontecesse, houve uma pol\u00edtica consciente dos m\u00e9dia de dar uma visibilidade desproporcionalmente maior aos partidos parlamentares, dando, pela primeira vez, o mesmo peso a BE e PCP que \u00e0 direita e ao PS. Por fim, a pr\u00f3pria coliga\u00e7\u00e3o AGIR n\u00e3o conseguiu, por falta de tempo mas tamb\u00e9m devido a diferen\u00e7as entre os seus componentes, ter uma grau de coes\u00e3o que permitisse uma campanha qualitativamente superior, seja no plano das actividades de campanha, seja em ter um perfil pol\u00edtico diferenciador. A atitude da cabe\u00e7a-de-lista, Joana Amaral Dias, ao posar nua em v\u00e1rias revistas durante a pr\u00e9-campanha, atitude da qual o MAS logo se demarcou \u00e9 apenas um exemplo. N\u00e3o acreditamos que isto tenha influenciado muito a vota\u00e7\u00e3o, mas demonstra uma vis\u00e3o muito semelhante \u00e0 da esquerda tradicional, para quem \u201cvale tudo\u201d para ganhar visibilidade e que, neste caso, n\u00e3o combate e at\u00e9 fortalece a vis\u00e3o machista da mulher como objecto sexual. Por\u00e9m a verdade \u00e9 que, tendo havido, uma polariza\u00e7\u00e3o \u00e0 esquerda em torno de PCP e BE, a coliga\u00e7\u00e3o AGIR PTP-MAS n\u00e3o conseguiu furar o cerco e ser uma componente, ainda que minorit\u00e1ria nessa polariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Estas elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o o resultado de um pa\u00eds diferente, em que a franja jovem mais din\u00e2mica e revoltada emigrou, em que a classe trabalhadora est\u00e1 mais \u00e0 defensiva, em que o projecto de transforma\u00e7\u00e3o de Portugal numa col\u00f3nia financeira da Alemanha e seus aliados avan\u00e7ou muito. E em que na aus\u00eancia de um projecto alternativo coerente, a direita, desgastada, odiada por muitos, mas coerente e resiliente, apoiada num ano de uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica artificial empolada pelos empr\u00e9stimos do BCE, vingou. Este pa\u00eds diferente, mais pobre e prec\u00e1rio, \u00e9 que \u00e9 verdadeira vit\u00f3ria da direita, os resultados eleitorais s\u00f3 s\u00e3o a express\u00e3o desse facto. Na verdade foi uma vota\u00e7\u00e3o que fez lembrar o cen\u00e1rio eleitoral grego, embora em Portugal menos radicalizado, tamb\u00e9m porque em Portugal n\u00e3o houve o grau de destrui\u00e7\u00e3o e de resist\u00eancia que houve neste pa\u00eds. Tal como na Gr\u00e9cia, deu-se uma polariza\u00e7\u00e3o entre a direita tradicional e a esquerda anti-austeridade. O Syriza portugu\u00eas n\u00e3o \u00e9 o BE, mas seria uma coliga\u00e7\u00e3o deste partido com o PCP. Na sua aus\u00eancia ganha a direita e a queda do PS \u00e9 menor.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>A vit\u00f3ria do governo e a pretensa estabilidade em que se apoia tem p\u00e9s-de-barro. Al\u00e9m disso o regime sai mais enfraquecido de conjunto, n\u00e3o s\u00f3 pela minoria em que a direita est\u00e1 no parlamento como pelo enfraquecimento do seu outro pilar pol\u00edtico, o PS. Os ritmos a que pode surgir o contra-ataque dos trabalhadores e da esquerda s\u00e3o dif\u00edceis de prever, h\u00e1 muitas feridas para sarar. Por\u00e9m as possibilidades est\u00e3o colocadas e a maior responsabilidade \u00e9, necessariamente, para quem saiu refor\u00e7ado \u00e0 esquerda, PCP e BE, que, caso n\u00e3o se orientem para um combate sem tr\u00e9guas \u00e0 austeridade nas ruas, tornam-se apenas uma v\u00e1lvula de escape eleitoral \u00e0 esquerda.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>\u00c9 momento para reflectir e passar \u00e0 ac\u00e7\u00e3o \u00e0 esquerda. H\u00e1 tr\u00eas aspectos que ser\u00e3o essenciais nessa reflex\u00e3o. O primeiro \u00e9 uma estrat\u00e9gia de converg\u00eancia \u00e0 esquerda, nas ruas e na proposta pol\u00edtica, para encurtar a vida a este governo e o substituir por um \u201cgoverno de esquerda\u201d, dos trabalhadores e do povo. PCP e BE t\u00eam responsabilidades na mat\u00e9ria, mas est\u00e1 provado que se o activismo da base destes partidos n\u00e3o criar uma vaga de fundo nesse sentido, as direc\u00e7\u00f5es nunca se entender\u00e3o pois n\u00e3o querem ser testadas no poder. O segundo \u00e9 o aspecto program\u00e1tico: faz falta uma reflex\u00e3o \u00e0 esquerda que possa construir um programa para explicar a milh\u00f5es de trabalhadores que n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda para a austeridade dentro do euro, que \u00e9 poss\u00edvel uma uni\u00e3o dos povos da Europa, mas que n\u00e3o ser\u00e1 atrav\u00e9s da UE, que n\u00e3o h\u00e1 renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida sem a suspens\u00e3o do seu pagamento ou que o controlo p\u00fablico da banca s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s da sua nacionaliza\u00e7\u00e3o. Por fim, \u00e9 necess\u00e1rio mudar a resist\u00eancia social e sindical, principalmente esta \u00faltima. Foi a divis\u00e3o das lutas, a falta de democracia nas greves ou epis\u00f3dios como o dia em que a CGTP teve medo de atravessar a ponte 25 de Abril ou os seus sindicatos na TAP aceitaram uma requisi\u00e7\u00e3o civil ilegal, que permitiram o avan\u00e7o das privatiza\u00e7\u00f5es e o refor\u00e7o da direita. Um p\u00f3lo sindical alternativo \u00e9 tamb\u00e9m necess\u00e1rio, baseado na combatividade, democracia e unidade das lutas dos trabalhadores. O MAS continuar\u00e1 a ser a for\u00e7a combativa \u00e0 esquerda apostada nestes projectos. A luta segue dentro de momentos.<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As elei\u00e7\u00f5es de dia 4 de Outubro merecem uma profunda reflex\u00e3o da parte dos trabalhadores e dos revolucion\u00e1rios.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1989,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[31],"tags":[480,681,494,309,504,520,684,496,521,500,694,404,692,565,497,691,696,145,695,405,687,693,688,689,256,690,257,609,685,686,513,683,247,277,680],"class_list":["post-1990","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional","tag-480","tag-4-de-outubro","tag-agir","tag-antonio-costa","tag-balanco","tag-be","tag-bloco","tag-bloco-de-esquerda","tag-cdu","tag-coligacao","tag-deputados","tag-joana-amaral-dias","tag-l-tda","tag-legislativas","tag-livre","tag-livre-tempo-de-avancar","tag-mais-deputados","tag-movimento-alternativa-socialista","tag-nova-assembleia","tag-nuno-ramos-de-almeida","tag-paf","tag-pan","tag-partido-socialista","tag-passos","tag-passos-coelho","tag-passos-portas","tag-paulo-portas","tag-pcp","tag-pcp-pev","tag-pev","tag-portas","tag-portugal-a-frente","tag-ps","tag-psd-cds","tag-resultados"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/resultadoseleitoraislegislativas.png?fit=640%2C768","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1990","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1990"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1990\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1989"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1990"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1990"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1990"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}