{"id":197,"date":"2010-03-22T16:13:50","date_gmt":"2010-03-22T15:13:50","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2010\/03\/22\/a-crise-grega-e-a-uniao-europeia\/"},"modified":"2010-03-22T16:13:50","modified_gmt":"2010-03-22T15:13:50","slug":"a-crise-grega-e-a-uniao-europeia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2010\/03\/22\/a-crise-grega-e-a-uniao-europeia\/","title":{"rendered":"A crise grega e a Uni\u00e3o Europeia"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-196\" style=\"float: left; margin: 10px;\" height=\"201\" width=\"300\" alt=\"arton327\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/arton327.jpg?resize=300%2C201\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/arton327.jpg?w=400 400w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/arton327.jpg?resize=300%2C201 300w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>O rebaixamento da qualifica\u00e7\u00e3o internacional da D\u00edvida P\u00fablica grega, em Dezembro passado, foi o sinal para o desencadeamento de uma grande onda especulativa, que deixou a Gr\u00e9cia em estado de choque e desencadeou o p\u00e2nico no seio da Uni\u00e3o Europeia (UE). O problema era que a Gr\u00e9cia devia refinanciar 53.000 milh\u00f5es de euros de d\u00edvida em 2010, mas j\u00e1 n\u00e3o podia faz\u00ea-lo e ia entrar em suspens\u00e3o de pagamentos.<br \/>  <!--more-->  <br \/>No in\u00edcio de 2009 foi a Irlanda que esteve a ponto de cair no \u201cdefault\u201d, ainda que tenham conseguido evit\u00e1-lo. Agora chegou a vez da Gr\u00e9cia, mas desta vez j\u00e1 n\u00e3o puderam conter a crise e o \u201cresgate\u201d tornou-se inevit\u00e1vel. A Gr\u00e9cia abriu, assim, onze anos depois da implanta\u00e7\u00e3o do euro, a primeira grande crise da zona euro e converteu-se na guarda avan\u00e7ada da profunda crise atravessada pela UE.<\/p>\n<p>A Gr\u00e9cia vive o final abrupto de uma etapa de crescimento apoiada num enorme endividamento p\u00fablico e privado e nas subven\u00e7\u00f5es europeias. Uma etapa da qual os grande benefici\u00e1rios foram a banca alem\u00e3, francesa e brit\u00e2nica, que financiaram o endividamento, e as grandes multinacionais alem\u00e3s (e francesas) que se apossaram do mercado grego, \u00e0 custa de criar um enorme d\u00e9fice comercial (superior a 10% do seu PIB).<\/p>\n<p>Foram estas empresas que lucraram com o desenvolvimento da rede telef\u00f3nica e energ\u00e9tica do pa\u00eds ou monopolizaram a renova\u00e7\u00e3o das frotas de t\u00e1xis e el\u00e9ctricos gregos, recorrendo a subornos generalizados, como no caso da alem\u00e3 Siemens. Durante este per\u00edodo, a economia grega foi fortemente desnacionalizada, com a companhia telef\u00f3nica OTE controlada pela Deutsche Telecom, as linhas a\u00e9reas nacionais privatizadas e at\u00e9 os portos vendidos \u00e0 empresa chinesa Cosco. A banca e os grandes empres\u00e1rios gregos somaram-se com entusiasmo a uma festa que agravou a desigualdade social num dos pa\u00edses europeus onde esta era mais acentuada (80 grandes armadores possuem um patrim\u00f3nio equivalente a todo o PIB grego).<\/p>\n<p>Mas com o in\u00edcio da crise financeira mundial, tudo se veio abaixo, deixando o pa\u00eds indefeso perante o capital financeiro europeu, enquanto os pilares da economia grega &#8211; o turismo, a ind\u00fastria naval e a constru\u00e7\u00e3o \u2013 entravam numa profunda queda e os bancos gregos (cuja d\u00edvida foi rebaixada pelas ag\u00eancias de qualifica\u00e7\u00e3o para a categoria de \u201cb\u00f3nus lixo\u201d) apareciam, descobertos em neg\u00f3cios dos pa\u00edses do Leste, \u00e0 beira da fal\u00eancia.<\/p>\n<p>A Gr\u00e9cia encontra-se imersa numa profunda recess\u00e3o. Em 2009, o seu PIB retrocedeu 2% e apresentou um d\u00e9fice p\u00fablico de 12,8%, que elevou a d\u00edvida p\u00fablica grega at\u00e9 115% do PIB (para este ano prev\u00eaem 125%). O pagamento de juros representa j\u00e1 15% da renda p\u00fablica. Cerca de 60% desta d\u00edvida est\u00e1 em m\u00e3os de bancos alem\u00e3es, franceses e brit\u00e2nicos, que s\u00e3o credores de uma d\u00edvida total que duplica o PIB grego. O desemprego reconhecido est\u00e1 em 10% e avan\u00e7a rapidamente. <\/p>\n<p><strong>A reac\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia<\/strong><\/p>\n<p>A crise grega colocou a UE numa situa\u00e7\u00e3o limite. Quando Hungria, Rom\u00e9nia ou Let\u00f3nia (que s\u00e3o membros da UE mas n\u00e3o da zona euro) estavam a ponto de suspender pagamentos, a UE encarregou o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), com quem a UE trabalha lado a lado nos \u201cplanos de ajuste\u201d que est\u00e3o devastando estes pa\u00edses, do \u201csalvamento\u201d. Mas a Gr\u00e9cia \u00e9 uma pa\u00eds da zona euro e a entrega do \u201cresgate\u201d ao FMI representaria n\u00e3o somente um enorme descr\u00e9dito da UE, como tamb\u00e9m a intromiss\u00e3o dos EUA (atrav\u00e9s do FMI) no controlo do Banco Central Europeu (BCE) e das finan\u00e7as p\u00fablicas europeias.<\/p>\n<p>O capitalismo alem\u00e3o (cuja banca \u00e9 a principal amea\u00e7ada pelo \u201cdefault\u201d grego) sabe que est\u00e1 obrigado a intervir, e que o vai ter que fazer, mesmo ignorando as normas que ele mesmo imp\u00f4s, que pro\u00edbem aos estados da UE e ao BCE \u201cresgatar\u201d um pa\u00eds membro em quebra, a n\u00e3o ser em virtude de \u201cdesastres naturais ou circunst\u00e2ncias que escapem ao controlo dos Estados\u201d. Mas imp\u00f4s condi\u00e7\u00f5es draconianas para a \u201cajuda\u201d: s\u00f3 ser\u00e1 concedida se a Gr\u00e9cia cumprir um brutal programa de ajuste imposto pela UE e se entrega a esta o controlo de sua economia.<\/p>\n<p>Chama a aten\u00e7\u00e3o o esc\u00e2ndalo medi\u00e1tico montado pela falsifica\u00e7\u00e3o das contas gregas (orquestrada pelo banco norte-americano Goldman Sachs, em troca do embolso de 300 milh\u00f5es de euros), quando eram perfeitamente conhecedores dos factos e quando foram muitos pa\u00edses, inclusive Alemanha e Fran\u00e7a, os que recorreram \u00e0 \u201ccontabilidade criativa\u201d no momento de acesso ao euro. <\/p>\n<p><strong>O plano de choque grego<\/strong><\/p>\n<p>O governo \u201csocialista\u201d de Yorgos Papandreu, que h\u00e1 apenas um par de meses prometia subir o sal\u00e1rio dos empregados p\u00fablicos que ganhavam menos, converteu-se agora no vice-rei do capitalismo alem\u00e3o e franc\u00eas. O plano de choque imposto pela UE e aceite pelo governo grego representa um empobrecimento brutal do pa\u00eds e ir\u00e1 provocar o afundamento da economia grega numa onda de depress\u00e3o. <\/p>\n<p>A chave do plano \u00e9 o corte em 4 pontos do d\u00e9fice p\u00fablico grego em 2010, para chegar a um d\u00e9fice de 2,8% em 2012. Para consegui-lo, prop\u00f5e-se a reduzir os sal\u00e1rios dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos entre 5% e 20%, e mais ainda no caso dos professores. Al\u00e9m disso, acrescentam uma redu\u00e7\u00e3o dos encargos, atrav\u00e9s da substitui\u00e7\u00e3o de apenas 2 empregados por cada 10 que se reformem. Para obtermos a dimens\u00e3o da medida \u00e9 preciso ter em conta que os funcion\u00e1rios p\u00fablicos representam 20% da popula\u00e7\u00e3o assalariada grega. <\/p>\n<p>O governo pretende tamb\u00e9m um aumento da idade m\u00e9dia da reforma dos 60 anos actuais para 63 e elevar a idade de reforma das mulheres dos 60 para os 65. H\u00e1, al\u00e9m disso, uma fort\u00edssima redu\u00e7\u00e3o dos subs\u00eddios sociais e cortes brutais nos gastos com hospitais p\u00fablicos. Os investimentos p\u00fablicos foram mutilados e, inclusive, reduziu-se o gasto militar. H\u00e1 um grande aumento dos impostos (presta\u00e7\u00e3o das casas, gasolina, tabaco, \u00e1lcool, aumento geral do IRS e aumento do IVA de 19 para 20%), enquanto declaram uma amnistia fiscal e redu\u00e7\u00f5es de impostos aos empres\u00e1rios. As medidas complementam-se com a privatiza\u00e7\u00e3o do que ainda resta do patrim\u00f3nio p\u00fablico grego.<\/p>\n<p>O alem\u00e3o J\u00fcrgen Stark, economista chefe do BCE, expressou-se com brutalidade: \u201cIsto \u00e9 o m\u00ednimo absoluto que tem que ser posto em pr\u00e1tica imediatamente e ser\u00e3o necess\u00e1rias mais medidas \u00e0 luz da deteriora\u00e7\u00e3o significativa da situa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Foi dado um ultimato para a Gr\u00e9cia: ou aceita as nossas condi\u00e7\u00f5es de \u201cresgate\u201d ou ser\u00e1 expulsa do euro. O \u201cplano de ajuste\u201d da UE significa devastar o pa\u00eds e destru\u00ed-lo em benef\u00edcio do capital financeiro. A sua sa\u00edda do euro, no marco do reconhecimento da d\u00edvida e do capitalismo, significaria, igualmente, chegar \u00e0 mesma ru\u00edna, s\u00f3 que de modo mais brusco, \u00e0 maneira argentina: atrav\u00e9s de uma enorme desvaloriza\u00e7\u00e3o, uma d\u00edvida acrescentada pela pr\u00f3pria desvaloriza\u00e7\u00e3o, a suspens\u00e3o de pagamentos, o empobrecimento s\u00fabito do pa\u00eds, um acelerado retrocesso econ\u00f3mica e uma grande infla\u00e7\u00e3o importada. <\/p>\n<p><strong>Converter a Gr\u00e9cia num protectorado<\/strong><\/p>\n<p>A crise grega mostrou cruamente que na UE s\u00f3 mandam Alemanha e Fran\u00e7a, e que a UE \u00e9, antes de mais nada, um instrumento do capital financeiro alem\u00e3o e franc\u00eas e que este converteu a Gr\u00e9cia num protectorado econ\u00f3mica, em que todas as medidas econ\u00f3micas s\u00e3o impostas e controladas desde fora pelas duas principais pot\u00eancias europeias. Este submetimento de um povo orgulhoso como o grego chegou \u00e0 humilha\u00e7\u00e3o quando, no mesmo dia em que Papandreu se entrevistava com o franc\u00eas Sarkozy e demonstrava a sua vassalagem, anunciavam a compra pela Gr\u00e9cia de 20 avi\u00f5es Eurofighter da Alemanha e seis fragatas da Fran\u00e7a. <\/p>\n<p>Mas a vassalagem da Gr\u00e9cia n\u00e3o \u00e9 algo casual. Longe de ser um caso isolado, marca o caminho da periferia da UE. Na realidade, a \u201cgoverna\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica europeia\u201d de que falam n\u00e3o \u00e9 outra coisa al\u00e9m disso.<\/p>\n<p><strong>A crise da Uni\u00e3o Europeia<\/strong><\/p>\n<p>A UE tem um problema de fundo insol\u00favel: \u00e9 que, ao contr\u00e1rio dos EUA, n\u00e3o \u00e9 (nem nunca ser\u00e1) um Estado \u00fanico, com um governo e or\u00e7amento \u00fanicos e regras comuns. \u00c9, pelo contr\u00e1rio, um bloco imperialista de Estados, dominado por seus dois imperialismos centrais, Alemanha e Fran\u00e7a (rivais entre si), no qual se agrupam imperialismos de segunda e terceira divis\u00e3o, junto a pa\u00edses, como os do Leste, que s\u00e3o semicol\u00f3nias econ\u00f3micas das grandes pot\u00eancias europeias, em particular da Alemanha.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Monet\u00e1ria Europeia n\u00e3o se deu sobre a base de um Estado unificado, mas sobre o estabelecimento do dom\u00ednio financeiro directo do imperialismo franco-alem\u00e3o, atrav\u00e9s do BCE, sobre um conjunto de pa\u00edses tremendamente d\u00edspares, que renunciaram a emitir moeda e a ter uma pol\u00edtica monet\u00e1ria pr\u00f3pria. Isto permitiu uma poderosa expans\u00e3o e fortalecimento do capitalismo alem\u00e3o e franc\u00eas, que aproveitou a \u00e9poca das \u201cvacas gordas\u201d para alargar e fortalecer o seu dom\u00ednio comercial e industrial no mercado europeu. Mas agora, com a crise, alteram-se as contas, e os enormes fundos emprestados pelos bancos alem\u00e3es e franceses correm perigo e se afundam os mercados de exporta\u00e7\u00e3o de suas multinacionais. <br \/>&nbsp;<br \/>De facto, o problema, na realidade, n\u00e3o \u00e9 a Gr\u00e9cia, que representa apenas 2,7% da economia da UE. Wolfgang M\u00fcnchau, director associado do Financial Times, num recente artigo (Por que me preocupa mais Espanha do que Gr\u00e9cia\u201d), diz: \u201cPode ser que a Alemanha mostre-se relutante em resgatar a Gr\u00e9cia, por todo tipo de raz\u00e3o, mas a Alemanha o far\u00e1. Mas n\u00e3o \u00e9 conceb\u00edvel que a Alemanha possa resgatar a Espanha. Alemanha e Fran\u00e7a juntas n\u00e3o podem resgatar a Espanha. A Espanha \u00e9 demasiado grande\u201d. E a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas a Espanha, porque o seu \u201cdefault\u201d arrastaria Portugal, It\u00e1lia, Irlanda ou a pr\u00f3pria B\u00e9lgica. O cont\u00e1gio significaria o colapso do euro, da zona euro e da pr\u00f3pria UE, e abriria uma crise de dimens\u00f5es desconhecidas.<br \/>&nbsp;<br \/>A aguda crise dos pa\u00edses da periferia europeia se d\u00e1, al\u00e9m disso, em meio a uma onda depressiva que afecta igualmente de cheio aos imperialismos centrais europeus. O retrocesso do PIB alem\u00e3o em 2009 foi de 4,9% e o da Fran\u00e7a de 2,2%. Nos casos da It\u00e1lia e Gr\u00e3-Bretanha, alcan\u00e7ou 4,8%. Para este ano, a UE prev\u00ea um crescimento raqu\u00edtico (\u201ccrescimento\u201d com desemprego crescente) sobre o qual pende \u2013 advertem \u2013 o perigo de uma \u201creca\u00edda\u201d, como consequ\u00eancia da retirada de ajudas governamentais.<\/p>\n<p>A d\u00edvida p\u00fablica da Alemanha, Fran\u00e7a e Gr\u00e3-Bretanha alcan\u00e7ar\u00e1 ou superar\u00e1 80% do PIB em 2010. Para n\u00e3o falar da It\u00e1lia (ou Irlanda), que chegar\u00e1 a 120%, como Gr\u00e9cia. Com a carga cada vez mais insuport\u00e1vel de juros que isso representa. As emiss\u00f5es de d\u00edvida p\u00fablica previstas para 2010 de Fran\u00e7a, Alemanha e It\u00e1lia s\u00e3o enormes, da ordem de 25% de seu PIB.<br \/>&nbsp; <br \/>Apoiar os trabalhadores e o povo grego, romper com a UE, levantar a bandeira da Europa dos trabalhadores e dos povos<br \/>A crise grega desencadeou uma declara\u00e7\u00e3o formal de guerra social do grande capital europeu e coloca a Europa numa situa\u00e7\u00e3o nova. Para salvar-se, necessitam atacar frontalmente as conquistas da classe trabalhadora, inclusive a dos pa\u00edses centrais, e empobrecer e submeter \u00e0 vassalagem os pa\u00edses da periferia, como a Gr\u00e9cia. O seu objectivo \u00faltimo \u00e9 impor um retrocesso de d\u00e9cadas.<br \/>&nbsp; <br \/>Situa\u00e7\u00f5es como a da Let\u00f3nia, pa\u00eds membro da UE \u201cresgatado\u201d conjuntamente pelo FMI e pela UE, mostram at\u00e9 onde podem chegar as suas pretens\u00f5es: a economia da Let\u00f3nia, submetida a um \u201cprograma estrat\u00e9gico de desvaloriza\u00e7\u00e3o interna\u201d, retrocedeu em apenas dois anos mais de 25% (18,3% em 2009), o que \u00e9 equipar\u00e1vel \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds em consequ\u00eancia de uma guerra ou cat\u00e1strofe natural de enormes propor\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma esquerda que prop\u00f5e a \u201cdemocratiza\u00e7\u00e3o\u201d da UE e exige dele uma pol\u00edtica \u201csocial e ecol\u00f3gica\u201d. Isto, que parece um programa \u201crealista\u201d, \u00e9, na realidade, uma quimera reaccion\u00e1ria. A UE \u00e9 um instrumento do grande capital europeu contra os trabalhadores europeus e contra os povos do mundo, um colosso antidemocr\u00e1tico que n\u00e3o admite reforma. E, ainda que tal n\u00e3o seja desejado pela maioria da esquerda, o per\u00edodo aberto na Europa obrigar\u00e1 a retomada da via revolucion\u00e1ria. Porque n\u00e3o poderemos enfrentar a brutal ofensiva capitalista e assegurar a verdadeira unidade europeia sem tomar medidas de expropria\u00e7\u00e3o do capital e sem nos unirmos numa Europa dos trabalhadores e dos povos.<br \/>&nbsp;<br \/>A dura realidade \u00e9 que a Gr\u00e9cia s\u00f3 pode enfrentar a situa\u00e7\u00e3o catastr\u00f3fica que lhe amea\u00e7a declarando o n\u00e3o reconhecimento da d\u00edvida que a sufoca, rompendo com a UE e adoptando medidas dr\u00e1sticas como a expropria\u00e7\u00e3o da banca, a nacionaliza\u00e7\u00e3o das empresas estrat\u00e9gicas sob controlo dos trabalhadores, a escala m\u00f3vel de horas de trabalho para que trabalham todos e o estabelecimento do monop\u00f3lio do com\u00e9rcio exterior. Com plena consci\u00eancia, al\u00e9m disso, de que os seus problemas n\u00e3o poder\u00e3o ter solu\u00e7\u00e3o isoladamente, mas com o apoio da classe trabalhadora europeia e na cria\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos Socialistas da Europa.<br \/>&nbsp;<br \/>Estamos no princ\u00edpio de uma grande ofensiva de longo alcance. Mas n\u00e3o vai ser f\u00e1cil para eles. A combatividade da classe trabalhadora e do povo grego, vanguarda da luta europeia, com as suas tr\u00eas greves gerais de 10 e 24 de Fevereiro e 11 de Mar\u00e7o, n\u00e3o vai torn\u00e1-la simples. E, ao contr\u00e1rio deste ano e meio de passividade, h\u00e1 mostras de que as mobiliza\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia v\u00e3o tomando um impulso sustentado, como ficou expresso nas greves da It\u00e1lia (Cerde\u00f1a, FIAT-Sicilia, etc.), nas dos empregados da British Airways, Lufthansa ou dos trabalhadores das refinarias Total, na Fran\u00e7a, ou na transforma\u00e7\u00e3o que parece come\u00e7ar no Estado espanhol.<br \/>&nbsp;<br \/>No transcorrer deste longo e complicado processo que agora se abre deveremos ir construindo a nova direc\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria que a classe trabalhadora europeia necessita.<\/p>\n<p>Mar\u00e7o de 2010<\/p>\n<p><strong>Felipe Alegria<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O rebaixamento da qualifica\u00e7\u00e3o internacional da D\u00edvida P\u00fablica grega, em Dezembro passado, foi o sinal para o desencadeamento de uma grande onda especulativa, que deixou a Gr\u00e9cia em estado de choque e desencadeou o p\u00e2nico no seio da Uni\u00e3o Europeia (UE). O problema era que a Gr\u00e9cia devia refinanciar 53.000 milh\u00f5es de euros de d\u00edvida em 2010, mas j\u00e1 n\u00e3o podia faz\u00ea-lo e ia entrar em suspens\u00e3o de pagamentos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":196,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-197","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-europa"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/arton327.jpg?fit=400%2C268","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/197","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=197"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/197\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/196"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=197"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=197"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=197"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}