{"id":195,"date":"2010-03-29T16:11:31","date_gmt":"2010-03-29T15:11:31","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2010\/03\/29\/todo-apoio-a-luta-do-povo-palestiniano-pelo-fim-do-estado-de-israel\/"},"modified":"2010-03-29T16:11:31","modified_gmt":"2010-03-29T15:11:31","slug":"todo-apoio-a-luta-do-povo-palestiniano-pelo-fim-do-estado-de-israel","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2010\/03\/29\/todo-apoio-a-luta-do-povo-palestiniano-pelo-fim-do-estado-de-israel\/","title":{"rendered":"Todo apoio \u00e0 luta do povo palestiniano! Pelo fim do Estado de Israel!"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-194\" height=\"175\" width=\"260\" alt=\"todoapoiopalestina-260x175\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/todoapoiopalestina-260x175.jpg?resize=260%2C175\" style=\"float: left; margin: 10px;\" \/>Declara\u00e7\u00e3o da Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (LIT-QI), publicada poucos dias antes da entrada de tanques e ve\u00edculos blindados israelitas em Gaza, em finais de Mar\u00e7o, na primeira incurs\u00e3o de Israel naquele territ\u00f3rio ap\u00f3s o genoc\u00eddio praticado em Janeiro de 2009, quando o ex\u00e9rcito de Israel matou 1.400 palestinianos, a maioria civis. A tens\u00e3o cresce nos territ\u00f3rios palestinianos, devido \u00e0 pol\u00edtica provocat\u00f3ria de Israel, que pretende ampliar os colonatos em Jerusal\u00e9m e pressiona o Egipto para ultimar a constru\u00e7\u00e3o de um muro subterr\u00e2neo ao longo de sua fronteira com Gaza, para impedir a passagem de palestinianos e refor\u00e7ar o cerco. O Hamas classifica esta obra de \u201cmuro da morte\u201d.<br \/>   <!--more-->  <br \/>\u201cNo \u00faltimo dia 17 de Mar\u00e7o, milhares de habitantes \u00e1rabes palestinianos de Jerusal\u00e9m Oriental (territ\u00f3rio que se encontra sob jurisdi\u00e7\u00e3o directa do Estado de Israel) sa\u00edram \u00e0s ruas para protestar contra diversas medidas do governo do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, no chamado Dia da Ira. Nos dias seguintes, os protestos continuaram em v\u00e1rias partes da Cisjord\u00e2nia, como Hebron, com novos confrontos entre os palestinianos e as tropas de ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio foi o pico de um confronto que vem crescendo junto com a repress\u00e3o do governo. Em 5 de Mar\u00e7o, por exemplo, tropas especiais da pol\u00edcia israelita atiraram g\u00e1s lacrimog\u00e9neo e granadas de efeito moral contra um grupo de \u00e1rabes que tamb\u00e9m realizavam protestos. Como resultado, cerca de 50 pessoas, em sua maioria idosos, foram feridas e sendo-lhes impedido o atendimento m\u00e9dico. Uma semana depois, a passagem entre Jerusal\u00e9m Oriental e o resto da Cisjord\u00e2nia (territ\u00f3rio sob a administra\u00e7\u00e3o formal da Administra\u00e7\u00e3o Nacional Palestina \u2013 ANP) foi fechada por v\u00e1rios dias para evitar o crescimento dos protestos.<\/p>\n<p>Duas medidas do governo de Netanyahu t\u00eam provocado a revolta dos palestinianos. A primeira foi a constru\u00e7\u00e3o de uma sinagoga na chamada \u201cesplanada das Mesquitas\u201d, a regi\u00e3o mais tradicional e sagrada para os \u00e1rabes em Jerusal\u00e9m Oriental, que, al\u00e9m de p\u00f4r em risco essas mesquitas, estabelece restri\u00e7\u00f5es para o acesso dos \u00e1rabes \u00e0s mesmas. A segunda medida \u00e9 a continuidade dos assentamentos de colonos judeus e a constru\u00e7\u00e3o de moradias para eles, tanto nos bairros \u00e1rabes de Jerusal\u00e9m como em seus arredores, consolidando assim o \u201ccerco\u201d que isola cada vez mais esta cidade da Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n<p>Esses acontecimentos representam um facto novo. Nos \u00faltimos anos, os ataques israelitas (um verdadeiro genoc\u00eddio) e a resposta do povo palestino estavam concentrados na Faixa de Gaza, localizada no lado ocidental da Palestina \u00e0s margens do Mediterr\u00e2neo. Agora, o centro da luta deslocou-se para Jerusal\u00e9m Oriental e a Cisjord\u00e2nia, a leste. A Cisjord\u00e2nia \u00e9 controlada pelo governo fantoche da ANP, cuja \u201cpol\u00edcia palestiniana\u201d reprime os protestos, como foi o caso dos protestos contra o Muro da Vergonha, constru\u00eddo pelo governo israelita, ou em apoio a Gaza, contra o genoc\u00eddio perpetrado por Israel no final de 2009.<\/p>\n<p><strong>Apesar da crise e do desgaste da ANP, a estrat\u00e9gia do imperialismo continua sendo a dos \u201cdois Estados\u201d<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 casual que isto ocorra. Os \u00faltimos acontecimentos em Jerusal\u00e9m mostram as consequ\u00eancias da pol\u00edtica dos \u201cacordos de Oslo\u201d, assinados em 1993 entre o governo israelita e a dilec\u00e7\u00e3o palestiniana da Fatah, encabe\u00e7ada por Yasser Arafat, e apoiados pelo ent\u00e3o presidente dos EUA, Bill Clinton. Depois de reconhecer o Estado de Israel e abandonar a luta contra ele, a Fatah foi recompensada por Israel com a autoriza\u00e7\u00e3o para formar a ANP na Faixa de Gaza e na Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n<p>Supostamente, tratava-se das bases de um \u201cfuturo Estado palestiniano\u201d, no marco da solu\u00e7\u00e3o dos \u201cdois estados\u201d (um judeu e outro palestiniano) para a regi\u00e3o. Um Estado que, caso fosse criado, seria uma impossibilidade econ\u00f3mica e geogr\u00e1fica. No entanto, a ANP \u00e9, na realidade, uma administra\u00e7\u00e3o colonial com poderes muito limitados (similar aos \u201cbantust\u00f5es\u201d na \u00e9poca do apartheid sul-africano) e tem uma profunda depend\u00eancia financeira de Israel e da ajuda externa.<\/p>\n<p>A partir do momento em que controlou a ANP, a Fatah deixou de ser a corrente que expressava maioritariamente a luta do povo palestiniano contra Israel. A sua direc\u00e7\u00e3o e principais quadros se transformaram numa corrupta burguesia que vive da rapina dos fundos da ANP. Pior ainda, transformaram-se em agentes de Israel e do imperialismo, em seus c\u00famplices na repress\u00e3o ao povo palestiniano, atrav\u00e9s da pol\u00edcia da ANP. Por isso, \u00e9 totalmente correcto comparar a ANP com os \u201cjudenrat\u201d (em alem\u00e3o, conselho judeu), as autoridades judias dentro dos guetos, criadas em 1941, que actuavam sob as ordens nazistas.<\/p>\n<p>Esta realidade provocou um profundo desgaste na rela\u00e7\u00e3o da Fatah com o povo palestiniano, algo que foi expresso na sua derrota frente ao Hamas nas elei\u00e7\u00f5es da ANP, em 2006. A derrota, posteriormente, resultou no confronto entre as duas organiza\u00e7\u00f5es e no golpe de estado de Mahmud Abbas (presidente da ANP e m\u00e1ximo dirigente da Fatah). O golpe, por\u00e9m, foi derrotado em Gaza, e as for\u00e7as de Abbas foram expulsas dali. Contudo, ele manteve o controle da Cisjord\u00e2nia. Por esse motivo, os cont\u00ednuos ataques de Israel \u00e0 Faixa de Gaza para desalojar o Hamas (o que n\u00e3o tem conseguido fazer) t\u00eam radicalizado ainda mais a luta do povo palestiniano.<\/p>\n<p>O povo palestiniano j\u00e1 demonstrou por sua ac\u00e7\u00e3o, e inclusive pelo voto, que n\u00e3o aceita esta administra\u00e7\u00e3o colaboracionista e corrupta da Fatah e da ANP. Mas isso n\u00e3o altera um dado essencial: a estrat\u00e9gia pol\u00edtica do imperialismo norte-americano \u00e9 (mais que nunca) a conforma\u00e7\u00e3o dos dois Estados, um judeu e outro palestiniano, que convivam sob o comando sionista. A exist\u00eancia da ANP dirigida pela Fatah, como triunfo dessa pol\u00edtica, continua representando o fio condutor do imperialismo e de todas as institui\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p><strong>Choques entre Obama e Netanyahu ocorrem no marco de um acordo estrat\u00e9gico EUA e Israel<\/strong><\/p>\n<p>A imprensa mundial tem destacado os choques entre o governo de Barack Obama e a pol\u00edtica do governo de Netanyahu. Estes choques evidentemente existem, mas \u00e9 necess\u00e1rio ver porque ocorrem e quais s\u00e3o seus limites. N\u00e3o se trata de uma ruptura entre EUA e Israel, mas sim de choques \u201ct\u00e1cticos\u201d diante das realidades que cada um desses governos tem que enfrentar.<\/p>\n<p>O Estado de Israel foi criado pelo imperialismo, em 1948, como um \u201cenclave colonial militar\u201d, uma esp\u00e9cie de grande base armada contra o mundo \u00e1rabe-mu\u00e7ulmano e suas lutas. A sua cria\u00e7\u00e3o, por um lado, usurpou o hist\u00f3rico territ\u00f3rio do povo palestiniano (uma parte do qual foi expulsa violentamente). Por outro, deu origem a um Estado de ideologia e legisla\u00e7\u00e3o racistas, similar \u00e0s dos nazistas ou ao apartheid sul-africano. Pela tarefa que lhe foi atribu\u00edda em sua cria\u00e7\u00e3o, Israel \u00e9 um \u201caliado estrat\u00e9gico\u201d do imperialismo norte-americano (conceito que foi claramente reafirmado por Obama), e sua exist\u00eancia sempre ser\u00e1 defendida pelo imperialismo.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 a raz\u00e3o dos choques ent\u00e3o? O governo de Obama enfrenta uma situa\u00e7\u00e3o posterior \u00e0 derrota militar da ocupa\u00e7\u00e3o do Iraque, al\u00e9m do curso cada vez mais desfavor\u00e1vel da guerra no Afeganist\u00e3o, que marcaram a derrota do projecto de Bush do \u201cnovo s\u00e9culo americano\u201d. Por isso, atrav\u00e9s de pactos e negocia\u00e7\u00f5es, busca desactivar os diferentes \u201cpontos quentes\u201d desta situa\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>A crise da pol\u00edtica dos acordos de Oslo, o impasse absoluto das negocia\u00e7\u00f5es que derivariam deles e o recrudescimento do conflito na Palestina chocam-se, por\u00e9m, contra esse objectivo. Para que n\u00e3o restem d\u00favidas sobre isso, o general Petraeus, chefe do comando central dos Estados Unidos e antigo respons\u00e1vel pelas tropas de ocupa\u00e7\u00e3o do Iraque, declarou no Senado dos EUA: \u201cEste conflito fomenta o sentimento antiamericano pela percep\u00e7\u00e3o de nossa prefer\u00eancia por Israel\u201d. Ou seja, a aus\u00eancia de avan\u00e7os nas conversas entre palestinianos e israelitas e a percep\u00e7\u00e3o de que Washington favorece Israel no conflito afectam interesses vitais dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 do interesse pol\u00edtico e militar dos EUA que sejam reactivadas essas negocia\u00e7\u00f5es, avan\u00e7ando inclusive para a cria\u00e7\u00e3o de um m\u00edni-Estado palestiniano, para tentar tranquilizar uma regi\u00e3o fundamental, al\u00e9m de gerar condi\u00e7\u00f5es para enfrentar melhor os outros conflitos, como os do Iraque e Afeganist\u00e3o-Paquist\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso se tornou importante para a sorte da estrat\u00e9gica regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio. Tanto \u00e9 assim que o quarteto formado por EUA, Uni\u00e3o Europeia, R\u00fassia e ONU pronunciou-se contr\u00e1rio \u00e0 pol\u00edtica de novos assentamentos na Cisjord\u00e2nia. Ban Ki Moon, secret\u00e1rio-geral da ONU, esteve em Israel ap\u00f3s a reuni\u00e3o do quarteto, onde reafirmou essa postura.<\/p>\n<p>Claro que o imperialismo tem a pol\u00edtica de encaminhar tudo isso atrav\u00e9s de seus agentes (Mahmud Abbas e Fatah) e n\u00e3o do Hamas. Mas, para isso, al\u00e9m de atacar o Hamas, precisa que o governo israelita fa\u00e7a algumas concess\u00f5es \u00e0 ANP para \u201cmanter viva\u201d a negocia\u00e7\u00e3o. Mas o governo de Netanyahu vem fazendo o oposto e, com isso, s\u00f3 agrava as tens\u00f5es. Ao mesmo tempo, o governo Obama sofre o desgaste de n\u00e3o poder avan\u00e7ar em sua pol\u00edtica. Essas s\u00e3o as raz\u00f5es de suas cr\u00edticas ao governo israelita, no marco de manter a sua \u201calian\u00e7a estrat\u00e9gica\u201d.<\/p>\n<p>Assim o expressou a secret\u00e1ria de Estado dos EUA, Hillary Clinton: \u201cNossa meta continua sendo a mesma\u201d. \u201c\u00c9 relan\u00e7ar as negocia\u00e7\u00f5es entre os israelitas e os palestinianos numa traject\u00f3ria de busca que levar\u00e1 \u00e0 solu\u00e7\u00e3o de dois Estados. N\u00e3o tem ocorrido nada que afecte de alguma forma o nosso compromisso de dar seguimento a isso\u201d, completou (La Naci\u00f3n, 19\/3\/2010). Contudo, como essa pol\u00edtica n\u00e3o tem conseguido resolver os problemas mais graves do Oriente M\u00e9dio, ocorre um desgaste de Obama em rela\u00e7\u00e3o aos povos \u00e1rabes e no seu poder de influenciar os governantes de Israel.<\/p>\n<p><strong>As raz\u00f5es de Netanyahu<\/strong><\/p>\n<p>Por sua vez, a pol\u00edtica do governo de Netanyahu obedece \u00e0 combina\u00e7\u00e3o de dois aspectos. Em primeiro lugar, por seu pr\u00f3prio car\u00e1cter de \u201cinvasor colonial\u201d, Israel precisa esmagar totalmente os palestinianos. O seu objectivo m\u00e1ximo seria expuls\u00e1-los de Jerusal\u00e9m e da Cisjord\u00e2nia. Ou, ao menos, reduzi-los a pequenos povoados sem possibilidades de defesa. Por isso, Netanyahu tem amplo apoio interno para n\u00e3o aceitar as restri\u00e7\u00f5es \u00e0 expans\u00e3o das col\u00f3nias e \u00e0 usurpa\u00e7\u00e3o das terras \u00e1rabes de Jerusal\u00e9m Oriental.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, Israel n\u00e3o pode aceitar, sob nenhuma condi\u00e7\u00e3o, que um pa\u00eds \u00e1rabe ou mu\u00e7ulmano possua armamentos para desafi\u00e1-lo, como poderia ser o caso do Ir\u00e3o, com o desenvolvimento da energia nuclear. Finalmente, o que justifica a exist\u00eancia de Israel como \u201cbasti\u00e3o do Ocidente\u201d, isto \u00e9 do imperialismo, \u00e9 a sua capacidade de interven\u00e7\u00e3o militar. Por isso, Israel conta com a aquiesc\u00eancia dos seus aliados imperialistas \u2013 como sempre fizeram \u2013 para as suas iniciativas genocidas e provoca\u00e7\u00f5es. Mas h\u00e1 um limite para toda essa actua\u00e7\u00e3o, que \u00e9 justamente a depend\u00eancia financeira e militar de Israel em rela\u00e7\u00e3o aos EUA. Sem esse apoio, Israel n\u00e3o teria a menor possibilidade de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>O Estado de Israel sofreu um golpe muito grande em sua imagem de \u201csuperioridade e invencibilidade militar\u201d quando se viu questionado pela derrota militar no L\u00edbano, em 2006, e por n\u00e3o ter conseguido submeter a Faixa de Gaza, em que pese todo o armamento empregado, o cerco que mant\u00e9m sobre este territ\u00f3rio e o genoc\u00eddio cometido em 2009. Essa realidade provocou uma crise pol\u00edtica em Israel e \u2013 em coer\u00eancia com o seu car\u00e1cter de habitantes de um enclave colonial \u2013 um giro ainda mais \u00e0 direita do eleitorado israelita, para posi\u00e7\u00f5es cada vez mais racistas e anti-\u00e1rabes.<\/p>\n<p>O governo de Netanyahu abandonou qualquer tentativa de roupagem \u201cdemocr\u00e1tica\u201d ou de \u201cesquerda\u201d e seus membros, como o ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Avigdor Lieberman, ou seus aliados parlamentares, como Aryeh Eldad, do partido Ichud Leumi, exp\u00f5em sem rodeios seu racismo de cunho nazista ou o projecto de expulsar os mais de cinco milh\u00f5es de palestinos de Jerusal\u00e9m, Gaza e Cisjord\u00e2nia para construir a Grande Israel em todo o territ\u00f3rio hist\u00f3rico da Palestina.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o \u00e9 esse o objectivo imediato de sua pol\u00edtica. O que Netanyahu busca, ao aprofundar uma pol\u00edtica j\u00e1 iniciada por seu antecessor, Ehud Olmert, \u00e9 postergar a retomada das negocia\u00e7\u00f5es tipo Oslo para, antes destas serem reiniciadas, apresentar factos consumados que fa\u00e7am os palestinianos aceitarem a ren\u00fancia \u00e0 sua luta hist\u00f3rica. E, enquanto isso, avan\u00e7ar o m\u00e1ximo poss\u00edvel sobre o territ\u00f3rio da ANP (fundamentalmente no controlo de terras, cursos de \u00e1gua e estradas da Cisjord\u00e2nia e, em especial, de Jerusal\u00e9m) para que, inclusive, se Israel for obrigado a aceitar a cria\u00e7\u00e3o de um \u201cEstado palestiniano\u201d, que este n\u00e3o seja mais que um punhado de aldeias e cidades totalmente dependentes econ\u00f3mica e militarmente de Israel e cuja administra\u00e7\u00e3o esteja sob o seu controlo total, ainda que tenha formalmente o nome de \u201cEstado independente\u201d.<\/p>\n<p>Mas, ao aplicar esta pol\u00edtica, tal como j\u00e1 vimos, agrava os confrontos na regi\u00e3o e entra em contradi\u00e7\u00e3o com a pol\u00edtica que Obama tenta aplicar, ao mesmo tempo que aprofunda o seu desgaste pela impossibilidade de lev\u00e1-la adiante, o que gera a crise que vemos hoje entre Netanyahu e Obama.<\/p>\n<p><strong>A viagem de Lula<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 neste marco que se d\u00e1 a viagem do presidente brasileiro, Luis In\u00e1cio Lula da Silva, \u00e0 regi\u00e3o, apresentada por alguns meios de comunica\u00e7\u00e3o como uma \u201ctentativa independente\u201d de \u201cabrir novos caminhos de paz\u201d no Oriente M\u00e9dio. A realidade \u00e9 bastante diferente. Consciente do desgaste das expectativas que a sua ascens\u00e3o ao poder gerou em sectores \u00e1rabes e palestinianos, Obama enviou o seu \u201camigo\u201d Lula para que, aproveitando-se do seu prest\u00edgio mundial como dirigente de \u201cesquerda\u201d, conseguisse manter um di\u00e1logo aberto com estes sectores e evitasse a sua imediata radicaliza\u00e7\u00e3o. Neste sentido, a viagem de Lula, longe de ser \u201cindependente\u201d, foi, realmente, para jogar um papel de \u201cala esquerda\u201d da pol\u00edtica imperialista.<\/p>\n<p>Lula foi muito claro ao expressar que todo o seu esfor\u00e7o estava destinado a tranquilizar a situa\u00e7\u00e3o, inclusive pressionando Netanyahu para se chegar \u00e0 solu\u00e7\u00e3o dos \u201cdois estados\u201d, como disse no Parlamento israelita. Isto \u00e9, uma pol\u00edtica totalmente vinculada ao plano estrat\u00e9gico imperialista e \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o do Estado racista de Israel.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, \u00e9 necess\u00e1rio dizer que o Brasil mant\u00e9m fortes la\u00e7os comerciais com Israel, expressos no acordo Mercosul-Israel, e importantes investimentos na regi\u00e3o, especialmente no L\u00edbano. Isto \u00e9, foi uma visita que tamb\u00e9m buscava \u201ccuidar dos neg\u00f3cios\u201d.<\/p>\n<p>Lamentavelmente, ainda hoje, a grande maioria da esquerda mundial se mant\u00e9m no campo dos \u201cdois estados\u201d, em nome da \u201cpaz\u201d. Apoiam, em geral, a ANP como \u201crepresentante leg\u00edtimo do povo palestino\u201d e apontam como perspectiva a cria\u00e7\u00e3o do m\u00edni-estado palestiniano, apostando nos esfor\u00e7os da ONU e tratando somente de discutir onde devem estar as fronteiras ou o papel de Jerusal\u00e9m, mas aceitando a exist\u00eancia do Estado racista de Israel e a conviv\u00eancia com ele.<\/p>\n<p><strong>Mais do que nunca, deve-se apoiar a luta dos palestinianos<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 neste marco que se est\u00e3o a dar as condi\u00e7\u00f5es para uma \u201cterceira Intifada\u201d. Mas esta n\u00e3o ser\u00e1 como as anteriores, s\u00f3 contra Israel, mas, tamb\u00e9m, contra a ANP e as suas autoridades. Os acontecimentos em Jerusal\u00e9m Oriental indicam esta possibilidade. Hoje, a pol\u00edtica cada vez mais dura do governo de Benjam\u00edn Netanyahu faz que Mahmud Abbas, a Fatah e os seus aliados n\u00e3o possam oferecer ao povo palestiniano nem sequer uma m\u00ednima concess\u00e3o formal que justifique a aceita\u00e7\u00e3o da ANP.<\/p>\n<p>O Hamas, por sua vez, n\u00e3o s\u00f3 tem apoiado os recentes protestos, mas tamb\u00e9m foi um dos convocantes do Dia da Ira. Nos dias seguintes, as massas sa\u00edram \u00e0s ruas espontaneamente sem que houvesse um chamado do Hamas. O mais preocupante, no entanto \u00e9 que, no actual contexto de extens\u00e3o da luta palestiniana, o Hamas mant\u00e9m duas pol\u00edticas profundamente equivocadas. A primeira refere-se \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es com o governo eg\u00edpcio de Hosni Mubarak, um claro c\u00famplice de Israel e do imperialismo na pol\u00edtica de isolar e derrotar pela fome a Faixa de Gaza. Por exemplo, Mubarak est\u00e1 a construir um muro com tecnologia ultramoderna provida pelo imperialismo para impedir o funcionamento dos t\u00faneis clandestinos pelos quais passam alimentos e medicamentos do Egipto a Gaza. <\/p>\n<p>A segunda pol\u00edtica que consideramos equivocada refere-se \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do chamado a Abbas e \u00e0 Fatah (os agentes do Estado de Israel e do imperialismo dentro de Palestina!) para a forma\u00e7\u00e3o de um governo de \u201cunidade nacional\u201d. Este tipo de \u201cunidade nacional\u201d com os colaboradores da ocupa\u00e7\u00e3o s\u00f3 serviria para enganar os lutadores e preparar a entrega final da causa palestina.<\/p>\n<p>De nossa parte, da Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (LIT-QI), reafirmamos o nosso apoio incondicional \u00e0 luta do povo palestinianoo e repudiamos estes novos ataques e a repress\u00e3o do governo de Netanyahu.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, assinalamos que \u00e9 necess\u00e1rio tirar as conclus\u00f5es de tudo o que ocorreu nos \u00faltimos anos. Em primeiro lugar, que a pol\u00edtica da ANP \u2013 resultante dos acordos de Oslo \u2013 transformou-se numa armadilha contra a luta do povo palestiniano pelo seu car\u00e1cter de \u201cadministra\u00e7\u00e3o colonial\u201d. Em segundo lugar, caso se crie um m\u00edni-estado palestiniano, este n\u00e3o ter\u00e1 nenhuma possibilidade de exist\u00eancia real e estar\u00e1 condenado a viver sob as botas de Israel, como uma administra\u00e7\u00e3o colonial encarregada de controlar o seu povo.<\/p>\n<p>Isto significa que n\u00e3o haver\u00e1 nenhuma verdadeira solu\u00e7\u00e3o sem a destrui\u00e7\u00e3o do Estado nazista de Israel (verdadeira causa dos conflitos na regi\u00e3o) e a constru\u00e7\u00e3o de um Estado palestiniano \u00fanico, laico, democr\u00e1tico e n\u00e3o racista; onde os palestinianos que foram expulsos possam retornar \u00e0s suas terras e nas quais os judeus ali residentes aceitem os direitos dos palestinianos \u00e0 terra e, se assim o quiserem, possam manter-se ali e conviver em paz com os seus vizinhos.<\/p>\n<p>Esta tarefa sup\u00f5e a necessidade de uma Terceira Intifada para derrotar Israel. Nessa luta, n\u00e3o pode haver nenhuma unidade com os agentes do sionismo e do imperialismo dentro do povo palestiniano, como Mahmud Abbas e a ANP. A unidade palestina que verdadeiramente serve \u00e9 aquela que organize e impulsione a Terceira Intifada e, nessa luta, tamb\u00e9m derrote a ANP. \u00c9 necess\u00e1rio, ent\u00e3o, que o Hamas deixe de defender a unidade com a Fatah e, junto \u00e0s outras for\u00e7as de resist\u00eancia, enfrente os invasores sionistas e os seus c\u00famplices da ANP.<\/p>\n<p>Uma luta que tamb\u00e9m ter\u00e1 outras tarefas concretas, como derrubar os governos pr\u00f3-imperialistas e s\u00f3cios de Israel, como o regime ditatorial de Hosni Mubarak, no Egipto, que joga um papel sinistro no isolamento da Faixa de Gaza. Por outro lado, chamamos organiza\u00e7\u00f5es como o Hezbollah, que ganhou um imenso prest\u00edgio entre as massas \u00e1rabes e mu\u00e7ulmanas por seu triunfo contra o ex\u00e9rcito israelita, em 2006, a romperem a sua pol\u00edtica de \u201cunidade nacional\u201d com os sectores burgueses pr\u00f3-imperialistas do L\u00edbano e a intervir activamente nesta luta contra Israel.<\/p>\n<p>Mas a luta pela destrui\u00e7\u00e3o de Israel, para ser vitoriosa, n\u00e3o pode ficar s\u00f3 nas m\u00e3os do povo palestiniano. \u00c9 necess\u00e1ria a luta de todos os povos \u00e1rabes e mu\u00e7ulmanos, que continuam sendo profundamente solid\u00e1rios com os palestinianos, como foi demonstrado pelas mobiliza\u00e7\u00f5es em Beirute (L\u00edbano) e em Istambul (Turquia). Para que essa luta seja triunfante \u00e9 fundamental tamb\u00e9m que ela seja tomada pelas massas trabalhadoras de todo mundo. Que se mobilizem internacionalmente at\u00e9 derrotar esse estado racista e genocida que envergonha a humanidade.<\/p>\n<p>Por isso, propomos a realiza\u00e7\u00e3o de uma grande campanha de solidariedade com o povo palestiniano da mesma forma quando do genoc\u00eddio infligido a Gaza. Deve-se p\u00f4r em marcha os trabalhadores e povos e estender o boicote comercial a Israel (sem receber produtos dessa origem ou entregar com esse destino) em todo mundo, seguindo o exemplo dos portu\u00e1rios australianos, sul-africanos e outros sindicatos durante o ataque a Gaza. Deve-se exigir dos governos a imediata ruptura de rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas e comerciais com o Estado nazista de Israel. Deve-se manter sem descanso a mobiliza\u00e7\u00e3o nas ruas pela liberta\u00e7\u00e3o do povo palestino.\u201d<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo, 21 de Mar\u00e7o de 2010.<\/p>\n<p><strong>Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (LIT-QI)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Declara\u00e7\u00e3o da Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (LIT-QI), publicada poucos dias antes da entrada de tanques e ve\u00edculos blindados israelitas em Gaza, em finais de Mar\u00e7o, na primeira incurs\u00e3o de Israel naquele territ\u00f3rio ap\u00f3s o genoc\u00eddio praticado em Janeiro de 2009, quando o ex\u00e9rcito de Israel matou 1.400 palestinianos, a maioria civis. A tens\u00e3o cresce nos territ\u00f3rios palestinianos, devido \u00e0 pol\u00edtica provocat\u00f3ria de Israel, que pretende ampliar os colonatos em Jerusal\u00e9m e pressiona o Egipto para ultimar a constru\u00e7\u00e3o de um muro subterr\u00e2neo ao longo de sua fronteira com Gaza, para impedir a passagem de palestinianos e refor\u00e7ar<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":194,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-195","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-palestina"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/todoapoiopalestina-260x175.jpg?fit=260%2C175","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=195"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/194"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=195"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=195"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=195"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}