{"id":1929,"date":"2015-07-12T18:29:10","date_gmt":"2015-07-12T17:29:10","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2015\/07\/12\/do-absurdo-ao-tragico\/"},"modified":"2015-07-12T18:29:10","modified_gmt":"2015-07-12T17:29:10","slug":"do-absurdo-ao-tragico","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2015\/07\/12\/do-absurdo-ao-tragico\/","title":{"rendered":"Do absurdo ao tr\u00e1gico"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Aqueles que conduzem a Gr\u00e9cia e a sua esquerda \u00e0 rendi\u00e7\u00e3o devem ser confrontados<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Artigo de Stathis Kouvelakis em <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.jacobinmag.com\/\" rel=\"noopener\">Jacobin<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Qualquer pessoa que esteja a viver, ou apenas a acompanhar, os desenvolvimentos na Gr\u00e9cia compreende perfeitamente express\u00f5es como \u201cmomentos cr\u00edticos\u201d, \u201cclima de tens\u00e3o\u201d, \u201creviravolta dram\u00e1tica\u201d e \u201cpressionar os limites\u201d. Com o desenrolar da situa\u00e7\u00e3o desde segunda-feira, um novo voc\u00e1bulo foi adicionado \u00e0 lista \u201cabsurdo\u201d.<\/p>\n<p>A palavra pode parecer estranha, ou um exagero. Mas de que outra forma se pode caracterizar a total deturpa\u00e7\u00e3o de um momento t\u00e3o fant\u00e1stico como o referendo de 5 de Julho, passadas apenas algumas horas da sua conclus\u00e3o, por aqueles que pediram um voto no \u201cN\u00e3o\u201d?<\/p>\n<p>Como se pode explicar que Vangelis Meimarakis da Nova Democracia e Stravos Theodorakis, l\u00edder do To Potami \u2013 as caras do campo que foi esmagadoramente derrotado no Domingo \u2013 se tornaram os porta-vozes oficiais da linha seguida pelo governo grego? Como \u00e9 possivel que um devastador \u201cN\u00e3o\u201d \u00e0s medidas de austeridade do memorando possa ser interpretado como uma luz verde para um novo memorando? Trocando por mi\u00fados: se estavam dispostos a assinar algo ainda pior e mais comprometedor que as propostas do Presidente da Comiss\u00e3o Europeia Jean-Claude Juncker, qual foi o sentido do referendo e da luta para conseguir a vit\u00f3ria?<\/p>\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o de absurdo n\u00e3o \u00e9 apenas fruto desta invers\u00e3o inesperada. Este sobressai pelo facto que tudo se est\u00e1 a passar diante dos nossos olhos como se nada tivesse acontecido, como se o referendo tivesse sido uma alucina\u00e7\u00e3o colectiva que terminou de repente, deixando-nos livres para continuar o que estavamos a fazer antes. Mas como n\u00e3o nos tornamos todos indolentes, fa\u00e7amos pelo menos um breve resumo do que se passou nos \u00faltimos dias.<\/p>\n<p>No \u00faltimo domingo, o povo grego surpreendeu a Europa e o mundo, respondendo em massa ao chamado do governo e, em condi\u00e7\u00f5es sem precedentes para os padr\u00f5es de qualquer pa\u00eds europeu no p\u00f3s-guerra, esmagadoramente votou \u201cN\u00e3o\u201d \u00e0s propostas coercivas e humilhantes dos credores. Tanto a dimens\u00e3o do \u201cN\u00e3o\u201d como a sua composi\u00e7\u00e3o qualitativa, com uma enorme express\u00e3o entre os trabalhadores e a juventude, s\u00e3o prova das profundas mudan\u00e7as que t\u00eam ocorrido, ou melhor que se cristalizaram em t\u00e3o curto espa\u00e7o de tempo, na sociedade grega.<\/p>\n<p>As mobiliza\u00e7\u00f5es de massas de sexta-feira, o clima \u201cde baixo\u201d que prevaleceu na semana passada, para n\u00e3o falar na entusi\u00e1stica onda de solidariedade internacional, s\u00e3o prova do enorme potencial que foi aberto pela escolha do conflito pol\u00edtico popular em vez do recuo.<\/p>\n<p>Mas desde segunda-feira de manh\u00e3, antes ainda que os gritos de vit\u00f3ria nas pra\u00e7as do pa\u00eds tivessem desaparecido, o teatro do absurdo come\u00e7ou. Sob a \u00e9gide do presidente grego, activamente pr\u00f3-\u201dSim\u201d, Prokopis Pavlopoulos, o governo convocou os l\u00edderes dos partidos derrotados para elaborar as bases de negocia\u00e7\u00e3o colocando o Euro como o limite inultrapass\u00e1vel das posi\u00e7\u00f5es gregas, declarando claramente que n\u00e3o tem mandato para deixar a uni\u00e3o monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>As pessoas, ainda na alegre n\u00e9voa de domingo, assistem enquanto o representante dos 62% se subordina aos 38% na imediata sequ\u00eancia de uma sonante vit\u00f3ria para a democracia e a soberania popular.<\/p>\n<p>Na ter\u00e7a-feira, o governo, sem nenhuma nova \u201cproposta\u201d para apresentar, transfere as opera\u00e7\u00f5es para Bruxelas para a reuni\u00e3o extraordin\u00e1ria do Eurogrupo e, como \u00e9 absolutamente l\u00f3gico, encontra-se confrontado com um novo e ainda mais severo ultimato. No dia seguinde Euclid Tsakalotos inaugura fun\u00e7\u00f5es como ministro das finan\u00e7as (no interesse da brevidade vamos saltar o factor da demiss\u00e3o de Yanis Varoufakis, fazendo apenas notar que foi exig\u00eancia dos credores) enviando ao Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), organiza\u00e7\u00e3o que gere a maior parte da d\u00edvida grega, uma carta a solicitar novo empr\u00e9stimo de 50 mil milh\u00f5es de euros, que ser\u00e1 acompanhado, claro,&nbsp; por um novo memorando. Est\u00e1 previsto que o parlamento comece nesta segunda-feira a votar a legisla\u00e7\u00e3o relevante.<\/p>\n<p>A carta de Tsakalotos continua com refer\u00eancias ao compromisso grego em \u201chonrar as suas obriga\u00e7\u00f5es financeiras a todos os credores de forma plena e atempada.\u201d \u00c9 \u00f3bvio que apesar das garantias que ouvimos ap\u00f3s a proclama\u00e7\u00e3o do referendo para \u201crecome\u00e7ar a discuss\u00e3o do zero\u201d as \u201cnegocia\u00e7\u00f5es\u201d continu\u00e3o exactamente onde foram deixadas, com os gregos a baixar a barra aos seus oponentes a cada passo.<\/p>\n<p>No mesmo dia, esperando as novas \u201cpropostas\u201d gregas, que foram \u201cconfi\u00e1veis e detalhadas\u201d, o primeiro ministro Alexis Tsipras dirige-se ao Parlamento Europeu e declara que \u201cse o meu objectivo fosse retirar a Gr\u00e9cia do Euro, n\u00e3o viria imediatamente ap\u00f3s o fecho das urnas fazer as declara\u00e7\u00f5es que fiz e interpretar o resultado do referendo n\u00e3o como um mandato para romper com a Europa mas como um mandato para refor\u00e7ar os nossos esfor\u00e7os negociais para chegar a um melhor acordo.\u201d<\/p>\n<p>Isto junta-se ao que \u00e9 mais ou menos reconhecido abertamente, que o resultado do referendo&nbsp; estava a ser interpretado com um fim espec\u00edfico em vista, a negocia\u00e7\u00e3o a todo o custo e a preven\u00e7\u00e3o de uma ruptura.<\/p>\n<p>No mesmo discurso, o primeiro ministro exp\u00f5e sucintamente a filosofia que por v\u00e1rias semanas tem informado tem vindo a informar a postura do lado grego e que o par\u00eantesis do referendo n\u00e3o trouxe a qualquer mudan\u00e7a:<\/p>\n<p>\u201cNestas propostas assumimos evidentemente um compromisso poderoso para alcan\u00e7ar os objectivos fiscais que se requerem sobre a base das regras, porque reconhecemos, e respeitamos, o facto que a zona euro tem regras. Mas reservamos o direito de escolha, o direito de sermos capazes, como governo soberano, a escolher onde devemos colocar, e onde aumentar, a carga de impostos, para estar em posi\u00e7\u00e3o de alcan\u00e7ar os objectivos fiscais tra\u00e7ados.\u201d<\/p>\n<p>Portanto as bases foram lan\u00e7adas: medidas restritivas que asseguram super\u00e1vites fiscais e apontam para o pagamento da d\u00edvida. \u00c9 incontestavelmente a base do memorando. O desacordo \u00e9 sobre a \u201cdistribui\u00e7\u00e3o dos encargos\u201d. Envolve uma variante de austeridade (supostamente) \u201csocialmente mais justa\u201d, que ser\u00e1 apresentada como \u201credistribui\u00e7\u00e3o\u201d ao mesmo tempo que prepetua a recess\u00e3o (todas as refer\u00eancias a um compromisso n\u00e3o recessivo foram apagadas) e empobrecimento da maioria.<\/p>\n<p>Entretanto, e enquanto estas garantias tranquilizantes s\u00e3o apresentadas que demolem o que restava dos compromissos program\u00e1ticos do Syriza, h\u00e1 um endurecimento do estado de s\u00edtio que o pa\u00eds sofre, com o Banco Central Europeu a manter fechada a torneira da liquidez e a cortar ainda mais o valor das obriga\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias, levando inevitavelmente ao colapso.<\/p>\n<p>E ainda assim, apesar da gravidade da situa\u00e7\u00e3o e apesar do facto que atrav\u00e9s da imposi\u00e7\u00e3o de controlo de capitais parte do caminho j\u00e1 foi percorrido, ningu\u00e9m, al\u00e9m de Costas Lapavitsas e alguns quadros da Plataforma de Esquerda, fala das evidentes e b\u00e1sicas medidas de auto-prote\u00e7\u00e3o que se tornam necess\u00e1rias por circunst\u00e2ncias deste g\u00e9nero, come\u00e7ando pela nacionaliza\u00e7\u00e3o e controlo p\u00fablico do sistema banc\u00e1rio.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o para isto \u00e9 bastante simples: qualquer medida deste g\u00e9nero colocaria a Gr\u00e9cia com um p\u00e9 fora do Euro, que o governo \u00e9 completamente relutante em fazer, apesar do facto que at\u00e9 economistas mais moderados como Paul Krugman afirmarem que \u201ca maior parcela do custo j\u00e1 foi paga\u201d e que \u00e9 tempo da Gr\u00e9cia \u201ccolher os frutos\u201d.<\/p>\n<p>Uma conclus\u00e3o bastante simples podemos retirar de tudo isto: com as jogadas realizadas na \u00faltima semana, o governo n\u00e3o conseguiu mais que voltar ao anterior enjaulamento, numa posi\u00e7\u00e3o bastante mais desfavor\u00e1vel, sob a press\u00e3o de uma asfixia econ\u00f3nima ainda mais implac\u00e1vel. Conseguiu desperdi\u00e7ar a poderosa injec\u00e7\u00e3o de capital pol\u00edtico do referendo em tempo recorde, seguindo em todos os pontos a linha dos que o tinham oposto e que t\u00eam toda a raz\u00e3o para se sentirem vingados, apesar de terem sido castigados nas urnas.<\/p>\n<p>Mas o referendo aconteceu. N\u00e3o foi uma alucina\u00e7\u00e3o da qual toda a gente recuperou entretanto. Pelo contr\u00e1rio, a alucina\u00e7\u00e3o \u00e9 a tentativa de rebaix\u00e1-lo a um \u201ctubo de escape\u201d tempor\u00e1rio, em prepare\u00e7\u00e3o para retomar o percurso descendente em dire\u00e7\u00e3o a um terceiro memorando.<\/p>\n<p>E parece que o governo est\u00e1 precisamente a seguir esse caminho suicida. Entretanto, enviou a todos os deputados um texto de doze p\u00e1ginas, escrito \u00e0 pressa, em ingl\u00eas, enviado por especialistas do governo franc\u00eas e baseado no pedido de Tsakalotos de 50 mil milh\u00f5es de empr\u00e9stimo ao MEE.<\/p>\n<p>Isto n\u00e3o \u00e9 mais que um novo pacote de austeridade \u2013 na realidade, um \u201ccopy paste\u201d do plano Juncker rejeitado pelo eleitorado h\u00e1 alguns dias. O seu n\u00facleo \u00e9 bastante familiar: super\u00e1vites prim\u00e1rios, cortes nas pens\u00f5es, aumento do IVA e outros impostos, e uma m\u00e3o cheia de medidas para&nbsp; lhe dar ares de \u201cjusti\u00e7a social\u201d (ex: aumento de impostos sobre as empresas de 2 pontos). O documento foi aprovado por todos os ministros excepto Panos Kammenos, l\u00edder do partido dos Gragos Independentes (ANEL), e Panagiotis Lafazanis, l\u00edder da Plataforma de Esquerda.<\/p>\n<p>O parlamento foi chamado a votar o texto hoje, sob os mesmo procedimentos de emerg\u00eancia que foram anteriormente denunciados pelo Syriza. Em muitos aspectos este processo pode ser considerado um \u201cgolpe de estado parlamentar\u201d j\u00e1 que o parlamento \u00e9 chamado a votar um texto que n\u00e3o \u00e9 nem uma lei, nem um acordo internacional. Mas esta aprova\u00e7\u00e3o parlamentar foi explicitamente colocada como condi\u00e7\u00e3o para negocia\u00e7\u00f5es futuras pelo ministro das finan\u00e7as alem\u00e3o, Wolfgang Sch\u00e4uble.<\/p>\n<p>Como era previs\u00edvel, e provavelmente at\u00e9 planeado, esta proposta de acordo despoletou tumulto dentro do Syriza. De momento, as rea\u00e7\u00f5es mais fortes v\u00eam da Plataforma de Esquerda e outras correntes da ala esquerda do Syriza como o KOE, a organiza\u00e7\u00e3o mao\u00edsta com 4 deputados. Na dram\u00e1tica reuni\u00e3o do grupo parlamentar do Syriza, Lafazanis, ministro da energia e l\u00edder da Plataforma de Esquerda, afirmou que o acordo \u00e9 \u201cincompat\u00edvel com o programa do Syriza\u201d e \u201cn\u00e3o oferece prespectivas positivas ao pa\u00eds\u201d. Espera-se que os ministros da Plataforma de Esquerda se demitam hoje.<\/p>\n<p>Thanassis Petrakos, um dos tr\u00eas porta-vozes do grupo parlamentar do Syriza e membro proeminente da Plataforma de Esquerda declarou:<\/p>\n<p>\u201cO &#8216;N\u00e3o&#8217; do referendo foi um &#8216;N\u00e3o&#8217; radical e de classe. Alguns camaradas de alto posto insistem na l\u00f3gica de que &#8216;n\u00e3o h\u00e1 outra forma&#8217;. Devemos preparar a sa\u00edda da zona euro e diz\u00ea-lo claramente \u00e0s pessoas. A esquerda tem futuro quando abre as asas para o desconhecido, n\u00e3o para o nada. Aqueles que insistem na escolha de ficar no Euro custe o que custar saber\u00e3o que \u00e9 um desastre. Precisamos de uma sa\u00edda preparada para abrir novos caminhos. Os primeiros passos s\u00e3o o controlo p\u00fablico da banca e do Banco Central Grego e a repress\u00e3o da oligarquia.\u201d<\/p>\n<p>Diz-se que Varoufakis se op\u00f4s ao acordo, bem como alguns deputados do grupo dos \u201ccinquenta e tr\u00eas\u201d (a ala esquerda da maioria), embora numa reuni\u00e3o interna que ocorreu ontem tenha surgido uma brecha na base e quadros interm\u00e9dios, que se op\u00f5em fortemente ao acordo, e os deputados, bastante mais inclinados a apoi\u00e1-lo. A vota\u00e7\u00e3o que ter\u00e1 lugar durante a noite ser\u00e1 certamente da m\u00e1xima import\u00e2ncia para desenvolvimentos futuros, mas tamb\u00e9m para o futuro do Syriza.<\/p>\n<p>O que quer que aconte\u00e7a nas pr\u00f3ximas horas e dias, uma coisa deve ficar clara: qualquer tentativa de cancelar a vontade popular de derrubar a austeridade e o memorando n\u00e3o ser\u00e1 mais que \u201chubris\u201d* [\u201corgulho, insol\u00eancia, ofensa\u201d, N. do T.] no velho sentido da palavra. Quem se atrever a liderar o pa\u00eds, e a Esquerda, para a rendi\u00e7\u00e3o e a desonra deve estar preparado para enfrentar o Nemesis correspondente.<\/p>\n<p>10 de julho de 2015<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.jacobinmag.com\/2015\/07\/tsipras-syriza-greece-euro-debt\/\" rel=\"noopener\"><em><span style=\"font-size: 10pt;\">Artigo original aqui<\/span><\/em><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>*Tradu\u00e7\u00e3o de Pedro Fortunato<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aqueles que conduzem a Gr\u00e9cia e a sua esquerda \u00e0 rendi\u00e7\u00e3o devem ser confrontados Artigo de Stathis Kouvelakis em Jacobin<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1928,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[39],"tags":[116,499,382,613,139,594,422,115,384,612,596,163,2,117,425,319],"class_list":["post-1929","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-europa","tag-alternativa","tag-austeridade","tag-banca","tag-bce","tag-euro","tag-fmi","tag-grecia","tag-movimento","tag-nacionalizacao","tag-nas","tag-oxi","tag-referendo","tag-revolucao","tag-socialista","tag-tsipras","tag-ue"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/tsipras.jpg?fit=450%2C321","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1929","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1929"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1929\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1928"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1929"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1929"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1929"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}