{"id":1915,"date":"2015-06-18T18:15:07","date_gmt":"2015-06-18T17:15:07","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2015\/06\/18\/grecia-em-resposta-a-exigencia-imperialista-suspender-o-pagamento-da-divida-e-nacionalizar-os-bancos\/"},"modified":"2015-06-18T18:15:07","modified_gmt":"2015-06-18T17:15:07","slug":"grecia-em-resposta-a-exigencia-imperialista-suspender-o-pagamento-da-divida-e-nacionalizar-os-bancos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2015\/06\/18\/grecia-em-resposta-a-exigencia-imperialista-suspender-o-pagamento-da-divida-e-nacionalizar-os-bancos\/","title":{"rendered":"Gr\u00e9cia: em resposta \u00e0 exig\u00eancia imperialista, suspender o pagamento da d\u00edvida e nacionalizar os bancos"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p> <strong><em> <\/em><\/strong> <\/p>\n<p><strong><em>Declara\u00e7\u00e3o da Liga Internacional dos Trabalhadores &#8211; Quarta Internacional<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Est\u00e3o em curso negocia\u00e7\u00f5es entre o governo grego e os dirigentes do imperialismo europeu.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>O pacote de medidas exigido pelo imperialismo \u00e9 mais, nada menos, que a assinatura do estado de uma col\u00f3nia, seguida de uma verdadeira declara\u00e7\u00e3o de guerra contra a classe trabalhadora: exige a manuten\u00e7\u00e3o integral do plano de privatiza\u00e7\u00f5es iniciado pelo governo de Antonis Samaras (Nova Democracia), os aeroportos e os portos do Pireu e Tessal\u00f4nica; implementar a reforma das reformas (isto \u00e9, reduzi-las e acabar com as reformas antecipadas); manter a suspens\u00e3o da negocia\u00e7\u00e3o colectiva salarial e trabalhista, rever o direito \u00e0 greve e a lei que regula as demiss\u00f5es coletivas (ERES), naturalmente para facilit\u00e1-las.<\/p>\n<p>Mas, como o pagamento da d\u00edvida deve sair do sangue e suor dos trabalhadores gregos, exige que qualquer mudan\u00e7a no campo trabalhista seja submetida \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o da Troika. Tamb\u00e9m exigem aumentar o IVA e acabar com os subs\u00eddios ao combust\u00edvel do aquecimento dom\u00e9stico e ao combust\u00edvel diesel agr\u00edcola&#8230; Mant\u00e9m a pol\u00edtica de super\u00e1vit prim\u00e1rio e o corte das despesas sociais. E prop\u00f5e, tamb\u00e9m, \u201crever as tabelas salariais\u201d dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, isto \u00e9, corte nos sal\u00e1rios da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica.<\/p>\n<p>E como se n\u00e3o bastasse, h\u00e1 algo pouco discutido e comentado pela imprensa: a exig\u00eancia de \u201cestabelecer uma ag\u00eancia tribut\u00e1ria independente\u201d. Isto \u00e9, o Estado grego deve renunciar ao controlo da arrecada\u00e7\u00e3o de impostos e pass\u00e1-lo diretamente \u00e0 Uni\u00e3o Europeia (UE), reconhecendo o fim de qualquer vislumbre de soberania.<\/p>\n<p>O que diz o imperialismo em alto e bom som, e que n\u00e3o ouvem apenas os que n\u00e3o querem ouvir, \u00e9 que o pre\u00e7o a pagar para se manter na UE e na zona euro \u00e9 a coloniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e a escravid\u00e3o. A submiss\u00e3o e a humilha\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia n\u00e3o est\u00e3o ditadas somente pela pol\u00edtica de pilhagem, mas tamb\u00e9m, como afirma um dos porta-vozes do capital financeiro: \u201cA democracia europeia tem uma premissa organizativa nova. Os cidad\u00e3os ainda devem mudar seus l\u00edderes de vez em quando, mas somente com o claro entendimento de que as elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o anunciam mudan\u00e7as de rumo. As elites europeias, de esquerda ou de direita, dentro ou fora da zona euro, ajoelham-se diante do altar da austeridade. Os governos permitem um retoque aqui ou uma mudan\u00e7a ali no que d\u00e3o mais import\u00e2ncia. Nenhum, por\u00e9m se atreve a questionar o catecismo da austeridade or\u00e7ament\u00e1ria\u201d. (Financial Times, 06\/05\/2015).<\/p>\n<p>O imperialismo precisa de esmagar os trabalhadores gregos por terem ousado dizer basta \u00e0 espiral de cortes, contra-reformas e sobre-explora\u00e7\u00e3o. O \u201caltar da austeridade\u201d n\u00e3o admite reformas: o recha\u00e7o de Alexis Tsipras aos ditames do imperialismo, ao n\u00e3o vir acompanhado de medidas que permitam romper com o catecismo da austeridade, mant\u00e9m o pa\u00eds ajoelhado.<\/p>\n<p><strong>A alternativa: converter a Gr\u00e9cia numa col\u00f3nia alem\u00e3 ou suspender o pagamento da d\u00edvida e sair do euro<\/strong><\/p>\n<p>A l\u00f3gica de mudar a austeridade estrita por uma \u201causteridade atenuada\u201d leva a aceitar, embora negociando, os termos do ditame imperialista, j\u00e1 que a \u00fanica estrat\u00e9gia real da negocia\u00e7\u00e3o tem como limite e horizonte que Gr\u00e9cia fique a todo custo na zona euro. Mas esta estrat\u00e9gia responde nada menos que aos interesses da grande burguesia grega e dos banqueiros parasitas quebrados; mant\u00e9m o pa\u00eds ref\u00e9m dos empr\u00e9stimos do Banco Central Europeu (BCE) para que eles mantenham os seus lucros elevados, enquanto a classe trabalhadora se afunda na mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>Alexis Tsipras denunciou que a asfixia financeira a que o BCE est\u00e1 a submeter a Gr\u00e9cia \u00e9 imoral. Mas o imperialismo n\u00e3o entende de moral nem de humanidade, qualidades exigidas pelo primeiro-ministro grego \u00e0queles que se negam inclusive a reconhecer a sua responsabilidade hist\u00f3rica pela ocupa\u00e7\u00e3o e a barb\u00e1rie nazi na Gr\u00e9cia durante a II Guerra Mundial. O que Tsipras n\u00e3o diz, \u00e9 que esta \u201casfixia financeira\u201d est\u00e1 facilitada, nada mais e nada menos que, pela sua decis\u00e3o de assinar o acordo de Fevereiro passado.<\/p>\n<p>Resta perguntar: que medidas o governo de Tsipras decretou contra a \u201casfixia financeira\u201d imposta pelo BCE? Obrigou todos os organismos estatais (desde os munic\u00edpios at\u00e9 aos hospitais) a colocar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do governo as suas reservas de caixa para cumprir os compromissos de pagamento ao FMI.<\/p>\n<p>Mas era este o \u00fanico caminho? N\u00e3o. A \u201casfixia\u201d n\u00e3o pode ser utilizada para negociar o ditame: basta que o seu governo <strong>nacionalize a banca, sem assumir nenhuma das suas d\u00edvidas, a unifique num \u00fanico banco estatal e decrete o controlo dos movimentos de capitais.<\/strong><\/p>\n<p>Mas o seu governo e o seu partido, o Syriza, j\u00e1 anunciaram que, para atingir um \u201cacordo\u201d, lan\u00e7am pela janela o programa de Tesal\u00f4nica, com o qual o Syriza ganhou as elei\u00e7\u00f5es. J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 o compromisso de aumentar o sal\u00e1rio m\u00ednimo, de revogar completamente a reforma trabalhista, de n\u00e3o aumentar o IVA, com a suspens\u00e3o unilateral da d\u00edvida, de anular as privatiza\u00e7\u00f5es, etc. Inv\u00e9s disso, assume que privatizar\u00e1, mas de \u201cforma soberana\u201d. Tampouco a reintegra\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos mandados para a rua pelo governo de Antonis Samaras, e que provocou a heroica luta das empregadas da limpeza do Minist\u00e9rio; somente 1% seriam reintegrados, segundo o projeto de lei do governo [1].<\/p>\n<p>O \u00fanico e supremo argumento utilizado por Tsipras para justificar as concess\u00f5es \u00e9 que n\u00e3o tem mandato do povo grego para romper com o euro. Mas a argumenta\u00e7\u00e3o inversa tamb\u00e9m \u00e9 verdadeira, porque se algo que Tsipras n\u00e3o tem, \u00e9 um mandato para n\u00e3o cumprir com o seu programa e o seu solene compromisso de p\u00f4r fim \u00e0 austeridade. \u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o do Syriza \u00e9 renegar os compromissos assumidos com os trabalhadores. Para lev\u00e1-los a cabo, deve romper os seus la\u00e7os e compromissos com a burguesia grega, com a ANEL[2] e, em particular, com os banqueiros s\u00f3cios do imperialismo na pilhagem do pa\u00eds, parasitas dos grandes tubar\u00f5es europeus.<\/p>\n<p>Para acabar com a austeridade, \u00e9 necess\u00e1rio decretar a suspens\u00e3o imediata do pagamento da d\u00edvida. Se Tsipras n\u00e3o o fizer, seguir\u00e1 com a l\u00f3gica dos cortes, das privatiza\u00e7\u00f5es e da sobre-explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores\/as.<\/p>\n<p><strong>Dizemos aos trabalhadores\/as gregos que n\u00e3o h\u00e1 outro caminho que n\u00e3o seja a sua mobiliza\u00e7\u00e3o e luta independente do governo. \u00c9 necess\u00e1ria uma greve geral em defesa das reivindica\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas dos trabalhadores e contra os planos de austeridades negociados pelo governo com o imperialismo. <\/strong>\u00c9 hora de ganhar as ruas e exigir do Syriza:<strong> n\u00e3o negociem o ditame imperialista! Suspendam de imediato o pagamento da d\u00edvida e nacionalizem a banca! Fa\u00e7am um apelo internacionalista urgente de solidariedade aos trabalhadores europeus e de todo mundo!<\/strong><\/p>\n<p>E aos que, no interior do Syriza (como a Plataforma de Esquerda) s\u00e3o contr\u00e1rios \u00e0 assinatura do novo memorando, n\u00e3o podem continuar a semear ilus\u00f5es no governo: \u00e9 mais que necess\u00e1rio romper com o governo Tsipras-Anel, organizar a oposi\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e popular e construir uma frente \u00fanica dos trabalhadores, independente do governo, a fim de avan\u00e7ar na unidade para lutar. E, mais que nunca, chamar \u00e0 solidariedade europeia frente ao boicote, levantando a bandeira de uma Europa unida dos trabalhadores e dos povos.<\/p>\n<p>Naturalmente, abrir uma perspectiva deste tipo exige um governo que se apoie e responda \u00e0\u00a0 classe trabalhadora e ao povo, organizados, que d\u00ea os passos de ruptura necess\u00e1rios e articule a solidariedade. Estamos a falar de um governo dos trabalhadores. E da necessidade de avan\u00e7ar, dentro do atual processo de reorganiza\u00e7\u00e3o, na constru\u00e7\u00e3o de uma direc\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Ratificamos finalmente a nossa disposi\u00e7\u00e3o de colaborar e ajudar as organiza\u00e7\u00f5es e ativistas da esquerda grega a conformar uma oposi\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e socialista ao governo de Alexis Tsipras.<\/p>\n<p><strong>Solidariedade com o povo grego! Anula\u00e7\u00e3o da d\u00edvida grega com os Estados!<\/strong><\/p>\n<p>A partir dos pa\u00edses europeus que se dizem \u201ccredores\u201d da Gr\u00e9cia (Alemanha, Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Estado Espanhol, etc.), fazemos um apelo a todos os partidos, organiza\u00e7\u00f5es e sindicatos a que iniciem uma campanha imediata pela anula\u00e7\u00e3o da d\u00edvida grega. Os trabalhadores\/as gregos n\u00e3o nos devem nada: o \u201cresgate\u201d grego que imp\u00f4s imensos sacrif\u00edcios para o povo grego n\u00e3o teve outro destino sen\u00e3o salvar da quebra \u00e0 banca imperialista \u201ccredora\u201d, principalmente a banca alem\u00e3, francesa e norte-americana, comprometidas com grandes empr\u00e9stimos no pa\u00eds. O resgate da UE n\u00e3o foi outra coisa que a transfer\u00eancia da d\u00edvida da banca para os Estados, para que a paguem os de sempre. A luta pela anula\u00e7\u00e3o da d\u00edvida grega \u00e9 a mesma que levamos a cabo nos nossos pa\u00edses contra os cortes e a austeridade.<\/p>\n<p>[1] Veja a luta das empregadas da limpeza no site da lit, clicando <a href=\"http:\/\/www.litci.org\"> aqui <\/a><\/p>\n<p>[2] Partido de direita membro do governo de coliga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Declara\u00e7\u00e3o da Liga Internacional dos Trabalhadores &#8211; Quarta Internacional Est\u00e3o em curso negocia\u00e7\u00f5es entre o governo grego e os dirigentes do imperialismo europeu.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":215,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[39],"tags":[427,591,594,422,593,590,114,595,145,592],"class_list":["post-1915","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-europa","tag-alemanha","tag-declaracao","tag-fmi","tag-grecia","tag-imperialismo","tag-lit-qi","tag-mas","tag-merkel","tag-movimento-alternativa-socialista","tag-negociacoes"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/grecia.jpg?fit=620%2C456","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1915","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1915"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1915\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/215"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1915"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1915"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1915"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}