{"id":1888,"date":"2015-05-08T16:48:13","date_gmt":"2015-05-08T15:48:13","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2015\/05\/08\/o-que-escondem-as-presidenciais\/"},"modified":"2015-05-08T16:48:13","modified_gmt":"2015-05-08T15:48:13","slug":"o-que-escondem-as-presidenciais","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2015\/05\/08\/o-que-escondem-as-presidenciais\/","title":{"rendered":"O que escondem as Presidenciais"},"content":{"rendered":"<p>Em 2011, Cavaco Silva foi reeleito Presidente da Rep\u00fablica com base em dois motivos &#8211; j\u00e1 fizera um primeiro mandato e prometeu uma postura mais interventiva. Reeleito, Cavaco acabou por ser, em paralelo com o Tribunal Constitucional, um dos garantes da manuten\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 do Governo PSD\/CDS mas tamb\u00e9m do regime.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Permitiu que sucessivos or\u00e7amentos de austeridade fossem avante, funcionando como o terceiro elemento da tr\u00edade da Direita do &#8220;um governo, uma maioria, um presidente&#8221;. Desrespeitadas as promessas eleitorais do PSD, poderia ter demitido o governo, dissolvido o Parlamento e convocado novas legislativas, mas n\u00e3o o fez apesar de, segundo a Constitui\u00e7\u00e3o, ter poder para tal.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, e apesar de ainda faltarem largos meses para as presidenciais de 2016, j\u00e1 temos um grande n\u00famero de personalidades e desconhecidos que avan\u00e7am com candidaturas pr\u00f3prias para a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, numa esp\u00e9cie de fuga para a frente face aos partidos. Mesmo aqueles com filia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, como Henrique Neto e Paulo Ferreira do Amaral em rela\u00e7\u00e3o ao PS e ao CDS, respectivamente, apresentam-se como \u201cindependentes\u201d. As presidenciais s\u00e3o remetidas pelos partidos para segundo plano, v\u00edtimas do descr\u00e9dito dos cidad\u00e3os e dos trabalhadores. At\u00e9 agora n\u00e3o apresentaram candidatos pr\u00f3prios, preparam antes uma outra forma de intervir neste processo, no sentido de reocupar algum espa\u00e7o pol\u00edtico. De duas candidaturas do g\u00e9nero na anterior elei\u00e7\u00e3o, j\u00e1 temos oito candidatos &#8220;independentes&#8221; na corrida, parte dos quais um discurso de \u2018primeiros ministros\u2019, isto \u00e9, como se tivessem o poder de fazer leis. Destacam-se igualmente Sampaio da N\u00f3voa e Paulo de Morais, mas mais nomes surgir\u00e3o, ligados mais ou menos directamente a partidos. Apesar de &#8220;independentes&#8221;, podem ser apoiados por for\u00e7as partid\u00e1rias, desde o BE, PCP e PS. Este \u00faltimo, perante as recusas e a falta de outros candidatos a candidato dentro do partido, incorre na contradi\u00e7\u00e3o de aplicar medidas de austeridade se for governo enquanto apoia Sampaio da N\u00f3voa, ex-reitor da Universidade de Lisboa com discurso \u201ccr\u00edtico\u201d das atuais pol\u00edticas (claro, para ganhar votos). Apresentada formalmente a sua candidatura, N\u00f3voa j\u00e1 veio desmentir ter dito que queria ser um presidente mais \u201cinterventivo\u201d, apesar do tom de discursos anteriores. Sendo assim, o que separa N\u00f3voa de Cavaco Silva? Ou melhor, do que \u00e9 que o povo beneficiou de Presidentes pr\u00f3ximos (para n\u00e3o dizer do) PS ou do PSD\/CDS? Em abono da verdade, nada.<\/p>\n<p>A maior diversifica\u00e7\u00e3o de candidaturas presidenciais \u00e9 representativa da actual dispers\u00e3o da Esquerda, apesar dos apelos para a converg\u00eancia. Abrem-se portas ao PSD, que observa as indefini\u00e7\u00f5es num PS em guerra, o isolamento do PCP e do BE e os primeiros   passos  <span>\u00a0<\/span>das novas for\u00e7as pol\u00edticas alternativas que tentam conquistar o seu eleitorado. Pode neste contexto at\u00e9  apresentar  candidato pr\u00f3prio, mais not\u00e1vel e influente, como Rui Rio. Por\u00e9m lan\u00e7ando esta carta nas presidenciais ficam desprotegidos para as legislativas, com a muito prov\u00e1vel sa\u00edda de\u00a0Passos\u00a0Coelho da lideran\u00e7a do PSD e a necessidade de ter um    novo    l\u00edder candidato a Primeiro-Ministro.\u00a0<\/p>\n<p>Partidos e comentadores esfor\u00e7am-se em separar elei\u00e7\u00f5es presidenciais e legislativas, o que \u00e9 um erro propositado. Nas presidenciais vamos eleger o quem ter\u00e1 em m\u00e3os  novos \u00a0or\u00e7amentos e diplomas de austeridade impostos por Bruxelas atrav\u00e9s dos governos de turno subservientes. Por motivos eleitoralistas, PSD\/CDS empurram com a barriga a (maior ou nova) austeridade a aplicar este ano, dando uma pequena \u201cfolga\u201d \u00e0s fam\u00edlias e aos trabalhadores, mas deixa-a para ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es, ou para si pr\u00f3prios ou para um (mais prov\u00e1vel) governo PS. A forma\u00e7\u00e3o de  novo \u00a0governo, a acontecer antes da elei\u00e7\u00e3o do  novo  Presidente da Rep\u00fablica, cria um clima de incerteza e instabilidade aos partidos, o que justifica atitudes mais defensivas. Por outras palavras, n\u00e3o temos nenhum candidato, pelo menos no discurso, que validem a actual situa\u00e7\u00e3o social vivida no pa\u00eds, independentemente de depois consentir com a austeridade. Paulo de Morais por exemplo, com um discurso anti-corrup\u00e7\u00e3o, j\u00e1 declarou demitir o governo caso n\u00e3o cumpra o seu programa eleitoral. O que custa a crer que o fa\u00e7a mas \u00e9 melhor que o declare.<\/p>\n<p>Lamentavelmente, pelo \u2018\u2019andar da carruagem\u2019, teremos provavelmente um Presidente da Rep\u00fablica pr\u00f3ximo do PS, ou ent\u00e3o (de  novo) um Presidente da Direita. Cavaco Silva assumiu ser o Presidente daqueles que votaram nele. Em qualquer dos casos, \u00e9 fundamental termos como m\u00e1ximo representante nacional um Presidente, mais do que de todos os cidad\u00e3os, principalmente de todos os trabalhadores. Carvalho da Silva devia ter avan\u00e7ado para as presidenciais, do que dependesse de n\u00f3s, d\u00e1vamos-lhe uma m\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><span style=\"font-size: 10pt;\">Diogo Trindade<\/span><\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2011, Cavaco Silva foi reeleito Presidente da Rep\u00fablica com base em dois motivos &#8211; j\u00e1 fizera um primeiro mandato e prometeu uma postura mais interventiva. 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