{"id":1882,"date":"2015-04-30T16:41:32","date_gmt":"2015-04-30T15:41:32","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2015\/04\/30\/mediterraneo-o-mar-nosso-onde-os-outros-morrem\/"},"modified":"2015-04-30T16:41:32","modified_gmt":"2015-04-30T15:41:32","slug":"mediterraneo-o-mar-nosso-onde-os-outros-morrem","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2015\/04\/30\/mediterraneo-o-mar-nosso-onde-os-outros-morrem\/","title":{"rendered":"Mediterr\u00e2neo: o mar nosso onde os outros morrem"},"content":{"rendered":"<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Uma sensa\u00e7\u00e3o de esc\u00e2ndalo e rep\u00fadio apoderou-se da opini\u00e3o p\u00fablica logo que os media revelaram os contornos do afundamento de um barco transportando imigrantes que demandavam a Europa Ocidental do qual resultou a morte de, pelo menos, 700 pessoas.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">As imagens e os relatos dos sobreviventes deste miser\u00e1vel naufr\u00e1gio atra\u00edram os holofotes da<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">imprensa internacional para o drama de milhares de homens, mulheres e crian\u00e7as que, provenientes da \u00c1frica e da \u00c1sia, arriscam a vida em fr\u00e1geis embarca\u00e7\u00f5es sobrelotadas para fugirem da extrema pobreza, da fome e da guerra.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Um drama ininterrupto que roubou a vida a 1700 pessoas desde o in\u00edcio deste ano, imigrantes que pagaram um pre\u00e7o demasiado elevado ao colocarem-se nas m\u00e3os das redes de tr\u00e1fico humano.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Nesse sentido, a repulsa da opini\u00e3o p\u00fablica dirigiu-se para os cabecilhas dessas redes, cujos agentes ainda procuraram passar despercebidos entre os sobreviventes. No entanto, as institui\u00e7\u00f5es e os governos europeus n\u00e3o se livraram do ju\u00edzo severo da popula\u00e7\u00e3o europeia que questionou a ina\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia no socorro aos n\u00e1ufragos. Esta atitude negligente patenteada pelos organismos europeus deita por terra os ideais da liberdade, da igualdade e da fraternidade em nome de uma Europa de portas fechadas ao exterior. Ao mesmo tempo um racismo latente expressa-se na crescente aceita\u00e7\u00e3o de partidos de ideologia racista e xen\u00f3foba, num continente envelhecido, \u201cest\u00e9ril\u201d e carente de m\u00e3o-de-obra que alimente um Estado Social em decl\u00ednio. Na verdade, tal pol\u00edtica tem como resultado o perpetuar da explora\u00e7\u00e3o dos poucos imigrantes que conseguem atingir o El Dourado onde os espera a condi\u00e7\u00e3o de \u201csem pap\u00e9is\u201d e \u201cilegais\u201d.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">A exist\u00eancia deste contigente de estrangeiros sem documentos, logo, sem direitos e recebendo baixos sal\u00e1rios, vai necessariamente, contribuir para a compress\u00e3o dos sal\u00e1rios e direitos dos trabalhadores europeus. No fundo, est\u00e1 em causa o papel da Europa, quer enquanto instigador de guerras em \u00c1frica<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">e no M\u00e9dio Oriente, quer, sobretudo, no perpetuar dos desequil\u00edbrios entre Norte e Sul.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Ao mesmo tempo que \u00c1frica e \u00c1sia veem cristalizado o seu papel de fornecedores de mat\u00e9ria-prima e de m\u00e3o-de-obra quase escrava, prolongando no tempo algo que acontece desde os s\u00e9culos XV e XVI. Uma \u00faltima palavra para os dirigentes africanos. J\u00e1 n\u00e3o alimentamos grandes esperan\u00e7as no seu desempenho na melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida dos povos que governam. Estranhamos, contudo, o seu sil\u00eancio face \u00e0 dimens\u00e3o e gravidade dos acontecimentos.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Urge exigir \u00e0s institui\u00e7\u00f5es europeias uma real assist\u00eancia humanit\u00e1ria aqueles que procuram uma vida melhor na Europa. Dramas como o que sucedem no Mediterr\u00e2neo s\u00f3 poder\u00e3o terminar quando se abandonar a ideia de uma Europa fechada aos n\u00e3o europeus e forem criadas mecanismos que fa\u00e7am com que aqueles que nos procuram sejam tratados como cidad\u00e3os de plenos direitos.<\/div>\n<div><\/div>\n<\/p>\n<p>Uma sensa\u00e7\u00e3o de esc\u00e2ndalo e rep\u00fadio apoderou-se da opini\u00e3o p\u00fablica logo que os media revelaram os contornos do afundamento de um barco transportando imigrantes que demandavam a Europa Ocidental do qual resultou a morte de, pelo menos, 700 pessoas.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>As imagens e os relatos dos sobreviventes deste miser\u00e1vel naufr\u00e1gio atra\u00edram os holofotes daimprensa internacional para o drama de milhares de homens, mulheres e crian\u00e7as que, provenientes da \u00c1frica e da \u00c1sia, arriscam a vida em fr\u00e1geis embarca\u00e7\u00f5es sobrelotadas para fugirem da extrema pobreza, da fome e da guerra.\u00a0<\/p>\n<p>Um drama ininterrupto que roubou a vida a 1700 pessoas desde o in\u00edcio deste ano, imigrantes que pagaram um pre\u00e7o demasiado elevado ao colocarem-se nas m\u00e3os das redes de tr\u00e1fico humano.\u00a0<\/p>\n<p>Nesse sentido, a repulsa da opini\u00e3o p\u00fablica dirigiu-se para os cabecilhas dessas redes, cujos agentes ainda procuraram passar despercebidos entre os sobreviventes. No entanto, as institui\u00e7\u00f5es e os governos europeus n\u00e3o se livraram do ju\u00edzo severo da popula\u00e7\u00e3o europeia que questionou a ina\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia no socorro aos n\u00e1ufragos. Esta atitude negligente patenteada pelos organismos europeus deita por terra os ideais da liberdade, da igualdade e da fraternidade em nome de uma Europa de portas fechadas ao exterior. Ao mesmo tempo um racismo latente expressa-se na crescente aceita\u00e7\u00e3o de partidos de ideologia racista e xen\u00f3foba, num continente envelhecido, \u201cest\u00e9ril\u201d e carente de m\u00e3o-de-obra que alimente um Estado Social em decl\u00ednio. Na verdade, tal pol\u00edtica tem como resultado o perpetuar da explora\u00e7\u00e3o dos poucos imigrantes que conseguem atingir o El Dourado onde os espera a condi\u00e7\u00e3o de \u201csem pap\u00e9is\u201d e \u201cilegais\u201d.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia deste contigente de estrangeiros sem documentos, logo, sem direitos e recebendo baixos sal\u00e1rios, vai necessariamente, contribuir para a compress\u00e3o dos sal\u00e1rios e direitos dos trabalhadores europeus. No fundo, est\u00e1 em causa o papel da Europa, quer enquanto instigador de guerras em \u00c1fricae no M\u00e9dio Oriente, quer, sobretudo, no perpetuar dos desequil\u00edbrios entre Norte e Sul.\u00a0<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que \u00c1frica e \u00c1sia veem cristalizado o seu papel de fornecedores de mat\u00e9ria-prima e de m\u00e3o-de-obra quase escrava, prolongando no tempo algo que acontece desde os s\u00e9culos XV e XVI. Uma \u00faltima palavra para os dirigentes africanos. J\u00e1 n\u00e3o alimentamos grandes esperan\u00e7as no seu desempenho na melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida dos povos que governam. Estranhamos, contudo, o seu sil\u00eancio face \u00e0 dimens\u00e3o e gravidade dos acontecimentos.<\/p>\n<p>Urge exigir \u00e0s institui\u00e7\u00f5es europeias uma real assist\u00eancia humanit\u00e1ria aqueles que procuram uma vida melhor na Europa. Dramas como o que sucedem no Mediterr\u00e2neo s\u00f3 poder\u00e3o terminar quando se abandonar a ideia de uma Europa fechada aos n\u00e3o europeus e forem criadas mecanismos que fa\u00e7am com que aqueles que nos procuram sejam tratados como cidad\u00e3os de plenos direitos.<\/p>\n<p><em><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">Jos\u00e9 Pereira<\/span><\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma sensa\u00e7\u00e3o de esc\u00e2ndalo e rep\u00fadio apoderou-se da opini\u00e3o p\u00fablica logo que os media revelaram os contornos do afundamento de um barco transportando imigrantes que demandavam a Europa Ocidental do qual resultou a morte de, pelo menos, 700 pessoas. As imagens e os relatos dos sobreviventes deste miser\u00e1vel naufr\u00e1gio atra\u00edram os holofotes da imprensa internacional para o drama de milhares de homens, mulheres e crian\u00e7as que, provenientes da \u00c1frica e da \u00c1sia, arriscam a vida em fr\u00e1geis embarca\u00e7\u00f5es sobrelotadas para fugirem da extrema pobreza, da fome e da guerra. Um drama ininterrupto que roubou a vida a 1700 pessoas desde<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1881,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[40],"tags":[527,528,114,526,145],"class_list":["post-1882","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-africa","tag-imigracao","tag-jose-pereira","tag-mas","tag-mediterraneo","tag-movimento-alternativa-socialista"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/mediterraneo.jpg?fit=744%2C440","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1882","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1882"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1882\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1881"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1882"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1882"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1882"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}