{"id":1840,"date":"2015-03-10T19:58:30","date_gmt":"2015-03-10T18:58:30","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2015\/03\/10\/entrevista-operarios-da-efacec-falam-nos-da-sua-luta\/"},"modified":"2015-03-10T19:58:30","modified_gmt":"2015-03-10T18:58:30","slug":"entrevista-operarios-da-efacec-falam-nos-da-sua-luta","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2015\/03\/10\/entrevista-operarios-da-efacec-falam-nos-da-sua-luta\/","title":{"rendered":"Entrevista: oper\u00e1rios da Efacec falam-nos da sua luta"},"content":{"rendered":"\n<p>Os trabalhadores da EFACEC da Maia, estiveram em luta por um aumento salarial de 50\u20ac. As greves, de duas horas, foram realizadas nos dias 11, 13, 16, 18 e 20 de Fevereiro.<\/p>\n<p>Nesses dias os trabalhadores, concentrados \u00e0 porta da Empresa, demonstraram o seu desagrado e fizeram sentir a sua revolta pelos baixos sal\u00e1rios que auferem enquanto os chefes, directores e administradores levam sal\u00e1rios chorudos e s\u00e3o brindados com in\u00fameras regalias.<\/p>\n<p>O MAS esteve presente solidarizando-se com a sua luta e disponibilizando apoio.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Estivemos \u00e0 conversa com dois trabalhadores da EFACEC, Ricardo Ordaz (RO) e Ricardo Le\u00e3o (RL) que estiveram na linha da frente dos protestos.<\/p>\n<p><em>Por raz\u00f5es de seguran\u00e7a n\u00e3o publicamos as fotos dos trabalhadores e os nomes foram alterados.<\/em><\/p>\n<p><em><br \/><\/em><\/p>\n<p><em><strong>MAS &#8211;<\/strong> <strong>Para quem n\u00e3o conhece a EFACEC, o que se produz aqui?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>RL: <\/strong>Transformadores de baixa, m\u00e9dia e alta pot\u00eancia<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><strong>MAS &#8211;<\/strong> <strong>Quantos trabalhadores diretos tem a empresa?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>RO:<\/strong> Cerca de 1100\/1200 trabalhadores<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><strong>MAS &#8211;<\/strong> <strong>H\u00e1 quantos anos trabalham aqui?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>RO:<\/strong> H\u00e1 sensivelmente 6 anos.<\/p>\n<p><strong>RL: <\/strong>Vou fazer 8 anos nesta casa.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><strong>MAS &#8211;<\/strong> <strong>S\u00e3o contratados? Efetivos?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>RO:<\/strong> Neste momento efetivo, mas j\u00e1 fui contratado<\/p>\n<p><strong>RL: <\/strong>Efetivo<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><strong>MAS &#8211; Qual \u00e9 o vosso vencimento?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>RO:<\/strong> Eu levo para casa, depois de 6 anos nesta empresa, 530 euros por m\u00eas!<\/p>\n<p><strong>RL:<\/strong> Eu ganho 710 euros<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><strong>MAS &#8211; Quais foram os motivos que vos levou a fazer greve?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>RO:<\/strong> Eu fiz greve, para exigir um aumento salarial, e para me subirem de categoria, j\u00e1 que fa\u00e7o o mesmo trabalho que alguns colegas e recebo menos. Situa\u00e7\u00e3o que se arrasta h\u00e1 6 anos.<\/p>\n<p><strong>RL: <\/strong>Para al\u00e9m dos justos aumentos para quem ganha menos, eu manifestei-me e fiz greve por esta administra\u00e7\u00e3o em apenas 8 anos estar afundar uma empresa centen\u00e1ria.<\/p>\n<p>E depois, evidentemente, s\u00e3o as diferen\u00e7as de classes que h\u00e1 aqui. Somos escravos, para indiv\u00edduos que tem todo tipo de regalias: carros novos quatro em quatro anos, gas\u00f3leo pago, via verde, cart\u00f5es Gold, Ah! e as viaturas que n\u00e3o s\u00e3o Clios!<\/p>\n<p><strong>RO: <\/strong>Topos de gama\u2026<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><strong>MAS \u2013 H\u00e1 dinheiro para bons carros para quadros superiores, mas para aumentos \u2026<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>RL:<\/strong> O meu diretor tem um carro de 117 mil euros . Mais caro que o meu carro e a minha casa! H\u00e1 administradores com poupan\u00e7as reformas de 1800 \u20ac! E estas s\u00e3o aquelas que se conhecem, mas haver\u00e1 mais certamente! Enquanto a m\u00e9dia salarial dos trabalhadores produtivos s\u00e3o 600\/700 \u20ac. \u00c9 por isso que tanta gente participou na greve, e ainda h\u00e1 gente que n\u00e3o fez por medo de repres\u00e1lias. H\u00e1 casos de trabalhadores que n\u00e3o fazem greve por terem receio que as retalia\u00e7\u00f5es se fa\u00e7am sobre as suas mulheres, com contratos mais prec\u00e1rios. Os chefes est\u00e3o sempre em cima de tudo que se passa, e se puderem prejudicar quem est\u00e1 na luta v\u00e3o faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><strong>MAS &#8211; Contem-nos o que se sucedeu na quarta e sexta-feira dos dias de greve. <\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>RO:<\/strong> N\u00f3s para al\u00e9m de estarmos em greve, estivemos concentrados em frente da porta principal. Para que eles [administradores e quadros superiores] parassem os carros para ouvirem as nossas reivindica\u00e7\u00f5es. Na quarta de manh\u00e3, est\u00e1vamos \u00e0 frente da viatura, do diretor da sec\u00e7\u00e3o dos motores, e este arrancou sobre n\u00f3s. Um dos trabalhadores torceu o joelho e teve que ser transportado ao hospital. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez, desde o in\u00edcio da greve, que esse senhor nos provoca e amea\u00e7a avan\u00e7ar sobre a barricadas. E na sexta aconteceu o mesmo no outro p\u00f3lo da empresa.<\/p>\n<p><strong>RL:<\/strong> Viu o nosso colega no ch\u00e3o, e mesmo assim tentou for\u00e7ar a entrada mas n\u00f3s impedimos e ele recuou e dirigiu-se para a outra entrada. Para al\u00e9m disso, umas horas depois, dizia que n\u00e3o tinha medo de ningu\u00e9m, e que s\u00f3 n\u00e3o foi mais violento porque n\u00e3o quis.<\/p>\n<p><strong>RO:<\/strong> Esses senhores tinham que parar para ouvir a nossa revolta!<\/p>\n<p><strong>RL:<\/strong> Somos l\u00e1 dentro sistematicamente pressionados\u2026Os chefes est\u00e3o sempre : <em>Sempre na casa de banho? Sempre a fumar? Sempre a tomar caf\u00e9 ? Voc\u00eas n\u00e3o produzem?<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><strong>MAS &#8211; Est\u00e3o confiantes na vit\u00f3ria ?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>RL:<\/strong> A administra\u00e7\u00e3o disse que vai falar connosco no in\u00edcio de Mar\u00e7o, mas eu julgo que eles s\u00f3 querem passar tempo. A senhora Isabel dos Santos, quer comprar isto, e eles t\u00e3o a tentar vender isto para depois ser ela ficar com a batata quente nas m\u00e3os. Mas os trabalhadores n\u00e3o v\u00e3o baixar-os-bra\u00e7os.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><strong>MAS &#8211; V\u00e3o ent\u00e3o continuar a luta at\u00e9 verem o sal\u00e1rio aumentado?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>RO: <\/strong>Vamos ter plen\u00e1rio, para vermos que novas formas de luta ser\u00e3o usadas. Mas n\u00e3o vamos abdicar de recuperar as poucas regalias que t\u00ednhamos e que nos foram tiradas nem dos devidos aumentos salariais!<\/p>\n<p><strong>RL:<\/strong> Embora a administra\u00e7\u00e3o diga que houve aumentos salariais,&nbsp; na verdade o aumento foi muito para os que j\u00e1 tinham muito e para n\u00f3s foi de 0,9%! Esses indiv\u00edduos que para al\u00e9m de ganharem sal\u00e1rios muito mais elevados que os nossos,&nbsp; ainda gozam de in\u00fameras regalias. Que deveriam ser cortadas e esse dinheiro servir para aumentar sal\u00e1rios e ajudar a empresa.<\/p>\n<p><strong>RO:<\/strong> \u00c9 preciso arrumar com esta administra\u00e7\u00e3o, que desde que c\u00e1 est\u00e3o s\u00f3 fazem a empresa andar para tr\u00e1s. Estes senhores andam aqui a encher os bolsos e depois fogem quando a empresa fechar e n\u00f3s ficamos sem trabalho. E isto \u00e9 a nossa vida. A f\u00e1brica n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 deles, \u00e9 nossa. Somos n\u00f3s que produzimos, que criamos a riqueza para eles viverem bem e n\u00f3s\u2026enfim.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><strong>MAS \u2013 Como \u00e9 que voc\u00eas v\u00eam a situa\u00e7\u00e3o em que o pa\u00eds se encontra?<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>RL<\/strong>: A Efacec \u00e9 o espelho do que se passa no pa\u00eds. \u00c9 o pa\u00eds em ponto pequeno. S\u00e3o os de cima \u201cagarrados \u00e0 chupeta e os de baixo agarrados \u00e0 sachola\u201d. Os ricos cada vez mais ricos, e os pobres cada vez mais miser\u00e1veis, e a classe m\u00e9dia a desaparecer. Muitos de n\u00f3s t\u00ednhamos ajudas dos pais, mas hoje j\u00e1 n\u00e3o conseguem. E os ricos entret\u00e9m-se a riem-se de n\u00f3s, e depois espantam-se quando h\u00e1 revolta.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><strong>MAS \u2013 Ent\u00e3o consideram que tem que haver uma mudan\u00e7a de rumo\u2026<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>RO:<\/strong> Claro! N\u00f3s temos fam\u00edlia! Os nossos pais que est\u00e3o reformados viram as suas reformas cortadas, agora n\u00e3o conseguem ajudar os filhos e \u00e0s vezes nem para eles \u00e9 suficiente. Os reformados sofrem muito com a austeridade.<\/p>\n<p><strong>RL<\/strong>: \u00c9 necess\u00e1rio fazer sentir a revolta, \u00e9 necess\u00e1rio as pessoas manifestarem-se. Passarem das palavras indignadas aos atos.<\/p>\n<p><strong>RO:<\/strong> Sim, mesmo aqui, na nossa luta, j\u00e1 falamos da possibilidade de fazer greves de dias, \u00e9 necess\u00e1rio endurecer a luta. Sentimos que estamos unidos. E ningu\u00e9m nos vai travar.<\/p>\n<p><strong>RL:<\/strong> Era fechar a f\u00e1brica a cadeado. Ningu\u00e9m entrava. Obrigar toda a gente a fazer greve.<\/p>\n<p><strong><em><span style=\"font-size: 10pt;\">Entrevista de Miguel Queir\u00f3s<\/span><\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os trabalhadores da EFACEC da Maia, estiveram em luta por um aumento salarial de 50\u20ac. 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