{"id":1838,"date":"2015-03-08T21:11:14","date_gmt":"2015-03-08T20:11:14","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2015\/03\/08\/eleicoes-britanicas-indicam-sinais-de-mudanca\/"},"modified":"2015-03-08T21:11:14","modified_gmt":"2015-03-08T20:11:14","slug":"eleicoes-britanicas-indicam-sinais-de-mudanca","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2015\/03\/08\/eleicoes-britanicas-indicam-sinais-de-mudanca\/","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00f5es brit\u00e2nicas indicam sinais de mudan\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p>Dentro de dois meses, num momento de profundas transforma\u00e7\u00f5es no continente europeu, acontecer\u00e3o as elei\u00e7\u00f5es para o parlamento brit\u00e2nico. Ap\u00f3s anos de austeridade e cortes, mas tamb\u00e9m de resist\u00eancia dos trabalhadores e da juventude, as mudan\u00e7as no cen\u00e1rio pol\u00edtico imp\u00f5em-se. As pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es gerais do Reino Unido ser\u00e3o as mais turbelentas e imprevis\u00edveis desde a Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Seguindo a din\u00e2mica \u201cgrega-espanhola\u201d h\u00e1 uma crescente satura\u00e7\u00e3o do bi-partidarismo \u201cLabour-Conservatives\u201d. Ap\u00f3s cinco anos de coliga\u00e7\u00e3o governamental entre os \u201cConservatives\u201d e os \u201cLiberal-Democrats\u201d, h\u00e1 um grande desgaste de ambos os partidos. Especialmente dos Liberais que n\u00e3o chegam a 8% nas sondagens actuais, comparado com os 16% que tiveram nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es. Por sua vez, os \u201cTories\u201d (apelido dos \u201cConservatives\u201d) passam tamb\u00e9m por um esgotamento irrevers\u00edvel. Com um passado de 2 milh\u00f5es de membros, hoje contam com apenas 170 mil, e uma m\u00e9dia de idade de 74 anos! Est\u00e3o pagando o pre\u00e7o de comandar os \u00faltimos 5 anos de austeridade, &nbsp;deixando a popula\u00e7\u00e3o trabalhadora numa pobreza cada vez maior.<\/p>\n<p>Os discursos de David Cameron sobre a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica escondem uma realidade muito mais inst\u00e1vel e preocupante, que \u00e9 parte de uma Europa amea\u00e7ada pela recess\u00e3o e estagna\u00e7\u00e3o. O que sustenta o atual crescimento brit\u00e2nico \u00e9 uma sucess\u00e3o de duros ataques aos trabalhadores. A perda salarial desde 2008 \u00e9 a maior registrada desde 1850. Aumentam-se os trabalhos tempor\u00e1rios e prec\u00e1rios, como os chamados \u201czero-hour contracts\u201d; apenas um em cada quarenta trabalhos criados \u00e9 de tempo integral. Benef\u00edcios sociais diminuem, assim como creches, bibliotecas, parques. Em Londres, o aumento do pre\u00e7o das rendas e a falta de casas sociais tem gerado uma grave crise de habita\u00e7\u00e3o, com ocupa\u00e7\u00f5es e movimentos ganhando for\u00e7a. O que mais preocupa os brit\u00e2nicos diante de tudo s\u00e3o os ataques e tentativas de privatiza\u00e7\u00e3o do NHS \u2013 Sistema Nacional de Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Mesmo com todo o desgaste do governo \u201cTories-Liberals\u201d, o Labour n\u00e3o \u00e9 mais capaz de capitalizar o descontentamento. O partido que governou o Reino Unido no p\u00f3s-Segunda Guerra Mundial e gozava de um amplo apoio e confian\u00e7a dos trabalhores, \u00e9 cada vez menos visto como uma real alternativa. N\u00e3o \u00e9 para menos. As pol\u00edticas de austeridade com o Labour s\u00e3o para manter; a sua gest\u00e3o \u00e0 frente de uma s\u00e9rie de governos locais \u00e9 prova disso. Desde o governo de Tony Blair e a decis\u00e3o de entrar na guerra contra Iraque e Afeganist\u00e3o, as esperan\u00e7as no Labour reduzem-se a passos largos. Nem sequer a forte rela\u00e7\u00e3o com o movimento sindical, que possuem desde a sua funda\u00e7\u00e3o, tem sido suficiente para manter o seu prest\u00edgio. Com o processo de direitiza\u00e7\u00e3o e institucionaliza\u00e7\u00e3o, os trabalhadores j\u00e1 n\u00e3o olham para o Labour como o <em>seu partido<\/em>. A \u00fanica motiva\u00e7\u00e3o que restou para ganharem votos \u00e9 tirar os \u201cTories\u201d do governo, como um mal-menor.<\/p>\n<p>Diante disso, os trabalhadores e a juventude come\u00e7am a buscar novas alternativas. Na Esc\u00f3cia, ap\u00f3s o Referendo pela independ\u00eancia onde o Labour defendeu o \u201cN\u00e3o\u201d, houve uma enorme migra\u00e7\u00e3o de apoio ao SNP \u2013 Scottish National Party. O crescimento foi t\u00e3o grande que estes chegaram ao posto de 3\u00ba maior partido do Reino Unido em poucos meses.<\/p>\n<p>Com um forte discurso anti-imigrantes, outro partido que tomou o cen\u00e1rio pol\u00edtico foi o \u201cUKIP\u201d \u2013 United Kingdom Independence Party. Contando com uma forte ajuda medi\u00e1tica, apresentaram-se como um partido diferente, \u00b4<em>anti-establishment<\/em>`, e com uma solu\u00e7\u00e3o para a sa\u00edda da crise: fechar as fronteiras, romper com a Uni\u00e3o Europeia e culpar os imigrantes. Este partido nacionalista est\u00e1 a ganhar cada vez mais apoio, com 14% nas sondagens, preocupando as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda e movimentos sociais que reagem firme contra seu discurso racista e xen\u00f3fobo.<\/p>\n<p>Por outro lado, cresce tamb\u00e9m em ritmo acelerado outra alternativa: o \u201cGreen Party\u201d. O partido que lutou para chegar a 1% nas elei\u00e7\u00f5es de 2010, agora conta com 6% nas pesquisas e um n\u00famero crescente de membros, especialmente da juventude e classe m\u00e9dia. Apresentam-se como uma alternativa ao Labour, um \u201cUKIP de esquerda\u201d, e tentam surfar na \u201conda Syriza\u201d. Com um discurso de justi\u00e7a e respeito ao meio-ambiente, e inclusive contra os cortes, possuem um programa e uma pr\u00e1tica pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o com o capital e de abrandar o plano de austeridade. Por exemplo, sobre a reivindica\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo de 10\u00a3\/hora, defendida pelas organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, os Greens defendem que seja aprovada com o prazo de at\u00e9 2020 para que \u201co mercado possa se ajustar\u201d. N\u00e3o est\u00e3o realmente comprometidos com o interesse popular.<\/p>\n<p>No \u00faltimo ano, h\u00e1 um consider\u00e1vel aumento de campanhas anti-austeridade, greves e protestos populares espalhados pelo Reino Unido. A verdade \u00e9 que o desgaste do bipartidarismo \u00e9 express\u00e3o, assim como em outros pa\u00edses europeus, de um esgotamento com o modelo capitalista de representa\u00e7\u00e3o e suas institui\u00e7\u00f5es. Um sentimento de basta aos anos e anos de \u201cmais do mesmo\u201d. Nessas elei\u00e7\u00f5es, h\u00e1 um maior n\u00famero de pessoas que ficar\u00e3o em casa como forma de protesto, ou votar\u00e3o desesperan\u00e7osos.<\/p>\n<p>Ainda assim, essa situa\u00e7\u00e3o tem fortalecido algumas alternativas de esquerda, ainda que pequenas e fragmentadas. Nas elei\u00e7\u00f5es, sair\u00e3o com candidatos para o parlamento o rec\u00e9m fundado Left Unity, partido criado em 2013 por figuras como Ken Loach e Tariq Ali, al\u00e9m do TUSC, Coliga\u00e7\u00e3o sindical e socialista, que unifica Socialist Party, SWP (Socialist Workers Party) e RMT (sindicato dos trabalhadores do transporte). Em Liverpool, ap\u00f3s a luta vitoriosa contra o fechamento de 11 bibliotecas foi criado o movimento \u201cNo Austerity\u201d que realizou uma Confer\u00eancia, aprovando uma manifesta\u00e7\u00e3o em abril e a participa\u00e7\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es de forma independente.<\/p>\n<p>Ainda est\u00e1 longe de haver na Inglaterra uma situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que se assemelhe \u00e0 Gr\u00e9cia ou Espanha, mas t\u00e3o pouco a gelada ilha do norte fica imune aos ventos de mudan\u00e7a. Com ritmo e intensidade diferentes, h\u00e1 tamb\u00e9m aqui uma nova situa\u00e7\u00e3o se desenvolvendo que estar\u00e1 expressa nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es mas, acima de tudo, nos pr\u00f3ximos cap\u00edtulos da luta dos trabalhadores e da juventude.<\/p>\n<p><strong><em><span style=\"font-size: 10pt;\">Lu\u00eds Moreira e Clara Saraiva, desde Londres<\/span><\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dentro de dois meses, num momento de profundas transforma\u00e7\u00f5es no continente europeu, acontecer\u00e3o as elei\u00e7\u00f5es para o parlamento brit\u00e2nico. Ap\u00f3s anos de austeridade e cortes, mas tamb\u00e9m de resist\u00eancia dos trabalhadores e da juventude, as mudan\u00e7as no cen\u00e1rio pol\u00edtico imp\u00f5em-se. As pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es gerais do Reino Unido ser\u00e3o as mais turbelentas e imprevis\u00edveis desde a Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1837,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[39],"tags":[480,116,403,479,336,422,482,478,485,483,114,115,206,117,423,484,481],"class_list":["post-1838","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-europa","tag-480","tag-alternativa","tag-eleicoes","tag-escocia","tag-espanha","tag-grecia","tag-green-party","tag-inglaterra","tag-instabilidade","tag-labour","tag-mas","tag-movimento","tag-podemos","tag-socialista","tag-syriza","tag-tories","tag-ukip"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/eleicoes_inglaterra.jpg?fit=450%2C289","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1838","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1838"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1838\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1837"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1838"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1838"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1838"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}