{"id":1836,"date":"2015-03-08T01:18:12","date_gmt":"2015-03-08T00:18:12","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2015\/03\/08\/e-urgente-um-congresso-das-alternativas-para-levar-os-de-baixo-ao-poder\/"},"modified":"2015-03-08T01:18:12","modified_gmt":"2015-03-08T00:18:12","slug":"e-urgente-um-congresso-das-alternativas-para-levar-os-de-baixo-ao-poder","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2015\/03\/08\/e-urgente-um-congresso-das-alternativas-para-levar-os-de-baixo-ao-poder\/","title":{"rendered":"\u00c9 urgente um Congresso das Alternativas para levar os de baixo ao poder"},"content":{"rendered":"\n<p>Por toda a Europa, o Syriza virou o tema central de debate dos poderosos e uma luz ao fundo do t\u00fanel para aqueles que se afundam h\u00e1 anos em desemprego, mis\u00e9ria e baixos sal\u00e1rios. A vit\u00f3ria do Syriza nas elei\u00e7\u00f5es gregas foi o terramoto que fez repensar a Uni\u00e3o Europeia (UE). A verdade \u00e9 que, tamb\u00e9m em Portugal, nas f\u00e1bricas, nas escolas, nos call-centers, os trabalhadores perguntam: vai o vistoso Varoufakis vencer a Merkel? E vai Alexis Tsipras conseguir baixar o desemprego? \u00c9 poss\u00edvel fazer o mesmo em Portugal?<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Entre todas as interroga\u00e7\u00f5es e d\u00favidas, h\u00e1 uma pergunta central que atravessa o debate: porque n\u00e3o h\u00e1 um Syriza em Portugal? As opini\u00f5es sobre o Syriza variam. Alguns acham que as aspira\u00e7\u00f5es a negociar melhores condi\u00e7\u00f5es com a UE s\u00e3o ideias de crian\u00e7as, como \u00e9 o caso de Passos Coelho, que assim justifica a sua cobardia vil de vender o pa\u00eds. J\u00e1 o PS, hipocritamente, prepara-se para impor a receita de Merkel e ajoelhar-se \u00e0 austeridade, mas, at\u00e9 l\u00e1, conta ganhar votos surfando a onda grega. Outros, como o BE, dizem \u201c\u00e1men\u201d a tudo o que o Syriza fa\u00e7a, com esperan\u00e7a de ganhar mais votos por isso. N\u00f3s, do MAS, estamos ao lado do povo grego e contra a austeridade e os seus partidos, aqui e na Gr\u00e9cia, e por isso exigimos que Tsipras e o Syriza v\u00e3o at\u00e9 ao fim para se libertarem da austeridade, que rompam a coliga\u00e7\u00e3o com a direita xen\u00f3foba e que formem um governo \u201cdos de baixo\u201d, apoiado na luta das ruas gregas. Mas, sobretudo, reivindicamos o que de mais positivo as elei\u00e7\u00f5es gregas trouxeram: a prova que podemos correr com os que afundaram e venderam os nossos pa\u00edses, de que a vontade dos povos pode abalar a Europa. E queremos repetir isso em Portugal. Como? Esse \u00e9 o debate que queremos fazer.<\/p>\n<p>A esquerda portuguesa est\u00e1 em profunda muta\u00e7\u00e3o. Mais lento ou mais r\u00e1pido, os partidos tradicionais perdem espa\u00e7o para novos movimentos e novas forma\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias, todos eles. Isso acontece porque a esquerda tradicional falhou. O PS governa o pa\u00eds h\u00e1 40 anos alternando com a direita no poder, mas sem nada alternar nas pol\u00edticas. O PCP e o BE mant\u00eam-se divididos h\u00e1 anos, abrindo o caminho ao PS. Preferem ver a austeridade a ser implementada, desde que ganhem votos e n\u00e3o tenham de assumir responsabilidades.<\/p>\n<p>Mas novos movimentos vieram abanar este cen\u00e1rio, representam trabalhadores e activistas que querem ir mais longe, n\u00e3o apenas contestar os partidos da austeridade, mas derrub\u00e1-los. Contudo, alguns novos partidos e movimentos parecem querer imitar os defeitos dos velhos. Para come\u00e7ar, nem todos demonstram querer substituir no poder quem nos trouxe at\u00e9 aqui, ou seja, a direita e o PS. O Tempo de Avan\u00e7ar, de Ana Drago e Daniel Oliveira, que integra o LIVRE de Rui Tavares, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o nega alian\u00e7as com o PS como se prop\u00f5e a faz\u00ea-las. J\u00e1 o PDR de Marinho e Pinto vai pelo mesmo caminho. Mas, felizmente, novos movimentos como o Juntos Podemos deixam claro que n\u00e3o querem alian\u00e7as com os partidos do chamado \u201carco da governa\u00e7\u00e3o\u201d, tal como outros menos novos. Por\u00e9m, muitos dos novos e velhos pequenos partidos imitam o BE e o PCP numa coisa: pensam que se bastam a si mesmos e a sua \u00fanica estrat\u00e9gia \u00e9 juntar votos, elei\u00e7\u00e3o a elei\u00e7\u00e3o, para poder ter um deputado. Perguntamos, ser\u00e1 um deputado do PAN, do MRPP ou at\u00e9 do MAS que vai assustar o poder?<\/p>\n<p><strong>O MAS pensa diferente<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 muito para discutir, muito para esclarecer, muitas lutas para organizar. \u00c9 preciso juntar numa grande Assembleia a nova gera\u00e7\u00e3o de movimentos e partidos que se op\u00f5em \u00e0 austeridade. \u00c9 necess\u00e1rio juntar for\u00e7as de tantos acad\u00e9micos, artistas e sindicalistas independentes a quem falta um espa\u00e7o para trazer as suas ideias \u00e0 pr\u00e1tica, para fazer colectivas as suas vozes cr\u00edticas.<\/p>\n<p>Faz falta um Congresso das Alternativas que junte os de baixo, os novos movimentos e personalidades contra a austeridade, que abra portas a todo o povo que est\u00e1 no sof\u00e1 a ver o Syriza e o Podemos a fazer tremer a Europa. Que junte os pequenos partidos, mas tamb\u00e9m os movimentos que t\u00eam marcado a agenda como \u201cN\u00e3o TAP os Olhos\u201d, \u201cQue se Lixe a Troika\u201d ou a \u201cPlataforma contra o TTIP\u201d, tal como os sindicatos que pensam politicamente. Faz falta um grande espa\u00e7o que fa\u00e7a um \u00faltimo desafio ao BE e ao PCP para juntarem for\u00e7as, que diga ao pa\u00eds que os de baixo podem governar, que n\u00e3o estamos condenados \u00e0 altern\u00e2ncia dos aprendizes da Merkel, a direita e o PS. E que avance para elei\u00e7\u00f5es para reproduzir c\u00e1 o terramoto Grego.<\/p>\n<p>O Syriza tivera 4,4% nas elei\u00e7\u00f5es de 2009. O Podemos h\u00e1 um ano acabara de surgir. Hoje amea\u00e7am os governos da austeridade. A mesma din\u00e2mica cresce em Portugal, mas passa por dentro de diversos partidos e movimentos. Faz falta uma plataforma que junte for\u00e7as e inicie essa din\u00e2mica em Portugal, para que, nas pr\u00f3ximas legislativas e presidenciais, o terramoto grego se sinta por c\u00e1. Sim, podemos!<\/p>\n<p><strong><em><span style=\"font-size: 10pt;\">Gil Garcia<\/span><\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por toda a Europa, o Syriza virou o tema central de debate dos poderosos e uma luz ao fundo do t\u00fanel para aqueles que se afundam h\u00e1 anos em desemprego, mis\u00e9ria e baixos sal\u00e1rios. A vit\u00f3ria do Syriza nas elei\u00e7\u00f5es gregas foi o terramoto que fez repensar a Uni\u00e3o Europeia (UE). A verdade \u00e9 que, tamb\u00e9m em Portugal, nas f\u00e1bricas, nas escolas, nos call-centers, os trabalhadores perguntam: vai o vistoso Varoufakis vencer a Merkel? 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