{"id":1801,"date":"2015-02-20T00:12:05","date_gmt":"2015-02-19T23:12:05","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2015\/02\/20\/syriza-partido-e-programa\/"},"modified":"2015-02-20T00:12:05","modified_gmt":"2015-02-19T23:12:05","slug":"syriza-partido-e-programa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2015\/02\/20\/syriza-partido-e-programa\/","title":{"rendered":"Syriza: partido e programa"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p>A natureza program\u00e1tica do Syriza \u00e9 tema pol\u00eamico. Quest\u00f5es ligadas \u00e0 perman\u00eancia na zona do Euro, \u00e0 d\u00edvida externa e \u00e0 continuidade da Gr\u00e9cia na OTAN tem sido objeto de diferentes disputas internas.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Elas s\u00e3o produto das divis\u00f5es que ocorrem n\u00e3o apenas na esquerda grega, mas em toda sociedade. Afinal, ap\u00f3s cinco anos de crise profunda, leituras polarizadas da integra\u00e7\u00e3o do pa\u00eds \u00e0 Europa n\u00e3o se restringem mais aos pequenos c\u00edrculos pol\u00edticos.<em>[i]<\/em><\/p>\n<p>At\u00e9 2012, era imposs\u00edvel falar de um programa unificado do Syriza, posto que os grupos integrantes da \u201ccoaliz\u00e3o da esquerda radical\u201d tinham elabora\u00e7\u00f5es program\u00e1ticas independentes. O primeiro programa unit\u00e1rio, apresentado nas elei\u00e7\u00f5es daquele ano, foi um acordo entre as correntes que come\u00e7avam a se fundir. O texto sofreu sua primeira importante revis\u00e3o no congresso de julho de 2013, tendo algumas modifica\u00e7\u00f5es desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>A principal delas foi a introdu\u00e7\u00e3o de um \u201cprograma inicial\u201d, produto do discurso de Tsipras na Feira Internacional de Thessaloniki, em setembro de 2014. A feira, um evento tradicional da regi\u00e3o dos Balc\u00e3s, convida todos os anos o l\u00edder do governo e da oposi\u00e7\u00e3o (posto na \u00e9poca ocupado pelo atual primeiro ministro grego) para apresentarem suas perspectivas pol\u00edticas \u00e0 na\u00e7\u00e3o. L\u00e1, Tsipras lan\u00e7ou suas diretrizes voltadas aos primeiros dois anos de gest\u00e3o.<\/p>\n<p>A tens\u00e3o program\u00e1tica dentro do Syriza \u00e9 compreens\u00edvel. Ela expressa a pluralidade de diferentes tradi\u00e7\u00f5es que est\u00e3o ainda se integrando a um mesmo partido. Perspectivas como a do KOI, uma organiza\u00e7\u00e3o mao\u00edsta que defende a alian\u00e7a entre os trabalhadores e a \u201cburguesia nacional\u201d contra o imperialismo, se soma \u00e0s propostas radicais como as do DEA, Kokkino e APO, que afirmam reivindicar um programa de transi\u00e7\u00e3o ao socialismo inspirado nas ideias de Leon Trotsky.<\/p>\n<p><strong>Synaspismos e o Eurocomunismo<\/strong><\/p>\n<p>A s\u00edntese program\u00e1tica mais importante para compreender o Syriza pr\u00e9-2012 era aquela defendida pelo Synaspismos, principal organiza\u00e7\u00e3o a compor o novo partido. Em 2009, um novo programa foi adotado pelo grupo. Sintonizado \u00e0 ala esquerda da dire\u00e7\u00e3o, o documento, segundo Michalis Spourdalakis, ambicionava integrar elementos acumulados ao longo da experi\u00eancia do Syriza para aproximar o Synaspismos ao resto da coaliz\u00e3o:<\/p>\n<blockquote style=\"margin: 1.5em; border-width: 0px 0px 0px 3px; border-left-style: solid; border-left-color: #cadae7; overflow: hidden; line-height: 20px; text-align: justify;\">\n<p><em>\u201cPublicado mais tarde na forma de um livro com quase 400 p\u00e1ginas \u2013 uma pratica incomum ao programa de um partido pol\u00edtico \u2013 ele lidava com quase todos os aspectos da vida p\u00fablica e das pol\u00edticas de Estado. O documento foi elaborado coletivamente por centenas de ativistas e especialistas tanto de dentro do Synaspismos e do Syriza quanto de fora dele. Na introdu\u00e7\u00e3o de quarenta p\u00e1ginas em que as coordenadas ideol\u00f3gicas foram apresentadas, a vis\u00e3o de uma \u201csociedade de necessidades\u201d foi sobreposta \u00e0 existente \u201csociedade dos lucros\u201d. Chamou-se tamb\u00e9m por uma reconquista do \u201cespa\u00e7o p\u00fablico\u201d que se encontrava amea\u00e7ado por privatiza\u00e7\u00f5es.\u201d\u00a0 (SPOURDALAKIS 2012)<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Assim como todos os documentos de sua hist\u00f3ria, o Synaspismos reivindica a tradi\u00e7\u00e3o marxista. Soma-se a isto a proposta de defesa do \u201cSocialismo no s\u00e9culo XXI\u201d. Outro ponto importante a se observar \u00e9 a evolu\u00e7\u00e3o do partido em torno da chamada \u201cintegra\u00e7\u00e3o europeia\u201d. Segundo Nikolaos Nikolakakis, durante os anos 90 e o in\u00edcio dos 2000, o partido defendia abertamente a Uni\u00e3o Europeia (EU):<\/p>\n<blockquote style=\"margin: 1.5em; border-width: 0px 0px 0px 3px; border-left-style: solid; border-left-color: #cadae7; overflow: hidden; line-height: 20px; text-align: justify;\">\n<p><em>\u201cComo resultado de sua vis\u00e3o pro-integra\u00e7\u00e3o, o partido votou a favor da ratifica\u00e7\u00e3o do acordo de Maastricht em julho de 1992 [que fundou a UE]. Na decis\u00e3o oficial do Comit\u00ea Central de Pol\u00edtica, afirma-se sobre o tratado que o \u2018Synaspismos foi fundado com uma for\u00e7a da esquerda europeia. Um dos principais elementos desta identidade \u00e9 uma orienta\u00e7\u00e3o europeia est\u00e1vel\u2019.\u201d (NIKOLAKAKIS, 2014)<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Em 2010, por\u00e9m, sob o impacto da radicaliza\u00e7\u00e3o da esquerda grega frente \u00e0 crise, o partido realizou uma autocr\u00edtica em seu congresso. A decis\u00e3o de apoiar o Tratado de Maastricht, mesmo que criticamente, foi avaliada como um erro program\u00e1tico grave, fruto de uma leitura incorreta do internacionalismo europeu. No mesmo documento, afirmou-se:<\/p>\n<blockquote style=\"margin: 1.5em; border-width: 0px 0px 0px 3px; border-left-style: solid; border-left-color: #cadae7; overflow: hidden; line-height: 20px; text-align: justify;\">\n<p><em>\u201cA outra solu\u00e7\u00e3o \u00e9 a luta dos povos da Europa por mudan\u00e7as na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as em cada e todo pa\u00eds, assim como a coordena\u00e7\u00e3o comum da luta por uma outra Europa. Uma Europa democr\u00e1tica e social, livre do monetarismo e a compuls\u00e3o do capital.\u201d (NIKOLAKAKIS, 2014)<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>O primeiro programa do Syriza<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro programa unificado do Syriza, de 2012, al\u00e9m de beber na fonte do Synaspismos, se alimentava das ideias de todos os outros setores que compunham a coaliz\u00e3o. Ele possui diversos elementos de natureza anticapitalista. Chama aten\u00e7\u00e3o, entre outras coisas, o ponto 4 do programa, sobre a \u201creconstru\u00e7\u00e3o social e ambiental produtiva\u201d. Defende-se nos dois primeiros subitens:<\/p>\n<ul style=\"margin-top: 0px; margin-right: 1.5em; margin-bottom: 1.5em; padding-left: 3.333em; border: 0px; vertical-align: baseline; list-style-type: disc; line-height: 20px; text-align: justify;\">\n<li style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline;\">\n<blockquote style=\"margin: 1.5em; border-width: 0px 0px 0px 3px; border-left-style: solid; border-left-color: #cadae7; overflow: hidden; line-height: 20px; text-align: justify;\">\n<p><em>\u201cNacionaliza\u00e7\u00e3o\/socializa\u00e7\u00e3o dos bancos, e sua integra\u00e7\u00e3o a um sistema banc\u00e1rio p\u00fablico sob controle social e oper\u00e1rio, a servi\u00e7o do desenvolvimento. A escandalosa recapitaliza\u00e7\u00e3o dos bancos precisa se encerrar imediatamente;<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<\/li>\n<li style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline;\">\n<blockquote style=\"margin: 1.5em; border-width: 0px 0px 0px 3px; border-left-style: solid; border-left-color: #cadae7; overflow: hidden; line-height: 20px; text-align: justify;\">\n<p><em>Nacionaliza\u00e7\u00e3o de todos os servi\u00e7os p\u00fablicos de interesse estrat\u00e9gico que foram privatizados at\u00e9 agora. Administra\u00e7\u00e3o de bens p\u00fablicos baseados na transpar\u00eancia, controle social e planejamento democr\u00e1tico. Apoio ao fornecimento de bens p\u00fablicos.\u201d (SYRIZA, 2012)<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>O ponto central do texto, por\u00e9m, gravita em torno da quest\u00e3o da d\u00edvida com a Troika. A pr\u00f3pria estatiza\u00e7\u00e3o dos bancos seria um coproduto da reestrutura\u00e7\u00e3o financeira, que provavelmente n\u00e3o aguentariam o impacto das mudan\u00e7as. Quanto \u00e0 d\u00edvida, declara-se:<\/p>\n<blockquote style=\"margin: 1.5em; border-width: 0px 0px 0px 3px; border-left-style: solid; border-left-color: #cadae7; overflow: hidden; line-height: 20px; text-align: justify;\">\n<p><em>\u201cA d\u00edvida nacional \u00e9 primeiro, e antes de tudo, um produto das rela\u00e7\u00f5es de classe, que s\u00e3o desumanas em sua pr\u00f3pria ess\u00eancia. \u00c9 produto da evas\u00e3o fiscal dos ricos, do saque aos fundos p\u00fablicos e gastos exorbitante em armas e equipamentos militares. Por isto, exigimos imediatamente:<\/em><\/p>\n<ul style=\"margin-top: 0px; margin-right: 1.5em; margin-bottom: 1.5em; padding-left: 3.333em; border: 0px; vertical-align: baseline; list-style-type: disc; line-height: 20px; text-align: justify;\">\n<li style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline;\"><em>Morat\u00f3ria sobre o servi\u00e7o da d\u00edvida;<\/em><\/li>\n<li style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline;\"><em>Negocia\u00e7\u00f5es para seu cancelamento, com prote\u00e7\u00e3o a fundos de pens\u00e3o e pequenos poupadores. Isto ser\u00e1 viabilizado\u00a0<strong>por todos os meios poss\u00edveis<\/strong>, como uma auditoria da d\u00edvida e a suspens\u00e3o de seu pagamento.\u201d (SYRIZA, 2012) (grifo pr\u00f3prio)<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<\/blockquote>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 men\u00e7\u00e3o direta e espec\u00edfica, no programa de 2012, a moeda \u00fanica europeia. O retorno ou n\u00e3o ao Drachma, a moeda grega anterior ao Euro, est\u00e1 contido na formula\u00e7\u00e3o \u201cpor todos os meios poss\u00edveis\u201d. A manuten\u00e7\u00e3o do Euro estaria, portanto, submetido \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es com a Troika. Caso a mesma fracasse, \u201ctodos os meios poss\u00edveis\u201d, incluindo a sa\u00edda do Euro, estariam abertos. (KOUVELAKIS; BUDGEN, 2015)<\/p>\n<p>Junto \u00e0 quest\u00e3o financeira, diversas medidas econ\u00f4micas e sociais do programa de 2012 entravam em choque com a ordem vigente na Gr\u00e9cia. Entre elas poderia se destacar a retomada do emprego por meio de interven\u00e7\u00e3o estatal direta, a reposi\u00e7\u00f5es do sal\u00e1rio m\u00ednimo aos n\u00edveis anteriores aos acordos com a Troika, e uma s\u00e9rie de medidas sociais que inclu\u00edam elementos como a estatiza\u00e7\u00e3o dos hospitais e a ocupa\u00e7\u00e3o, pelos sem-teto, de pr\u00e9dios de propriedade dos bancos e do Estado.<\/p>\n<p>No campo da pol\u00edtica internacional, a quest\u00e3o de maior destaque \u00e9 a chamada pelo \u201cdesligamento da OTAN e fim das bases militares estrangeiras em solo grego\u201d. Junto a ela se soma a \u201caboli\u00e7\u00e3o de toda coopera\u00e7\u00e3o militar com Israel\u201d e uma pol\u00edtica de paz voltada \u00e0 Turquia, inimiga hist\u00f3rica da Gr\u00e9cia. (SYRIZA, 2012)<\/p>\n<p><strong>A quest\u00e3o do Euro<\/strong><\/p>\n<p>A formula sobre o Euro, ao lado da quest\u00e3o da d\u00edvida, \u00e9 o ponto mais pol\u00eamico das discuss\u00f5es program\u00e1ticas do Syriza. Houve, mesmo que de forma pouco clara, uma ruptura program\u00e1tica com a proposta de submiss\u00e3o da continuidade na moeda \u00fanica \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es com a Troika. Ao mesmo tempo, ela n\u00e3o se encontra de forma expl\u00edcita nos Anais do congresso de 2013, que marcou a primeira revis\u00e3o sistem\u00e1tica do programa. A express\u00e3o \u201cpor todos os meios poss\u00edveis\u201d foi eliminada do documento de funda\u00e7\u00e3o do partido, mas a ambiguidade contida na sua proposta, mesmo que de forma menos comprometedora, se manteve:<\/p>\n<blockquote style=\"margin: 1.5em; border-width: 0px 0px 0px 3px; border-left-style: solid; border-left-color: #cadae7; overflow: hidden; line-height: 20px; text-align: justify;\">\n<p><em>\u201cAssim como foi expresso no nosso antigo slogan \u201cnenhum sacrif\u00edcio pelo euro\u201d, a prioridade absoluta do Syriza \u00e9 impedir o desastre humanit\u00e1rio e cumprir demandas sociais, e n\u00e3o nos submeter \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es assumidas por outros que hipotecaram o pa\u00eds. Comprometemos-nos a derrubar qualquer amea\u00e7a ou chantagem dos credores por todos os meios que conseguirmos mobilizar, estando inteiramente preparados para lidar com qualquer futuro acontecimento, tendo clareza que em tal caso contaremos com o apoio do povo grego.\u201d (SYRIZA, 2013)<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O programa do Syriza, por\u00e9m, assim como de qualquer outro partido, n\u00e3o se reduz aos textos aprovados em congressos. Ele tamb\u00e9m \u00e9 a s\u00edntese das declara\u00e7\u00f5es e posicionamentos p\u00fablicos de seus dirigentes, seus materiais publicados e toda uma gama de express\u00f5es de ideias que visam ser convertidas em a\u00e7\u00e3o. Segundo Stathis Kouvelakis, dirigente da Plataforma de Esquerda, principal corrente da oposi\u00e7\u00e3o no partido, uma s\u00e9rie de declara\u00e7\u00f5es dos dois principais economistas do Syriza, Giannis Dragasakis e George Stathakis, tem ido contra as delibera\u00e7\u00f5es congressuais. O mesmo se aplica a Tsipras:<\/p>\n<blockquote style=\"margin: 1.5em; border-width: 0px 0px 0px 3px; border-left-style: solid; border-left-color: #cadae7; overflow: hidden; line-height: 20px; text-align: justify;\">\n<p><em>\u201cQuando, por exemplo, ele foi a Nova York e deu uma palestra no Brookings Institute, ele repetidamente se referiu ao \u201cNew Deal\u201d e a Franklin Roosevelt. Quando em Austin, no Texas, ele disse que o Syriza jamais abandonaria o Euro, mesmo considerando que a posi\u00e7\u00e3o do partido \u2013 e ele pr\u00f3prio afirmou isto mais tarde \u2013 era de que n\u00e3o queremos ficar incondicionalmente no Euro, sem ressalvas e tudo mais.\u201d (KOUVELAKIS; BUDGEN, 2015)<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Para Kouvelakis, as posi\u00e7\u00f5es mais conservadoras em torno do euro no Syriza s\u00e3o influenciadas pelo euro-comunismo alem\u00e3o:<\/p>\n<blockquote style=\"margin: 1.5em; border-width: 0px 0px 0px 3px; border-left-style: solid; border-left-color: #cadae7; overflow: hidden; line-height: 20px; text-align: justify;\">\n<p><em>\u201cUm papel central [na difus\u00e3o de posi\u00e7\u00f5es pro-Euro] \u00e9 desempenhado pelo Die Linke e o Instituto Rosa Luxemburgo. Eles cumprem o papel de difundir uma s\u00e9rie de temas em torno de uma agenda por reformas internas na Uni\u00e3o Europeia, uma compreens\u00e3o comum \u00e0 crise e de que a forma para super\u00e1-la seria essencialmente ligada ao tema da redistribui\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Por detr\u00e1s disto existe a ideia que temos que mudar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as diretamente no n\u00edvel da Uni\u00e3o Europeia, evitando medidas unilaterais em escala nacional. Eles tamb\u00e9m empregam a estrat\u00e9gia de afirmar que o retorno ao Drachma seria uma regress\u00e3o, pois expressaria nostalgia pelo velho Estado-na\u00e7\u00e3o e este tipo de coisa.\u201d (KOUVELAKIS; BUDGEN, 2015)<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A proposta de ambiguidade program\u00e1tica expressa na frase \u201cpor todos os meios poss\u00edveis\u201d tamb\u00e9m tem seus cr\u00edticos \u00e0 esquerda. Eles existem dentro e fora do Syriza. Panagiotis Lafazanis, o atual ministro de Energia, Reconstru\u00e7\u00e3o Produtiva e Meio Ambiente e \u00fanico representante da Plataforma Esquerda no alto escal\u00e3o do governo, defende abertamente preparar um retorno \u00e0 Drachma. (KOLKE, 2012) J\u00e1 o Antarsya, por exemplo, adota como slogan \u201csair do Euro de forma anti-capitalista\u201d no seu programa. Ele acredita que a aus\u00eancia de posi\u00e7\u00f5es p\u00fablicas anti-Euro pela extrema esquerda, entre outras coisas, abrem espa\u00e7o para a direita nacionalista e os neo-nazistas da Aurora Dourada.<\/p>\n<p>J\u00e1 os debatedores que reivindicam o slogan \u201cnenhum sacrif\u00edcio pelo Euro\u201d gostam de ressaltar a natureza t\u00e1tica da medida. Uma pesquisa do jornal grego Kathimerini, alguns meses antes das elei\u00e7\u00f5es de 2012, quando o primeiro programa do Syriza foi formulado, afirmava que 66% popula\u00e7\u00e3o grega acreditava que o retorno ao Drachma seria algo ruim (THOMAS, 2011). A ambiguidade program\u00e1tica, portanto, teria seu rumo definido pela pr\u00f3pria din\u00e2mica da luta de classes. Frente a um poss\u00edvel ultimato da Troika, exigindo que caso o pa\u00eds rompesse com a austeridade teria de ser expulso do Euro, tanto as massas quanto o programa partid\u00e1rio poderiam evoluir a uma linha mais radical.<\/p>\n<p><strong>A revis\u00e3o program\u00e1tica de 2013<\/strong><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do primeiro programa, de 2012, as reformas program\u00e1ticas do congresso de 2013 foram produto de intensos debates entre delegados do partido. Nele, elementos importantes foram reafirmados, como que \u201co objetivo estrat\u00e9gico do Syriza \u00e9 o socialismo do s\u00e9culo 21 na Gr\u00e9cia e Europa\u201d.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, formula\u00e7\u00f5es anti-capitalistas que colocavam o partido em choque direto com a Troika foram flexibilizadas pela ala majorit\u00e1ria do partido, ligada a Tsipras. A sa\u00edda unilateral da OTAN, por exemplo, tornou-se a defesa da \u201cdissolu\u00e7\u00e3o\u201d da entidade. A nacionaliza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro foi substitu\u00edda pela forma amb\u00edgua de melhor \u201ccontrole social\u201d sobre ele. No campo da d\u00edvida externa, a proposta por \u201ccancelamento\u201d foi alterada para \u201crenegocia\u00e7\u00e3o\u201d, sendo tamb\u00e9m apresentada a ideia de uma divis\u00e3o da d\u00edvida entre uma parte legitima e outra ileg\u00edtima. Esta foi a vota\u00e7\u00e3o mais apertada para a dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria, que viu 40% do congresso se opor a ela.<\/p>\n<p>As propostas da plataforma de esquerda, que foram todas rejeitadas por uma m\u00e9dia de dois ter\u00e7os do congresso, visavam \u201cum comprometimento mais expl\u00edcito que n\u00e3o permitiria interpreta\u00e7\u00f5es moderadas\u201d do texto. Neste sentido, segundo o DEA, \u201ca vota\u00e7\u00e3o do congresso em temas pol\u00edticos n\u00e3o foi uma guinada \u00e0 direita, mas a recusa de abandonar o\u00a0<em>status quo<\/em> por declara\u00e7\u00f5es mais expl\u00edcitas e radicais\u201d (PRETOUS, 2013). As afirma\u00e7\u00f5es do grupo sobre a aus\u00eancia de uma \u201cguinada \u00e0 direita\u201d, por\u00e9m, s\u00e3o rejeitadas pela sess\u00e3o grega do Secretariado Unificado da Quarta Internacional, que integra o Antarsya, e alguns observadores internacionais presentes no congresso. (ARBEITERMACHT; SUCHANEK, 2012).<\/p>\n<p>Independentemente deste debate, as quatro emendas apresentadas pela Plataforma de Esquerda continham elementos anticapitalistas inquestion\u00e1veis. Diziam as resolu\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<ul style=\"margin-top: 0px; margin-right: 1.5em; margin-bottom: 1.5em; padding-left: 3.333em; border: 0px; vertical-align: baseline; list-style-type: disc; line-height: 20px; text-align: justify;\">\n<li style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline;\"> Rep\u00fadio total \u00e0 d\u00edvida grega, apoio ao cancelamento de todos os empr\u00e9stimos feitos com a Troika, e dispor-se unilateralmente a encerrar os pagamentos se este for o \u00fanico meio poss\u00edvel para cancelar a d\u00edvida.<\/li>\n<li style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline;\">Nacionaliza\u00e7\u00e3o sob controle oper\u00e1rio de todo sistema financeiro e todos os setores estrat\u00e9gicos da economia, como meio necess\u00e1rio para satisfazer as necessidades dos trabalhadores e enfrentar os ataques dos capitalistas feitos contra a classe oper\u00e1ria.<\/li>\n<li style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline;\">Forma\u00e7\u00e3o de um governo de esquerda disposto e preparado para romper com o Euro e a Uni\u00e3o Europeia. Isto deve ser um compromisso p\u00fablico para reverter a austeridade por \u201ctodos os meios poss\u00edveis\u201d, incluindo a sa\u00edda da zona do euro como forma de enfrentar as chantagens da Uni\u00e3o Europeia.<\/li>\n<li style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline;\">Defender uma frente de partidos de esquerda, incluindo o KKE e o Antarsya, e rejeitar coopera\u00e7\u00e3o com qualquer for\u00e7a pol\u00edtica ou pol\u00edtico de peso que aceitou ou aplicou as pol\u00edticas de austeridade, incluindo o DIMAR. Devemos buscar um governo de esquerda que n\u00e3o esteja disposto a alian\u00e7as com a centro-esquerda, com \u201cdemocratas\u201d da direita ou partidos de direita contr\u00e1rios aos acordos com a Troika. (PERTOU, 2013).<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>O congresso e a democracia interna<\/strong><\/p>\n<p>A democracia interna do Syriza tamb\u00e9m foi bastante discutida no congresso, que naquele momento elaborava o estatuto da organiza\u00e7\u00e3o. Ponto pol\u00eamico proposto pela dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria foi a tentativa de proibir a exist\u00eancia de grupos e seriamente restringir correntes internas. A medida atendia, segundo a principal figura p\u00fablica da Plataforma de Esquerda, Stathis Kouvelakis, \u00e0s press\u00f5es da imprensa para que a lideran\u00e7a do Syriza controlasse a esquerda do partido.<\/p>\n<p>A proibi\u00e7\u00e3o de grupos internos visava enfraquecer principalmente o DEA, organiza\u00e7\u00e3o que reivindica o trotskismo e representa o polo mais cr\u00edtico a Tsipras. A proposta, por\u00e9m, encontrou fortes resist\u00eancias mesmo entre os setores mais \u00e0 esquerda da dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria. Figuras p\u00fablicas como Manolis Glezos, l\u00edder da resist\u00eancia \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o nazista durante a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, fez um discurso duro contra Tsipras em defesa dos trotskistas. Segundo o DEA:<\/p>\n<blockquote style=\"margin: 1.5em; border-width: 0px 0px 0px 3px; border-left-style: solid; border-left-color: #cadae7; overflow: hidden; line-height: 20px; text-align: justify;\">\n<p><em>\u201cA proposta [da maioria] foi emendada com uma resolu\u00e7\u00e3o afirmando que a futura exist\u00eancia de grupos dentro do Syriza, e a forma com que poder\u00e3o operar, ser\u00e1 decidida apenas ap\u00f3s \u2018consultas m\u00fatuas\u2019, que ocorrer\u00e3o por um \u2018per\u00edodo razo\u00e1vel de tempo\u2019\u201d. (PRETOUS, 2013)<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Outro ponto preocupante foi o grupo de Tsipras ter insistido que ele fosse eleito presidente do partido diretamente pelo congresso, e n\u00e3o pelo comit\u00ea central que estava sendo selecionado. Colocou-se, portanto, o atual primeiro ministro grego acima de todos os \u00f3rg\u00e3os partid\u00e1rios, ao qual em um regime democr\u00e1tico ele teria de prestar contas. Ao apresentar o Programa de Thessaloniki, por exemplo, Tsipras sequer sentiu necessidade de discuti-lo com a lideran\u00e7a do Syriza, dado que a forma pela qual foi eleito presidente do partido lhe permitia fazer isto.<\/p>\n<p><strong>O \u201cprograma inicial\u201d de Thessaloniki<\/strong><\/p>\n<p>O programa apresentado na feira de Thessaloniki selecionou alguns pontos do documento aprovado no congresso como prioridades governamental do Syriza. O programa inicial est\u00e1 dividido em quatro tem\u00e1ticas: Enfrentar a crise humanit\u00e1ria; Retomar a economia e promover um sistema de impostos justos; retomar os empregos; transformar o sistema pol\u00edtico para aprofundar a democracia.<\/p>\n<p>Grande parte das propostas gira em torno de temas como subs\u00eddios \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o dos mais pobres, eletricidade gratuita aos que tiveram seu acesso \u00e0 luz cortado por falta de pagamento (algo importante em um pa\u00eds com inverno r\u00edgido), passe livre para pobres e desempregados e outras medidas de assist\u00eancia social. No campo da \u201cRetomada dos empregos\u201d, \u00e9 proposta a revers\u00e3o de todas as leis de prote\u00e7\u00e3o trabalhistas revogadas pelos acordos com a Troika, com peso especial ao retorno do direito a acordos coletivos e proibi\u00e7\u00e3o de demiss\u00f5es em massa. A proposta mais audaciosa se localiza no campo da retomada dos empregos, prop\u00f5em-se:<\/p>\n<blockquote style=\"margin: 1.5em; border-width: 0px 0px 0px 3px; border-left-style: solid; border-left-color: #cadae7; overflow: hidden; line-height: 20px; text-align: justify;\">\n<p><em>\u201cAumentar em 300.000 os empregos em todos os setores da economia \u2013 p\u00fablica, privada, social \u2013 \u00e9 o esperado efeito do programa de dois anos para a retomada dos empregos. Tal plano \u00e9 indispens\u00e1vel para absorver os estruturalmente desempregados, particularmente aqueles com mais de 55 anos, assim como os jovens desempregados, que ficariam de fora de um poss\u00edvel crescimento econ\u00f4mico. Nosso plano \u00e9 garantir recursos para expandir o seguro-desemprego a uma quantidade maior de beneficiados.\u201d (SYRIZA, 2014)<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Todas estas ideias partem do pressuposto de que o governo solucionar\u00e1 a quest\u00e3o da d\u00edvida com a Troika. Para tanto, no item que antecede os quatro pontos tem\u00e1ticos, \u201ccontexto para a negocia\u00e7\u00e3o\u201d exige-se:<\/p>\n<ul style=\"margin-top: 0px; margin-right: 1.5em; margin-bottom: 1.5em; padding-left: 3.333em; border: 0px; vertical-align: baseline; list-style-type: disc; line-height: 20px; text-align: justify;\">\n<li style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline;\">Elimina\u00e7\u00e3o da maior parte do valor nominal da d\u00edvida p\u00fablica para que ela se torne sustent\u00e1vel no contexto de uma \u201c<strong>Conferencia da D\u00edvida Europeia<\/strong>\u201d. Isto ocorreu na Alemanha em 1953. Pode tamb\u00e9m ocorrer no sul da Europa e na Gr\u00e9cia;<\/li>\n<li style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline;\">Incluir uma \u201ccl\u00e1usula de crescimento\u201d na reposi\u00e7\u00e3o da parte remanescente da d\u00edvida, para que ela seja baseada em crescimento e n\u00e3o no or\u00e7amento;<\/li>\n<li style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline;\">Incluir um per\u00edodo significativo de suspens\u00e3o (<em>moratorium<\/em>) no servi\u00e7o da d\u00edvida para salvar recursos para o crescimento;<\/li>\n<li style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline;\">Excluir investimentos p\u00fablicos das restri\u00e7\u00f5es no pacto para estabilidade e crescimento;<\/li>\n<li style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; vertical-align: baseline;\">Um \u201c<strong>New Deal Europeu<\/strong>\u201d de investimento p\u00fablico financiado pelo banco de investimento europeu;<\/li>\n<li style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-family: inherit; vertical-align: baseline;\">Flexibiliza\u00e7\u00e3o quantitativa pelo banco central europeu com compra direta de t\u00edtulos soberanos;<\/li>\n<li style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; font-weight: inherit; font-style: inherit; font-family: inherit; vertical-align: baseline;\">Por \u00faltimo, declaramos mais uma vez que o tema do empr\u00e9stimo for\u00e7ado exigido do Banco da Gr\u00e9cia pela ocupa\u00e7\u00e3o nazista ainda \u00e9 um tema em aberto para n\u00f3s. Nossos parceiros sabem disto. Isto integrar\u00e1 a pol\u00edtica oficial de nosso pa\u00eds desde nosso primeiro dia no poder. (SYIRIZA, 2014)<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00c9 inquestion\u00e1vel que o \u201cprograma inicial\u201d de Thessaloniki carece dos elementos anticapitalistas presentes principalmente na proposta de 2012 do Syriza. Al\u00e9m do mais, express\u00f5es como \u201cNew Deal\u201d, que sequer aparecem no programa oficial aprovado no congresso de 2013, ganham grifo na carta. O programa de Thessaloniki, apesar do conte\u00fado anti-austeridade, \u00e9 de natureza claramente keynesiana.<\/p>\n<p>O argumento da dire\u00e7\u00e3o do partido \u00e9 que o programa Thessaloniki \u00e9 composto apenas de medidas imediatas e n\u00e3o negoci\u00e1veis. O custo do programa, avaliado em 12 bilh\u00f5es de euros, obrigar\u00e1 o governo a taxar grandes fortunas e desmontar oligarquias burguesas. O programa de Thessaloniki n\u00e3o se choca com o programa aprovado no congresso, e deve ser interpretado como express\u00e3o do primeiro momento do governo Syriza.<\/p>\n<p>Entre seus apoiadores mais \u00e0 esquerda, afirma-se que dentro dos marcos das pol\u00edticas de austeridade, o programa Thessaloniki representa uma ruptura brusca com o curso anterior do pa\u00eds. Que sua aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel sem o desencadeamento de um processo de radicaliza\u00e7\u00e3o que o empurre \u00e0 esquerda, sendo o primeiro momento de uma guinada anticapitalista.<\/p>\n<p>O programa do Syriza, para Kouvelakis, assim como boa parte da ala esquerda do partido, \u00e9, no m\u00ednimo, amb\u00edguo. Segundo ele, \u201cnem tudo est\u00e1 claro, sabe? Para colocar as coisas de forma delicada: h\u00e1 muito que precisa ser clarificado no programa do Syriza\u201d (KOUVELAKIS; BUDGEN, 2015). Outros setores da esquerda grega, como o Antarsya e o KKE, consideram o partido e seu programa abertamente reformista. O debate program\u00e1tico, por\u00e9m, n\u00e3o existe dentro de um v\u00e1cuo pol\u00edtico. As inflex\u00f5es \u00e0 esquerda e \u00e0 direita do Syriza, ao seu modo, acompanharam a din\u00e2mica do movimento de massas. Em 2012, quando o Syriza lan\u00e7ou seu programa mais \u00e0 esquerda, haviam grandes mobiliza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias, populares e estudantis. Quando Tsipras apresentou as ideias do programa inicial de Thessaloniki, elas praticamente n\u00e3o existiam mais. Por conta disto, o pr\u00f3ximo artigo,\u00a0<em>Syriza: Partido e Luta de Classes<\/em>, discutir\u00e1 o contexto pol\u00edtico e social no qual o programa do partido que governa a Gr\u00e9cia ser\u00e1 aplicado.<\/p>\n<p><strong><em><span style=\"font-size: 10pt;\">Aldo Cordeiro Sauda<\/span><\/em><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13.3333330154419px; line-height: 20px;\"><strong><em>Notas<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><strong>[i]<\/strong><\/em> <em>O presente artigo \u00e9 o segundo de uma s\u00e9rie de quatro. Al\u00e9m de Syriza: <a href=\"index.php?option=com_content&#038;view=article&#038;id=1000;syriza-partido-e-movimento&#038;catid=157;grecia-e-syriza&#038;Itemid=621\">partido e movimento<\/a>, os pr\u00f3ximos artigos, Syriza: partido e pol\u00edtica internacional, Syriza: partido e governo e Syriza: partido e marxismo, discutir\u00e3o a localiza\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o dentro da din\u00e2mica da pol\u00edtica europeia e nacional al\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o do partido com o marxismo grego.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>Via\u00a0<a href=\"http:\/\/blogconvergencia.org\/blogconvergencia\/?p=2850\">Blog Converg\u00eancia<\/a><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A natureza program\u00e1tica do Syriza \u00e9 tema pol\u00eamico. Quest\u00f5es ligadas \u00e0 perman\u00eancia na zona do Euro, \u00e0 d\u00edvida externa e \u00e0 continuidade da Gr\u00e9cia na OTAN tem sido objeto de diferentes disputas internas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1800,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[83],"tags":[447,445,422,114,145,446,423],"class_list":["post-1801","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-grecia-europa","tag-coalizao-da-esquerda-radical","tag-governo-grego","tag-grecia","tag-mas","tag-movimento-alternativa-socialista","tag-situacao-grega","tag-syriza"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/tsipras2.jpg?fit=500%2C300","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1801","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1801"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1801\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1800"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1801"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1801"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1801"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}