{"id":1799,"date":"2015-02-19T23:53:16","date_gmt":"2015-02-19T22:53:16","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2015\/02\/19\/syriza-partido-e-movimento\/"},"modified":"2015-02-19T23:53:16","modified_gmt":"2015-02-19T22:53:16","slug":"syriza-partido-e-movimento","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2015\/02\/19\/syriza-partido-e-movimento\/","title":{"rendered":"Syriza: partido e movimento"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\">O Syriza \u00e9 hoje a principal organiza\u00e7\u00e3o da esquerda mundial. Mas at\u00e9 junho de 2013, data de seu congresso, o grupo nem sequer era um partido unificado. <\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Um ano e meio depois, a \u201cCoaliz\u00e3o da Esquerda Radical\u201d, cuja abrevia\u00e7\u00e3o em grego \u00e9 \u201cSyriza\u201d, tornou-se o primeiro partido anti-austeridade a assumir a dire\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds europeu.<span style=\"line-height: 1.5;\"><strong><em>[i]<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p>Originalmente apenas um espa\u00e7o de intera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a coaliz\u00e3o decidiu consolidar-se em 2004, na v\u00e9spera de uma disputa eleitoral para o parlamento grego. Segundo militante do Syriza Sotiris Martalis, a g\u00eanese da legenda sintetizou dois projetos da esquerda grega:<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<blockquote style=\"margin: 1.5em; border-width: 0px 0px 0px 3px; border-left-style: solid; border-left-color: #cadae7; overflow: hidden; line-height: 20px; text-align: justify;\">\n<p><em>O primeiro foi a a\u00e7\u00e3o unida de revolucion\u00e1rios e reformistas no movimento contr\u00e1rio \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o capitalista. O segundo se referia \u00e0 busca do Synaspismos, partido da esquerda reformista, por alian\u00e7as eleitorais para superar suas fragilidades \u2013 o partido corria o risco de n\u00e3o atingir os 3% necess\u00e1rios para superar a clausula de barreira do parlamento grego. (MARTALIS, 2013)<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Naquele momento o Synaspismos, grupo ao qual pertencia Alexis Tsipras, havia dado um giro \u00e0 esquerda para garantir sua base eleitoral, que se radicalizava com a guerra americana no Iraque<em>[ii]<\/em>. Para outro integrante do Syriza, Panos Petrou:<\/p>\n<blockquote style=\"margin: 1.5em; border-width: 0px 0px 0px 3px; border-left-style: solid; border-left-color: #cadae7; overflow: hidden; line-height: 20px; text-align: justify;\">\n<p><em>A\u00e7\u00f5es regulares entre o Synaspismos e as organiza\u00e7\u00f5es da esquerda radical e anticapitalista (\u2026) ocorreram no movimento antiglobaliza\u00e7\u00e3o e antiguerra, e na elabora\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o de atividades no F\u00f3rum Social Grego. Este tipo de coordena\u00e7\u00e3o representou uma importante ruptura com o passado sect\u00e1rio da tradicionalmente fragmentada esquerda grega.<\/em><\/p>\n<p><em>As press\u00f5es do pr\u00f3prio movimento \u2013 por unidade de a\u00e7\u00e3o e para que a din\u00e2mica do F\u00f3rum Social e dos movimentos antiglobaliza\u00e7\u00e3o e anti-guerra tivessem express\u00e3o no cen\u00e1rio pol\u00edtico \u2013 \u00e9 o que fizeram surgir o Syriza. (PERTOU, 2012)<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Syriza e o movimento de esquerda<\/strong><\/p>\n<p>O partido que hoje governa a Gr\u00e9cia \u00e9 apenas uma das diferentes correntes organizadas entre os radicais de l\u00e1. Existem tamb\u00e9m outros dois partidos pol\u00edticos de extrema-esquerda, o Partido Comunista Grego (KKE) e o Antarsya. Soma-se a eles um movimento anarquista com longo hist\u00f3rico de relev\u00e2ncia nacional.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e9cia, o partido comunista se destaca por sua din\u00e2mica\u00a0<em>suis generes<\/em>. Ao contr\u00e1rio da grande maioria dos PCs europeus, que ao longo dos anos 1990 se alinharam \u00e0 socialdemocracia moderada, o KKE fez um caminho de sentido inverso. Ao mesmo tempo, manteve importante peso pol\u00edtico e social em seu pa\u00eds. Nas elei\u00e7\u00f5es de 2015, conquistaram 5.5% dos votos, um resultado dentro da m\u00e9dia do partido ao longo dos \u00faltimos 15 anos. De longe a maior corrente da extrema esquerda no movimento sindical, o KKE tem localiza\u00e7\u00e3o privilegiada at\u00e9 mesmo no setor privado. Organizou a principal greve metal\u00fargica ocorrida em Atenas nos \u00faltimos anos, que em 2012 parou o setor por nove meses. Ele tamb\u00e9m \u00e9 muito maior que o Syriza entre os estudantes. (LOUNTOS, 2015)<\/p>\n<p>De origem mais pr\u00f3xima ao partido de Tsipras existe o Antarsya, uma coaliza\u00e7\u00e3o de pequenas organiza\u00e7\u00f5es marxistas radicais abertamente anti-OTAN e anti-Euro<em>[iii]<\/em>. Os sindicalistas do grupo est\u00e3o concentrados no setor p\u00fablico, principalmente professores, aonde aparentam n\u00e3o serem muito menores que o Syriza. Entre estudantes, por\u00e9m, o Antarsya e sua colateral, o EAAK, que reivindica mais de mil ativistas organizados, diz ter o dobro da vota\u00e7\u00e3o do Syriza nas elei\u00e7\u00f5es para as entidades do movimento. (SKOUFOGLOU 14\/01\/2014) Segundo Stathis Kouvelakis, membro do comit\u00ea central do Syriza<\/p>\n<blockquote style=\"margin: 1.5em; border-width: 0px 0px 0px 3px; border-left-style: solid; border-left-color: #cadae7; overflow: hidden; line-height: 20px; text-align: justify;\">\n<p><em>Entre os estudantes do ambiente social da esquerda radicalizada, tende-se mais a votar em chapas cuja v\u00e9rtebra \u00e9 composta por militantes do Antarsya nas elei\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias, e, na pol\u00edtica nacional, votar cada vez mais no Syriza. (BUDGEN; KOUVELAKIS, 2015)<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Outro setor que tem peso pol\u00edtico relevante na Gr\u00e9cia \u00e9 o movimento antifascista. Sua import\u00e2ncia cresceu junto \u00e0 chegada no parlamento da Aurora Dourada, partido adepto do nazismo. Hegemonizado por anarquistas, o espa\u00e7o interage com estudantes universit\u00e1rios e o movimento das pra\u00e7as de 2011. Ele \u00e9 organizado por assembleias de bairro, contando com alguma presen\u00e7a do Antarsya, pouca do Syriza, e nenhuma do KKE. (SKOUFOGLOU, 2014)<\/p>\n<p>O KKE tem rela\u00e7\u00e3o tumultuada com praticamente toda a esquerda. Quando as multid\u00f5es em 2011 ocuparam a pra\u00e7a Syntagma, logradouro p\u00fablico que ficava em frente ao parlamento nacional, os comunistas enxergaram uma conspira\u00e7\u00e3o burguesa. Segundo documento do 19\u00ba congresso do partido, \u201co chamado \u2018movimento dos indignados \u00e9 apoiado, encorajado \u2013 se n\u00e3o at\u00e9 mesmo planejado \u2013 pelos mecanismos da classe dominante, com o intuito da manipula\u00e7\u00e3o, impedindo a radicaliza\u00e7\u00e3o.\u201d Segundo eles, Syriza e Aurora Dourada s\u00e3o express\u00f5es da \u201cconfus\u00e3o\u201d causada pela pra\u00e7a, havendo, de fundo, pouca diferen\u00e7a entre ambos. (LOUNTOS, 2015)<\/p>\n<p>Apesar de possu\u00edrem 10 dos 45 assentos da dire\u00e7\u00e3o da confedera\u00e7\u00e3o sindical nacional, o KKE n\u00e3o \u00e9 a maior for\u00e7a do movimento sindical no pa\u00eds. Os dois partidos tradicionais do regime democr\u00e1tico, o PASOK e o Nova Democracia, s\u00e3o historicamente as organiza\u00e7\u00f5es majorit\u00e1rias, n\u00e3o s\u00f3 do sindicalismo, mas da vida social grega.<\/p>\n<p>Principalmente entre 2010 e 2012, durante o in\u00edcio dos acordos com a Troika, o movimento sindical fez importantes demonstra\u00e7\u00f5es de for\u00e7a, parando cotidianamente Athenas. Mas hoje os sindicatos se encontram despeda\u00e7ados. A contra-reforma trabalhista imposta pela Uni\u00e3o Europeia, que na pr\u00e1tica eliminou o direito a acordos coletivos, os silenciou. Com o reestabelecimento da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista pr\u00e9-Troika nos primeiros dias do governo Syriza, o futuro do movimento est\u00e1 em aberto.<\/p>\n<p><strong>Elei\u00e7\u00f5es fulminantes e governos fr\u00e1geis<\/strong><\/p>\n<p>Entre 2004 e 2012, o Syriza elegeu entre 6 e 14 parlamentares. Nas elei\u00e7\u00f5es de 2012, dois anos depois dos acordos com a Troika, seu n\u00famero de cadeiras disparou para 52. Um m\u00eas depois, durantes novas elei\u00e7\u00f5es em junho, o Syriza elegeu 71 deputados.<\/p>\n<p>A nova marca atingida em janeiro, de 149 cadeiras (duas a menos de uma maioria absoluta) significa que menos de 10% da bancada do partido tenha mais de 3 anos de experi\u00eancia no parlamento. Quase todos os deputados \u201cveteranos\u201d, incluindo Tsipras, integravam o Synaspismos, que entre 2004 e 2013 foi o maior partido-membro da coaliz\u00e3o Syriza.<\/p>\n<p>Os dados eleitorais recentes do Syriza introduzem elementos interessantes \u00e0 compreens\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o do partido com sua base. A aus\u00eancia de figuras p\u00fablicas m\u00e9dias, consolidadas nos munic\u00edpios, significou que o partido teve apenas 17.7% do total dos votos nas elei\u00e7\u00f5es locais de 2014. O resultado foi considerado ruim quando comparado a dois anos atr\u00e1s, quando o Syriza teve 26.9%. Uma semana depois de perder mais de 9% do desempenho nas elei\u00e7\u00f5es locais, vieram as elei\u00e7\u00f5es europeias, e com elas, mais uma surpresa. O Syriza recuperou o padr\u00e3o de 26% dos votos gregos.<\/p>\n<p>Curiosamente, o inverso \u00e9 verdadeiro com o Antarsya, que teve 2.29% (cerca de 128 mil votos) nas elei\u00e7\u00f5es locais, e apenas 0.72% nas elei\u00e7\u00f5es europeias. Ao contr\u00e1rio do KKE e o Syriza, nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es parlamentares o Antarsya teve apenas 0.64% dos votos, muito abaixo dos 3% necess\u00e1rios para superar a cl\u00e1usula de barreira. Mesmo assim, o grupo avalia que h\u00e1 uma base de 100,000 apoiadores que durante as elei\u00e7\u00f5es nacionais tendem a fazer voto \u00fatil no Syriza. (SEWELL, 2015)<\/p>\n<p>A disparidade entre os votos para o parlamento europeu comparados aos votos para os parlamentos locais indicam o enraizamento desigual do Syriza. O peso nacional do partido \u00e9 maior que o regional provavelmente por conta da figura de Tsipras. Entre os 149 deputados que foram eleitos juntos a ele, \u00e9 poss\u00edvel que parte importante nunca tenha sido profissional pol\u00edtico. A inexperi\u00eancia do Syriza n\u00e3o tem fugido aos olhos da imprensa internacional, que anunciou chocada que o \u00fanico ministro com experi\u00eancia governamental teve apenas um cargo de segundo escal\u00e3o, em 1989. Segundo a ag\u00eancia Reuters, o governo \u00e9 formado essencialmente por \u201cadvogados, professores universit\u00e1rios e alguns ex-jornalistas\u201d. (BABINTON, 27\/01\/2015)<\/p>\n<p>Somados os parlamentares do KKE e do Syriza, a extrema esquerda tem 164 cadeiras, muito mais que as 151 necess\u00e1rias para uma maioria absoluta. Mesmo assim, a rela\u00e7\u00e3o de Tsipras com os comunistas \u00e9 t\u00e3o ruim que em 2012, quando o Syriza tentou formar um governo de coaliz\u00e3o, o KKE foi o \u00fanico partido do parlamento que recusou-se a reunir com o atual primeiro ministro.<\/p>\n<p><strong>Comunistas atuais e antigos<\/strong><\/p>\n<p>Programaticamente, o KKE acusa o Syriza de integrar o campo do reformismo e de capitular ao imperialismo alem\u00e3o. Sua linha, por\u00e9m, n\u00e3o defende de forma clara uma ruptura com o Euro. Afirmam que o debate sobre uma moeda nacional \u00e9 tema secund\u00e1rio, pois ocorreria dentro dos marcos do capitalismo. Segundo eles, quest\u00f5es como estas apenas servem para distrair os trabalhadores.<\/p>\n<p>Outros motivos tamb\u00e9m explicam a rivalidade. Talvez em seu centro esteja a experi\u00eancia com o Synaspismos, produto de um esfor\u00e7o para superar uma racha no antigo do KKE ocorrido em 1968. O partido encontrava-se dividido entre a ala esquerda, \u201cpr\u00f3-Moscou\u201d, e a ala direita, \u201cpr\u00f3-Eurocomunismo\u201d. Junto a outros rachas menores, as duas principais fra\u00e7\u00f5es do KKE reaproximaram-se no final dos anos 80, formando o Synaspismos, um frente comunista.<\/p>\n<p>Quando a legenda optou por apoiar um governo dirigido pelo Nova Democracia alguns anos depois, a fra\u00e7\u00e3o do KKE \u201cpro-Moscou\u201d rompeu com o Synaspismos. A partir daquele momento, em 1991, passaram a se opor de forma extrema ao espa\u00e7o que antes integravam. (BUDGEN; KOUVELAKIS, 2015 e LOUNTOS, 2015)<\/p>\n<p>Um pouco depois, o pr\u00f3prio Synaspismos passou por um processo de radicaliza\u00e7\u00e3o. Sua ala mais abertamente socialdemocrata, que recha\u00e7ava a integra\u00e7\u00e3o ao Syriza, foi derrubada da dire\u00e7\u00e3o do grupo em 2006. O pr\u00f3prio Tsipras participou da rebeli\u00e3o de base. Parte importante desta antiga dire\u00e7\u00e3o rompeu em 2010, reivindicando uma pol\u00edtica de maior proximidade com o PASOK. Dirigidos por quatro parlamentares, formaram o DIMAR, Partido da Esquerda democr\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>Syriza e sua composi\u00e7\u00e3o interna<\/strong><\/p>\n<p>O melhor e mais s\u00f3lido indicativo das diferentes alas que comp\u00f5em o Syriza e suas for\u00e7as foi o congresso de 2013. Nele, organizaram-se mais de 3.500 delegados representando cerca de 40.000 filiados. A \u201cala majorit\u00e1ria\u201d do Syriza, que gira em torno de Tsipras, ganhou as vota\u00e7\u00f5es program\u00e1ticas com uma maioria de dois ter\u00e7os. Ela \u00e9 composta pelo antigo setor majorit\u00e1rio do Synapismos, os mao\u00edstas do KOE e alguns setores autonomistas \u201cp\u00f4s-marxistas\u201d. Todos estes grupos se dissolveram durante o in\u00edcio do congresso, com seus integrantes identificando-se apenas como membros do Syriza.<\/p>\n<p>O maior grupo da oposi\u00e7\u00e3o chama-se \u201cCorrente de Esquerda\u201d. Tinham por volta de 800 delegados no congresso, representando cerca de 9 mil filiados. O grupo vem da antiga ala esquerda do Synapismos, que sempre foi plural e decentralizado. Maioria dos sindicalistas do partido, eles romperam com Tsipras ao longo do pr\u00f3prio congresso de 2013. Inicialmente, tentavam uma concilia\u00e7\u00e3o com a maioria, por\u00e9m, ao depararem-se com reformas program\u00e1ticas que reduziam a intensidade do confronto com a Troika, foram para a oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois da Corrente Esquerda, vem o Projeto R, que tinha por volta de 100 delegados. A grande maioria de seus membros s\u00e3o da Esquerda dos Trabalhadores Internacionalistas (DEA), uma organiza\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica do trotskismo. Em 2013 o DEA possu\u00eda cerca de 400 militantes, al\u00e9m de 2000 simpatizantes. Durante o congresso, a Corrente Esquerda e o Projeto R uniram-se para formar a \u201cPlataforma Esquerda\u201d, que teve por volta de 30% dos votos. O grupo segue organizado dentro do Syriza, expondo suas posi\u00e7\u00f5es de diverg\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a Tsipras de forma p\u00fablica. (ARBEITERMACHT; SUCHANEK, 2013)<\/p>\n<p><strong>A fragmenta\u00e7\u00e3o do movimento<\/strong><\/p>\n<p>Por conta da fragilidade organizacional do Syriza no movimento de massas, o tema da \u201cFrente de Esquerda\u201d (Syriza, KKE e Antarsya) \u00e9 constantemente levantado pela Plataforma Esquerda. No movimento sindical e estudantil, a Plataforma possui diferentes graus de intera\u00e7\u00e3o com o Antarsya. J\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o com o KKE \u00e9 mais complexa, dado que a dire\u00e7\u00e3o do partido comunista \u00e9 uma barreira \u00e0 aproxima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A ala majorit\u00e1ria de Tsipras, por\u00e9m, foi contra a pol\u00edtica de Frente de Esquerda no congresso de 2013. Prop\u00f4s mudar o slogan de 2012, que chamava \u201cpor um governo de esquerda\u201d e colocou em seu lugar \u201cpor um governo baseado na esquerda\u201d (ARBEITERMACHT; SUCHANEK, 2013). O termo, propositalmente mais amb\u00edguo, legitimou o acordo do Syriza com o ANEL, pequeno partido da direita grega.<\/p>\n<p>Frente ao ocorrido, o DEA, repetindo os argumentos de setores da Plataforma de Esquerda, afirmou que \u201cformar a coaliz\u00e3o n\u00e3o era o resultado necess\u00e1rio da elei\u00e7\u00e3o. Havia a possibilidade do Syriza formar um governo sozinho por meio de um \u201cvoto de toler\u00e2ncia\u201d no parlamento.\u201d (DEA, 2015) A proposta da corrente era que o Syriza fizesse um governo com minoria parlamentar. Dos 151 parlamentares que pertencem a seis partidos diferentes, teriam de conquistar tr\u00eas absten\u00e7\u00f5es para formar um governo independente.<\/p>\n<p>A polemica em torno da frente com o ANEL reacende uma s\u00e9rie de debates sobre o programa do partido que hoje governa a Gr\u00e9cia. Por conta disto, o pr\u00f3ximo artigo,\u00a0<em>Governo Syriza: Partido e Programa<\/em>, tratar\u00e1 das diferentes modifica\u00e7\u00f5es program\u00e1ticas pelo qual o partido passou at\u00e9 chegar ao poder.<\/p>\n<p><em><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">Aldo Cordeiro Sauda<\/span><\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">Notas<\/span><\/strong><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>[i]<\/strong> O presente artigo \u00e9 o primeiro de uma s\u00e9rie de quatro. Os pr\u00f3ximos artigos,\u00a0<em><a href=\"index.php?option=com_content&#038;view=article&#038;id=1001;syriza-partido-e-programa&#038;catid=157;grecia-e-syriza&#038;Itemid=621\">Syriza: partido e programa<\/a><\/em>,\u00a0<em><a href=\"http:\/\/blogconvergencia.org\/blogconvergencia\/?p=2888\">Syriza: partido e pol\u00edtica internacional<\/a>, Syriza: partido e governo <\/em>e\u00a0<em>Syriza: partido e marxismo<\/em>, discutir\u00e3o a evolu\u00e7\u00e3o program\u00e1tica da organiza\u00e7\u00e3o, sua atual localiza\u00e7\u00e3o dentro da din\u00e2mica da pol\u00edtica nacional e europeia, e p\u00f4r fim a rela\u00e7\u00e3o do partido com o marxismo grego.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>[ii]<\/strong> O movimento contr\u00e1rio a guerra no Iraque teve apoio de mais de 90% da popula\u00e7\u00e3o grega. Na principal manifesta\u00e7\u00e3o anti-guerra, cerca de 100 mil pessoas marcharam at\u00e9 a porta da embaixada norte-americana. As rela\u00e7\u00f5es entre Gr\u00e9cia e mundo \u00e1rabe, inclusive, sempre foi de natureza diferente da de outros pa\u00edses europeus por conta de proximidades culturais mediterr\u00e2neas. Os crist\u00e3os da regi\u00e3o do levante, inclusive, t\u00eam rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima \u00e0 Athenas devido ao peso da igreja ortodoxa na regi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>[iii]<\/strong> Antarsya, Frente da Esquerda Anti-Capitalista, foi formada em 2009 por pequenos grupos radicais. Entre eles est\u00e3o o Partido Socialista dos Trabalhadores, sess\u00e3o do IST na Gr\u00e9cia, e a Organiza\u00e7\u00e3o dos Comunistas Internacionalistas Gregos, sess\u00e3o do Secretariado Unificado da Quarta Internacional. No Antarsya, o PST grego reivindica ser a for\u00e7a majorit\u00e1ria da organiza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Syriza \u00e9 hoje a principal organiza\u00e7\u00e3o da esquerda mundial. 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