{"id":1787,"date":"2015-02-09T16:57:48","date_gmt":"2015-02-09T15:57:48","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2015\/02\/09\/violencia-e-racismo-na-cova-da-moura\/"},"modified":"2015-02-09T16:57:48","modified_gmt":"2015-02-09T15:57:48","slug":"violencia-e-racismo-na-cova-da-moura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2015\/02\/09\/violencia-e-racismo-na-cova-da-moura\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia e racismo na Cova da Moura"},"content":{"rendered":"<p><center><\/center><span style=\"line-height: 1.5;\">Pol\u00edcia espanca jovens negros e inventa \u201cpseudo-invas\u00e3o de esquadra\u201d para justificar tortura.<br \/><\/span>   <!--more-->  <\/p>\n<div style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 10px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\" id=\"_mcePaste\">Os acontecimentos<\/div>\n<div style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 10px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\" id=\"_mcePaste\">Na \u00faltima 5\u00aa feira a pol\u00edcia fazia mais uma das suas habituais rusgas na Cova da Moura, revistando de modo truculento os seus moradores. Um jovem foi detido porque n\u00e3o correu. Afinal, era portador de defici\u00eancia motora e nada tinha feito de errado. Estava t\u00e3o s\u00f3 a circular no seu bairro.<\/div>\n<div style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 10px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\" id=\"_mcePaste\">Mesmo n\u00e3o tendo oferecido resist\u00eancia ao ser revistado, o jovem foi alvo de chutes e pontap\u00e9s dos agentes da equipa de interven\u00e7\u00e3o r\u00e1pida da PSP. Ao testemunhar tamanha covardia, alguns moradores reclamaram e atrav\u00e9s de telem\u00f3veis tentaram filmar a situa\u00e7\u00e3o. Constrangidos, os pol\u00edcias impingiram um \u201cper\u00edmetro de (in)seguran\u00e7a\u201d e atrav\u00e9s de bastonadas e balas de borracha agrediram pessoas indefesas na tentativa de dispers\u00e1-las. V\u00e1rios moradores foram parar ao hospital, entre os quais uma mulher, alvejada deliberadamente pelos pol\u00edcias por ter testemunhado os acontecimentos de sua varanda. Dois deficientes f\u00edsicos e algumas jovens tamb\u00e9m foram feridos por balas de borracha. Ap\u00f3s o p\u00e2nico causado por essa interven\u00e7\u00e3o violenta, a PSP deixou o bairro levando consigo um jovem preso.<\/div>\n<div style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 10px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\" id=\"_mcePaste\">Ao saber dos acontecimentos, colaboradores da Associa\u00e7\u00e3o Cultural Moinho da Juventude decidiram ir at\u00e9 \u00e0 esquadra de Alfragide com o objetivo de dar apoio ao jovem detido e apresentar queixa contra os agentes policiais. N\u00e3o era a primeira vez que epis\u00f3dios de viol\u00eancia gratuita por parte da pol\u00edcia ocorriam. Nessas ocasi\u00f5es, moradores do bairro tamb\u00e9m foram at\u00e9 a esquadra prestar solidariedade aos detidos e tentar impedir que fossem torturados. No entanto, dessa vez n\u00e3o foi poss\u00edvel explicar o motivo de l\u00e1 estarem. Mal chegaram \u00e0 porta da esquadra, cinco jovens foram presos e espancados pela pol\u00edcia. Um dos jovens, rapper e pesquisador da Universidade de Aveiro, foi alvejado a queima-roupa com balas de borracha na perna. Torturados dentro e fora da esquadra, foram espancados e amea\u00e7ados de morte por agentes da PSP \u2013 dois jovens perderam um dente \u2013, obrigando a que todos fossem, horas mais tarde, levados ao Hospital Amadora-Sintra para receber assist\u00eancia m\u00e9dica. Com os rostos inchados, os jovens mal se aguentavam em p\u00e9 ao chegarem ao hospital. Para justificar o injustific\u00e1vel a pol\u00edcia inventou a mentira de \u201cinvas\u00e3o da esquadra\u201d, veiculada de modo sensacionalista e irrespons\u00e1vel por v\u00e1rios meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 10px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\" id=\"_mcePaste\"><\/div>\n<div style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 10px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\" id=\"_mcePaste\">Quem nos protege da pol\u00edcia?<\/div>\n<div style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 10px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\" id=\"_mcePaste\">Esta n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que a pol\u00edcia atua de modo truculento e covarde na Cova da Moura. Epis\u00f3dios de viol\u00eancia policial tornaram-se recorrentes neste e noutros bairros pobres dos sub\u00farbios de Lisboa. Maioritariamente negros e\/ou pobres, as suas v\u00edtimas ilustram o racismo latente do Estado portugu\u00eas, com o qual os tribunais s\u00e3o coniventes. O assassinato do Kuku, 14 anos, por um agente da PSP, em janeiro de 2009, \u00e9 paradigm\u00e1tico da impunidade das atua\u00e7\u00f5es violentas e desproporcionais das for\u00e7as de seguran\u00e7a p\u00fablica. Embora haja provas de que o tiro foi disparado a 10 cent\u00edmetros da cabe\u00e7a de Kuko, o tribunal decidiu absolver o pol\u00edcia agressor. Casos semelhantes de execu\u00e7\u00e3o (por parte da pol\u00edcia) e impunidade (veredito dos tribunais) acumulam-se em Portugal \u2013 PTB, Angoi, Corvo, Tony, Teti, Snake \u2013, evidenciando que a Justi\u00e7a n\u00e3o funciona quando se trata de jovens negros e\/ou habitantes de bairros pobres. Apresentados como \u201cbandidos em potencial\u201d por parte significativa dos media e das institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, \u00e9-lhes atribu\u00edda uma moralidade duvidosa que os culpabiliza pelos problemas de viol\u00eancia na cidade. Desta forma, s\u00e3o destitu\u00eddos de legitimidade para mediar reivindica\u00e7\u00f5es sociais ou den\u00fancias de viol\u00eancia policial. Essa criminaliza\u00e7\u00e3o da pobreza tem o intuito de afastar os mais vulner\u00e1veis de qualquer a\u00e7\u00e3o organizada, o que poderia p\u00f4r em risco o brutal ac\u00famulo de bens e recursos nas m\u00e3os da burguesia dominante.<\/div>\n<div style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 10px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\" id=\"_mcePaste\">Por outro lado, o racismo \u00e9 o culminar de uma opress\u00e3o que serve para melhor explorar e dividir os trabalhadores. A ideologia racista cumpre um papel fundamental dentro da l\u00f3gica do sistema vigente como bem assinalou o l\u00edder negro norte-americano Malcom X, que nos \u00faltimos anos de sua vida referiu: \u201cN\u00e3o h\u00e1 capitalismo sem racismo\u201d. Afinal, o racismo \u00e9 uma forma de legitimar uma m\u00e3o de obra subalterna com vista a reduzir os sal\u00e1rios e aumentar os lucros dos patr\u00f5es. Grande parte dos negros e das negras est\u00e3o \u201cinclu\u00eddos\u201d na nossa sociedade de uma forma bastante espec\u00edfica: enquanto m\u00e3o de obra prec\u00e1ria, barata ou desempregada. Por isso, o racismo s\u00f3 pode ser pensado em associa\u00e7\u00e3o com a dimens\u00e3o das classes sociais. As consequ\u00eancias desta nefasta combina\u00e7\u00e3o todos conhecem: marginaliza\u00e7\u00e3o em m\u00faltiplas esferas da vida social (da escola aos media; do local de trabalho \u00e0 moradia), viol\u00eancia policial, segrega\u00e7\u00e3o e humilha\u00e7\u00f5es sem fim.<\/div>\n<div style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 10px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\" id=\"_mcePaste\">Grito de esperan\u00e7a<\/div>\n<div style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 10px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\" id=\"_mcePaste\">Ap\u00f3s 48 horas injustamente detidos, os jovens sa\u00edram em liberdade no s\u00e1bado (7 de fevereiro) depois de serem ouvidos pelo juiz. Aplausos e gritos de alegria n\u00e3o se fizeram esperar entre as mais de 50 pessoas que aguardavam, ansiosas, por esse momento. Mancando e ainda muito magoados, os jovens ainda tiveram for\u00e7a e coragem de dar a cara e falar com a comunica\u00e7\u00e3o social. Um deles referiu, ap\u00f3s mostrar a perna baleada: \u201cFomos espancados literalmente. Eu fui baleado duas vezes e amea\u00e7ado de morte v\u00e1rias vezes\u201d. Apesar da breve alegria pelo momento de liberta\u00e7\u00e3o, o sentimento de indigna\u00e7\u00e3o imperava entre os presentes. Muitos ressaltavam a necessidade dessa onda de indigna\u00e7\u00e3o contra a viol\u00eancia de Estado ter uma express\u00e3o nas ruas e de massa.<\/div>\n<div style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 10px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\" id=\"_mcePaste\">Urge n\u00e3o desmobilizar para criar uma a\u00e7\u00e3o p\u00fablica (e de rua) contra uma pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica que fere a dignidade dos moradores dos bairros pobres dos sub\u00farbios de Lisboa. S\u00f3 a organiza\u00e7\u00e3o e a luta desses moradores, apoiadas por todos os ativistas e cidad\u00e3os solid\u00e1rios com essa causa, poder\u00e1 contrapor-se \u00e0 viol\u00eancia policial e exigir justi\u00e7a. \u00c9 fundamental que, dessa vez, a queixa-crime por tortura apresentada no Minist\u00e9rio P\u00fablico da Amadora tenha consequ\u00eancias e haja puni\u00e7\u00e3o aos respons\u00e1veis pelas agress\u00f5es infringidas aos jovens da Cova da Moura.<\/div>\n<div style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 10px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\" id=\"_mcePaste\">O MAS \u00e9 solid\u00e1rio com as v\u00edtimas de viol\u00eancia policial e apoia a mobiliza\u00e7\u00e3o de todos os moradores dos bairros perif\u00e9ricos de Lisboa na luta contra o racismo e por uma sociedade verdadeiramente justa e democr\u00e1tica.<\/div>\n<div style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 10px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\" id=\"_mcePaste\">Ot\u00e1vio Raposo<\/div>\n<p><strong> Os acontecimentos<\/strong><\/p>\n<p>Na \u00faltima 5\u00aa feira a pol\u00edcia fazia mais uma das suas habituais rusgas na Cova da Moura, revistando de modo truculento os seus moradores. Um jovem foi detido porque n\u00e3o correu. <strong>Afinal, era portador de defici\u00eancia motora<\/strong> e nada tinha feito de errado. Estava t\u00e3o s\u00f3 a circular no seu bairro.&nbsp;<\/p>\n<p>Mesmo n\u00e3o tendo oferecido resist\u00eancia ao ser revistado, o jovem foi alvo de chutes e pontap\u00e9s dos agentes da equipa de interven\u00e7\u00e3o r\u00e1pida da PSP. Ao testemunhar tamanha covardia, alguns moradores reclamaram e atrav\u00e9s de telem\u00f3veis tentaram filmar a situa\u00e7\u00e3o. Constrangidos, os pol\u00edcias impingiram um \u201cper\u00edmetro de (in)seguran\u00e7a\u201d e atrav\u00e9s de bastonadas e balas de borracha agrediram pessoas indefesas na tentativa de dispers\u00e1-las. V\u00e1rios moradores foram parar ao hospital, entre os quais uma mulher, alvejada deliberadamente pelos pol\u00edcias por ter testemunhado os acontecimentos de sua varanda. Dois deficientes f\u00edsicos e algumas jovens tamb\u00e9m foram feridos por balas de borracha. Ap\u00f3s o p\u00e2nico causado por essa interven\u00e7\u00e3o violenta, a PSP deixou o bairro levando consigo um jovem preso.<\/p>\n<p>Ao saber dos acontecimentos, colaboradores da Associa\u00e7\u00e3o Cultural Moinho da Juventude decidiram ir at\u00e9 \u00e0 esquadra de Alfragide com o objetivo de dar apoio ao jovem detido e apresentar queixa contra os agentes policiais. N\u00e3o era a primeira vez que epis\u00f3dios de viol\u00eancia gratuita por parte da pol\u00edcia ocorriam. Nessas ocasi\u00f5es, moradores do bairro tamb\u00e9m foram at\u00e9 a esquadra prestar solidariedade aos detidos e tentar impedir que fossem torturados. No entanto, dessa vez n\u00e3o foi poss\u00edvel explicar o motivo de l\u00e1 estarem. Mal chegaram \u00e0 porta da esquadra, cinco jovens foram presos e espancados pela pol\u00edcia. Um dos jovens, rapper e pesquisador da Universidade de Aveiro, foi alvejado a queima-roupa com balas de borracha na perna. Torturados dentro e fora da esquadra, foram espancados e amea\u00e7ados de morte por agentes da PSP \u2013 dois jovens perderam um dente \u2013, obrigando a que todos fossem, horas mais tarde, levados ao Hospital Amadora-Sintra para receber assist\u00eancia m\u00e9dica. Com os rostos inchados, os jovens mal se aguentavam em p\u00e9 ao chegarem ao hospital. Para justificar o injustific\u00e1vel a pol\u00edcia inventou a mentira de \u201cinvas\u00e3o da esquadra\u201d, veiculada de modo sensacionalista e irrespons\u00e1vel por v\u00e1rios meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Quem nos protege da pol\u00edcia?<\/strong><\/p>\n<p>Esta n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que a pol\u00edcia atua de modo truculento e covarde na Cova da Moura. Epis\u00f3dios de viol\u00eancia policial tornaram-se recorrentes neste e noutros bairros pobres dos sub\u00farbios de Lisboa. Maioritariamente negros e\/ou pobres, as suas v\u00edtimas ilustram o racismo latente do Estado portugu\u00eas, com o qual os tribunais s\u00e3o coniventes. O assassinato do Kuku, 14 anos, por um agente da PSP, em janeiro de 2009, \u00e9 paradigm\u00e1tico da impunidade das atua\u00e7\u00f5es violentas e desproporcionais das for\u00e7as de seguran\u00e7a p\u00fablica. Embora haja provas de que o tiro foi disparado a 10 cent\u00edmetros da cabe\u00e7a de Kuko, o tribunal decidiu absolver o pol\u00edcia agressor. Casos semelhantes de execu\u00e7\u00e3o (por parte da pol\u00edcia) e impunidade (veredito dos tribunais) acumulam-se em Portugal \u2013 PTB, Angoi, Corvo, Tony, Teti, Snake \u2013, evidenciando que a Justi\u00e7a n\u00e3o funciona quando se trata de jovens negros e\/ou habitantes de bairros pobres. Apresentados como \u201cbandidos em potencial\u201d por parte significativa dos media e das institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, \u00e9-lhes atribu\u00edda uma moralidade duvidosa que os culpabiliza pelos problemas de viol\u00eancia na cidade. Desta forma, s\u00e3o destitu\u00eddos de legitimidade para mediar reivindica\u00e7\u00f5es sociais ou den\u00fancias de viol\u00eancia policial. Essa criminaliza\u00e7\u00e3o da pobreza tem o intuito de afastar os mais vulner\u00e1veis de qualquer a\u00e7\u00e3o organizada, o que poderia p\u00f4r em risco o brutal ac\u00famulo de bens e recursos nas m\u00e3os da burguesia dominante.<\/p>\n<p>Por outro lado, o racismo \u00e9 o culminar de uma opress\u00e3o que serve para melhor explorar e dividir os trabalhadores. A ideologia racista cumpre um papel fundamental dentro da l\u00f3gica do sistema vigente como bem assinalou o l\u00edder negro norte-americano Malcom X, que nos \u00faltimos anos de sua vida referiu: \u201cN\u00e3o h\u00e1 capitalismo sem racismo\u201d. Afinal, o racismo \u00e9 uma forma de legitimar uma m\u00e3o de obra subalterna com vista a reduzir os sal\u00e1rios e aumentar os lucros dos patr\u00f5es. Grande parte dos negros e das negras est\u00e3o \u201cinclu\u00eddos\u201d na nossa sociedade de uma forma bastante espec\u00edfica: enquanto m\u00e3o de obra prec\u00e1ria, barata ou desempregada. Por isso, o racismo s\u00f3 pode ser pensado em associa\u00e7\u00e3o com a dimens\u00e3o das classes sociais. As consequ\u00eancias desta nefasta combina\u00e7\u00e3o todos conhecem: marginaliza\u00e7\u00e3o em m\u00faltiplas esferas da vida social (da escola aos media; do local de trabalho \u00e0 moradia), viol\u00eancia policial, segrega\u00e7\u00e3o e humilha\u00e7\u00f5es sem fim.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Grito de esperan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s 48 horas injustamente detidos, os jovens sa\u00edram em liberdade no s\u00e1bado (7 de fevereiro) depois de serem ouvidos pelo juiz. Aplausos e gritos de alegria n\u00e3o se fizeram esperar entre as mais de 50 pessoas que aguardavam, ansiosas, por esse momento. Mancando e ainda muito magoados, os jovens ainda tiveram for\u00e7a e coragem de dar a cara e falar com a comunica\u00e7\u00e3o social. Um deles referiu, ap\u00f3s mostrar a perna baleada: \u201cFomos espancados literalmente. Eu fui baleado duas vezes e amea\u00e7ado de morte v\u00e1rias vezes\u201d. Apesar da breve alegria pelo momento de liberta\u00e7\u00e3o, o sentimento de indigna\u00e7\u00e3o imperava entre os presentes. Muitos ressaltavam a necessidade dessa onda de indigna\u00e7\u00e3o contra a viol\u00eancia de Estado ter uma express\u00e3o nas ruas e de massa.&nbsp;<\/p>\n<p>Urge n\u00e3o desmobilizar para criar uma a\u00e7\u00e3o p\u00fablica (e de rua) contra uma pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica que fere a dignidade dos moradores dos bairros pobres dos sub\u00farbios de Lisboa. S\u00f3 a organiza\u00e7\u00e3o e a luta desses moradores, apoiadas por todos os ativistas e cidad\u00e3os solid\u00e1rios com essa causa, poder\u00e1 contrapor-se \u00e0 viol\u00eancia policial e exigir justi\u00e7a. \u00c9 fundamental que, dessa vez, <strong>a queixa-crime por tortura apresentada no Minist\u00e9rio P\u00fablico da Amadora tenha consequ\u00eancias<\/strong> e haja puni\u00e7\u00e3o aos respons\u00e1veis pelas agress\u00f5es infringidas aos jovens da Cova da Moura.<\/p>\n<p>O MAS \u00e9 solid\u00e1rio com as v\u00edtimas de viol\u00eancia policial e apoia a mobiliza\u00e7\u00e3o de todos os moradores dos bairros perif\u00e9ricos de Lisboa na luta contra o racismo e por uma sociedade verdadeiramente justa e democr\u00e1tica.&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">Ot\u00e1vio Raposo<\/span><\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pol\u00edcia espanca jovens negros e inventa \u201cpseudo-invas\u00e3o de esquadra\u201d para justificar tortura.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1785,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[34],"tags":[430,429,431,428],"class_list":["post-1787","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opressoes","tag-agressoes","tag-cova-da-moura","tag-policia","tag-pseudo-invasao-de-esquadra"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/violencia.png?fit=800%2C450","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1787","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1787"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1787\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1785"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1787"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1787"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1787"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}