{"id":1776,"date":"2015-01-19T17:32:04","date_gmt":"2015-01-19T16:32:04","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2015\/01\/19\/charlie-hebdo-um-massacre-varios-alvos\/"},"modified":"2015-01-19T17:32:04","modified_gmt":"2015-01-19T16:32:04","slug":"charlie-hebdo-um-massacre-varios-alvos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2015\/01\/19\/charlie-hebdo-um-massacre-varios-alvos\/","title":{"rendered":"Charlie Hebdo: um massacre, v\u00e1rios alvos"},"content":{"rendered":"\n<p>O b\u00e1rbaro atentado de 7 de Janeiro que vitimou doze pessoas, entre as quais os principais membros da redac\u00e7\u00e3o do seman\u00e1rio Charlie Hebdo, tem o nosso total rep\u00fadio. Estamos perante um assass\u00ednio de jornalistas e de outros trabalhadores supostamente em retalia\u00e7\u00e3o pela cr\u00edtica sat\u00edrica desenvolvida pelo peri\u00f3dico contra s\u00edmbolos religiosos isl\u00e2micos.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Este criminoso acto, a que os autores directos procuraram apresentar como uma ac\u00e7\u00e3o em defesa do Isl\u00e3o e dos povos \u00e1rabes que t\u00eam sido atacados pelos ex\u00e9rcitos dos pa\u00edses imperialistas, \u00e9 precisamente o seu contr\u00e1rio: funciona tamb\u00e9m como um ataque contra essa religi\u00e3o e fomenta o racismo e a xenofobia contra os povos \u00e1rabes e a maioria das comunidades imigrantes que trabalham em pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia (UE).<\/p>\n<p>O impacto medi\u00e1tico e a repercuss\u00e3o mundial deste atentado levou a uma condena\u00e7\u00e3o generalizada na Europa e um pouco por todo o mundo. Cavalgando esta justa indigna\u00e7\u00e3o, os governantes dos pa\u00edses da UE, dos Estados Unidos e do Estado sionista de Israel tomaram a dianteira no aproveitamento pol\u00edtico desta trag\u00e9dia e, usurpando as bandeiras da \u201cdemocracia e da liberdade de express\u00e3o\u201d e ao abrigo de uma \u201cluta contra o terrorismo\u201d, j\u00e1 se preparam para um refor\u00e7o do estado policial na Europa e para uma nova escalada militar no M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n<p>As imediatas e espont\u00e2neas manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de rep\u00fadio ao atentado que se realizaram em diversas cidades francesas logo no dia 7 de Janeiro foram seguidas de uma convocat\u00f3ria de \u201cMarcha pela Rep\u00fablica\u201d para o dia 11 de Janeiro, esta j\u00e1 enquadrada institucionalmente e politicamente utilizada por Fran\u00e7ois Hollande, que a liderou junto com o presidente da Comiss\u00e3o Europeia, Jean-Claude Juncker, a chanceler alem\u00e3, Angela Merkel, o primeiro-ministro brit\u00e2nico, David Cameron e o chefe do Governo israelita Benjamin Netanyahu.<\/p>\n<p>Os milh\u00f5es de franceses que desfilaram em defesa da democracia e da liberdade de express\u00e3o por toda a Fran\u00e7a tiveram na cabe\u00e7a da manifesta\u00e7\u00e3o de Paris muitos dos governantes que nos seus pa\u00edses executam pol\u00edticas bem anti-democr\u00e1ticas, muitas vezes atentat\u00f3rias da liberdade de express\u00e3o, e, nalguns casos (como o Estado sionista de Israel), de aut\u00eantico genoc\u00eddio de popula\u00e7\u00f5es (a matan\u00e7a dos palestinianos de Gaza). A difus\u00e3o mundial das imagens de Netanyahu com Hollande na sinagoga de Paris procuraram limp\u00e1-lo do sangue palestiniano que ainda lhe escorre nas m\u00e3os e apresenta-lo como um paladino da democracia e liberdade e n\u00e3o como o terrorista de Estado que \u00e9.<\/p>\n<p>Esta contradi\u00e7\u00e3o, entre o sentimento popular e a lideran\u00e7a da ac\u00e7\u00e3o, patente na manifesta\u00e7\u00e3o de Paris, tem de ser assinalada e as organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sindicais dos trabalhadores t\u00eam o dever de o fazer para impedir que as raposas sejam aplaudidas como as grandes guardi\u00e3s do galinheiro.<\/p>\n<p>No actual contexto de crise econ\u00f3mica e social vivida na Uni\u00e3o Europeia, e sem que se constituam alternativas \u00e0s pol\u00edticas da crise e favor\u00e1veis aos direitos dos trabalhadores, este insuflado clima de inseguran\u00e7a e gerador de mais xenofobia s\u00f3 favorece aqueles que querem um refor\u00e7o policial para uma maior conten\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o de naturais contesta\u00e7\u00f5es sociais \u00e0s pol\u00edticas que mergulharam a Europa na actual crise.<\/p>\n<p>O unanimismo que se est\u00e1 a propagandear a partir da marcha de Paris, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 condena\u00e7\u00e3o do atentado de 7 de Janeiro e em prol da \u201cdemocracia\u201d, apenas serve para tentar dar um bal\u00e3o de oxig\u00e9nio aos desgastados governos de v\u00e1rios pa\u00edses da UE, atenuar a contesta\u00e7\u00e3o \u00e0s suas pol\u00edticas de austeridade e legitimar a participa\u00e7\u00e3o francesa e europeia em interven\u00e7\u00f5es militares no M\u00e9dio Oriente e em \u00c1frica.<\/p>\n<p>Para responder a esta campanha iniciada pela classe pol\u00edtica que governa a Europa, os trabalhadores e os povos t\u00eam de retomar as ac\u00e7\u00f5es contra a austeridade, o desemprego e as pol\u00edticas de restri\u00e7\u00f5es \u00e0 liberdade que j\u00e1 se avizinham.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><strong>Editorial do Jornal Ruptura n\u00ba138, Janeiro 2015<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O b\u00e1rbaro atentado de 7 de Janeiro que vitimou doze pessoas, entre as quais os principais membros da redac\u00e7\u00e3o do seman\u00e1rio Charlie Hebdo, tem o nosso total rep\u00fadio. 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