{"id":1686,"date":"2014-09-01T16:41:21","date_gmt":"2014-09-01T15:41:21","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2014\/09\/01\/gaza-uma-vitoria-palestiniana\/"},"modified":"2014-09-01T16:41:21","modified_gmt":"2014-09-01T15:41:21","slug":"gaza-uma-vitoria-palestiniana","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2014\/09\/01\/gaza-uma-vitoria-palestiniana\/","title":{"rendered":"Gaza: uma vit\u00f3ria palestiniana"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Declara\u00e7\u00e3o da Liga Internacional dos Trabalhadores <\/em><\/strong><\/p>\n<p>Finalmente foi assinado no Egipto um acordo entre a organiza\u00e7\u00e3o palestiniana Hamas e o governo israelita, pondo fim \u00e0 chamada \u201cguerra de Gaza\u201d, na realidade, um novo e sangrento ataque das for\u00e7as armadas israelitas contra o povo palestiniano.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Os factos mostraram novamente ao mundo que Israel \u00e9 o agressor permanente na regi\u00e3o e seu car\u00e1ter profundamente nazifascista. A agress\u00e3o \u00e9 outra manifesta\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia de limpeza \u00e9tnica do povo palestiniano, e resultado de que Israel \u00e9 um enclave militar ao servi\u00e7o do imperialismo, baseado na usurpa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio hist\u00f3rico deste povo.<\/p>\n<p>Examinando friamente os n\u00fameros que resultaram desta nova agress\u00e3o do estado sionista \u00e0 Gaza (2138 mortos palestinianos, 10.300 feridos e toda uma parte de Gaza destru\u00edda),&nbsp; \u00e9 quase imposs\u00edvel compreender por que os palestinianos festejam o acordo enquanto em Israel h\u00e1 um clima sombrio. \u00c9 isso que est\u00e1 acontecendo: os palestinianos festejam nas ruas de Gaza enquanto Israel avan\u00e7a para uma crise pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Na verdade, os palestinianos est\u00e3o conquistando uma vit\u00f3ria her\u00f3ica, ainda que parcial; algo semelhante \u00e0 derrota de Israel no L\u00edbano em 2006.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Um balan\u00e7o pol\u00edtico<\/strong><\/p>\n<p>Israel realizou este novo ataque motivado por v\u00e1rias raz\u00f5es. Em primeiro lugar, quis aproveitar um relativo refluxo da revolu\u00e7\u00e3o no mundo \u00e1rabe. A elei\u00e7\u00e3o do marechal Al-Sisi no Egito, os avan\u00e7os militares de Assad na S\u00edria, o fortalecimento do Estado Isl\u00e2mico no Iraque e S\u00edria, s\u00e3o express\u00f5es de uma conjuntura desfavor\u00e1vel para o movimento de massas na regi\u00e3o. Ainda que isso n\u00e3o signifique uma reestabiliza\u00e7\u00e3o definitiva ou, menos ainda, o \u201cfim da revolu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe\u201d, como v\u00eam defendendo v\u00e1rios sectores de esquerda, h\u00e1 de facto, um refluxo conjuntural que foi aproveitado por Israel para montar a ofensiva militar sobre Gaza, um espa\u00e7o para actuar e para tentar mostrar ao imperialismo e aos EUA que neste \u2018vazio\u2019 existe um guardi\u00e3o militar fiel e forte para impor a ordem.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, Israel opunha-se \u00e0 unidade estabelecida entre Hamas e a Autoridade Nacional Palestina (ANP). Com este ataque, o governo de Nethanyahu viu a possibilidade de desestabilizar esta unidade e boicotar as negocia\u00e7\u00f5es impulsionadas pelo imperialismo norte-americano.<\/p>\n<p>Israel colocou como objetivo destruir a estrutura militar do Hamas e os t\u00faneis com os quais os palestinianos quebravam o bloqueio imposto a Gaza. Objetivo que s\u00f3 atingiu de modo muito parcial. A her\u00f3ica resist\u00eancia dos palestinianos foi muito superior ao que Israel esperava. Apesar dos bombardeamentos e da invas\u00e3o terrestre, a ofensiva israelita n\u00e3o conseguiu destruir completamente os t\u00faneis, nem ferir duramente a estrutura militar do Hamas. Com t\u00e1ticas guerrilheiras, os palestinianos conseguiram n\u00e3o s\u00f3 resistir como tamb\u00e9m emboscar militares israelitas e at\u00e9 come\u00e7ar a destruir os seus tanques. O n\u00famero de mortos israelitas (mais de 60) \u00e9 o mais alto desde o fracasso da invas\u00e3o ao L\u00edbano, em 2006.<\/p>\n<p>Os demais palestinianos, tanto na Cisjord\u00e2nia como nas localidades dentro de Israel, e as manifesta\u00e7\u00f5es radicalizadas da juventude amea\u00e7avam transformar-se numa nova intifada. At\u00e9 o colaboracionista Abbas se viu obrigado a, no final, denunciar Israel e defender retoricamente Gaza.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a ofensiva israelita despertou uma rea\u00e7\u00e3o mundial contra o genoc\u00eddio, como h\u00e1 muitos anos n\u00e3o se via. Apesar de todo o apoio dos meios a Israel, foi imposs\u00edvel esconder o assassinato de crian\u00e7as palestinianas, o bombardeamento a escolas e hospitais. Nunca havia ficado t\u00e3o claro o objetivo nazifascista de limpeza \u00e9tnica impulsionado por Israel. As manifesta\u00e7\u00f5es de rep\u00fadio \u00e0 agress\u00e3o em todo o mundo foram as maiores em muitos anos, e pressionaram os governos aliados de Israel a manifestar seu desagrado com a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Intelectuais, artistas famosos, defensores dos direitos humanos reagiram como nunca antes, indignados frente a tamanha destrui\u00e7\u00e3o. At\u00e9 a ONU se viu obrigada a fazer um relat\u00f3rio denunciando os crimes de guerra sionistas. Esta realidade levou crise \u00e0 ofensiva israelita, que foi obrigada a paralisar e aceitar as negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Nesse marco, Israel sai sem nenhum ganho pol\u00edtico enquanto, apesar de todos os mortos e a destrui\u00e7\u00e3o provocada, e alguns golpes na sua estrutura militar, Hamas sai fortalecido no seu prest\u00edgio pol\u00edtico. Ao mesmo tempo, o isolamento internacional do estado sionista, e a clareza de que \u00e9 o verdadeiro agressor na regi\u00e3o, cresceu exponencialmente, o que se expressou numa gigantesca campanha internacional de rep\u00fadio ao sionismo, por um lado, e de solidariedade com os palestinianos em todo o mundo, por outro.<\/p>\n<p>O fim do bloqueio \u00e9 a reivindica\u00e7\u00e3o mais urgente da popula\u00e7\u00e3o de Gaza e, ainda que n\u00e3o tenha sido abolido, foi diminuindo pela press\u00e3o directa da resist\u00eancia militar dos palestinianos. Por isso, a popula\u00e7\u00e3o festeja o acordo nas ruas de Gaza.<\/p>\n<p>Em suma, o resultado desta a\u00e7\u00e3o foi uma derrota pol\u00edtica e militar de Israel. N\u00e3o s\u00f3 n\u00f3s dizemos isso. Um dos analistas do jornal sionista \u201cliberal\u201d Haaretz qualifica o balan\u00e7o da guerra com um t\u00edtulo muito claro, tomado do futebol: \u201cHamas 1, Israel 0\u201d. Enquanto outro analista (Ari Shavit) afirma que a \u201carma secreta de Hamas\u201d foi que conseguiu minar as bases de apoio de Israel nos cinco continentes. N\u00e3o \u00e9 casual que a crise que j\u00e1 se incubava no governo israelita de Benjamin Netanyahu agora est\u00e1-se a aprofundar, segundo informa Haaretz. A extrema direita representada pelo ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores de origem russa Avigdor Lieberman e os partidos ultrarreligiosos mais recalcitrantes como o Shas consideravam este acordo como \u201cinaceit\u00e1vel\u201d. Esta vit\u00f3ria dos palestinianos deve ser considerada uma etapa na longa luta, que deve ter continuidade, pela destrui\u00e7\u00e3o do estado nazifascista de Israel.<\/p>\n<p><strong>Para seguir a luta at\u00e9 a vit\u00f3ria final, \u00e9 necess\u00e1rio um programa revolucion\u00e1rio.<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 que se reivindicar a fundo a resist\u00eancia e festejar a derrota do estado de Israel. Por isso, independentemente das nossas diferen\u00e7as, reconhecemos que foi o Hamas quem esteve \u00e0 frente desta resist\u00eancia e, por isso, fortaleceu-se muito junto das massas. Pela mesma raz\u00e3o, defendemos incondicionalmente o Hamas frente \u00e0 agress\u00e3o israelita, assim como apoiamos o seu direito \u00e0 defesa militar diante desta agress\u00e3o. Estivemos no seu \u201ccampo militar\u201d contra o sionismo e voltaremos a faz\u00ea-lo frente a qualquer nova agress\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, acreditamos ser necess\u00e1rio assinalar duas quest\u00f5es program\u00e1ticas que podem levar a que essa vit\u00f3ria n\u00e3o se mantenha e, inclusive, se transforme em derrota.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, alertamos sobre a pol\u00edtica do Hamas de reconcilia\u00e7\u00e3o com Al Fatah e com o presidente da ANP Mahmoud Abbas (traidores da causa palestiniana e agentes do imperialismo e de Israel) que inclui a aceita\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica dos \u201cdois estados\u201d, como j\u00e1 se vinha ensaiando antes da invas\u00e3o israelita. Al\u00e9m disso, essa \u201cunidade\u201d aceita que o governo de Mahmoud Abbas continue dirigindo a ANP e negociando acordos de seguran\u00e7a com Israel. Abbas ser\u00e1 respons\u00e1vel pelos temas de seguran\u00e7a, inclusive pelo controlo da fronteira de Gaza com o Egito. Na realidade, isto significa aceitar tamb\u00e9m a pol\u00edtica dos \u201cdois estados\u201d, proposta pelos EUA, o que significa uma capitula\u00e7\u00e3o do Hamas, que ganhou prest\u00edgio justamente por se opor \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o do estado sionista e de seu controlo sobre a Palestina.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, a nossa profunda diferen\u00e7a com sua proposta program\u00e1tica de construir um estado isl\u00e2mico ou teocr\u00e1tico na Palestina (e agora poderia ser apenas em uma pequena parte dela). Um tipo de estado que persegue e exclui outras confiss\u00f5es religiosas, repressivo e opressor, especialmente para as mulheres e para os homossexuais. Esclarecemos que respeitamos a religi\u00e3o mu\u00e7ulmana e sua cultura, praticada por centenas de milh\u00f5es de pessoas, que, no passado, deu grandes mostras de toler\u00e2ncia para com outras religi\u00f5es e culturas, como os judeus e os crist\u00e3os. O que dizemos \u00e9 que estes estados teocr\u00e1ticos, baseados na aplica\u00e7\u00e3o extrema do Alcor\u00e3o, levam inevitavelmente \u00e0 opress\u00e3o e \u00e0 repress\u00e3o. Por outro lado, ao ser excludente de uma s\u00e9rie de sectores n\u00e3o mu\u00e7ulmanos, divide os pr\u00f3prios palestinianos frente \u00e0 luta necess\u00e1ria contra o estado racista de Israel.<\/p>\n<p>Da nossa parte, reiteramos a \u00fanica proposta que aponta para a unidade de todos os palestinianos, e que aponta para o fim do estado usurpador e assassino de Israel: a luta pela Palestina \u00fanica, laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista em todo o territ\u00f3rio hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, \u00e9 fundamental que esta vit\u00f3ria palestiniana tenha continuidade com a luta contra o estado de Israel. Isto significa, em particular, a continuidade da campanha pela ruptura de rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas e comerciais dos governos com o estado nazifascista de Israel e o boicote aos seus produtos e servi\u00e7os.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>Secratariado Internacional da <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.litci.org\/pt\/\" rel=\"noopener\">Liga Internacional dos Trabalhadores<\/a> &#8211; Quarta Internacional<br \/><\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>27 de Agosto de 2014<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Declara\u00e7\u00e3o da Liga Internacional dos Trabalhadores Finalmente foi assinado no Egipto um acordo entre a organiza\u00e7\u00e3o palestiniana Hamas e o governo israelita, pondo fim \u00e0 chamada \u201cguerra de Gaza\u201d, na realidade, um novo e sangrento ataque das for\u00e7as armadas israelitas contra o povo palestiniano.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1685,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[26],"tags":[116,213,285,284,109,121,188,114,115,212,120,162,117],"class_list":["post-1686","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-palestina","tag-alternativa","tag-apartheid","tag-fatah","tag-hamas","tag-internacional","tag-israel","tag-lit","tag-mas","tag-movimento","tag-ocupacao","tag-palestina","tag-revolucionario","tag-socialista"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/palestina_vitoria_agosto14.jpg?fit=600%2C300","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1686","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1686"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1686\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1685"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1686"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1686"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1686"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}