{"id":1672,"date":"2014-08-21T15:13:10","date_gmt":"2014-08-21T14:13:10","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2014\/08\/21\/repudiamos-os-ataques-aereos-dos-eua-contra-o-iraque\/"},"modified":"2014-08-21T15:13:10","modified_gmt":"2014-08-21T14:13:10","slug":"repudiamos-os-ataques-aereos-dos-eua-contra-o-iraque","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2014\/08\/21\/repudiamos-os-ataques-aereos-dos-eua-contra-o-iraque\/","title":{"rendered":"Repudiamos os ataques a\u00e9reos dos EUA contra o Iraque!"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Declara\u00e7\u00e3o da Liga Internacional dos Trabalhadores<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Quase dois meses ap\u00f3s o in\u00edcio da ofensiva militar do Estado Isl\u00e2mico<a href=\"#n1\"><sup>1<\/sup><\/a> (EI), lan\u00e7ada a partir dos territ\u00f3rios que controla actualmente na S\u00edria, em dire\u00e7\u00e3o ao noroeste do Iraque e rumo a Bagdad, o presidente norte-americano, Barack Obama, decidiu realizar \u201cataques a\u00e9reos limitados\u201d contra as posi\u00e7\u00f5es do EI para \u201cproteger os interesses norte-americanos\u201d e \u201cimpedir o genoc\u00eddio\u201d contra dezenas de milhares de crist\u00e3os e membros da comunidade Yazidi, que desde a semana passada est\u00e3o sitiados no Monte Sinjar, onde se refugiaram diante das amea\u00e7as do EI.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio de junho, o Estado Isl\u00e2mico tomou um ter\u00e7o do territ\u00f3rio iraquiano, al\u00e9m de postos de fronteira com a S\u00edria e a Jord\u00e2nia. Nos \u00faltimos dias, suas mil\u00edcias tomaram a barragem de Mosul, cidade controlada pelo EI, que \u00e9 de enorme valor estrat\u00e9gico, devido ao abastecimento de energia e \u00e1gua para esta cidade e para Bagdad, as duas maiores do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Com a debandada do ex\u00e9rcito iraquiano, a principal for\u00e7a oponente ao EI passou a ser o ex\u00e9rcito do Curdist\u00e3o iraquiano, conhecido como <em>Peshmerga<\/em>. No entanto, os curdos estavam em s\u00e9rios apuros por causa da superioridade militar s\u00fabita do EI, que se apoderou de artilharia pesada e ve\u00edculos blindados de origem norte-americana em sua \u201cguerra rel\u00e2mpago\u201d. Foi assim que os \u201cjihadistas\u201d conseguiram se aproximar de Erbil, a capital dos curdos iraquianos.<\/p>\n<p>Neste contexto, no momento da reda\u00e7\u00e3o deste artigo, a For\u00e7a A\u00e9rea dos EUA, usando avi\u00f5es de combate F\/A-18 e <em>drones<\/em> (aeronaves n\u00e3o tripuladas), realizou v\u00e1rios bombardeios contra pe\u00e7as de artilharia e posi\u00e7\u00f5es do EI nos arredores de Erbil, \u201cperto de onde se encontra pessoal norte-americano\u201d. Os EUA tamb\u00e9m atacaram soldados do Estado Isl\u00e2mico que mant\u00eam o cerco contra os Yazidi no p\u00e9 do Monte Sinjar.<\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>A LIT-QI repudia categoricamente essa agress\u00e3o militar norte-americana contra a soberania do Iraque e apela a todas as organiza\u00e7\u00f5es sociais e de esquerda para enfrent\u00e1-la com mobiliza\u00e7\u00f5es e ampla campanha anti-imperialista.<\/strong><\/p>\n<p>As mil\u00edcias do EI, na verdade, est\u00e3o a cometer &nbsp;atrocidades contra minorias \u00e9tnicas e religiosas, tanto na S\u00edria como no Iraque. No caso dos yazidis, por exemplo, h\u00e1 den\u00fancias de que o Estado Isl\u00e2mico assassinou cerca de 500 pessoas depois de tomar a cidade, queimando ou enterrando vivas dezenas delas. Tamb\u00e9m sequestraram cerca de 300 mulheres, para vend\u00ea-las como escravas.<\/p>\n<p>Mas estes crimes desumanos n\u00e3o s\u00e3o o verdadeiro motivo da interven\u00e7\u00e3o norte-americana. Os objetivos de Washington n\u00e3o s\u00e3o \u201chumanit\u00e1rios\u201d, como cinicamente proclama a Casa Branca, depois de ter assassinado mais de um milh\u00e3o de iraquianos ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, um crime que a imprensa internacional simplesmente omite.<\/p>\n<p>Os EUA retomam uma agress\u00e3o militar depois de serem derrotados no Iraque. A estrutura pol\u00edtico-militar que foi montada pelo imperialismo para manter seu controle sobre o pa\u00eds ap\u00f3s a retirada das tropas de ocupa\u00e7\u00e3o mostra uma profunda crise. Ao mesmo tempo, o imperialismo \u00e9 for\u00e7ado a proteger os campos de petr\u00f3leo do Curdist\u00e3o iraquiano, devido \u00e0s excelentes rela\u00e7\u00f5es que as multinacionais petrol\u00edferas dos EUA mant\u00eam com este governo semiaut\u00f3nomo desde a \u00e9poca de Saddam Hussein.<\/p>\n<p>Portanto, estamos diante de uma nova agress\u00e3o militar, cujo objetivo \u00e9 o saque e a pilhagem contra o Iraque, o que amea\u00e7a novamente sua soberania, e que deve ser condenado por todo activista democr\u00e1tico, anti-imperialista e, evidentemente, por todos os militantes revolucion\u00e1rios do mundo.<\/p>\n<p><strong>As dificuldades do imperialismo<\/strong><\/p>\n<p>Devido \u00e0 derrota militar que os EUA sofreram no Iraque e no Afeganist\u00e3o \u00e0s m\u00e3os da heroica resist\u00eancia armada desses povos, derrota em que os EUA perderam mais de seis mil soldados, contabilizaram dezenas de milhares de feridos e gastaram cerca de 4,5 bili\u00f5es de d\u00f3lares, surgiu na sociedade norte-americana a chamada \u201cs\u00edndrome do Iraque\u201d, uma situa\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 que se produziu ap\u00f3s a retirada norte-americana do Vietname. A s\u00edndrome consiste numa rejei\u00e7\u00e3o categ\u00f3rica, altamente progressiva, da maior parte da popula\u00e7\u00e3o norte-americana \u2014 e de outros pa\u00edses aliados, como a Gr\u00e3-Bretanha e Fran\u00e7a\u2014 diante de novas e caras aventuras militares.<\/p>\n<p>A derrota do projeto belicista do \u201cNovo S\u00e9culo Americano\u201d, que George W. Bush tentou implementar no in\u00edcio da d\u00e9cada passada, foi a principal heran\u00e7a recebida por Obama, que chegou ao poder justamente com a promessa de acabar com as guerras impopulares iniciadas por seu antecessor e implementar uma pol\u00edtica externa baseada principalmente na \u201cdiplomacia\u201d.<\/p>\n<p>A \u201cs\u00edndrome do Iraque\u201d \u00e9 uma enorme limita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica imposta \u00e0 maior pot\u00eancia militar do planeta pela resist\u00eancia dos povos iraquiano e afeg\u00e3o, e pelo movimento de massas a n\u00edvel mundial, que levou centenas de milhares \u00e0s ruas nos protestos contra essas duas guerras. Na pr\u00e1tica, isso significa que o imperialismo norte-americano n\u00e3o pode, hoje, como fazia antes, invadir pa\u00edses com suas tropas, sem que isso aprofunde a grave crise interna e tamb\u00e9m a crise com seus aliados tradicionais.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a principal raz\u00e3o por tr\u00e1s das \u201chesita\u00e7\u00f5es\u201d dos \u201cfalc\u00f5es\u201d republicanos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cpol\u00edtica externa\u201d que Obama adota no Oriente M\u00e9dio (especialmente na S\u00edria), Ucr\u00e2nia, Gaza e agora novamente no Iraque.<\/p>\n<p>Essa limita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do imperialismo, que o impede de utilizar plenamente o seu poder militar incompar\u00e1vel, pode ser vista claramente, por exemplo, na \u00faltima \u201camea\u00e7a\u201d de bombardeamento contra a S\u00edria feita em setembro de 2013, que, por falta de apoio pol\u00edtico necess\u00e1rio, terminou em um retrocesso vergonhoso para Obama. O mesmo fen\u00f3meno j\u00e1 se havia manifestado na L\u00edbia, quando os Estados Unidos tiveram que se limitar a ataques a\u00e9reos, pois n\u00e3o podiam desembarcar suas tropas no terreno.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 tamb\u00e9m o que acontece, pelo menos at\u00e9 agora, no Iraque. Desde que o EI come\u00e7ou seu avan\u00e7o sobre o pa\u00eds, Obama descartou o envio de tropas terrestres, que se retiraram do pa\u00eds em 2011.<\/p>\n<p>O imperialismo afirma que os ataques a\u00e9reos atuais no nordeste do Iraque s\u00e3o, na defini\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Obama, \u201climitados\u201d e \u201cpontuais\u201d. <em>\u201cEstou ciente de que muitos norte-americanos est\u00e3o preocupados com a uma a\u00e7\u00e3o militar no Iraque, e mesmo com a\u00e7\u00f5es limitadas como essas\u201d<\/em>, admitiu o presidente dos EUA. E prometeu: <em>\u201cComo Comandante-em-chefe, n\u00e3o vou permitir que os Estados Unidos seja arrastado para uma nova guerra no Iraque (&#8230;) as nossas tropas de combate n\u00e3o v\u00e3o voltar a lutar no Iraque, porque n\u00e3o h\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o militar norte-americana para essa crise\u201d<\/em>. No entanto, isso pode mudar de acordo com a pr\u00f3pria din\u00e2mica da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, pode-se dizer que os ataques a\u00e9reos \u201climitados\u201d enquadram-se naquela que continua a ser a t\u00e1tica principal dos EUA no Iraque: uma \u201csa\u00edda pol\u00edtica\u201d que envolve o estabelecimento de um \u201cgoverno de unidade nacional\u201d entre todas as fac\u00e7\u00f5es burguesas. <em>\u201cA \u00fanica solu\u00e7\u00e3o duradoura \u00e9 uma reconcilia\u00e7\u00e3o entre as comunidades iraquianas e as for\u00e7as iraquianas mais fortes\u201d<\/em>, disse Obama. <em>\u201c<\/em>[\u00c9 preciso]<em> enfatizar a import\u00e2ncia da forma\u00e7\u00e3o de um novo governo\u201d<\/em>, acrescentou o vice-presidente Joe Biden.<\/p>\n<p>Neste sentido, o imperialismo tamb\u00e9m moveu suas pe\u00e7as e autorizou a nomea\u00e7\u00e3o de um novo primeiro-ministro, o xiita Al Abadi, pelo presidente do pa\u00eds, o curdo Fuad Masum, apesar da recusa inicial do ex-primeiro-ministro Nuri Al Maliki diante da sucess\u00e3o. Sob press\u00e3o dos EUA e do Ir\u00e3o, Al Maliki cedeu e aceitou a ren\u00fancia, apoiando finalmente o novo primeiro-ministro Al Abadi.<\/p>\n<p>\u201cAtaques limitados\u201d e um \u201cnovo governo de unidade nacional\u201d. At\u00e9 agora, estas s\u00e3o as iniciativas do imperialismo diante do avan\u00e7o do EI. Teremos que aguardar o desenvolvimento da crise para ver se Obama ser\u00e1 for\u00e7ado a se envolver ainda mais do ponto de vista militar.<\/p>\n<p><strong>Nenhum apoio pol\u00edtico para o Estado Isl\u00e2mico!<\/strong><\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que devemos convocar protestos nas ruas para responder a esta nova agress\u00e3o do imperialismo, \u00e9 necess\u00e1rio que fique claro que isso <strong>n\u00e3o significa<\/strong>, nem por um momento, <strong>ser solid\u00e1rios ou conceder apoio pol\u00edtico para o Estado Isl\u00e2mico<\/strong>, uma organiza\u00e7\u00e3o que, como j\u00e1 explicamos em outras ocasi\u00f5es, <strong>nada tem de progressivo<\/strong><a href=\"#n2\"><sup>2<\/sup><\/a><strong>.<\/strong><\/p>\n<p>O EI n\u00e3o pode ser comparado, por exemplo, com a resist\u00eancia popular armada do povo iraquiano contra os invasores norte-americanos entre 2003 e 2011.<\/p>\n<p><strong>Trata-se de uma organiza\u00e7\u00e3o burguesa, com um programa ditatorial-teocr\u00e1tico extremamente reacion\u00e1rio<\/strong>, que no \u00faltimo ano e meio, colocou em marcha um projeto de conquista de uma determinada faixa de territ\u00f3rio \u2014 que inclui partes da S\u00edria e do Iraque\u2014, <strong>com o \u00fanico prop\u00f3sito de controlar as reservas de petr\u00f3leo desses pa\u00edses e fazer neg\u00f3cios tanto com o regime de Al Assad, como com as multinacionais petroleiras.<\/strong> Estima-se que os ganhos do EI com a venda de petr\u00f3leo bruto sejam superiores a um milh\u00e3o de d\u00f3lares por dia. Este \u00e9 verdadeiro o objetivo por tr\u00e1s do \u201cCalifado isl\u00e2mico\u201d rec\u00e9m-proclamado.<\/p>\n<p>Na guerra civil s\u00edria, o EI tem um papel claramente contrarrevolucion\u00e1rio, empenhando-se em combater os rebeldes que lutam contra o regime de Damasco e arrematando os territ\u00f3rios que a revolu\u00e7\u00e3o havia conseguido libertar do controle do governo s\u00edrio, ou seja, atua como \u201cquinta coluna\u201d da ditadura genocida de Al Assad.<\/p>\n<p>Em todos os territ\u00f3rios que controla, atualmente compreendidos no novo \u201cCalifado\u201d, o EI estabeleceu uma ditadura teocr\u00e1tica terr\u00edvel, impondo \u00e0s popula\u00e7\u00f5es locais o mais completo terror, atrav\u00e9s de, entre outras atrocidades, execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias (decapita\u00e7\u00f5es, crucifica\u00e7\u00f5es), \u201cimpostos\u201d sobre as minorias religiosas para que possam permanecer em suas comunidades, al\u00e9m da abla\u00e7\u00e3o (mutila\u00e7\u00e3o genital feminina), casamentos for\u00e7ados para milhares de meninas e mulheres, e, como vimos, os enterros de pessoas vivas.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por outra raz\u00e3o que, diante do avan\u00e7o das mil\u00edcias do EI, ao menos 600 mil pessoas fugiram da regi\u00e3o noroeste do Iraque. S\u00f3 na \u00faltima semana, cerca de 100 mil crist\u00e3os fugiram de Qaraqosh, a principal cidade associada ao cristianismo, depois de sua captura pelo EI. <em>\u201cExiste um parque em Mosul onde o EI est\u00e1 decapitando crian\u00e7as sistematicamente e expondo as suas cabe\u00e7as sobre peda\u00e7os de pau. Cada vez mais crian\u00e7as est\u00e3o sendo decapitadas; as m\u00e3es s\u00e3o violadas &nbsp;e assassinadas. Os pais s\u00e3o enforcados\u201d<\/em>, denunciou Mark Arabo, l\u00edder crist\u00e3o, \u00e0 CNN<a href=\"#n3\"><sup>3<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>N\u00f3s, socialistas revolucion\u00e1rios, ao mesmo tempo em que repudiamos a interven\u00e7\u00e3o imperialista, devemos nos contrapor ao avan\u00e7o do EI e aos m\u00e9todos terr\u00edveis que ele usa para atacar a popula\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios conquistados.<\/p>\n<p><strong>Defender o territ\u00f3rio curdo! Armas para o Curdist\u00e3o iraquiano!<\/strong><\/p>\n<p>Como dissemos acima, no meio de essas disputas interburguesas, a \u00fanica luta justa \u00e9 a reivindica\u00e7\u00e3o do direito de autodetermina\u00e7\u00e3o nacional (independ\u00eancia e cria\u00e7\u00e3o de seu pr\u00f3prio Estado) de toda a na\u00e7\u00e3o curda, que atualmente est\u00e1 dispersa em \u00e1reas que correspondem \u00e0 Turquia, Iraque, Ir\u00e3o e S\u00edria.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o Curdist\u00e3o iraquiano est\u00e1 defendendo seu territ\u00f3rio contra a ofensiva criminosa do EI. Os curdos da S\u00edria tamb\u00e9m defendem as suas cidades das mil\u00edcias do novo \u201cCalifado\u201d. Centenas de curdos da Turquia cruzaram a fronteira para se juntar \u00e0 luta dos curdos iraquianos. A luta contra o EI unificou quase todos os curdos. \u00c9 imperativo manifestar solidariedade com essa luta justa e exigir de todos os governos o envio imediato de armas pesadas e a abertura de todas as fronteiras, para garantir a livre passagem de volunt\u00e1rios para a luta contra as hordas terr\u00edveis do EI.<\/p>\n<p>No quadro dessa frente militar, devemos lutar contra a posi\u00e7\u00e3o submissa dos l\u00edderes do Curdist\u00e3o iraquiano diante do imperialismo, que hesitam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o nacional de toda a na\u00e7\u00e3o curda, o que limita as suas t\u00edmidas exig\u00eancias nacionais ao territ\u00f3rio iraquiano atual e permitem a eles \u201cesquecer\u201d os curdos espalhados em outros pa\u00edses.<\/p>\n<p><strong>Fora o imperialismo do Iraque! Por uma sa\u00edda independente! Contra o Estado Isl\u00e2mico e contra o governo iraquiano!<\/strong><\/p>\n<p>O povo iraquiano deve lutar com todas as suas for\u00e7as para derrotar esta nova agress\u00e3o dos bandidos imperialistas, como fez na \u00faltima d\u00e9cada. Para realizar esta tarefa anti-imperialista e democr\u00e1tica de primeira ordem, \u00e9 necess\u00e1ria a mais ampla unidade de a\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, a classe trabalhadora e o povo devem preservar a mais completa independ\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>No confronto militar existente entre o Estado do Iraque (agora comandado por Al Abadi) e o Estado Isl\u00e2mico, as classes exploradas n\u00e3o t\u00eam nada a ganhar. <strong>Nem o governo iraquiano nem o EI podem receber dos trabalhadores qualquer tipo de apoio pol\u00edtico e militar.<\/strong> O que estamos a testemunhar \u00e9 uma luta de ladr\u00f5es capitalistas pelo controlo do petr\u00f3leo, sempre no quadro de serem \u201cs\u00f3cios minorit\u00e1rios\u201d das multinacionais imperialistas. \u00c9 tamb\u00e9m uma luta entre os promotores de regimes desp\u00f3ticos e sect\u00e1rios, que, em maior ou menor grau, negam quaisquer liberdades democr\u00e1ticas ao povo trabalhador iraquiano e procuram dividi-lo a partir de suas diferen\u00e7as religiosas. Por isso, apoiamos a posi\u00e7\u00e3o de sectores oper\u00e1rios, com base na regi\u00e3o sul de maioria xiita, como no caso da Federa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores e Sindicatos (FWCUI), que se op\u00f5em ao EI, mas lutam contra o seu pr\u00f3prio governo, alertando ainda para a armadilha das convoca\u00e7\u00f5es sect\u00e1rias feitas pelos governantes (apoiados pelo aiatola Sistani e o Ir\u00e3o) que visam colocar os xiitas contra sunitas.<\/p>\n<p>Por isso \u00e9 essencial opor a essas for\u00e7as reacion\u00e1rias uma sa\u00edda oper\u00e1ria e independente, e combater tanto o EI, que instaura o terror com sua feroz ditadura \u201creligiosa\u201d no chamado \u201cCalifado isl\u00e2mico\u201d, quanto o governo iraquiano repressor.<\/p>\n<p>Neste marco, a luta contra o imperialismo e contra todas as fac\u00e7\u00f5es burguesas, para ser completamente vitoriosa, deve estar ligada \u00e0 luta por um governo oper\u00e1rio, campon\u00eas e popular, assentado nas organiza\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas constru\u00eddas pelo pr\u00f3prio povo iraquiano, e que possa come\u00e7ar a edificar o socialismo no Iraque e em toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Secretariado Internacional \u2013 <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/litci.org\/pt\/\" rel=\"noopener\">LIT-QI<\/a><\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em> <\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>16 de agosto de 2014<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong><em><br \/><\/em><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>Notas:<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><a name=\"n1\"><\/a>1. E.I. ou EI, anteriormente chamado de \u201cEstado Isl\u00e2mico do Iraque e do Levante\u201d.<\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><a name=\"n2\"><\/a>2. <a href=\"http:\/\/www.litci.org\/index.php\/lit-ci-y-partidos\/publicaciones\/correo-internacional\/item\/393-sobre-la-situacion-en-irak#.U-ppPuNdVKk\">http:\/\/www.litci.org\/index.php\/lit-ci-y-partidos\/publicaciones\/correo-internacional\/item\/393-sobre-la-situacion-en-irak#.U-ppPuNdVKk<\/a><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><a name=\"n3\"><\/a>3. <a href=\"http:\/\/www.el-nacional.com\/sociedad\/iglesia\/Lideres-Cristianos-denuncian-masacre-Irak_0_462553801.html\">http:\/\/www.el-nacional.com\/sociedad\/iglesia\/Lideres-Cristianos-denuncian-masacre-Irak_0_462553801.html<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Declara\u00e7\u00e3o da Liga Internacional dos Trabalhadores Quase dois meses ap\u00f3s o in\u00edcio da ofensiva militar do Estado Isl\u00e2mico1 (EI), lan\u00e7ada a partir dos territ\u00f3rios que controla actualmente na S\u00edria, em dire\u00e7\u00e3o ao noroeste do Iraque e rumo a Bagdad, o presidente norte-americano, Barack Obama, decidiu realizar \u201cataques a\u00e9reos limitados\u201d contra as posi\u00e7\u00f5es do EI para \u201cproteger os interesses norte-americanos\u201d e \u201cimpedir o genoc\u00eddio\u201d contra dezenas de milhares de crist\u00e3os e membros da comunidade Yazidi, que desde a semana passada est\u00e3o sitiados no Monte Sinjar, onde se refugiaram diante das amea\u00e7as do EI. 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