{"id":1626,"date":"2014-06-08T16:50:23","date_gmt":"2014-06-08T15:50:23","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2014\/06\/08\/espanha-a-nova-situacao-aberta-apos-as-eleicoes-europeias\/"},"modified":"2014-06-08T16:50:23","modified_gmt":"2014-06-08T15:50:23","slug":"espanha-a-nova-situacao-aberta-apos-as-eleicoes-europeias","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2014\/06\/08\/espanha-a-nova-situacao-aberta-apos-as-eleicoes-europeias\/","title":{"rendered":"Espanha: a nova situa\u00e7\u00e3o aberta ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es europeias"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"clear: both;\"><strong>PP e PSOE, os grandes partidos do regime, golpeados gravemente<\/strong><\/p>\n<p>No quadro de uma grande absten\u00e7\u00e3o (que alcan\u00e7ou os 54% dos eleitores e n\u00e3o foi maior pelo aumento na Catalunha, devido ao processo soberanista), os resultados das elei\u00e7\u00f5es europeias [no Estado Espanhol] foram, em primeiro lugar, um tremendo golpe nos dois grandes partidos do regime, o PP e o PSOE perderam entre os dois 5,15 milh\u00f5es de votos e passaram de 81% para 49,87%, ficando por debaixo, pela primeira vez, dos simb\u00f3licos 50%. O bipartidarismo vigente desde a Transi\u00e7\u00e3o e um dos pilares do regime de 1978 ficou gravemente tocado.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>O PP foi golpeado durissimamente, perdendo 2,6 milh\u00f5es de votos e 16 pontos percentuais (de 42 a 26%). As maiores perdas deram nos seus principais feudos, Madrid e Val\u00eancia, onde as maiorias absolutas passaram \u00e0 hist\u00f3ria, e a isto h\u00e1 que acrescentar o desastre que sofreu na Catalunha. Rajoy quis dar volta ao texto dizendo que &#8220;o PP ganhou as elei\u00e7\u00f5es&#8221;, argumentando que teve mais votos que o PSOE. \u00c9 um miser\u00e1vel consolo frente a um PSOE afundado e quando a vota\u00e7\u00e3o do PP alcan\u00e7ou apenas 11,4% do conjunto do eleitorado. O resultado deixa o Governo no pelourinho, com uma legitimidade completamente pelo ch\u00e3o.<\/p>\n<p>A bancarrota do PSOE \u00e9, se poss\u00edvel, maior que a do PP. Al\u00e9m de ter sido incapaz de recuperar-se frente a um PP enormemente desacreditado depois de dois anos e meio de governa\u00e7\u00e3o selvagem, afundou-se ainda mais, obtendo os seus piores resultados desde a Transi\u00e7\u00e3o. Perdeu mais de 2,5 milh\u00f5es de votos e 16 pontos percentuais. S\u00f3 em Madrid baixou 400 mil votos. Na Catalunha afundou-se literalmente, ficando pelos 14%. O mesmo ocorreu no Pa\u00eds Basco, com o caso concreto de Navarra, onde ficou atr\u00e1s de EH-Bildu.<\/p>\n<p>O eixo da campanha do PSOE era diferenciar-se do PP (&#8220;n\u00e3o somos o mesmo&#8221;), mas s\u00e3o j\u00e1 muitos anos de experi\u00eancia para que a popula\u00e7\u00e3o d\u00ea cr\u00e9dito a slognas como este, que s\u00f3 duram o tempo da campanha eleitoral. A demiss\u00e3o de Rubalcaba deu origem a uma digest\u00e3o penosa da crise, de resultados incertos. Em qualquer dos casos, o velho e poderoso PSOE jamais voltar\u00e1.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Uma viragem \u00e0 esquerda marcada pelo fen\u00f3meno do PODEMOS<\/strong><\/p>\n<p>A revela\u00e7\u00e3o e, sem d\u00favida, o dado mais espectacular das elei\u00e7\u00f5es foi o ascenso do PODEMOS, a plataforma que encabe\u00e7ava Pablo Iglesias e que se converteu num fen\u00f3meno eleitoral. Formada faz quatro meses e com uma estrutura organizativa muito d\u00e9bil nos territ\u00f3rios, conseguiu 1.240.000 votos (quase 8%) e 5 deputados, ficando a apenas dois pontos e um deputado da Izquierda Plural (a candidatura hegemonizada pela Izquierda Unida &#8211; IU). Em lugares como Madrid, Arag\u00e3o, Ast\u00farias, Ilhas Baleares e Cant\u00e1bria, superou aquela e foi a terceira for\u00e7a.<\/p>\n<p>Ainda que o seu programa pouco ou nada se diferencia da IU, PODEMOS apareceu como a express\u00e3o pol\u00edtica do 15M e como uma candidatura de ruptura enfrentada ao regime e seus partidos (&#8220;n\u00e3o nos representam&#8221;). Apoiado na figurada medi\u00e1tica de Pablo Iglesias, numa campanha baseada em slogans gerais, um amplo eco medi\u00e1tico em algumas cadeias de televis\u00e3o e uma forte presen\u00e7a nas redes sociais, PODEMOS arrastou a base social dos &#8220;indignados&#8221;, muitos jovens e sectores de trabalhadores em ruptura com o PSOE. Ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es, a campanha contra PODEMOS por parte do PP e personagens como Felipe Gonz\u00e1lez est\u00e1 a contribuindo para fortalec\u00ea-lo mais. Agora abre-se um per\u00edodo em que o PODEMOS dever\u00e1 definir-se ante os problemas pol\u00edticos e econ\u00f3micos mais candentes, fixar a sua pol\u00edtica de alian\u00e7as e configurar a sua organiza\u00e7\u00e3o interna.<\/p>\n<p>A IU atrav\u00e9s da Izquierda Plural conseguiu um importante avan\u00e7o. Ganhando quase um milh\u00e3o de votos, 6 deputados e 10% da vota\u00e7\u00e3o. Representantes da IU declararam, no entanto, que n\u00e3o est\u00e3o satisfeitos com o resultado, que ficou abaixo das suas expectativas. Isto, junto com a apari\u00e7\u00e3o do PODEMOS, parece apontar aos limites eleitorais da IU, uma for\u00e7a pol\u00edtica cuja aspira\u00e7\u00e3o \u00e9 repetir, em escala ampliada, a sua alian\u00e7a andaluza de governo com o PSOE. A consci\u00eancia dos seus limites eleitorais da IU e suas rela\u00e7\u00f5es com o PODEMOS est\u00e3o chamadas a provocar importantes tens\u00f5es internas no seu seio.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Fortalecem-se os processos soberanistas na Catalunha e Pa\u00eds Basco.<\/strong><\/p>\n<p>O not\u00e1vel incremento da participa\u00e7\u00e3o na Catalunha em rela\u00e7\u00e3o a anteriores elei\u00e7\u00f5es europeias (mais 10%) foi a consequ\u00eancia directa do processo independentista e veio acompanhado pela grande vit\u00f3ria eleitoral da ERC (Esquerda Republicana Catal\u00e3), que superou a CiU (Converg\u00eancia e Uni\u00e3o) pela primeira vez desde a Transi\u00e7\u00e3o, convertendo-se, com 600 mil votos (24%), na primeira for\u00e7a pol\u00edtica catal\u00e3. O \u00eaxito da ERC \u00e9 o resultado, antes de tudo, da radicaliza\u00e7\u00e3o do movimento soberanista catal\u00e3o, perante o qual apresenta-se como garantia de que o movimento seguir\u00e1 para a frente. \u00c9, ao mesmo tempo, mais combust\u00edvel que se atira para a radicaliza\u00e7\u00e3o soberanista, que tem uma data chave na pr\u00f3xima Diada [Dia Nacional da Catalunha] e, mais ainda, a 9 de Novembro, a data prevista para o referendo que o Governo proibir\u00e1.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m vimos no Pa\u00eds Basco como EH-Bildu superou, pela primeira vez, ao PNV, ultrapassando-o em Araba e Guip\u00fascoa e, o que dizer, em Navarra, onde EH-Bildu converteu-se na segunda for\u00e7a, com 20% dos votos. O triunfo das for\u00e7as bascas, a grave derrota paralela sofrida pelo PSOE e PP e o processo catal\u00e3o alimentam um ressurgimento com for\u00e7a do movimento nacionalista basco.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>A nossa candidatura [da Corriente Roja]<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto a nossa candidatura, como nos apresent\u00e1mos pela primera vez a elei\u00e7\u00f5es, queremos em primeiro lugar agradecer a todos os companheiros e companheiras que nos ajudaram a desenvolver a campanha eleitoral. Queremos dizer tamb\u00e9m que nos sentimos muito orgulhosos da presen\u00e7a de lutadores da clase trabalhadora e da juventude que integraram a lista e que representavam v\u00e1rias das lutas mais importantes dos \u00faltimos tempos (UPS, limpeza de rua em Madrid, Corralas sevilhanas, mineiros, trabalhadores dos munic\u00edpios do Pinto e Alcorc\u00f3n, estudantes&#8230;).<\/p>\n<p>A campanha serviu-nos para difundir a luta e solidariedade com os companheiros\/as da Panrico e para fazer chegar a um sector de trabalhadores e jovens uma alternativa de luta e classe, que defende a ruptura com a UR e o Euro, e uma Europa dos Trabalhadores e dos Povos. Apreciamos em todo o seu valor os votos obtidos (5.084) e reconhecemos, ao mesmo tempo, que n\u00e3o foram um bom resultado e esteve, sem d\u00favida, condicionado pelo fen\u00f3meno eleitoral do PODEMOS, que actuou como um aut\u00eantico aspirador do voto cr\u00edtico \u00e0 esquerda da IU.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Que Rajoy se v\u00e1 embora! Elei\u00e7\u00f5es antecipadas j\u00e1!<\/strong><\/p>\n<p>O rep\u00fadio instintivo \u00e0 UE e aos partidos do regime que se transluz na absten\u00e7\u00e3o mas, sobretudo, a combina\u00e7\u00e3o entre a descomunal pancada recebida pelo PP e PSOE, e ascenso dos votos da Izquierda Plural e do PODEMOS, assim como, a outro n\u00edvel, da EH-Bildu e da ERC, mostram uma clara viragem \u00e0 esquerda, deixam o Governo a intemp\u00e9rie e d\u00e3o um empurr\u00e3o aos movimentos soberanistas na Catalunha e no Pa\u00eds Basco.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es, a exig\u00eancia de que o governo Rajoy, carente de toda a legitimidade, se v\u00e1 embora e se convoquem elei\u00e7\u00f5es antecipadas \u00e9 algo generalizado. N\u00e3o pode ser que continuem mais um dia que seja, atacando os nossos direitos mais elementares. H\u00e1 uma forte press\u00e3o social a favor da unidade para correr com o PP e por fim ao bipartidarismo. O pr\u00f3prio Cayo Lara chamou claramente \u00e0 demiss\u00e3o do Governo. Mas trata-se de que esta exig\u00eancia n\u00e3o se fique apenas por palavras antes que se expresse, e com for\u00e7a, nas ruas. Trata-se de impulsionar uma mobiliza\u00e7\u00e3o social unit\u00e1ria e imediata que, dando continuidade \u00e0s grandes mobiliza\u00e7\u00f5es da Marche pela Dignidade e ao rep\u00fadio mostrado nas elei\u00e7\u00f5es, ponha o centro a exig\u00eancia da demiss\u00e3o do governo e a convocat\u00f3ria de elei\u00e7\u00f5es antecipadas. Uma mobiliza\u00e7\u00e3o que, se o Governo n\u00e3o cede, deve encaminhar-se para a prepara\u00e7\u00e3o de uma greve geral.<\/p>\n<p>No que toca \u00e0 crescente exig\u00eancia de se fazer um acordo eleitoral da esquerda para correr com o PP, n\u00f3s Corriente Roja queremos dizer duas coisas: a primeira, que estamos dispostos a ajudar, na medida das nossas for\u00e7as e, a segunda, que para que um acordo assim seja \u00fatil deve apoiar-se num programa m\u00ednimo comum que, entre outros, recolha estes tr\u00eas pontos b\u00e1sicos: a auditoria e suspens\u00e3o do pagamento da d\u00edvida, a revoga\u00e7\u00e3o da reforma laboral e o direito dos povos a decidir, reivindica\u00e7\u00e3o que vai estar com m\u00e1xima actualidade pela consultada que reclama uma ampla maioria de catal\u00e3es.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>A extrema-direita europeia capitaliza o descontentamento, o Estado espanhol e a Gr\u00e9cia viram \u00e0 esquerda e o projecto imperialista da UE recebe um forte golpe<\/strong><\/p>\n<p>A viragem \u00e0 esquerda no Estado espanhol e a acentua\u00e7\u00e3o da crise do regime de 78 integram-se nuns resultados europeus complexos e com importantes desigualdades entre os diferentes pa\u00edses, mas com tra\u00e7os comuns. No meio de uma grande absten\u00e7\u00e3o (que no leste europeu foi espectacular, chegando inclusive aos 80%) vimos uma polariza\u00e7\u00e3o cujos extremos foram, de um lado, o triunfo da extrema-direita da Frente Nacional de Marine Le Pen (que conseguiu 25% \u00e0 base de grandes doses de demagogia social e chauvinismo) e, no outro p\u00f3lo, o do Syriza (25,57%) na Gr\u00e9cia: num lado uma extem-direita nacional-imperialista e xen\u00f3foba e noutro um partido de esquerda que pense que pode tirar a Gr\u00e9cia da ru\u00edna social sem repudiar a d\u00edvida, e dentro da UE e do Euro.<\/p>\n<p>Com excep\u00e7\u00f5es como a Alemanha e It\u00e1lia, os diferentes governos foram severamente castigados e em alguns casos, como o franc\u00eas, com encarni\u00e7amento. O voto contra a austeridade, a UE e o Euro, foi em geral capitalizado pela extrema-direita nacionalista e por for\u00e7as populistas como Grillo em It\u00e1lia, com as excep\u00e7\u00f5es mencionadas da Gr\u00e9cia e do Estado espanhol. Tamb\u00e9m h\u00e1 que notar que, junto \u00e0 extrema-direita nacionalista. Vimos a entrada, ainda que minorit\u00e1ria, de partidos directamente fascistas, como Aurora Dourada na Gr\u00e9cia ou Jobbik na Hungria.<\/p>\n<p>Estes dados acentuam a instabilidade pol\u00edtica na Europa e trazem importantes elementos de crise ao projecto europe\u00edsta do grande capital europeu. O crescimento de sectores burgueses de extrema-direita que chamam a sair da UE como o UKIP brit\u00e2nico e, sobretudo, que uns 25% dos franceses, \u00e0 volta de Marine Le Pen, reclamem a sa\u00edda da Fran\u00e7a do Euro e da UR s\u00e3o factos de grande transcend\u00eancia pois, n\u00e3o em v\u00e3o, n\u00e3o pode haver UE sem Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas se alguma coisa fica claro \u00e9 a necessidade de se levantar uma alternativa internacionalista a partir da classe oper\u00e1ria europeia para unir as for\u00e7as dos trabalhadores e dos povo do continente contra o ajuste estrutural da UE, acabar com esta m\u00e1quina de guerra do capital financeiro que \u00e9 a UR e abrir o caminho a uma Europa Socialista dos Trabalhadores e dos Povos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/corrienteroja.net\/index.php?option=com_k2&#038;view=item&#038;id=1388;ante-las-elecciones-europeas-y-la-nueva-situaci%C3%B3n-abierta&#038;Itemid=181\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">Escrito por Corriente Roja partido irm\u00e3o do MAS no Estado espanhol<\/span><\/strong><\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PP e PSOE, os grandes partidos do regime, golpeados gravemente No quadro de uma grande absten\u00e7\u00e3o (que alcan\u00e7ou os 54% dos eleitores e n\u00e3o foi maior pelo aumento na Catalunha, devido ao processo soberanista), os resultados das elei\u00e7\u00f5es europeias [no Estado Espanhol] foram, em primeiro lugar, um tremendo golpe nos dois grandes partidos do regime, o PP e o PSOE perderam entre os dois 5,15 milh\u00f5es de votos e passaram de 81% para 49,87%, ficando por debaixo, pela primeira vez, dos simb\u00f3licos 50%. 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