{"id":1493,"date":"2014-03-08T12:36:18","date_gmt":"2014-03-08T11:36:18","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2014\/03\/08\/tres-anos-apos-a-entrada-da-troika-qual-e-a-situacao-das-mulheres-em-portugal\/"},"modified":"2014-03-08T12:36:18","modified_gmt":"2014-03-08T11:36:18","slug":"tres-anos-apos-a-entrada-da-troika-qual-e-a-situacao-das-mulheres-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2014\/03\/08\/tres-anos-apos-a-entrada-da-troika-qual-e-a-situacao-das-mulheres-em-portugal\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas anos ap\u00f3s a entrada da troika, qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o das mulheres em Portugal?"},"content":{"rendered":"<p>Em maio deste ano a troika deixar\u00e1 Portugal (mas, j\u00e1 estamos avisados, a austeridade \u00e9 para continuar) ap\u00f3s tr\u00eas anos de aut\u00eantica ocupa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds por parte das institui\u00e7\u00f5es mais importantes do capital internacional, com a cumplicidade total dum governo entreguista e subserviente.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Todos os aspetos da vida econ\u00f3mica e pol\u00edtica t\u00eam sido ditados pelos senhores do FMI e da Uni\u00e3o Europeia (UE) que, de tr\u00eas em tr\u00eas meses, se sentam \u00e0 mesa com o governo de Passos &amp; Portas e ditam as condi\u00e7\u00f5es de liberta\u00e7\u00e3o de cada tranche do empr\u00e9stimo de 78 milh\u00f5es com que, em maio de 2011, os partidos do centr\u00e3o (n\u00e3o esquecer as responsabilidades do PS no crime) entregaram a classe trabalhadora portuguesa aos criminosos: banqueiros, credores e especuladores da d\u00edvida e os capitalistas que beneficiaram dos favores do Estado.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias desta pol\u00edtica s\u00e3o bem conhecidas e s\u00e3o vividas diariamente pelos trabalhadores, pensionistas e jovens. <strong>Para as mulheres trabalhadoras, a austeridade est\u00e1 a impor uma regress\u00e3o econ\u00f3mica e social nunca vista<\/strong>. A este prop\u00f3sito \u00e9 um insuspeito subsecret\u00e1rio da ONU, John Hendra, que afirma: <em>\u201cN\u00e3o h\u00e1 nenhuma d\u00favida de que os mais pobres e vulner\u00e1veis, cuja maioria \u00e9 de mulheres, s\u00e3o os mais afetados pela austeridade. E isto ocorre tanto em pa\u00edses em desenvolvimento como nos industrializados.\u201d<\/em> <a href=\"#a1\"><sup><strong>1<\/strong><\/sup><\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>A troika s\u00f3 trouxe desigualdade<\/strong><\/p>\n<p>Um estudo da CGTP de 23 e 24 de Janeiro<a href=\"#a2\"><sup><strong>2<\/strong><\/sup><\/a> revela que as mulheres portuguesas s\u00e3o a maioria:<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p>dos     desempregados de longa dura\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>dos     contratados n\u00e3o permanentes;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>dos     trabalhadores a tempo parcial;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>dos     que recebem o sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>dos     que recebem Rendimento Social de Inser\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>dos     afectados por doen\u00e7as profissionais;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>dos     que exercem um maior n\u00famero de horas de trabalho n\u00e3o remunerado.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Estes factos est\u00e3o indubitavelmente ligados aos <em>\u201ctempos de recuo, de retrocesso hist\u00f3rico e civilizacional <\/em>(que) <em>hoje vivemos\u201d<\/em> <strong><a href=\"#a2\"><sup>2<\/sup><\/a>,<\/strong> como resultado direto da implementa\u00e7\u00e3o das medidas de austeridade. Por exemplo, Portugal \u00e9 o pa\u00eds da UE onde as desigualdades salariais entre homem e mulher mais se agravaram no \u00faltimo ano,  <strong>sendo necess\u00e1rio<\/strong> <strong>que a mulher trabalhe em m\u00e9dia 57 dias de gra\u00e7a para conseguir igualizar o sal\u00e1rio do seu companheiro masculino<\/strong>. <em>\u201cEm 2008 a desigualdade salarial era de 9%, hoje \u00e9 de 15,7%. Portugal \u00e9 o pa\u00eds da UE que regista a maior subida.\u201d<\/em> <a href=\"#a3\"><sup><strong>3<\/strong><\/sup><\/a> Tanto Espanha com a Irlanda mostram tamb\u00e9m um agravamento das desigualdades, o que s\u00f3 comprova que \u00e9 nos pa\u00edses onde est\u00e3o a ser aplicadas pol\u00edticas de austeridade que se registam os maiores ataques  \u00e0s mulheres trabalhadoras.<\/p>\n<p>A taxa de desemprego no nosso pa\u00eds tamb\u00e9m \u00e9 maior nas mulheres que nos homens, particularmente <strong>entre as mulheres jovens (15-24 anos) onde \u00e9 superior a 40%, <\/strong>em compara\u00e7\u00e3o com 37% nos homens da mesma faixa et\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\" align=\"LEFT\">\u00a0<\/p>\n<p><strong>Ofensiva contra as fam\u00edlias trabalhadoras <\/strong><\/p>\n<p>Vistas socialmente como as principais respons\u00e1veis pelas tarefas dom\u00e9sticas e pelos cuidados com os familiares dependentes, a maioria das mulheres portuguesas continua a ser onerada com a dupla jornada de trabalho. Tamb\u00e9m aqui a austeridade piorou brutalmente as condi\u00e7\u00f5es de vida das fam\u00edlias trabalhadoras. Um exemplo gritante (e chocante) \u00e9 o de que <strong>meio milh\u00e3o de crian\u00e7as perderam, em tr\u00eas anos, o direito ao abono de fam\u00edlia<\/strong> (n\u00fameros<strong> <\/strong>de 2009 a 2012, o que p\u00f5e a responsabilidade no atual governo mas tamb\u00e9m no \u00faltimo governo S\u00f3crates, o mesmo que abriu a porta \u00e0 troika). O estudo da CGTP j\u00e1 citado declara que o risco de pobreza no pa\u00eds se agravou, <em>\u201cparticularmente para as fam\u00edlias com crian\u00e7as\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 as m\u00e3es com filhos pequenos que sofrem cortes de toda a esp\u00e9cie \u2013 em sal\u00e1rio e em apoios sociais \u2013 no seu rendimento. Doutra maneira sofrem as m\u00e3es de filhos adultos, j\u00e1 que, devido ao aumento do desemprego na juventude, <em>\u201ccerca de 60% dos jovens portugueses entre os 18 e os 34 anos vive em casa dos pais, sendo Portugal o 5\u00ba pa\u00eds com a percentagem mais elevada da UE\u201d<\/em> <a href=\"#a2\"><sup><strong>2<\/strong><\/sup><\/a>. Sabendo-se que existe hoje no pa\u00eds uma grande percentagem de fam\u00edlias monoparentais em que foi a m\u00e3e a assumir o encargo dos filhos, \u00e9 sobre elas que inevitavelmente recai o \u00f3nus dos jovens adultos que, sem trabalho nem qualquer possibilidade de independ\u00eancia financeira, ou permanecem ou regressam \u00e0 \u201ccasa materna\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>As mulheres nas frentes de luta<\/strong><\/p>\n<p>Apesar dos retrocessos e dos ataques do governo da troika, as mulheres portuguesas t\u00eam estado em todas as frentes de luta e mobiliza\u00e7\u00e3o contra a austeridade e quem a aplica. Elas s\u00e3o 53% das novas sindicaliza\u00e7\u00f5es na CGTP e 62% dos novos delegados sindicais. <strong>Em setores de trabalho predominantemente femininos t\u00eam-se mobilizado em massa e inclusive imposto recuos ao governo <\/strong>(como no ensino e nos enfermeiros). Ao lado dos seus colegas homens fazem greves e participam em protestos e manifesta\u00e7\u00f5es. Por mais que queiram faz\u00ea-las regressar \u201cao lar\u201d e desmoraliz\u00e1-las, elas est\u00e3o a\u00ed para combater.<\/p>\n<p>As mulheres j\u00e1 n\u00e3o se identificam com as teorias que diziam que bastava dar-lhes \u201cpoder\u201d para que a opress\u00e3o machista e discriminat\u00f3ria acabasse. Afinal, a presidente da nossa Assembleia da Rep\u00fablica \u00e9 uma mulher\u2026 h\u00e1 ministras mulheres, e at\u00e9 a diretora-geral do FMI \u00e9 uma mulher! Em que \u00e9 que isso muda a situa\u00e7\u00e3o das mulheres trabalhadoras em Portugal e no mundo? Nada! Essas senhoras servem a classe burguesa donde v\u00eam e perpetuam os seus interesses. S\u00f3 a classe trabalhadora unida, homens e mulheres, pode p\u00f4r fim \u00e0 explora\u00e7\u00e3o e \u00e0 opress\u00e3o capitalistas e construir uma nova sociedade, com verdadeira igualdade.<\/p>\n<p>Neste 8 de Mar\u00e7o dizemos, como Alexandra Kollontai em 1913: <em>\u201cDeixai que um alegre sentimento de servir a causa comum da classe trabalhadora e de lutar simultaneamente pela emancipa\u00e7\u00e3o feminina inspire as trabalhadoras a unirem-se na celebra\u00e7\u00e3o do Dia da Mulher\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><em><span style=\"font-size: 10pt;\">Ana Paula Amaral<\/span><\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em><span style=\"font-size: 10pt;\"><br \/><\/span><\/em><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>Notas:<\/em><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"><em> <\/em><\/span><\/p>\n<ol><span style=\"font-size: 10pt;\"><em> <\/em><\/span> <\/p>\n<li>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><a name=\"a1\"><\/a>Entrevista \u00e0 revista Di\u00e1logos do Sul em 12 de junho 2013<\/em><\/span><\/p>\n<\/li>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"><em> <\/em><\/span> <\/p>\n<li>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><a name=\"a2\"><\/a>\u201cEles e elas no emprego e no trabalho, quest\u00f5es de justi\u00e7a e de sa\u00fade\u201d \u2013 estudo de F\u00e1tima Messias apresentado no semin\u00e1rio internacional da CGTP no Porto, 23 e 24 de janeiro 2014<\/em><\/span><\/p>\n<\/li>\n<p> <span style=\"font-size: 10pt;\"><em> <\/em><\/span> <\/p>\n<li><span style=\"font-size: 10pt;\"><em> <\/em><\/span>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><a name=\"a3\"><\/a>Antena 1, 28 de fevereiro 2014<\/em><\/span><\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em maio deste ano a troika deixar\u00e1 Portugal (mas, j\u00e1 estamos avisados, a austeridade \u00e9 para continuar) ap\u00f3s tr\u00eas anos de aut\u00eantica ocupa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds por parte das institui\u00e7\u00f5es mais importantes do capital internacional, com a cumplicidade total dum governo entreguista e subserviente.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":992,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[68],"tags":[],"class_list":["post-1493","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mulher"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/violenciamulher_25nov12.jpg?fit=350%2C262","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1493","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1493"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1493\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/992"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1493"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1493"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1493"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}