{"id":1421,"date":"2013-12-09T14:55:05","date_gmt":"2013-12-09T13:55:05","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2013\/12\/09\/acordo-irao-eua-um-pacto-contra-a-revolucao-no-norte-de-africa-e-medio-oriente\/"},"modified":"2013-12-09T14:55:05","modified_gmt":"2013-12-09T13:55:05","slug":"acordo-irao-eua-um-pacto-contra-a-revolucao-no-norte-de-africa-e-medio-oriente","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2013\/12\/09\/acordo-irao-eua-um-pacto-contra-a-revolucao-no-norte-de-africa-e-medio-oriente\/","title":{"rendered":"Acordo Ir\u00e3o-EUA: um pacto contra a revolu\u00e7\u00e3o no Norte de \u00c1frica e M\u00e9dio Oriente"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Declara\u00e7\u00e3o da <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.litci.org\/pt\/\" rel=\"noopener\">Liga Internacional dos Trabalhadores, Quarta Internacional (LIT-QI)<\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p>No domingo, 24\/11, um acordo v\u00e1lido por 6 meses foi assinado entre o Ir\u00e3o e o Grupo 5+1, constitu\u00eddo pelos cinco membros permanentes do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU (China, EUA, Fran\u00e7a, Reino Unido e R\u00fassia) mais a Alemanha, em Genebra, sobre o programa nuclear iraniano.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Pelo acordo, o Ir\u00e3o concorda em n\u00e3o enriquecer o ur\u00e2nio al\u00e9m de 5%, um n\u00edvel suficiente apenas para sua utiliza\u00e7\u00e3o em usinas nucleares de produ\u00e7\u00e3o de energia &#8211; quando o pr\u00f3prio Tratado de N\u00e3o-Prolifera\u00e7\u00e3o Nuclear garante o enriquecimento do ur\u00e2nio at\u00e9 20% &#8211; cujas provis\u00f5es actuais ser\u00e3o dilu\u00eddas ou convertidas em \u00f3xido, e o Ir\u00e3o n\u00e3o poder\u00e1 construir novas centrifugadoras (o artefacto utilizado para o enriquecimento de ur\u00e2nio) ou novas instala\u00e7\u00f5es nucleares. Al\u00e9m disso, o governo iraniano concordou em aceitar inspe\u00e7\u00f5es di\u00e1rias de t\u00e9cnicos da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica, \u00f3rg\u00e3o da ONU, nas suas instala\u00e7\u00f5es e a congelar a constru\u00e7\u00e3o de um reactor de produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pesada utilizado para a extra\u00e7\u00e3o de plut\u00f3nio nas proximidades de Arak.<\/p>\n<p>Em contrapartida, os Estados Unidos concordam em libertar US$ 6 a 7 mil milh\u00f5es, dos quais cerca de US$ 4 mil milh\u00f5es s\u00e3o provenientes da receita gerada pela venda de petr\u00f3leo e presos em bancos devido \u00e0s san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas aprovadas pela ONU contra o Ir\u00e3o. Trata-se de apenas uma pequena parte do dinheiro preso em bancos internacionais, avaliado em US$ 100 mil milh\u00f5es, al\u00e9m das san\u00e7\u00f5es permanecerem em vigor.<\/p>\n<p>As rea\u00e7\u00f5es ao acordo foram variadas. Os presidentes Obama dos EUA e Hassan Rouhani do Ir\u00e3o deram-se os bra\u00e7os. O primeiro afirmou que foi o mais significativo progresso diplom\u00e1tico do seu governo por garantir que o Ir\u00e3o \u201cn\u00e3o poder\u00e1 construir um armamento nuclear\u201d, enquanto Rouhani dizia que agora o mundo &#8220;reconhece os direitos nucleares&#8221; do pa\u00eds ao permitir a continuidade do enriquecimento de ur\u00e2nio. O aiatola Ali Khamenei, <em>L\u00edder Supremo<\/em> da na\u00e7\u00e3o, aben\u00e7oou o acordo, ressaltando ser este a base para o futuro progresso e que as preces da popula\u00e7\u00e3o contribu\u00edram para seu sucesso.<\/p>\n<p>Por outro lado, o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, descreveu o acordo como \u201cum erro de propor\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas\u201d e \u201cextremamente perigoso\u201d. A seu lado perfilavam-se, num primeiro momento, a Ar\u00e1bia Saudita e os pa\u00edses do Golfo P\u00e9rsico, o derrotado presidente franc\u00eas Fran\u00e7ois Hollande, que disse ser \u201csempre um amigo de Israel\u201d e setores republicanos e democratas do congresso norte-americano pertencentes ao \u201clobby\u201d israelita.<\/p>\n<p>Para a LIT-QI, o pano de fundo que obrigou a esta movimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 o processo revolucion\u00e1rio que vem convulsionando a regi\u00e3o desde o in\u00edcio de 2011. Ou seja, o objetivo deste acordo \u00e9 contra-revolucion\u00e1rio, visa estabilizar a regi\u00e3o pela derrota das revolu\u00e7\u00f5es no M\u00e9dio Oriente e no norte da \u00c1frica e \u00e9 um passo dado pelo regime iraniano no sentido da capitula\u00e7\u00e3o e da perda de sua soberania nacional ao abandonar mais um dos elementos de sua relativa independ\u00eancia pol\u00edtica &#8211; conquistados na revolu\u00e7\u00e3o de 1979 que derrubou o regime pr\u00f3-imperialista do X\u00e1 Reza Pahlevi.<\/p>\n<p>O imperialismo norte-americano consegue impedir o Ir\u00e3o de desenvolver tecnologia nuclear pr\u00f3pria \u2013 um direito democr\u00e1tico de qualquer pa\u00eds do mundo &#8211; para manter o monop\u00f3lio da amea\u00e7a nuclear nas suas pr\u00f3prias m\u00e3os e de aliados servis como Israel, justamente os pa\u00edses mais beligerantes do planeta. Os EUA foram o \u00fanico pa\u00eds que j\u00e1 utilizou armas nucleares, destruindo as cidades de Hiroshima e Nagasaki na Segunda Guerra Mundial. \u00c9 o pa\u00eds que tem, de longe, o maior dispositivo militar e nuclear do mundo e o que quer assegurar \u00e9 o monop\u00f3lio dessas armas para que possa continuar impondo o seu dom\u00ednio utilizando tamb\u00e9m a amea\u00e7a nuclear contra todos os que se atrevam a questionar a sua domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Queremos fazer esta reflex\u00e3o com todos os activistas que, devido \u00e0 repercuss\u00e3o favor\u00e1vel dada pela grande maioria da imprensa e dos governos, saudaram o acordo, pensando que era um passo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 paz e \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o dos conflitos no M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s desse acordo sobre a pol\u00edtica nuclear, h\u00e1 outra consequ\u00eancia directa: que os EUA conseguem estabelecer uma nova parceria para sua pol\u00edtica de derrotar o processo revolucion\u00e1rio na regi\u00e3o, cujo epicentro hoje \u00e9 a S\u00edria, pela via das negocia\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas. Desde o epis\u00f3dio da amea\u00e7a de interven\u00e7\u00e3o depois suspensa via a proposta da R\u00fassia, os EUA tratam de conseguir um f\u00f3rum que fa\u00e7a as distintas partes negociar e dar um fim \u00e0 guerra civil. Como \u201cpr\u00e9mio\u201d por ceder na quest\u00e3o nuclear e por sua disposi\u00e7\u00e3o a colaborar com essa pol\u00edtica, o Ir\u00e3o ter\u00e1 assento \u2013 ao lado da R\u00fassia \u2013 nas negocia\u00e7\u00f5es de janeiro organizadas pelos EUA cujo objetivo \u00e9 conseguir um acordo que estabilize o pa\u00eds. Para isso, est\u00e1 disposto a buscar uma solu\u00e7\u00e3o em que se mantenha o regime ditatorial na S\u00edria, ainda que se fa\u00e7a algumas mudan\u00e7as, com ou sem Assad.<\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>San\u00e7\u00f5es e o apoio a Assad levaram o Ir\u00e3o a uma grave situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica<\/strong><\/p>\n<p>Um dos pontos centrais do acordo foi o al\u00edvio das san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas impostas pela ONU ao Ir\u00e3o.&nbsp; Estas envolvem o congelamento das receitas depositadas em bancos estrangeiros, obtidas com a venda do petr\u00f3leo \u2013 o produto respons\u00e1vel por 80% das exporta\u00e7\u00f5es do Ir\u00e3o \u2013, a limita\u00e7\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o gradual do limite de exporta\u00e7\u00e3o, a proibi\u00e7\u00e3o de abertura de bancos iranianos no estrangeiro e a compra apenas de bens humanit\u00e1rios e de produtos n\u00e3o sancionados nos pa\u00edses onde o dinheiro est\u00e1 depositado. Entre os produtos sancionados est\u00e3o equipamentos para a ind\u00fastria nuclear, petroqu\u00edmica e do petr\u00f3leo e at\u00e9 pe\u00e7as para avi\u00f5es.<\/p>\n<p>O resultado de 3 anos de aplica\u00e7\u00e3o destas medidas, combinadas com a crise econ\u00f3mica mundial, \u00e9 a quase paralisia econ\u00f3mica do Ir\u00e3o. O pa\u00eds apresentou \u00edndices negativos de crescimento (PIB), segundo o FMI, em 2012 (-1,9%) &#8211; depois de uma queda de -5,9% em 2010 para -3% em 2011 \u2013 e uma previs\u00e3o de mais retra\u00e7\u00e3o em 2013, de -1,5%.<\/p>\n<p>A exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo caiu 45% no m\u00eas de outubro para 715 mil barris por dia e a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 a menor desde 1989, quando o pa\u00eds estava arrasado ap\u00f3s a guerra com o Iraque. A moeda local, o rial, perdeu 60% de seu valor desde 2010 e a infla\u00e7\u00e3o passou de 12,4% em 2010 para 30,4% em 2012 e mais de 40% no primeiro semestre de 2013. A infla\u00e7\u00e3o somada ao aumento do desemprego (12,2% em 2012 e 13,2% em 2013, segundo o FMI) geram um grande descontentamento na popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o apoio material a Assad agrava a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica. O financiamento iraniano \u00e0 interven\u00e7\u00e3o do Hezbollah e da mil\u00edcia xiita iraquiana Asaib Ahl al-Haq na S\u00edria j\u00e1 teria custado ao pa\u00eds cerca de US$ 9 mil milh\u00f5es, al\u00e9m do fornecimento de armas e especialistas militares, que sugam outros mil milh\u00f5es, e empr\u00e9stimos concedidos ao governo, como a ajuda de US$ 3 mil milh\u00f5es prometida em junho a Assad. Por isso, os custos &#8211; pol\u00edticos e econ\u00f3micos &#8211; para apoiar Assad levam alguns analistas a chamar a S\u00edria de Vietname do Ir\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>As revolu\u00e7\u00f5es no M\u00e9dio Oriente e norte da \u00c1frica amea\u00e7am o regime iraniano <\/strong><\/p>\n<p>Quando a revolu\u00e7\u00e3o no Norte de \u00c1frica estalou, a popula\u00e7\u00e3o iraniana j\u00e1 havia protagonizado grandes mobiliza\u00e7\u00f5es em 2009, quando a vit\u00f3ria na primeira volta do candidato presidencial \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o, Mahmoud Ahmadinejad, foi contestada pelos candidatos Mir-Hussein Mousavi e Mehdi Karroubi, com acusa\u00e7\u00f5es de fraude ao processo eleitoral.<\/p>\n<p>Centenas de milhares de manifestantes sa\u00edram \u00e0s ruas, desafiando as ordens do governo e foram duramente reprimidos pela pol\u00edcia e pelos bandos paramilitares do regime, os <em>Basij<\/em>. Milhares foram presos e torturados, al\u00e9m 72 mortes, conforme den\u00fancia da oposi\u00e7\u00e3o. Os protestos estenderam-se at\u00e9 depois da posse de Ahmadinejad e foram um primeiro sinal de alerta ao governo.<\/p>\n<p>Em 14 de fevereiro de 2011 uma s\u00e9rie de manifesta\u00e7\u00f5es diretamente influenciadas pelas quedas de Ben Ali, em 14 de janeiro, e de Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro, foi iniciada. Estas continuaram em menor grau at\u00e9 meados de abril e sofreram a mesma repress\u00e3o verificada dois anos antes, com pris\u00e3o de oposicionistas ligados ao pr\u00f3prio regime, como Mousavi e Karroubi, a destitui\u00e7\u00e3o de postos no governo de outros, censura \u00e0 imprensa e mais pris\u00f5es e mortes de manifestantes.<\/p>\n<p>Apesar de que conseguiram impedir uma eclos\u00e3o imediata de nova revolu\u00e7\u00e3o, o regime entra em um processo de crise e para salv\u00e1-lo o aiatola Khamenei retira seu apoio ao presidente Ahmadinejad acusando-o de corrup\u00e7\u00e3o, pois estava cada vez mais dif\u00edcil sustentar a sua pol\u00edtica de repress\u00e3o ao movimento de massas, combinada com a ret\u00f3rica anti-EUA e anti-Israel. Na verdade, Ahmadinejad j\u00e1 vinha tentando um acordo como imperialismo na quest\u00e3o nuclear, desde 2005, mas mantinha um discurso de \u2018defesa da soberania\u2019.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a da pol\u00edtica viria com a vit\u00f3ria no primeiro turno de Hassan Rouhani nas elei\u00e7\u00f5es de julho. Homem do regime, Rouhani conseguiu capitalizar o sentimento de mudan\u00e7as, ao defender a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e a aproxima\u00e7\u00e3o com as \u201cpot\u00eancias ocidentais\u201d. Uma das frases emblem\u00e1ticas desta pol\u00edtica foi: \u201c\u00c9 bom termos as centrifugadoras operando, mas tamb\u00e9m \u00e9 importante que o pa\u00eds funcione e que as rodas da ind\u00fastria se movam\u201d. Ap\u00f3s a vit\u00f3ria afirmou que o governo iria \u201crelan\u00e7ar um entendimento construtivo com o mundo, assegurar os interesses nacionais e levantar as san\u00e7\u00f5es injustas\u201d.<\/p>\n<p>Frente \u00e0 crise econ\u00f3mica e \u00e0 press\u00e3o do movimento de massas, que exigem uma mudan\u00e7a de pol\u00edtica, o regime opta pelo caminho da aproxima\u00e7\u00e3o e submiss\u00e3o ao principal inimigo das massas, o imperialismo norte-americano, para se salvar. \u00c9 uma pol\u00edtica preventiva para evitar que o povo iraniano se levante contra o regime ditatorial, da mesma forma que ocorreu na Tun\u00edsia, Egito, L\u00edbia e S\u00edria.<\/p>\n<p><strong>Um regime bonapartista, fruto de uma revolu\u00e7\u00e3o interrompida<\/strong><\/p>\n<p>Esta afirma\u00e7\u00e3o pode parecer contradit\u00f3ria com a fama anti-imperialista adquirida pelos aiatolas do Ir\u00e3o, alimentada por suas agress\u00f5es verbais aos EUA e difundida pelas correntes castro-chavistas.<\/p>\n<p>Esta fama vem de um processo muito mais profundo; a revolu\u00e7\u00e3o do Ir\u00e3o em 1979. Foi uma revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e popular, que teve uma grande participa\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria chegando inclusive \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de organismos de duplo poder (os shoras) e a uma greve geral dos petroleiros. O regime assassino do fantoche do imperialismo, o X\u00e1 Reza Pahlevi, foi derrubado, no entanto a revolu\u00e7\u00e3o foi dirigida pela alta hierarquia da igreja mu\u00e7ulmana xiita, devido \u00e0 falta de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria que pudesse encabe\u00e7ar a classe oper\u00e1ria e superar a dire\u00e7\u00e3o religiosa neste processo. O imenso prest\u00edgio adquirido pelos aiatolas facilitou sua tarefa de interromper a revolu\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de um violento ataque aos trabalhadores e suas organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sindicais, enquanto se utilizava de uma ret\u00f3rica anti-imperialista para justificar suas a\u00e7\u00f5es. O \u201cregime dos aiatolas\u201d foi consolidado por Khomeini (o primeiro \u201cl\u00edder supremo\u201d do pa\u00eds), aproveitando-se da invas\u00e3o do Ir\u00e3o por Sadam Hussein, do Iraque. A guerra &#8211; que durou oito anos \u2013 serviu para se estabelecer um estado de s\u00edtio permanente e em nome da defesa do pa\u00eds, prender e executar milhares de opositores ao regime, muitos deles de esquerda.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se pode confundir a revolu\u00e7\u00e3o iraniana, um processo objetivamente anti-imperialista e socialista, com sua dire\u00e7\u00e3o contra-revolucion\u00e1ria, que construiu um Estado teocr\u00e1tico isl\u00e2mico com um regime ditatorial e sempre pronta a negociar com o imperialismo.<\/p>\n<p>Isso ocorreu, por exemplo, na chamada \u201ccrise dos ref\u00e9ns\u201d, em 1979, quando activistas mantiveram 66 funcion\u00e1rios norte-americanos presos em sua embaixada. O governo capitulou vergonhosamente, aceitando libert\u00e1-los em troca da libera\u00e7\u00e3o de US$ 11 mil milh\u00f5es (\u00e0 \u00e9poca) presos em institui\u00e7\u00f5es financeiras e com um desconto de US$ 5 mil milh\u00f5es para pagar empr\u00e9stimos fraudulentos feitos por Pahlevi.<\/p>\n<p>Da mesma forma, impedem o desenvolvimento do processo revolucion\u00e1rio em toda regi\u00e3o, e dependendo de interesses espec\u00edficos, abandonam qualquer veleidade anti-imperialista para se beneficiar dessas ac\u00e7\u00f5es. Isso levou-os a ser c\u00famplices de interven\u00e7\u00f5es imperialistas como na recente invas\u00e3o do Iraque e Afeganist\u00e3o pelos EUA e a sustentar o governo fantoche de Al Maliki no Iraque e, portanto, a ocupa\u00e7\u00e3o pelos EUA. Al Maliki \u00e9 extremamente ligado ao governo do Ir\u00e3o. O mesmo pode ser dito dos acordos no L\u00edbano, onde os governos iraniano e s\u00edrio aceitaram a presen\u00e7a das \u201ctropas de paz\u201d das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um fen\u00f3meno comum \u00e0s corrente nacionalistas burguesas surgidas em todo o mundo \u00e1rabe na d\u00e9cada de 50. Inicialmente rebelaram-se contra a domina\u00e7\u00e3o imperialista da Inglaterra e da Fran\u00e7a no p\u00f3s-guerra. O presidente do Egito, Nasser nacionalizou o Canal de Suez, e formou com o partido Baath, da S\u00edria, a Rep\u00fablica \u00c1rabe Unida contra os regimes pr\u00f3-ocidentais. Sempre foram inconsequentes como qualquer nacionalismo burgu\u00eas, mas a partir doa anos 80 foram rendendo-se e abandonando suas posturas anteriores e transformando-se em agentes do imperialismo. A express\u00e3o caricata do destino do pan-arabismo de Nasser \u00e9 Mubarak e no caso do Baath, o ditador al-Assad.<\/p>\n<p>A partir de 1979, o fundamentalismo isl\u00e2mico dos aiatolas ocupou o espa\u00e7o da luta anti-imperialista deixado pelo pan-arabismo, mas sofre do mesmo \u201cmal\u201d de toda burguesia nacional. Por temer \u2013 com raz\u00e3o &#8211; que o avan\u00e7o do movimento de massas passe por cima de sua dire\u00e7\u00e3o e destrua a pr\u00f3pria burguesia, quando \u00e9 necess\u00e1rio alia-se ao imperialismo para melhor reprimi-las em todo o M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n<p><strong>Um passo adiante do imperialismo no marco das derrotas no Iraque e Afeganist\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Em setembro de 2011 faz\u00edamos um balan\u00e7o de 10 anos dos ataques \u00e0s \u201ctorres g\u00e9meas\u201d em 11 de setembro, onde afirm\u00e1vamos: \u201cA derrota de Bush abriu uma profunda crise de dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no imperialismo norte-americano. Frente a uma realidade negativa (duas guerras &#8211; Iraque e Afeganist\u00e3o &#8211; em situa\u00e7\u00e3o muito desfavor\u00e1vel, profunda crise econ\u00f3mica), um sector maiorit\u00e1rio da burguesia apostou em Obama para conseguir uma \u201cmudan\u00e7a de face\u201d adequada a novas t\u00e1ticas: conseguir com negocia\u00e7\u00f5es e o \u201cconsenso\u201d recuperar parte do que perdia frente \u00e0s lutas das massas e como consequ\u00eancia da crise econ\u00f3mica\u201d.<\/p>\n<p>Esta nova t\u00e1tica, for\u00e7ada pela chamada \u201cs\u00edndrome do Iraque\u201d, que impede o imperialismo de efetuar novas invas\u00f5es militares para impor sua pol\u00edtica &#8211; como foi visto recentemente na S\u00edria conseguiu agora um primeiro passo que os coloca em melhores condi\u00e7\u00f5es para enfrentar a revolu\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o. Porque leva \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00f5es o \u00faltimo pa\u00eds resistente \u00e0 sua pol\u00edtica na regi\u00e3o, para afogar a revolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o em sangue como queria o Ir\u00e3o, mas em pactos contra-revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Para isso, os EUA \u201cdescolam-se\u201d de dois aliados tradicionais na regi\u00e3o, Israel e Ar\u00e1bia Saudita, que continuavam a exigir a aplica\u00e7\u00e3o da mesma pol\u00edtica da \u201cera Bush\u201d. Israel defendia a guerra frontal com o Ir\u00e3o para desbaratar suas instala\u00e7\u00f5es nucleares e a Ar\u00e1bia Saudita, cujo rei \u00e9 um vassalo hist\u00f3rico do imperialismo &#8211; quer se manter como aliado preferencial dos EUA no mundo \u00e1rabe e v\u00ea o Ir\u00e3o como um perigoso advers\u00e1rio.<\/p>\n<p>Os EUA tamb\u00e9m reafirmam seu poder tamb\u00e9m no mundo imperialista, obrigando a Fran\u00e7a a aceitar o que inicialmente dizia ser inaceit\u00e1vel, e mostra que aplicam uma pol\u00edtica global no M\u00e9dio Oriente ao considerar o processo revolucion\u00e1rio de conjunto, buscando solu\u00e7\u00f5es abrangentes para derrotar este processo.<\/p>\n<p><strong>Um acordo contra-revolucion\u00e1rio que n\u00e3o estabiliza a regi\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Como afirmamos no in\u00edcio, trata-se de um acordo contra-revolucion\u00e1rio de conjunto, onde o Ir\u00e3o passa a ser parte dos interlocutores dos EUA para a regi\u00e3o e n\u00e3o mais um \u201cinimigo\u201d inc\u00f3modo. Isso d\u00e1-se porque ambos t\u00eam a mesma estrat\u00e9gia de derrotar a revolu\u00e7\u00e3o em curso, por mais que divergissem nas t\u00e1ticas antes.<\/p>\n<p>A perda da soberania do Ir\u00e3o pode ser o in\u00edcio, por sua vez, de um processo de recoloniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, que ser\u00e1 o alvo de \u201cinvestimentos\u201d de empresas multinacionais de petr\u00f3leo, \u00e1vidas para abocanhar as enormes reservas iranianas.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, uma coisa \u00e9 fazer os acordos de c\u00fapula, outra imp\u00f4-los \u00e0s massas.&nbsp; Estamos frente ao processo revolucion\u00e1rio mais importante do mundo actualmente. Trata-se de uma \u00e1rea convulsionada, numa das regi\u00f5es de maior desigualdade social do mundo. No meio de uma crise econ\u00f3mica mundial, onde n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para concess\u00f5es de fundo \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e para o estabelecimento de regimes democr\u00e1ticos onde os trabalhadores tenham liberdade para lutar por suas reivindica\u00e7\u00f5es. Ao contr\u00e1rio, a pol\u00edtica dos EUA \u00e9 a de mudar a face dos governos sem mudar a ess\u00eancia ditatorial dos regimes.<\/p>\n<p>No Ir\u00e3o, apesar do novo governo sair fortalecido, o clima de vit\u00f3ria pode dar confian\u00e7a aos trabalhadores a se mobilizarem por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e pelo direito de organiza\u00e7\u00e3o sindical e partid\u00e1ria al\u00e9m de reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas como a liberta\u00e7\u00e3o de oposicionistas, liberdade de imprensa, liberdade para as mulheres e outros direito que se chocam diretamente com o regime ditatorial.<\/p>\n<p>A LIT-QI coloca-se frontalmente contra este acordo. Fazemos um chamado aos trabalhadores e ao povo iraniano a repudi\u00e1-lo, aos rebeldes s\u00edrios e a todos os povos da regi\u00e3o a denunci\u00e1-lo como mais um intento contra-revolucion\u00e1rio, e aos trabalhadores de EEUU e de todo o mundo a colocar-se contra este acordo, e a exigir o fim da inger\u00eancia norte-americana no mundo. H\u00e1 que terminar com essa l\u00f3gica de que os EEUU t\u00eam direito a dar ordens e violar a soberania de todos os pa\u00edses, que leva adiante Obama e que n\u00e3o passa de uma continua\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de Bush por outros meios. Apenas a extens\u00e3o e aprofundamento das revolu\u00e7\u00f5es em curso rumo ao socialismo podem dar uma solu\u00e7\u00e3o de fundo aos povos da regi\u00e3o. Para isso \u00e9 necess\u00e1rio a constru\u00e7\u00e3o de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, que denuncie as capitula\u00e7\u00f5es destas dire\u00e7\u00f5es contra-revolucion\u00e1rias e lute efetivamente contra o jugo do imperialismo, tarefa na qual a LIT p\u00f5e todos seus esfor\u00e7os.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><strong>Dezembro de 2013<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><strong>Secretariado Internacional da LIT-QI<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Declara\u00e7\u00e3o da Liga Internacional dos Trabalhadores, Quarta Internacional (LIT-QI) No domingo, 24\/11, um acordo v\u00e1lido por 6 meses foi assinado entre o Ir\u00e3o e o Grupo 5+1, constitu\u00eddo pelos cinco membros permanentes do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU (China, EUA, Fran\u00e7a, Reino Unido e R\u00fassia) mais a Alemanha, em Genebra, sobre o programa nuclear iraniano.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1420,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-1421","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-correio-internacional"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/obama_rouhani.jpg?fit=450%2C334","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1421","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1421"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1421\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1420"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1421"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1421"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1421"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}