{"id":1417,"date":"2013-12-02T01:38:17","date_gmt":"2013-12-02T00:38:17","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2013\/12\/02\/professores-tomam-a-rua-no-porto-contra-a-qprova-do-despedimentoq\/"},"modified":"2013-12-02T01:38:17","modified_gmt":"2013-12-02T00:38:17","slug":"professores-tomam-a-rua-no-porto-contra-a-qprova-do-despedimentoq","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2013\/12\/02\/professores-tomam-a-rua-no-porto-contra-a-qprova-do-despedimentoq\/","title":{"rendered":"Professores tomam a rua no Porto contra a &#8220;prova do despedimento&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">A manh\u00e3 de 30 novembro estava fria e o hor\u00e1rio pouco habitual para realizar concentra\u00e7\u00f5es ou manifesta\u00e7\u00f5es. Provavelmente o encontro \u00e0s 11 horas no Porto estava adaptado, n\u00e3o para permitir que o maior n\u00famero de professores estivesse presente mas para que os dirigentes da Fedara\u00e7\u00e3o Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (FNE) e da UGT pudessem ter oportunidade de discursar tanto na Invicta como \u00e0s 15 horas em Viana do Castelo para onde estava marcada, incompreensivelmente, outra concentra\u00e7\u00e3o, nesse mesmo dia.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">A FNE podia aproveitar para demonstrar que a sua vontade de terminar com a prova de avalia\u00e7\u00e3o, que \u00e9 mais de humilha\u00e7\u00e3o, n\u00e3o era apenas um oportunismo perante a inac\u00e7\u00e3o da FENPROF, mas chegados \u00e0 Pra\u00e7a Gomes Teixeira (conhecida por Pra\u00e7a dos Le\u00f5es) os professores, na sua maioria contratados, rapidamente constataram que a ideia era outra: fazer um com\u00edcio com a concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">As colunas da carrinha colocada pela FNE debitavam m\u00fasica em alto volume. Alguns docentes comentavam que n\u00e3o tinham pago transporte para escutar m\u00fasica nas ruas do Porto, pois tinham viajado de Braga, Viseu, Coimbra, Aveiro, Vila Real.  Quando se come\u00e7aram a gritar palavras de ordem rapidamente os dirigentes subiram ao palanque para darem in\u00edcio \u00e0s interven\u00e7\u00f5es programadas.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Antes a imagina\u00e7\u00e3o j\u00e1 tinha tomado conta do protesto, com v\u00e1rios cartazes a transmitirem a voz da revolta contra uma prova completamente ign\u00f3bil. O movimento \u201cProfessores contra a prova e pela escola p\u00fablica\u201d, que esteve na organiza\u00e7\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es e v\u00edgilias que nas \u00faltimas semanas ocorreram um pouco por todo o pa\u00eds, distribu\u00eda um panfleto apelando ao boicote e cerco \u00e0 prova.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Das palavras dos dirigentes escutou-se que est\u00e3o liminarmente contra esta prova, embora vejam com bom olhos o pedido do Provedor de Justi\u00e7a, para que os professores mais experientes sejam dispensados dela, e as ac\u00e7\u00f5es colocadas em tribunal para trav\u00e1-la. Mas os professores contratados percebem que isso n\u00e3o basta nem \u00e9 suficiente, a fome j\u00e1 bate \u00e0 porta de centenas, os seus anos de experi\u00eancia s\u00e3o deitados ao lixo &#8211; alguns est\u00e3o contratados h\u00e1 19 anos &#8211; e as licenciaturas e mestrados que muitos t\u00eam pelo menos um par deles, s\u00e3o desconsiderados pelo ministro quando \u00e9 o pr\u00f3prio minist\u00e9rio que certifica e valida as institui\u00e7\u00f5es de ensino superior que \u201cformam\u201d os professores. \u00c9 a humilha\u00e7\u00e3o total.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Tanto percebem que a palavra de ordem mais escutada foi \u201cBoicote!\u201d muitas vezes interrompendo o discurso dos dirigentes. No final das interven\u00e7\u00f5es alguns docentes voltaram a pedir, como j\u00e1 no in\u00edcio o tinham feito, para que todos pudessem falar, o que lhes foi negado.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">No entanto os professores n\u00e3o tinham sa\u00eddo de casa para fazer passeios de lazer e, respondendo ao desafio de um colega do movimento \u201cProfessores contra a prova e pela educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica&#8221;, que subiu \u00e0 carrinha da FNE, \u00e0 revelia dos dirigentes sindicais, com um megafone, decidiram sair em marcha at\u00e9 \u00e0 avenida dos Aliados. Aos gritos de \u201cCrato para a rua, a escola n\u00e3o \u00e9 tua\u201d, \u201cBoicote!\u201d, \u201cEst\u00e1 na hora de o governo ir embora!\u201d, \u201cDemiss\u00e3o\u201d, \u201cEmprego Sim, Prova N\u00e3o\u201d, mais de 1500 professores ultrapassavam o com\u00edcio da FNE e aumentavam o protesto para al\u00e9m das barreiras da burocracia sindical.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">O \u00e2nimo crescia agora com a manifesta\u00e7\u00e3o a descer em dire\u00e7\u00e3o aos Aliados. E se nos primeiros momentos a marcha avan\u00e7ou pelo passeio quando a massa de professores entrou na rua dos Cl\u00e9rigos as margens do passeio n\u00e3o contiveram nem a multid\u00e3o nem a revolta e esta tomou a rua a partir da\u00ed. O frio inicial do protesto rapidamente se transformou em calor da luta, rompido o cerco do amorfismo da FNE gritou-se bem alto \u201cBoicote\u201d e \u201cDemiss\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Chegados  \u00e0 frente da c\u00e2mara municipal do Porto o resultado tamb\u00e9m foi  diferente. Houve espa\u00e7o para que todos pudessem intervir, falar e propor as suas ideias. As interven\u00e7\u00f5es foram ricas, emocionantes e incisivas. Da\u00ed saiu<strong> um apelo a todos para o boicote \u00e0 prova, tenham-se inscrito ou n\u00e3o nela, um abaixo assinado a ser entregue aos reitores das universidades para que se retratem em rela\u00e7\u00e3o ao valor das licenciaturas que dirigem, um chamado \u00e0 participa\u00e7\u00e3o na manifesta\u00e7\u00e3o de 5 de dezembro, em Lisboa, e, por \u00faltimo, para que todos ali participem na reuni\u00e3o nacional de professores a 7 de dezembro, que se realizar\u00e1 em Coimbra na pra\u00e7a da Rep\u00fablica (Teatro Acad\u00e9mico Gil Vicente), para que todos os professores possam decidir democraticamente sobre como prosseguir a luta e o boicote contra a prova.<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm;\">Para finalizar a ac\u00e7\u00e3o queimou-se simbolicamente os diplomas acad\u00e9micos obtidos pelos docentes, como dizia um deles \u201cat\u00e9 o canudo nos roubam agora\u201d. Para que tal n\u00e3o aconte\u00e7a \u00e9 preciso que a vontade de luta dos professores demonstrada nessa manh\u00e3 seja resiliente o suficiente para boicotar a prova.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>{AG}galleries\/profsporto301113{\/AG}<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A manh\u00e3 de 30 novembro estava fria e o hor\u00e1rio pouco habitual para realizar concentra\u00e7\u00f5es ou manifesta\u00e7\u00f5es. 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