{"id":1335,"date":"2013-10-01T22:59:53","date_gmt":"2013-10-01T21:59:53","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2013\/10\/01\/autarquicas-derrota-da-direita-e-dobe\/"},"modified":"2013-10-01T22:59:53","modified_gmt":"2013-10-01T21:59:53","slug":"autarquicas-derrota-da-direita-e-dobe","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2013\/10\/01\/autarquicas-derrota-da-direita-e-dobe\/","title":{"rendered":"Aut\u00e1rquicas: derrota da direita e do&#8230;BE"},"content":{"rendered":"\n<p>O dado mais relevante destas elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas de 2013 \u00e9 a derrota (esperada) da coliga\u00e7\u00e3o da direita no poder. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez, nem ser\u00e1 a \u00faltima, que um partido no poder \u00e9 referendado em elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas e de imediato castigado nas urnas pelas pol\u00edticas que desenvolve a partir do governo.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Foi assim com Guterres, que teve que se demitir em 2001 provocando elei\u00e7\u00f5es legislativas antecipadas. Ser\u00e1 dif\u00edcil, sem novas e fortes mobiliza\u00e7\u00f5es sociais de rua que tal cen\u00e1rio se venha a repetir a curto prazo, mas que o governo est\u00e1 condenado e que \u00e9 uma quest\u00e3o de tempo a convoca\u00e7\u00e3o de novas elei\u00e7\u00f5es \u00e9 um facto incontorn\u00e1vel. Esta \u00e9 a primeira ila\u00e7\u00e3o a retirar das elei\u00e7\u00f5es de 29 de setembro.<\/p>\n<p>Sobre os resultados propriamente ditos (<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.autarquicas2013.mj.pt\/\" rel=\"noopener\">consulte os resultados na p\u00e1gina da DGAI, onde tamb\u00e9m pode comparar com os resultados de 2009<\/a>), o PS partido na \u201coposi\u00e7\u00e3o\u201d, l\u00e1 ganha as elei\u00e7\u00f5es deste \u00faltimo fim de semana, mas sem poder levantar muito a crista dado que perde v\u00e1rias c\u00e2maras de v\u00e1rias importantes cidades do pa\u00eds (Braga, Matosinhos, Beja, Loures, etc). O que quer dizer que uma parte significativa do pa\u00eds est\u00e1 farta dos dois partidos que se revezam na governa\u00e7\u00e3o de Portugal h\u00e1 mais de 30 anos (PS e PSD ou PSD\/CDS algumas vezes).<\/p>\n<p>Com um governo como este do PSD\/CDS, que tudo destr\u00f3i \u00e0 sua volta, das pens\u00f5es aos sal\u00e1rios, dos centros de sa\u00fade aos empregos, da economia \u00e0 cultura, nada fica de p\u00e9 nas m\u00e3os de Passos Coelho e Paulo Portas, o inacredit\u00e1vel n\u00e3o \u00e9 a derrota estrondosa da direita, mas o facto de o PS s\u00f3 poder celebrar (a s\u00e9rio) a vit\u00f3ria em Lisboa, essa sim significativa.<\/p>\n<p>Sobre o PCP\/CDU tamb\u00e9m n\u00e3o admira que possa cantar \u201cvit\u00f3ria\u201d neste processo eleitoral. Era esperado &#8211; e n\u00e3o era, convenhamos, muito dif\u00edcil. Um partido que se encontra fora do arco da governa\u00e7\u00e3o, a partir do mundo do trabalho e de uma oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 troika e \u00e0s suas medidas de austeridade, cobra agora resultados eleitorais da imensa maioria dos trabalhadores que se op\u00f5em \u00e0 direita e \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de uma vida digna para quem trabalha.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 uma vit\u00f3ria t\u00e3o expressiva como v\u00e3o cantar de galo. Sen\u00e3o vejamos. Uma aprecia\u00e7\u00e3o mais fina dos n\u00fameros mostra-nos que, em 2009, a CDU j\u00e1 tinha obtido, a n\u00edvel nacional 9,75% dos votos e agora sobe para 11,06% (cerca de 11.000 votos no total). Convenhamos que com o \u00f3dio que Passos e Portas provocam n\u00e3o \u00e9 uma subida por a\u00ed al\u00e9m. N\u00e3o se nega o seu crescimento e vit\u00f3ria eleitoral, mas o envelhecimento desta for\u00e7a pol\u00edtica mant\u00e9m-se, pois, num terreno super favor\u00e1vel (elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas que requerem uma enraizamento local que o PCP tem), este partido n\u00e3o cresce de forma qualitativa.<\/p>\n<p>Os resultados da CDU destacam-se quando confrontados com os do PS, que tamb\u00e9m n\u00e3o obt\u00e9m nenhuma vit\u00f3ria espetacular como j\u00e1 referimos, e perante a queda (uma vez mais) do BE \u00e0 sua esquerda. Confirma-se portanto (e esta \u00e9 a segunda ila\u00e7\u00e3o a retirar destas elei\u00e7\u00f5es) que o PS e o pr\u00f3prio PC (e o BE, claro) n\u00e3o conseguem capitalizar o conjunto do descontentamento e raiva social, abrindo e confirmando espa\u00e7os para o surgimento de novas alternativas. Esta tamb\u00e9m \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o para a vit\u00f3ria, no Porto, de Rui Moreira que ainda que n\u00e3o seja nenhuma alternativa ao sistema foi visto como um <em>outsider<\/em> aos partidos institucionais de que a popula\u00e7\u00e3o tende a divorciar-se lenta, mas progressivamente.<\/p>\n<p>Por fim, sobre o Bloco de Esquerda. Tal como era de se prever, a crise no BE continua. Pode-se argumentar que, ao contr\u00e1rio do PCP\/CDU, o terreno \u201caut\u00e1rquico\u201d \u00e9 o pior  cen\u00e1rio eleitoral para o BE, pois n\u00e3o possui implanta\u00e7\u00e3o praticamente nenhuma e em nenhum lado. Desse modo, o resultado \u00e9 previs\u00edvel e at\u00e9, de certo modo, \u201caceit\u00e1vel\u201d. Mas o mais significativo \u00e9 que o seu atual l\u00edder pol\u00edtico n\u00e3o foi eleito (nem Lu\u00eds Fazenda em Sintra nem Jos\u00e9 Soeiro no Porto), e a queda eleitoral de conjunto mant\u00e9m-se (passa de 3,02% dos votos em 2009\/aut\u00e1rquicas para 2,42% este ano).<\/p>\n<p>Contudo, ser\u00e1 precipitado considerar enterrado este partido como op\u00e7\u00e3o eleitoral de protesto em futuras elei\u00e7\u00f5es legislativas antecipadas, nas quais as sondagens o colocam em situa\u00e7\u00e3o relativamente confort\u00e1vel. Os anos encarregar-se-\u00e3o de demonstrar quanto tempo conseguir\u00e1 manter-se na atual situa\u00e7\u00e3o inst\u00e1vel. A pol\u00edtica do BE de aproxima\u00e7\u00f5es ao PS, principalmente na capital, quando levou \u00e0 C\u00e2mara o vereador S\u00e1 Fernandes (agora nas listas de Ant\u00f3nio Costa), contribuiu para derreter fronteiras face a este partido e, finalmente, refor\u00e7ar o \u2026 PS e n\u00e3o o BE. Tal como n\u00f3s, do Movimento Alternativa Socialista (MAS), question\u00e1mos em sucessivas conven\u00e7\u00f5es do BE, mas que Francisco Lou\u00e7\u00e3 e a dire\u00e7\u00e3o do BE ignoraram e desdenharam. Pois t\u00eam a\u00ed a factura de andarem atrelados ao PS.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que n\u00e3o aprendem e n\u00e3o t\u00eam emenda, e por isso h\u00e1 que erguer uma nova alternativa \u00e0 esquerda no pa\u00eds. Talvez uns dos resultados na quarta cidade do pa\u00eds, a Amadora, apontem neste sentido. Numa das suas freguesias mais populosas, \u00c1guas Livres (que agrupou Buraca, Damaia e Reboleira Sul), uma lista de independentes (MIAL), com o apoio e a integra\u00e7\u00e3o de militantes do MAS, elegeu Ad\u00e3o Tavares, com 619 votos (4,8% dos votos expressos). Poder-se-\u00e1 objetar que \u00e9 uma vota\u00e7\u00e3o local que carece de confirma\u00e7\u00e3o nacional das suas possibilidades. Concordamos e aceitamos o desafio. Mas que vamos no bom caminho ningu\u00e9m o poder\u00e1 negar.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><strong>Gil Garcia<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em><strong>30 Setembro 2013<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dado mais relevante destas elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas de 2013 \u00e9 a derrota (esperada) da coliga\u00e7\u00e3o da direita no poder. 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