{"id":1256,"date":"2013-07-03T23:33:30","date_gmt":"2013-07-03T22:33:30","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2013\/07\/03\/milhoes-tomam-as-ruas-no-egipto\/"},"modified":"2013-07-03T23:33:30","modified_gmt":"2013-07-03T22:33:30","slug":"milhoes-tomam-as-ruas-no-egipto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2013\/07\/03\/milhoes-tomam-as-ruas-no-egipto\/","title":{"rendered":"Milh\u00f5es tomam as ruas no Egipto!"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Declara\u00e7\u00e3o da Liga Internacional dos Trabalhadores, Quarta Internacional<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p>O povo eg\u00edpcio mais uma vez estremece o mundo. A sua valorosa entrega, a sua persist\u00eancia tenaz e a sua poderosa energia revolucion\u00e1ria parecem inesgot\u00e1veis e iluminam o caminho da liberta\u00e7\u00e3o social \u00e0s classes exploradas de todos os pa\u00edses.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Um ano ap\u00f3s a posse do presidente eg\u00edpcio, Mohamed Morsi, a classe trabalhadora e as massas do pa\u00eds mais populoso daquela regi\u00e3o est\u00e3o protagonizando, muito provavelmente, a maior mobiliza\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria da humanidade, fontes do pr\u00f3prio Ex\u00e9rcito eg\u00edpcio reconheceram que, no \u00faltimo domingo, 30 de junho, mais de 14 milh\u00f5es de pessoas sa\u00edram \u00e0s ruas nas principais cidades do Egipto.<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es sociais e o amplo quadro de partidos burgueses de oposi\u00e7\u00e3o ao governo da Irmandade Mu\u00e7ulmana, por sua vez, afirmam que encheram as ruas n\u00e3o menos de 17 milh\u00f5es de manifestantes. Este facto \u00e9 t\u00e3o majestoso que supera em muito as mobiliza\u00e7\u00f5es que derrubaram o ditador Mubarak em fevereiro de 2011.<\/p>\n<p>O rugido destes milh\u00f5es, que se sentem vitoriosos por terem derrubado o tirano e se sabem donos de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, resume-se num ultimato categ\u00f3rico: Fora Morsi!<\/p>\n<p>N\u00f3s, da LIT-QI, expressamos nosso mais completo e incondicional apoio e solidariedade a esta nova fa\u00e7anha revolucion\u00e1ria do povo eg\u00edpcio. Sem d\u00favida, estamos presenciando um acontecimento colossal que, com sua for\u00e7a esmagadora, faz parte e fortalece enormemente todo o processo de revolu\u00e7\u00f5es que abala o norte da \u00c1frica e o M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n<p>A poderosa mobiliza\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia \u00e9 um tremendo est\u00edmulo aos combatentes que na S\u00edria enfrentam o ditador Bashar Al Assad, para a juventude que se mobiliza na Turquia, na Tun\u00edsia, no Brasil, nas cidades europeias e em todo o mundo!<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>As massas tomam as ruas e abrem uma crise no governo e no regime<\/strong><\/p>\n<p>As ruas do pa\u00eds est\u00e3o completamente tomadas por uma onda de milhares de bandeiras e cartazes dizendo \u201cErhal\u201d (\u201cv\u00e1 embora\u201d), mensagem escrita tamb\u00e9m em \u201ccart\u00f5es vermelhos\u201d (como no futebol) com a imagem de Morsi. Outros milhares protestam mostrando sapatos junto \u00e0 figura do presidente isl\u00e2mico, um s\u00edmbolo de recha\u00e7o entre os mu\u00e7ulmanos.<\/p>\n<p>No momento em que estas linhas foram escritas, informes provis\u00f3rios do Minist\u00e9rio de Sa\u00fade eg\u00edpcio anunciavam pelo<img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" alignright size-full wp-image-1252\" style=\"margin: 10px 5px 10px 10px; float: right;\" alt=\"egipto130\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/egipto130.jpg?resize=400%2C262\" height=\"262\" width=\"400\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/egipto130.jpg?w=400 400w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/egipto130.jpg?resize=300%2C197 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/> menos 20 manifestantes mortos e mais de 800 feridos, o que aconteceu, sobretudo, durante enfrentamentos com a pol\u00edcia e com bandos armados da Irmandade Mu\u00e7ulmana, que atacaram as concentra\u00e7\u00f5es de manifestantes da oposi\u00e7\u00e3o. J\u00e1 na sexta-feira 28 de junho, no curso de fortes mobiliza\u00e7\u00f5es a favor e contra Morsi, registaram-se dois mortos e 139 feridos.<\/p>\n<p>Na capital, Cairo, em Alexandria e outras cidades importantes, milhares de manifestantes apedrejaram, saquearam e incendiaram sedes do Partido da Liberdade e Justi\u00e7a, o bra\u00e7o pol\u00edtico da Irmandade Mu\u00e7ulmana. Na verdade, muitas das mortes ocorridas at\u00e9 agora deram-se nestes choques nas sedes desse partido no Cairo e na cidade de Assiut.<\/p>\n<p>A emblem\u00e1tica Pra\u00e7a Tahrir \u00e9 novamente o centro das mobiliza\u00e7\u00f5es. Est\u00e1 ocupada por manifestantes e centenas de barracas, pois milhares asseguram que n\u00e3o sair\u00e3o dali at\u00e9 a ren\u00fancia de Morsi. Outros milhares de jovens come\u00e7aram a ocupar os arredores do pal\u00e1cio presidencial de Ittihadiya.<\/p>\n<p>O movimento da juventude \u201cTamarod\u201d (Rebeli\u00e3o), que convocou os protestos, assegura ter coletado 22 milh\u00f5es de assinaturas para exigir a ren\u00fancia de Morsi. Este movimento, que \u00e9 parte de uma frente denominada \u201c30 de junho\u201d, deu uma advert\u00eancia ao governo para que abandone o poder e convoque novas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por ora, como resultado directo da aguda crise pol\u00edtica aberta no pa\u00eds, quatro ministros do gabinete de Morsi apresentaram a sua ren\u00fancia. Da mesma forma, cinco senadores identificados com a oposi\u00e7\u00e3o, na \u201cShura\u201d ou C\u00e2mara Alta do Parlamento, renunciaram a seus cargos.<\/p>\n<p>A f\u00faria contra o governo combinou-se com um crescente sentimento anti-imperialista. Nas marchas e pra\u00e7as pode-se ver muitos cartazes com o rosto de Morsi sob as bandeiras dos Estados Unidos e de Israel juntas.<\/p>\n<p>Esta rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica imperialista, marcada no Egito por um forte apoio de Obama \u00e0 administra\u00e7\u00e3o de Morsi, chegou a tal ponto de tens\u00e3o, que obrigou Washington a retirar parte de seu pessoal diplom\u00e1tico \u201cpelos problemas pol\u00edticos e sociais que est\u00e3o ocorrendo\u201d e a pedir aos seus cidad\u00e3os que adiem viagens \u201cn\u00e3o essenciais\u201d.<\/p>\n<p>A realidade \u00e9 que, com sua a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, os milh\u00f5es de pessoas que sa\u00edram \u00e0s ruas abriram uma crise de poder na c\u00fapula do regime e aumentou muito a possibilidade de derrubar Morsi, que governa nos moldes de um regime militar, o que seria uma importante vit\u00f3ria das massas.<\/p>\n<p>No Egito temos a mais incontest\u00e1vel demonstra\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter permanente da revolu\u00e7\u00e3o: a primeira vit\u00f3ria obtida pela mobiliza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria das massas transforma-se no ponto de partida para continuar a luta por mais reivindica\u00e7\u00f5es. Traduzindo ao processo revolucion\u00e1rio eg\u00edpcio, o derrube de Mubarak foi apenas o come\u00e7o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Um regime repressivo e submisso que se mant\u00e9m sem Mubarak<\/strong><\/p>\n<p>O governo de Mubarak era um governo militar dentro de um regime militar. Quando foi questionado pelas massas, para salvar o conjunto do regime frente \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o popular, o Ex\u00e9rcito teve de sacrific\u00e1-lo, pois Mubarak, depois de 30 anos de tirania, estava completamente desacreditado perante o povo e, por seu desgaste, n\u00e3o conseguia estabilizar o pa\u00eds.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-1253\" style=\"margin: 10px 10px 10px 5px; float: left;\" alt=\"egipto131\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/egipto131.jpg?resize=400%2C284\" height=\"284\" width=\"400\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/egipto131.jpg?w=400 400w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/egipto131.jpg?resize=300%2C213 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/>A decis\u00e3o de descartar o fus\u00edvel no \u00faltimo minuto fez com que as For\u00e7as Armadas, que desde a \u00e9poca de Nasser possuem relativo prest\u00edgio na sociedade, n\u00e3o afundassem com Mubarak. Tanto \u00e9 assim que, nesta crise, foram vistos por um setor de massas como \u201caliados do povo\u201d e assumiram o governo na forma de uma Junta Militar. Agora, apesar de que quem caiu foi Mubarak e n\u00e3o o regime militar, isto n\u00e3o significa que esse regime saiu ileso. O regime manteve-se, mesmo que muito desgastado pela a\u00e7\u00e3o das massas.<\/p>\n<p>A queda de Mubarak abriu uma situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria que est\u00e1 marcada por uma crise permanente, que se expressa na impossibilidade que o regime tem de reprimir as lutas como antes, na conquista de maiores liberdades democr\u00e1ticas, no surgimento de novos sindicatos e organiza\u00e7\u00f5es sociais e num clima de mobiliza\u00e7\u00f5es e enfrentamentos constantes.<\/p>\n<p>Neste marco, para estabilizar a situa\u00e7\u00e3o, o regime militar e seu governo, a Junta Militar, chegaram a um pacto com a Irmandade Mu\u00e7ulmana, organiza\u00e7\u00e3o burguesa que tinha forte prest\u00edgio entre as massas e que havia ganho as elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Esse pacto, como explicamos em outros artigos, permitiu que a Irmandade assumisse o governo em troca de que Morsi mantivesse intactos os pilares do regime pol\u00edtico no Egito, o que significa, acima de tudo, a perman\u00eancia dos privil\u00e9gios ostensivos e de todo o poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico das For\u00e7as Armadas. Desta forma, assumiu o primeiro governo civil desde a queda do rei Faruk, em 1952. Um governo civil, mas sempre no marco do regime militar.<\/p>\n<p>\u00c9 por essa raz\u00e3o que os l\u00edderes militares eg\u00edpcios, atrav\u00e9s deste novo governo assentado na Irmandade, continuam controlando pelo menos 40% da economia nacional. Al\u00e9m de controlar as empresas e possuir enormes extens\u00f5es de terra, os generais recebem directamente de Washington mais de 1,4 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares anuais, a maior \u201cajuda militar\u201d proveniente do imperialismo depois da \u201cajuda\u201d fornecida a Israel.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por outro motivo que, durante seu mandato, Morsi manteve impunes n\u00e3o s\u00f3 o ex-ditador Mubarak, mas tamb\u00e9m os respons\u00e1veis pelo assassinato de mais de 850 pessoas durante os dias em que o derrubaram, h\u00e1 mais de dois anos. Em frequentes abusos de poder, Morsi atacou a liberdade de organiza\u00e7\u00e3o, de manifesta\u00e7\u00e3o, de greve e de imprensa. Em dezembro de 2012, cabe relembrar, milhares de pessoas sa\u00edram \u00e0s ruas para travar a imposi\u00e7\u00e3o de um decreto que lhe outorgava poderes quase absolutos.<\/p>\n<p>Nesse mesmo m\u00eas, Morsi conseguiu aprovar, ainda que por estreita margem e sofrendo derrotas nos principais centros urbanos, como Cairo e Alexandria, uma Constitui\u00e7\u00e3o escrita ao gosto e paladar dos militares, anti-oper\u00e1ria, anti-greves e baseada em preceitos religiosos.<\/p>\n<p>A grave crise econ\u00f4mica que assola o Egito \u00e9 o pano de fundo destas mobiliza\u00e7\u00f5es contra medidas autorit\u00e1rias e de institui\u00e7\u00f5es de um regime que, apesar da grande vit\u00f3ria que significou a derrubada de Mubarak, n\u00e3o foi destru\u00eddo.<\/p>\n<p>Neste sentido, estima-se que 40% da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 abaixo da linha da pobreza. O desemprego aumenta sem cessar, superando 13% da popula\u00e7\u00e3o. Este \u00edndice, na juventude, est\u00e1 em 77% e supera 85% no caso dos jovens com diploma universit\u00e1rio. O pa\u00eds tem uma d\u00edvida externa que representa 90% do seu PIB. No ano passado, Morsi gastou em torno de 10% somente em pagamentos de juros de empr\u00e9stimos que foram contra\u00eddos por Mubarak. O d\u00e9ficit fiscal (gasta-se mais do que se arrecada) \u00e9 de 10,4%.<\/p>\n<p>Ainda assim, Morsi e os militares empenharam-se em aplicar um duro plano de ajustes para satisfazer as exig\u00eancias que o FMI imp\u00f5e para aprovar um novo endividamento de 4,8 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares. A este cocktail explosivo soma-se o encarecimento e o desabastecimento dos produtos b\u00e1sicos, o aumento do pre\u00e7o da gasolina e constantes apag\u00f5es de eletricidade. O povo eg\u00edpcio, por se confrontar com essa realidade, est\u00e1 sendo consciente de que n\u00e3o derrubou Mubarak para continuar a viver como antes ou at\u00e9 mesmo pior do que antes.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-1254\" style=\"margin: 10px 10px 10px 5px; float: left;\" alt=\"egipto134\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/egipto134.jpg?resize=400%2C267\" height=\"267\" width=\"400\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/egipto134.jpg?w=400 400w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/egipto134.jpg?resize=300%2C200 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/>Existe um sentimento em amplos setores da popula\u00e7\u00e3o de que Morsi e a Irmandade n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 altura daquela fa\u00e7anha iniciada em 2011 e que tra\u00edram os objetivos da revolu\u00e7\u00e3o: \u201cEram tr\u00eas os princ\u00edpios daquela revolu\u00e7\u00e3o: p\u00e3o, justi\u00e7a e liberdade. Morsi n\u00e3o cumpriu nenhum. Teve um ano, e o pa\u00eds s\u00f3 piorou. Deve retirar-se.\u201d, afirma Zaid Sultan, de 35 anos e que foi ferido durante as manifesta\u00e7\u00f5es contra Mubarak, segundo publicou o jornal &#8220;El Pa\u00eds&#8221;.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia pol\u00edtica com a Irmandade, at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo um partido visto por muitos como &#8220;progressista&#8221;, est\u00e1 sendo acelerada. N\u00e3o \u00e9 para menos. O pa\u00eds vive uma revolu\u00e7\u00e3o e a consci\u00eancia, evoluindo junto com a a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria das massas, d\u00e1 saltos e avan\u00e7a em meses o que, em situa\u00e7\u00f5es de \u201cpaz social\u201d, demoraria d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>O ultimato do Ex\u00e9rcito<\/strong><\/p>\n<p>Frente \u00e0 crise completa na c\u00fapula e a possibilidade de que o segundo governo de seu regime seja derrotado pelas massas, o Alto Comando das For\u00e7as Armadas decidiu intervir e tenta repetir o movimento que fez na crise que derrubou o governo de Mubarak.<\/p>\n<p>Diante do facto de que Morsi n\u00e3o est\u00e1 demonstrando capacidade de conter a mobiliza\u00e7\u00e3o das massas, as For\u00e7as Armadas deram, no dia 1\u00ba de julho, um ultimato de 48 horas aos partidos pol\u00edticos para realizarem um acordo: &#8220;As For\u00e7as Armadas d\u00e3o 48 horas como a \u00faltima oportunidade para que as for\u00e7as pol\u00edticas assumam a sua responsabilidade neste momento hist\u00f3rico que a p\u00e1tria atravessa, que n\u00e3o vai perdoar nenhuma for\u00e7a que deixe de assumir a sua responsabilidade.\u201d, destacou o general Abdel Fattah al Sissi, chefe do Ex\u00e9rcito e ministro da Defesa, em um comunicado transmitido pela televis\u00e3o.<\/p>\n<p>Caso contr\u00e1rio, o Ex\u00e9rcito anunciou que se ver\u00e1 na &#8220;obriga\u00e7\u00e3o nacional e hist\u00f3rica de respeitar as reivindica\u00e7\u00f5es do povo e anunciar um caminho para o futuro, bem como encarregar-se de aplic\u00e1-lo com a participa\u00e7\u00e3o de todas as correntes leais, inclu\u00eddos os jovens [que impulsionaram a revolu\u00e7\u00e3o], e sem a exclus\u00e3o de nenhuma parte&#8221;.<\/p>\n<p>A alta c\u00fapula militar justificou sua postura pela necessidade de &#8220;proteger a p\u00e1tria&#8221;, pois &#8220;a seguran\u00e7a nacional do Estado est\u00e1 muito amea\u00e7ada frente aos acontecimentos que vive o pa\u00eds&#8221;. Advertiram, al\u00e9m disso, que a &#8220;perda de mais tempo somente produzir\u00e1 mais divis\u00e3o e conflito&#8221; (Ag\u00eancia France-Presse).<\/p>\n<p>Este an\u00fancio feito pelos militares demonstra que a crise aberta pela imensa mobiliza\u00e7\u00e3o popular perturbou fortemente n\u00e3o s\u00f3 o governo, mas tamb\u00e9m o pr\u00f3prio regime pol\u00edtico, pois existem divis\u00f5es nas altas esferas de poder.<\/p>\n<p>Parece claro que o Conselho Superior das For\u00e7as Armadas est\u00e1 disposto &#8211; novamente obrigado pela for\u00e7a das mobiliza\u00e7\u00f5es populares &#8211; a sacrificar outro governo para manter seu regime. Por mais que se coloque a contradi\u00e7\u00e3o de que a partir disso a c\u00fapula militar reassumir\u00e1 diretamente o controlo do governo, ser\u00e1 uma nova vit\u00f3ria das massas populares, parcial, mas important\u00edssima, pois ainda que n\u00e3o o destrua, ter\u00e3o acertado um novo grande golpe no regime.<\/p>\n<p>Infelizmente, existe um sector importante das massas que recebeu com expectativa e at\u00e9 alegria este an\u00fancio dos generais. Isto explica-se do seguinte modo: apesar de que a mobiliza\u00e7\u00e3o se enfrenta objetivamente com o regime de conjunto, o inimigo mais claro e imediato para as massas continua sendo o governo (Mubarak primeiro, Morsi depois) e n\u00e3o exatamente as For\u00e7as Armadas como institui\u00e7\u00e3o. Os generais continuam a ser vistos, por um setor importante, como &#8220;\u00e1rbitros&#8221; e at\u00e9 &#8220;amigos do povo&#8221; e n\u00e3o como os principais inimigos. Por isso \u00e9 que nos parece um grave erro que o grupo Tamarod tenha saudado a posi\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito, afirmando que, supostamente, estariam colocando-se &#8220;do lado do povo&#8221;.<\/p>\n<p>Em um comunicado, este grupo de jovens tinha incitado as &#8220;institui\u00e7\u00f5es do estado, inclu\u00eddos o ex\u00e9rcito, a pol\u00edcia e o poder judicial, a alinhar-se claramente com a vontade popular, que \u00e9 representada pelas multid\u00f5es&#8221;. \u00c9 um grave erro, pois o problema n\u00e3o se resume a Morsi, mas sim a todo o regime, assentado nos militares, que sustenta o Estado capitalista e entrega as riquezas do pa\u00eds ao imperialismo. E sem derrotar o imperialismo ser\u00e1 imposs\u00edvel conquistar completas liberdades democr\u00e1ticas e solucionar os graves problemas estruturais do pa\u00eds que afectam o povo eg\u00edpcio.<\/p>\n<p>Dito isto, o que assistimos no Egito n\u00e3o pode ser considerado um &#8220;golpe militar&#8221;, mas sim uma relocaliza\u00e7\u00e3o t\u00e1tica do Ex\u00e9rcito (que nunca perdeu o controlo do pa\u00eds) diante do desgaste do governo de Morsi (que, por sua vez, sempre foi parte desse regime), com a finalidade de salvar, de novo, um regime pol\u00edtico cada vez mais atacado pela revolu\u00e7\u00e3o em curso.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>A tarefa imediata \u00e9 derrubar Morsi!<\/strong><\/p>\n<p>Tendo isto claro, a tarefa central e imediata que est\u00e1 colocada \u00e9 continuar e intensificar a mobiliza\u00e7\u00e3o para derrubar Morsi e, ao mesmo tempo, destruir o regime sustentado pelos generais e financiado pelo imperialismo.<\/p>\n<p>Mais do que nunca \u00e9 fundamental manter os eixos da mobiliza\u00e7\u00e3o: Fora Morsi! Pela queda do regime militar! Fora militares do poder!<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignright size-full wp-image-1255\" style=\"margin: 10px 5px 10px 10px; float: right;\" alt=\"egipto135\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/egipto135.jpg?resize=400%2C269\" height=\"269\" width=\"400\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/egipto135.jpg?w=400 400w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/egipto135.jpg?resize=300%2C202 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/>A queda de Morsi, insistimos, ser\u00e1 uma important\u00edssima vit\u00f3ria das massas, pois se transformar\u00e1 no segundo governo do regime militar derrotado pelas ruas. E ser\u00e1 uma vit\u00f3ria inclusive na hip\u00f3tese de que a mobiliza\u00e7\u00e3o, por ora, n\u00e3o destrua o regime, pois o resultado do derrube&nbsp; do governo \u00e9 o enfraquecimento e aprofundamento da crise do regime. No marco deste combate contra um regime bonapartista, \u00e9 necess\u00e1rio aplicar uma pol\u00edtica de ampla unidade de a\u00e7\u00e3o contra o regime militar e seus governos. Esta unidade de a\u00e7\u00e3o, realizada a partir da mais completa independ\u00eancia pol\u00edtica do movimento oper\u00e1rio e das organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, deve incluir a todos os setores democr\u00e1ticos e opostos ao regime militar, desde as organiza\u00e7\u00f5es e frentes de luta jovens como Tamarod, at\u00e9 os partidos patronais e a Frente Nacional de Salva\u00e7\u00e3o de El Baradei e Amr Musa.<\/p>\n<p>Nesta ampla unidade de a\u00e7\u00e3o, concreta e circunstancial, com todos os setores &#8220;democr\u00e1ticos&#8221; para enfrentar Morsi e os militares, n\u00e3o se deve perder de vista nem por um instante que, por seu car\u00e1ter de classe, os partidos burgueses ser\u00e3o inconsequentes, principalmente no enfrentamento com o regime militar, posto que seu programa econ\u00f3mico \u00e9 igualmente capitalista, neoliberal e submisso.<\/p>\n<p>A esta luta democr\u00e1tica, devemos incorporar tamb\u00e9m exig\u00eancias e medidas concretas contra o desemprego, pelo aumento geral dos sal\u00e1rios e por uma reforma agr\u00e1ria radical. Isto \u00e9 fundamental, pois \u00e9 indispens\u00e1vel a entrada em cena da classe oper\u00e1ria eg\u00edpcia de forma organizada, uma das mais fortes da regi\u00e3o, por sua for\u00e7a determinante para o processo e por sua comprovada tradi\u00e7\u00e3o de luta contra Mubarak e tamb\u00e9m contra Morsi.<\/p>\n<p>No meio desta crise e como parte do trabalho no movimento oper\u00e1rio, \u00e9 necess\u00e1rio colocar a possibilidade e a necessidade de uma greve geral que determine a queda de Morsi e dos militares.<\/p>\n<p>Por isso \u00e9 necess\u00e1rio que todo o movimento oper\u00e1rio, jovem e popular lute por: Fora o governo de Morsi e os militares!; Abaixo a Constitui\u00e7\u00e3o de Morsi e os militares!; Exigimos uma nova Assembleia Constituinte para instaurar amplas e totais liberdades democr\u00e1ticas, para romper todos os acordos com o imperialismo, para expropriar os bens de Mubarak e do conjunto do antigo regime!<\/p>\n<p>A isto acrescentamos: Por um aumento imediato e geral dos sal\u00e1rios que corresponda ao custo da cesta b\u00e1sica familiar! Por um plano econ\u00f3mico de emerg\u00eancia e a redu\u00e7\u00e3o imediata da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio de forma que se garanta trabalho para todos! Pela expropria\u00e7\u00e3o das grandes empresas nacionais e multinacionais e do sistema financeiro!<\/p>\n<p>Como se viu nas mobiliza\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m est\u00e1 colocada a luta pela ruptura completa com o imperialismo: Ruptura imediata do Tratado de Camp David e com toda a subordina\u00e7\u00e3o financeira e pol\u00edtica do Ex\u00e9rcito com o imperialismo e Israel! N\u00e3o ao novo endividamento de 4,8 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares que Morsi e os militares est\u00e3o a negociar com os banqueiros de Washington! N\u00e3o ao pagamento da D\u00edvida Externa, para que esses recursos sejam convertidos em trabalho, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o para o povo eg\u00edpcio! Ruptura total com o FMI e todos os organismos imperialistas!<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a tarefa de derrubar Morsi e destruir o regime das For\u00e7as Armadas deve ser concebida como o primeiro passo no sentido da perspectiva estrat\u00e9gica de instaurar, de forma ininterrupta, um governo oper\u00e1rio, campon\u00eas e popular baseado nas organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e sociais e na sua pr\u00f3pria democracia. Para alcan\u00e7ar esse objetivo \u00e9 indispens\u00e1vel, no calor desta luta, construir um partido oper\u00e1rio, revolucion\u00e1rio e internacionalista.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Secretariado Internacional da LIT-QI<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo, 1 de julho de 2013<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Declara\u00e7\u00e3o da Liga Internacional dos Trabalhadores, Quarta Internacional O povo eg\u00edpcio mais uma vez estremece o mundo. A sua valorosa entrega, a sua persist\u00eancia tenaz e a sua poderosa energia revolucion\u00e1ria parecem inesgot\u00e1veis e iluminam o caminho da liberta\u00e7\u00e3o social \u00e0s classes exploradas de todos os pa\u00edses.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1251,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-1256","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-correio-internacional"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/egipto132.jpg?fit=400%2C267","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1256","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1256"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1256\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1251"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1256"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1256"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1256"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}