{"id":1250,"date":"2013-07-03T20:34:14","date_gmt":"2013-07-03T19:34:14","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2013\/07\/03\/brasil-sobre-as-tarefas-da-esquerda-e-das-organizacoes-dos-trabalhadores-no-momento-politico-atual\/"},"modified":"2013-07-03T20:34:14","modified_gmt":"2013-07-03T19:34:14","slug":"brasil-sobre-as-tarefas-da-esquerda-e-das-organizacoes-dos-trabalhadores-no-momento-politico-atual","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2013\/07\/03\/brasil-sobre-as-tarefas-da-esquerda-e-das-organizacoes-dos-trabalhadores-no-momento-politico-atual\/","title":{"rendered":"Brasil: Sobre as tarefas da esquerda e das organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores no momento pol\u00edtico atual"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Artigo<\/strong><a href=\"#idioma\"><sup>[1]<\/sup><\/a><strong> de Z\u00e9 Maria, presidente nacional do <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.pstu.org.br\" rel=\"noopener\">PSTU<\/a> do Brasil<br \/><\/strong><\/em><\/p>\n<p>Est\u00e1 em curso uma mudan\u00e7a profunda na situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica brasileira.  Por anos predominou no pa\u00eds uma relativa estabilidade na luta de  classes, numa rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as amplamente favor\u00e1vel \u00e0s classes  dominantes e controle pol\u00edtico bastante forte do governo de frente  popular encabe\u00e7ado pelo partido dos trabalhadores. At\u00e9 quatro semanas  atr\u00e1s, n\u00e3o havia muita d\u00favida, inclusive, sobre a probabilidade de  reelei\u00e7\u00e3o de Dilma nas elei\u00e7\u00f5es do ano que vem.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es de rua, que sacudiram o pa\u00eds nas \u00faltimas semanas,  causaram um furac\u00e3o pol\u00edtico nestas paragens. E elas devem continuar,  talvez com uma diminui\u00e7\u00e3o significativa do n\u00famero de participantes em  cada uma delas depois da Copa das Confedera\u00e7\u00f5es. Mas engana-se quem acha  que isto significa que o processo est\u00e1 se fechando e que tudo voltar\u00e1 a  ser como antes.<\/p>\n<p>Estamos apenas no in\u00edcio de um processo que tende a se aprofundar no  pr\u00f3ximo per\u00edodo, n\u00e3o necessariamente adotando a mesma forma  (manifesta\u00e7\u00f5es massivas de rua). Agora mesmo podemos identificar, na  generaliza\u00e7\u00e3o de pequenas manifesta\u00e7\u00f5es que est\u00e3o ocorrendo por todo o  pa\u00eds em torno a demandas locais ou espec\u00edficas, o quanto o processo se  espalha. Tudo indica que devemos ir a um aprofundamento do processo de  contesta\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica rec\u00e9m-inaugurado. E deve se manifestar  tamb\u00e9m nas lutas dos setores mais organizados da classe trabalhadora,  como as campanhas salariais j\u00e1 agora no segundo semestre.<\/p>\n<p>Por outro lado, uma das maiores fragilidades do processo de lutas  atual \u00e9 que ainda n\u00e3o entraram nele, com peso, os setores organizados da  classe trabalhadora, com seus m\u00e9todos de luta e suas reivindica\u00e7\u00f5es. O  futuro deste processo, a sa\u00edda que vai ser constru\u00edda para o pa\u00eds a  partir dele, vai depender de se, e como, a classe entra nesta luta.<\/p>\n<p>Se entrar com seus m\u00e9todos de luta e para cobrar dos governos, Dilma  em particular, o atendimento de suas reinvindica\u00e7\u00f5es e das demandas das  ruas, pode gestar condi\u00e7\u00f5es para que se deem mudan\u00e7as mais profundas no  pa\u00eds. Este quadro colocaria em quest\u00e3o o modelo econ\u00f4mico que o governo  do PT (copiando os governos do PSDB) aplica no pa\u00eds. E, com isso, os  privil\u00e9gios que a burguesia aqui instalada mantem \u00e0 custa do sacrif\u00edcio  que imp\u00f5e aos trabalhadores e ao povo pobre.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>A import\u00e2ncia do protesto nacional de 11 de julho<\/strong><\/p>\n<p>Dia 11 de julho foi definido pelas centrais sindicais como um dia de  greves, paralisa\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es em defesa da pauta comum definida  na reuni\u00e3o realizada em S\u00e3o Paulo no dia 26 passado. Mas \u00e9 preciso que o  norte estabelecido naquela reuni\u00e3o n\u00e3o se perca: trata-se de um dia de  lutas para cobrar dos governos o atendimento das reivindica\u00e7\u00f5es da nossa  classe e das demandas das manifesta\u00e7\u00f5es das ruas.<\/p>\n<p>\u00c9 grande a responsabilidade das centrais sindicais, os sindicatos, os  movimentos sociais que tem compromisso com os trabalhadores em nosso  pa\u00eds. Ser\u00e1 um primeiro grande teste para a entrada em cena da classe  trabalhadora, com suas reivindica\u00e7\u00f5es, com seus m\u00e9todos de luta. Assim  fortaleceremos as mobiliza\u00e7\u00f5es que j\u00e1 ocorrem no pa\u00eds e reuniremos mais  for\u00e7a para conquistar nossas reivindica\u00e7\u00f5es e for\u00e7armos os governos a  atenderem as demandas das mobiliza\u00e7\u00f5es de rua, que s\u00e3o tamb\u00e9m demandas  da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Apenas um primeiro passo de uma longa jornada<\/strong><\/p>\n<p>A satisfa\u00e7\u00e3o das reivindica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores e das demandas das  ruas implica em virar de cabe\u00e7a para baixo a pol\u00edtica econ\u00f4mica aplicada  hoje no pa\u00eds. O atendimento das necessidades dos trabalhadores n\u00e3o cabe  dentro do modelo econ\u00f4mico aplicado pelo governo Dilma. Este modelo  assegura o privil\u00e9gio dos bancos, das grandes empresas, das empreiteiras  e do agroneg\u00f3cio. Imposs\u00edvel atender as necessidades dos trabalhadores  sem romper com isso.<\/p>\n<p>Sem parar o pagamento da d\u00edvida externa e interna; sem parar o  processo de privatiza\u00e7\u00f5es e reverter aquilo que j\u00e1 foi privatizado; sem  parar de dar dinheiro p\u00fablico para as grandes empresas; sem libertar o  pa\u00eds do jugo dos bancos, estatizando o sistema financeiro; enfim, sem  medidas de fundo como estas, n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para as mudan\u00e7as  que os trabalhadores e o povo pobre precisam que seja feita no Brasil.  Por isso mesmo, trata-se de uma luta muito dura a que temos pela frente.  Trata-se de uma luta contra o modelo econ\u00f4mico vigente no pa\u00eds, contra  os interesses dos grandes empres\u00e1rios que est\u00e3o resguardados neste  modelo e, portanto, tamb\u00e9m contra o governo que o aplica.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 o governo Dilma, do PT, mas tamb\u00e9m os governos estaduais e  municipais, do PT, PSDB, PMDB, etc. S\u00e3o estes governos, com suas  escolhas acerca do que fazer com os recursos e a riqueza do pa\u00eds, os  respons\u00e1veis pelas mazelas que afligem a vida dos trabalhadores e do  povo pobre. E que, com a repress\u00e3o e criminaliza\u00e7\u00e3o da luta dos  trabalhadores,tratam de manter a ferro e fogo a explora\u00e7\u00e3o do nosso povo  para enriquecer os banqueiros e grandes empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>Por esta raz\u00e3o o passo que damos agora, no dia 11 de julho, \u00e9 apenas  um primeiro passo. Que pode e deve desencadear uma longa jornada de  lutas. Ao inv\u00e9s do que a\u00ed est\u00e1, precisamos lutar por outro modelo  econ\u00f4mico para o pa\u00eds que, ao inv\u00e9s de privilegiar o grande capital,  privilegie os interesses e as necessidades dos trabalhadores.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-1249\" style=\"margin: 5px; float: left;\" alt=\"11jul13_brasil_greve\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/alternativa.mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/11jul13_brasil_greve.jpg?resize=450%2C341\" height=\"341\" width=\"450\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/11jul13_brasil_greve.jpg?w=450 450w, https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/11jul13_brasil_greve.jpg?resize=300%2C227 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/>N\u00e3o ser\u00e1 uma luta f\u00e1cil, n\u00e3o s\u00e3o pequenos os interesses envolvidos.  Por isso \u00e9 preciso pensar desde j\u00e1 como avan\u00e7ar na constru\u00e7\u00e3o de formas  de luta mais agudas, que responda \u00e0 necessidade do enfrentamento que  est\u00e1 colocado. Entra aqui a necessidade da constru\u00e7\u00e3o de uma greve geral  no pa\u00eds, que eleve o patamar da contesta\u00e7\u00e3o e a for\u00e7a da luta da nossa  classe.<\/p>\n<p>E \u00e9 na esteira desta luta que nossa classe precisar\u00e1 forjar uma  alternativa pol\u00edtica, de governo e de poder, que ultrapasse a velha  polariza\u00e7\u00e3o PT versus PSDB, pois estas duas alternativas defendem o  mesmo modelo econ\u00f4mico que a\u00ed est\u00e1. Precisamos de um governo da classe  trabalhadora, que possa enfrentar os privil\u00e9gios dos grandes  capitalistas e mudar o Brasil, assegurando que os recursos do pa\u00eds e a  riqueza produzida pelo trabalho do povo sejam utilizados para assegurar  vida digna a todos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>O dilema das organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores que apoiam o governo<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 emblem\u00e1tico o fato de a dire\u00e7\u00e3o da CUT, j\u00e1 no dia seguinte \u00e0 reuni\u00e3o  das centrais que convocou o dia 11 (e depois da audi\u00eancia com a  presidente Dilma), anunciar o embarque da central \u201ccom todas as suas  for\u00e7as\u201d na campanha em defesa da reforma pol\u00edtica e do plebiscito  proposto pela presidenta. E isso depois de declarar \u00e0 imprensa que \u201cn\u00e3o  foi \u00e0 reuni\u00e3o para discutir com a presidenta as reivindica\u00e7\u00f5es dos  trabalhadores\u201d.<\/p>\n<p>O site da CUT desde ent\u00e3o trata a reforma pol\u00edtica como reivindica\u00e7\u00e3o  hist\u00f3rica da central e diz que esta bandeira ganhou as ruas em todo o  pa\u00eds (sic). A resolu\u00e7\u00e3o adotada na \u00faltima reuni\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o da CUT  central apoia a pauta definida conjuntamente pelas centrais, mas  acrescenta que a central vai fazer uma campanha pela reforma pol\u00edtica  com plebiscito.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a dire\u00e7\u00e3o CUT que pende para este lado. A dire\u00e7\u00e3o de  alguns movimentos sociais importantes tamb\u00e9m tem insistido em \u201cunir a  esquerda\u201d sob estas bandeiras (reforma pol\u00edtica e plebiscito) que, n\u00e3o  por coincid\u00eancia, s\u00e3o as principais bandeiras pol\u00edticas do governo Dilma  neste momento.<\/p>\n<p>Aqui, de fato, a estrat\u00e9gia n\u00e3o \u00e9 gestar uma sa\u00edda que questione o  modelo econ\u00f4mico atual, que promova as mudan\u00e7as que as manifesta\u00e7\u00f5es  reclamam nas ruas e os trabalhadores precisam para avan\u00e7ar em suas  conquistas. O que se pretende \u00e9 fazer com que o movimento dos  trabalhadores possa ser usado na defesa do pr\u00f3prio governo. Dessa forma  seria poss\u00edvel, como diz o ditado, \u201cmudar tudo para deixar tudo como  estava\u201d. A estrat\u00e9gia \u00e9 salvar o governo do PT agora, e buscar  viabilizar sua continuidade nas elei\u00e7\u00f5es do ano que vem.<\/p>\n<p>Para tentar justificar essa pol\u00edtica, volta o velho e surrado  argumento do \u201cgoverno em disputa\u201d e que, apoiado nestas manifesta\u00e7\u00f5es se  pode enfraquecer a direita dentro do governo e traz\u00ea-lo para a  esquerda. O pequeno problema \u00e9 que os principais defensores das  pol\u00edticas neoliberais dentro do governo s\u00e3o justamente a presidenta da  rep\u00fablica, o ministro da fazenda e a ministra do planejamento. E s\u00e3o  todos do PT!<\/p>\n<p>Como pode restar d\u00favida quanto a isso, quando se analisa o que este  governo faz pelo o Agroneg\u00f3cio, por um lado, e pela reforma agr\u00e1ria por  outro? Quando tira dinheiro da previd\u00eancia para ajudar as empresas por  um lado (desonera\u00e7\u00e3o da folha de sal\u00e1rios) e nega o fim do fator  previdenci\u00e1rio aos trabalhadores? A \u00fanica disputa que existe dentro  deste governo \u00e9 entre os setores que querem privilegiar mais o capital  industrial contra aqueles que querem privilegiar mais o capital banc\u00e1rio  (que nem s\u00e3o interesses t\u00e3o distintos assim).<\/p>\n<p>Na verdade, estes setores da esquerda est\u00e3o diante de um dilema e  precisam fazer uma escolha: ou ficam do lado dos trabalhadores e a luta  pelo atendimento de suas reivindica\u00e7\u00f5es \u2013 que n\u00e3o tem como n\u00e3o ser uma  luta contra os governos que a\u00ed est\u00e3o, Dilma inclusive &#8211; ou ficam do lado  do governo e v\u00e3o ter de abandonar a luta em defesa dos interesses da  nossa classe. Estas duas alternativas s\u00e3o completamente incompat\u00edveis  uma com a outra.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>O fantasma da amea\u00e7a de golpe da direita<\/strong><\/p>\n<p>Esse \u00e9 outro argumento que n\u00e3o se sustenta na realidade. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma  possibilidade de a direita dirigir este processo de lutas para dar um  golpe de estado no pa\u00eds. Primeiro, porque 90% das demandas levantadas  nas manifesta\u00e7\u00f5es choca-se de frente com os privil\u00e9gios da direita que  s\u00e3o garantidos pelo modelo econ\u00f4mico vigente aplicado pelo governo que  a\u00ed est\u00e1. O grande empresariado tem sido beneficiado pelos governos do PT  com uma lucratividade \u201cnunca antes vista neste pa\u00eds\u201d, como gosta de  dizer, com propriedade \u00e9 bom que se diga, o ex-presidente Lula.<\/p>\n<p>Assim, n\u00e3o h\u00e1 base pol\u00edtica na burguesia aqui instalada (seja  nacional, seja multinacional) para a\u00e7ular militares a darem uma  quartelada. Militares que, ali\u00e1s, est\u00e3o solidamente disciplinados  apoiando o poder civil. As \u00fanicas movimenta\u00e7\u00f5es de militares que se v\u00ea  no pa\u00eds s\u00e3o aquelas destinadas a reprimir os manifestantes. Inclui-se  aqui a For\u00e7a Nacional e o Ex\u00e9rcito Brasileiro que, por determina\u00e7\u00e3o do  governo Dilma, foram usados na repress\u00e3o na \u00faltima manifesta\u00e7\u00e3o em Belo  Horizonte (26\/6). Os grupos de ultradireita que tem atacado  manifestantes nas mobiliza\u00e7\u00f5es de rua s\u00e3o um fen\u00f4meno normal numa  situa\u00e7\u00e3o de polariza\u00e7\u00e3o da luta de classes como a que estamos vivendo,  mas s\u00e3o irrelevantes no cen\u00e1rio pol\u00edtico nacional. Seria ris\u00edvel  creditar a estes grupos qualquer possibilidade de desestabiliza\u00e7\u00e3o do  regime pol\u00edtico vigente.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o bastassem estes argumentos h\u00e1 outro, que n\u00e3o podemos nos  esquecer: a maior parte da direita brasileira sequer pensa na hip\u00f3tese  de um golpe contra o governo, pela simples raz\u00e3o de que ela est\u00e1 dentro  do governo. O que \u00e9 o PMDB, o PP, o PR, o PRB, o PSD, s\u00f3 para dar alguns  exemplos? Jos\u00e9 Sarney, Henrique Alves, Collor de Melo, Francisco  Dorneles, s\u00e3o o qu\u00ea, sen\u00e3o representantes da direita tradicional do pa\u00eds  dentro do governo. Ficam de fora apenas o PSDB e o DEM que, obviamente  querem aproveitar a crise atual para se cacifar para as elei\u00e7\u00f5es do ano  que vem.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Reforma Pol\u00edtica e Plebiscito<\/strong><\/p>\n<p>O governo acena com uma reforma no sistema pol\u00edtico atrav\u00e9s de um  plebiscito como sua principal proposta frente \u00e0 crise. E serve apenas  para desviar a aten\u00e7\u00e3o das demandas concretas dos trabalhadores.  Apoia-se em um sentimento de rep\u00fadio da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o  generalizada e aos desmandos das autoridades e dos pol\u00edticos para tentar  vender essa reforma como uma solu\u00e7\u00e3o para as mazelas que afligem a vida  da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00f3s tamb\u00e9m achamos que o sistema pol\u00edtico brasileiro, dominado pelo  poder econ\u00f4mico e pela corrup\u00e7\u00e3o, precisa sim mudar, ningu\u00e9m aguenta  mais tanta bandalheira. Mas n\u00e3o pense a presidenta que as pessoas v\u00e3o  ser enroladas dessa forma. A popula\u00e7\u00e3o quer sim discutir mudan\u00e7as no  sistema pol\u00edtico, mas n\u00e3o aceitar\u00e1 que esta discuss\u00e3o seja apenas uma  forma de fugir do atendimento das demandas concretas que est\u00e3o postas  pelas manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Se a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 plebiscito, por que ent\u00e3o n\u00e3o convocar um plebiscito  para que o povo decida se o pa\u00eds deve ou n\u00e3o aplicar 10% do PIB na  educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, j\u00e1? Porque n\u00e3o perguntar no Plebiscito, se o povo  concorda, sim ou n\u00e3o, que o pa\u00eds continue a destinar metade do or\u00e7amento  federal (foram 750 bilh\u00f5es de reais no ano passado) para banqueiros e  grandes especuladores, sob a forma de pagamento de uma d\u00edvida que  ningu\u00e9m sabe se existe?<\/p>\n<p>Porque n\u00e3o perguntar no Plebiscito se o povo \u00e9 a favor de leiloar as  reservas de petr\u00f3leo que o pa\u00eds tem, para as empresas privadas  estrangeiras? Ou ent\u00e3o se o povo \u00e9 a favor, sim ou n\u00e3o, de o governo  continuar priorizando o agroneg\u00f3cio para exporta\u00e7\u00e3o ao inv\u00e9s de fazer a  reforma agr\u00e1ria e garantir a produ\u00e7\u00e3o de alimentos para o povo  brasileiro?<\/p>\n<p>Se o assunto que se quer \u00e9 reforma pol\u00edtica, \u00e9 mudar o sistema  pol\u00edtico, poderia come\u00e7ar por perguntar se o povo \u00e9 a favor, sim ou n\u00e3o,  de que o sal\u00e1rio de um deputado, senador ou presidente da rep\u00fablica,  seja igual ao sal\u00e1rio de um professor? Se o povo \u00e9 a favor, sim ou n\u00e3o,  da revogabilidade do mandato do pol\u00edtico que n\u00e3o cumprir seus  compromissos de campanha? Se o povo \u00e9 a favor, sim ou n\u00e3o, de cadeia e  confisco dos bens de todos os corruptos e corruptores?<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o s\u00e3o estas respostas que procuram aqueles que prop\u00f5em o  plebiscito. Querem tratar de temas que apenas ajudar\u00e3o os mesmos  pol\u00edticos e partidos que sempre dominaram a pol\u00edtica brasileira a  definir como \u00e9 que v\u00e3o continuar dominando. Trata-se de uma cortina de  fuma\u00e7a para tentar proteger o governo &#8211; e os interesses da direita que  este governo defende &#8211; da cobran\u00e7a das manifesta\u00e7\u00f5es de rua, e tentar  evitar que os trabalhadores cobrem o atendimento de suas reivindica\u00e7\u00f5es.  Dif\u00edcil que este artif\u00edcio atinja seus objetivos no quadro pol\u00edtico  atual.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><a name=\"idioma\"><\/a>[1] em portugu\u00eas do Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo[1] de Z\u00e9 Maria, presidente nacional do PSTU do Brasil Est\u00e1 em curso uma mudan\u00e7a profunda na situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica brasileira. Por anos predominou no pa\u00eds uma relativa estabilidade na luta de classes, numa rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as amplamente favor\u00e1vel \u00e0s classes dominantes e controle pol\u00edtico bastante forte do governo de frente popular encabe\u00e7ado pelo partido dos trabalhadores. At\u00e9 quatro semanas atr\u00e1s, n\u00e3o havia muita d\u00favida, inclusive, sobre a probabilidade de reelei\u00e7\u00e3o de Dilma nas elei\u00e7\u00f5es do ano que vem.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1248,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-1250","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/assembleia_jul13_brasil.jpg?fit=400%2C238","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1250","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1250"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1250\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1248"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1250"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1250"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1250"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}