{"id":1179,"date":"2013-05-25T17:48:53","date_gmt":"2013-05-25T16:48:53","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2013\/05\/25\/rodear-a-revolucao-siria-com-solidariedade-activa\/"},"modified":"2013-05-25T17:48:53","modified_gmt":"2013-05-25T16:48:53","slug":"rodear-a-revolucao-siria-com-solidariedade-activa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2013\/05\/25\/rodear-a-revolucao-siria-com-solidariedade-activa\/","title":{"rendered":"Rodear a Revolu\u00e7\u00e3o S\u00edria com solidariedade activa!"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Declara\u00e7\u00e3o da Liga Internacional dos Trabalhadores &#8211; IV Internacional<\/em><\/strong><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ao entrar em seu terceiro ano, a revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria continua e se agrava ao m\u00e1ximo. O povo s\u00edrio, que empunhou as armas para se libertar da sanguin\u00e1ria ditadura de Bashar Al Assad, segue dando impressionantes mostras de hero\u00edsmo e sacrif\u00edcio ao enfrentar um inimigo que det\u00e9m superioridade militar e que demonstrou estar disposto a cometer os crimes mais atrozes e at\u00e9 um genoc\u00eddio com o objetivo de conservar o poder.<\/p>\n<p>Uma sangrenta guerra civil atravessa o pa\u00eds. A situa\u00e7\u00e3o de morte e destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 dram\u00e1tica e suas consequ\u00eancias perdurar\u00e3o por d\u00e9cadas. Apenas como par\u00e2metro, o Observat\u00f3rio S\u00edrio de Direitos Humanos informou que a cifra de mortos desde o in\u00edcio do conflito armado estaria entre 94.000 e 120.000 pessoas. Nesta estimativa, que sem d\u00favidas \u00e9 superada pela realidade, contam-se 47.387 civis, entre eles 4.788 crian\u00e7as e 3.048 mulheres.<\/p>\n<p>A isto se soma o drama dos que tiveram que fugir de seus lares por causa do conflito. A ONU informou que existem mais de 4 milh\u00f5es de deslocados internos&nbsp; e o n\u00famero de pessoas que abandonou o pa\u00eds supera o milh\u00e3o e meio. Diariamente as fronteiras s\u00edrias s\u00e3o cruzadas por cerca de 10 mil pessoas, das quais a metade s\u00e3o crian\u00e7as. Nas \u00faltimas 10 semanas foram meio milh\u00e3o de civis. \u00c9 comum, neste penoso \u00eaxodo, que aldeias inteiras cheguem \u00e0s fronteiras do L\u00edbano, Jord\u00e2nia, Turquia ou Iraque, ap\u00f3s v\u00e1rios dias de caminhada e de sofrer ataques por parte do ex\u00e9rcito leal ao regime. Acolhidos por estes pa\u00edses, precisam sobreviver em condi\u00e7\u00f5es infra-humanas, suportando a fome e os flagelos clim\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Em meio a este dantesco panorama, produto dos crimes de al Assad, desenvolve-se a revolu\u00e7\u00e3o e a guerra civil s\u00edria, sem d\u00favidas a ponta de lan\u00e7a e a principal arena onde se define a continuidade da onda de revolu\u00e7\u00f5es que sacodem o Norte da \u00c1frica e do Oriente M\u00e9dio desde o fim de 2010. Qual \u00e9 o curso da situa\u00e7\u00e3o militar e pol\u00edtica? Quais s\u00e3o os problemas que a revolu\u00e7\u00e3o enfrenta para poder triunfar? Quais s\u00e3o as perspectivas? Qual \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o que os revolucion\u00e1rios devem adotar frente ao principal confronto da luta de classes na atualidade?<\/p>\n<p><strong>Uma contraofensiva de Assad com o protagonismo do Hezbollah<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 alguns meses, o curso da guerra civil propiciava uma s\u00e9rie de avan\u00e7os das for\u00e7as rebeldes que, em certo sentido, diminu\u00edram a enorme diferen\u00e7a quanto ao poderio militar. No entanto, nas \u00faltimas semanas, esta situa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a mudar e hoje se desenvolve uma forte contraofensiva do ex\u00e9rcito leal ao tirano, que conseguiu retomar pontos importantes antes controlados pelos rebeldes.<\/p>\n<p>A contraofensiva do regime, que parecia esgotado e amargurava uma s\u00e9rie de derrotas pontuais, baseia-se em um elemento novo e de muita import\u00e2ncia pol\u00edtica e militar: a entrada de forma aberta e contundente dos combatentes do Hezbollah, a partido-mil\u00edcia xiita liban\u00eas, no campo militar da ditadura s\u00edria.<\/p>\n<p>Este n\u00e3o \u00e9 um fato de pouca import\u00e2ncia, pois se trata de uma das mais poderosas organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-militares do Oriente M\u00e9dio. De fato, a participa\u00e7\u00e3o de milhares de combatentes do Hezbollah a servi\u00e7o do regime s\u00edrio demonstrou-se qualitativa em Homs, um dos centros da revolu\u00e7\u00e3o e a terceira cidade em import\u00e2ncia do pa\u00eds, que est\u00e1 sob ass\u00e9dio permanente. Sem a ajuda do Hezbollah, dificilmente a ditadura teria retomado, por exemplo, Wadi al Sayeh, um bairro estrat\u00e9gico. O bombardeio em Homs \u00e9 incessante e infernal e est\u00e1 transformando essa cidade em escombros. \u00c0 chuva de projeteis, seguem-se incurs\u00f5es terrestres, que segundo relat\u00f3rios rebeldes, s\u00e3o lideradas por combatentes do Hezbollah. O objetivo imediato do regime seria recuperar o controle da estrada que liga essa cidade com Hama.<\/p>\n<p>As for\u00e7as do Hezbollah tamb\u00e9m tiveram um papel de vanguarda nas vit\u00f3rias parciais que o regime conseguiu em Damasco, onde reconquistou postos de controle em Zamalka e consolidou a recupera\u00e7\u00e3o de Qaysa, ambas localizadas a leste da cidade. Desde estes pontos da periferia, que foram defendidos a duras penas pelas mil\u00edcias rebeldes at\u00e9 sua queda, o regime pode agora bloquear importantes rotas de envio de armas e fornecimentos para o Ex\u00e9rcito Livre de S\u00edria (ESL).<\/p>\n<p>Desta forma, o Hezbollah, que conseguiu uma importante autoridade e a admira\u00e7\u00e3o de milhares de ativistas em todo o mundo por ter derrotado a invas\u00e3o de Israel ao L\u00edbano em 2006, na guerra civil s\u00edria est\u00e1 cumprindo um papel literalmente contrarrevolucion\u00e1rio, colocando toda sua autoridade pol\u00edtica e seu poder militar a servi\u00e7o da sustenta\u00e7\u00e3o da ditadura da fam\u00edlia Assad.<\/p>\n<p>Este elemento leva-nos a reafirmar uma conclus\u00e3o: a esta altura da guerra civil, a ditadura mant\u00e9m-se no poder fundamentalmente devido ao apoio externo que recebe, como \u00e9 sabido, n\u00e3o s\u00f3 do Hezbol\u00e1, mas tamb\u00e9m do regime teocr\u00e1tico e reacion\u00e1rio do Ir\u00e3, que lhe proporciona m\u00edsseis e especialistas militares; da R\u00fassia, que lhe prov\u00ea armas modernas e dispositivos antia\u00e9reos, al\u00e9m de todo o trabalho diplom\u00e1tico e o peso de sua base naval em Tartus; e de pa\u00edses como a Venezuela governada pelo chavismo, que lhe fornece uma parte do combust\u00edvel utilizado pela avia\u00e7\u00e3o do regime para bombardear os rebeldes e a popula\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n<p><strong>Intensifica\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos genocidas<\/strong><\/p>\n<p>A todo este apoio externo, nada desprez\u00edvel, soma-se uma pol\u00edtica de intensifica\u00e7\u00e3o do uso do terror e de promo\u00e7\u00e3o dos massacres contra a popula\u00e7\u00e3o civil por parte do regime. H\u00e1 poucas semanas, no litoral, ber\u00e7o da fam\u00edlia Assad, as tropas da ditadura e seus bandos de shabihas (mercen\u00e1rios do regime) cometeram atrozes matan\u00e7as nas localidades de Banias e Baydas, na prov\u00edncia de Tartus, onde os mercen\u00e1rios de Bashar entraram casa por casa para saquear, degolar e estuprar mais de 150 pessoas em cada lugar, muitas delas mulheres e meninas.<\/p>\n<p>No marco desta din\u00e2mica genocida, os rebeldes denunciam que Assad emprega armas qu\u00edmicas letais, sobretudo o g\u00e1s sarin, contra as mil\u00edcias e a popula\u00e7\u00e3o civil. De fato, n\u00e3o \u00e9 segredo que Assad disp\u00f5e de um dos maiores arsenais de armas qu\u00edmicas da regi\u00e3o. Trata-se, nada menos, de mil toneladas de g\u00e1s sarin, g\u00e1s mostarda e o agente nervoso VX, al\u00e9m de cianureto, armazenados em pelo menos 17 pontos diferentes do pa\u00eds (El Pa\u00eds).<\/p>\n<p><strong>A pol\u00edtica do imperialismo\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Nesta situa\u00e7\u00e3o, analisemos a pol\u00edtica aplicada pelo imperialismo, com sua estrat\u00e9gia de derrotar a revolu\u00e7\u00e3o e estabilizar o pa\u00eds e a regi\u00e3o, para o qual precisa tirar Assad do poder, antes que as massas insurretas o fa\u00e7am e, com sua a\u00e7\u00e3o vitoriosa, insuflem ainda mais a situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria em uma regi\u00e3o central para os interesses das grandes pot\u00eancias.<\/p>\n<p>As den\u00fancias formais sobre a utiliza\u00e7\u00e3o, por parte de Assad, de armas qu\u00edmicas, criaram um clima de press\u00e3o no sentido de uma interven\u00e7\u00e3o militar norte-americana na S\u00edria, j\u00e1 que Obama tinha anunciado, meses atr\u00e1s, que essa seria a \u201clinha vermelha\u201d para empreender uma a\u00e7\u00e3o militar de seu governo contra o regime de Damasco.<\/p>\n<p>No entanto, a pol\u00edtica do imperialismo n\u00e3o passa por uma interven\u00e7\u00e3o militar com suas tropas. N\u00e3o somente devido \u00e0 crise econ\u00f4mica, \u00e0 falta de consenso internacional e \u00e0 fortaleza relativa do ex\u00e9rcito de Assad (superior ao de Kadafi), mas fundamentalmente por raz\u00f5es pol\u00edticas, que t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com a derrota militar do imperialismo norte-americano no Iraque e no Afeganist\u00e3o (com efeitos dentro dos pr\u00f3prios Estados Unidos) e a necessidade de se mover com cautela em uma regi\u00e3o que vive um forte processo revolucion\u00e1rio que os EUA pretendem conter.<\/p>\n<p>Neste sentido, o pr\u00f3prio Obama foi enf\u00e1tico ao declarar: \u201cN\u00e3o posso imaginar um palco no qual a presen\u00e7a de tropas norte-americanas n\u00e3o seja proveitosa nem para S\u00edria nem para os Estados Unidos\u201d (El Pa\u00eds). Neste sentido, complementou dizendo que n\u00e3o atuar\u00e1 ao pre\u00e7o de \u201cprovocar um caos\u201d em toda a regi\u00e3o. No entanto, disse que n\u00e3o poderia descartar \u201coutras a\u00e7\u00f5es militares\u201d menos \u201carriscadas\u201d. \u00c9 claro que, devido a seu custo pol\u00edtico, uma invas\u00e3o com tropas terrestres n\u00e3o figura entre suas op\u00e7\u00f5es atuais.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 nos planos do imperialismo, por exemplo, armar as mil\u00edcias rebeldes com o necess\u00e1rio para vencer (avi\u00f5es, m\u00edsseis antia\u00e9reos, tanques, etc.), pois sabe que estaria armando e fortalecendo uma revolu\u00e7\u00e3o popular que amea\u00e7a seus interesses. No m\u00e1ximo, atrav\u00e9s de Qatar, Ar\u00e1bia Saudita e outros pa\u00edses do Golfo, enviam-se armamentos leves a certos setores e brigadas rebeldes, sobretudo \u00e0quelas unidas ao islamismo salafista, segundo den\u00fancias de ativistas s\u00edrios e o jornal espanhol El Pa\u00eds; exatamente porque estes s\u00e3o os setores mais pr\u00f3ximos a essas petromonarquias e que, embora agora enfrentem o regime, t\u00eam uma vis\u00e3o de que a luta \u00e9 sect\u00e1ria, confessional-religiosa, entre xiitas-alauitas e sunitas e n\u00e3o do povo s\u00edrio contra a tirania do Baath.<\/p>\n<p>Desta forma, dividindo e afastando outros setores \u00e9tnicos e religiosos da luta revolucion\u00e1ria, mil\u00edcias como a Frente al Nusra (que declarou fidelidade \u00e0 al Qaeda e \u00e9 supostamente financiado pelo Qatar) terminam fazendo o jogo da ditadura. Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 casual que eles recebam mais armas e apoio que os setores laicos, como o ESL, que combate com muito mais dificuldades para se abastecer.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica do imperialismo para derrotar a revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria continua sendo impulsionar uma sa\u00edda negociada, que alije Assad do poder (garantindo-lhe impunidade) e que salve o essencial do regime e consiga estabilizar o pa\u00eds e a regi\u00e3o. Isto se resume, nas palavras do secret\u00e1rio de Estado dos EUA, John Kerry, que deseja que \u201ctodas as partes sentem-se \u00e0 mesa e possa ser estabelecido um governo de transi\u00e7\u00e3o com o consentimento de ambas as partes, o que, a nosso julgamento significa claramente que o presidente al Assad n\u00e3o far\u00e1 parte do mesmo\u201d (ABC).<\/p>\n<p>Com este objetivo, a diplomacia norte-americana reuniu-se com o presidente russo Vladimir Putin e, posteriormente, com o premi\u00ea brit\u00e2nico David Cameron. A pol\u00edtica aprovada foi concretizar uma \u201cconfer\u00eancia de paz\u201d sobre a S\u00edria no in\u00edcio de junho pr\u00f3ximo, onde, conforme a declara\u00e7\u00e3o de Obama: \u201cReuniremos membros do regime e da oposi\u00e7\u00e3o em Genebra para chegar a um acordo sobre um Governo transit\u00f3rio que possa tomar o poder ap\u00f3s [a partida de] Assad\u201d (El Pa\u00eds).<\/p>\n<p><strong>\u2026e os ataques de Israel<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 no marco desta pol\u00edtica que, em nossa opini\u00e3o, devemos enquadrar os recentes ataques a\u00e9reos de Israel contra instala\u00e7\u00f5es militares s\u00edrias. Em primeiro lugar, tais agress\u00f5es sionistas n\u00e3o merecem sen\u00e3o nossa mais severa condena\u00e7\u00e3o e oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 importante esclarecer que, embora debilite em certa medida o potencial militar de Assad, n\u00e3o podem ser vistos pelos lutadores s\u00edrios nem por um segundo como uma \u201cajuda\u201d \u00e0 causa revolucion\u00e1ria, pois Israel \u00e9 um dos mais interessados na derrota da revolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 na S\u00edria, mas em toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Nem por isso, tamb\u00e9m, Assad pode ser apresentado \u2013 ou defendido- como um \u201clutador antissionista\u201d &#8211; como ele mesmo e a maioria da esquerda o faz &#8211; pois h\u00e1 40 anos n\u00e3o dispara um \u00fanico tiro nem fez nada contra Israel para recuperar as Colinas de Golan (territ\u00f3rio s\u00edrio ocupado pelos sionistas em 1967), nem pensa faz\u00ea-lo agora.<\/p>\n<p>Tal como assinala a declara\u00e7\u00e3o do Conselho Militar Revolucion\u00e1rio de Damasco, importante organiza\u00e7\u00e3o rebelde;&nbsp; \u201c(\u2026) enfatizamos que nossa luta contra o regime de Assad n\u00e3o nos fez e n\u00e3o nos far\u00e1 esquecer nosso maior inimigo, Israel (\u2026) \u00c0 luz disto, inequivocamente, condenamos a recente agress\u00e3o israelense ao territ\u00f3rio s\u00edrio e a consideramos uma viola\u00e7\u00e3o da soberania de nosso pa\u00eds. Ap\u00f3s a restaura\u00e7\u00e3o de um ex\u00e9rcito patri\u00f3tico, poss\u00edvel apenas ap\u00f3s a derrubada das gangues da fam\u00edlia Assad, responderemos a Israel em atos, e n\u00e3o em palavras, como Assad se acostumou a fazer (Conselhos revolucion\u00e1rios da S\u00edria condenam ataque israelense).<\/p>\n<p>Neste sentido, parece-nos que, ao analisar os motivos dos ataques sionistas, seria superficial&nbsp; determo-nos no suposto envio de armas sofisticadas (m\u00edsseis iranianos) por parte de Assad para o Hezbollah, como dizem Israel e a imprensa internacional. Sobretudo porque, no meio de uma guerra civil onde o regime joga a vida ou a morte, \u00e9 dif\u00edcil que o regime se despoje e mande para fora armas deste tipo, quando as precisa dentro do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Por isso, aprofundando o tema, \u00e9 poss\u00edvel que os ataques seletivos de Israel (que tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 interessada em uma guerra com o regime de Assad), estejam a servi\u00e7o da pol\u00edtica geral do imperialismo, isto \u00e9, no sentido de for\u00e7ar o regime a negociar uma transi\u00e7\u00e3o. Seria um \u201ccala-boca\u201d, sobretudo em momentos em que Assad, encorajado por seus avan\u00e7os militares e pelo apoio material de seus aliados externos, resiste em negociar, e nem sequer pretende assistir \u00e0 citada \u201cconfer\u00eancia de paz\u201d.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, o imperialismo, impossibilitado de intervir militarmente, faz um jogo no qual, por um lado se localiza do lado da oposi\u00e7\u00e3o ao regime, sobretudo da moderada Coaliz\u00e3o Nacional S\u00edria, mas condicionando at\u00e9 sua autoridade, bem como n\u00e3o est\u00e1 disposto a armar os rebeldes para derrubar Assad e, por outro, tamb\u00e9m n\u00e3o pode permitir um esmagamento militar dos rebeldes pela ditadura. Um equil\u00edbrio dif\u00edcil que aponta a um desgaste geral para for\u00e7ar uma sa\u00edda negociada. Para isso, valeu-se da for\u00e7a militar de seu enclave dentro da regi\u00e3o, Israel, para demonstrar a Assad e sua guarda pretoriana que a melhor solu\u00e7\u00e3o ao conflito seria seguir o caminho que&nbsp; Estados Unidos e seus aliados est\u00e3o tra\u00e7ando: um acordo por cima para evitar um triunfo revolucion\u00e1rio das massas s\u00edrias.<\/p>\n<p><strong>Tudo para que a revolu\u00e7\u00e3o triunfe! Participemos do Dia Global de Solidariedade com a Revolu\u00e7\u00e3o S\u00edria!<\/strong><\/p>\n<p>Nestes momentos em que o regime de Assad empreende uma brutal contraofensiva com a colabora\u00e7\u00e3o do Hezbollah e com armas e assessores militares do Ir\u00e3 e da R\u00fassia, baseada em a\u00e7\u00f5es genocidas contra o povo s\u00edrio, como os massacres atrozes e o uso de gases t\u00f3xicos, reiteramos que n\u00e3o existe tarefa mais urgente do que envolver com todo o apoio e solidariedade ativa a causa da revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria.<\/p>\n<p>Trata-se do principal confronto, atualmente, da revolu\u00e7\u00e3o e da contrarrevolu\u00e7\u00e3o mundial. Uma vit\u00f3ria ou uma derrota na S\u00edria teriam impactos muito fortes na regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio e no mundo. N\u00e3o \u00e9 um combate long\u00ednquo, sem rela\u00e7\u00e3o com a realidade dos demais pa\u00edses, \u00e9 parte de uma luta global dos oprimidos contra os opressores.<\/p>\n<p>No entanto, infelizmente, contrariamente aos processos anteriores do Egito ou da Tun\u00edsia, a revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria (como ocorreu com a revolu\u00e7\u00e3o l\u00edbia), encontra-se isolada, pois a maioria da esquerda mundial (capitaneada pela influ\u00eancia do castro-chavismo) coloca-se de forma criminosa ao lado do ditador e contra as massas que o questionam. Para justificar este crime pol\u00edtico, usam argumentos falsos, como afirmar que estes ditadores sanguin\u00e1rios seriam l\u00edderes \u201canti-imperialistas\u201d ou \u201cantissionistas\u201d v\u00edtimas de uma \u201cconspira\u00e7\u00e3o internacional\u201d; quando o que sucede, na verdade, \u00e9 que h\u00e1 d\u00e9cadas se prostram e entregam tudo ao imperialismo e agora enfrentam (ou enfrentaram, no caso de Kadafi) a luta de seus povos, aos quais sempre oprimiram e reprimiram de forma brutal.<\/p>\n<p>Ante a trai\u00e7\u00e3o da maioria da esquerda, \u00e9 imperioso romper o isolamento pol\u00edtico e militar que atinge a revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria, expressando um apoio incondicional \u00e0 luta do povo para derrubar a ditadura assassina de Assad.<\/p>\n<p>A LIT-QI, desde o in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o, expressa um apoio sem condi\u00e7\u00f5es \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria, independentemente de sua dire\u00e7\u00e3o, e sustentamos que a bandeira central dos ativistas e lutadores\/as honestos\/as e da esquerda deve ser, mais que nunca: Fora Assad, n\u00e3o \u00e0 interven\u00e7\u00e3o imperialista e sionista! Todo apoio para o triunfo da revolu\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Neste sentido, \u00e9 necess\u00e1rio exigir de todos os governos do mundo, come\u00e7ando por aqueles pa\u00edses da regi\u00e3o que s\u00e3o parte da revolu\u00e7\u00e3o, como Egito, Tun\u00edsia ou L\u00edbia, que rompam rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas e comerciais com a ditadura de Assad e que enviem avi\u00f5es, tanques e armas pesadas, medicamentos, alimentos e todo tipo de apoio material para as mil\u00edcias rebeldes, para que estas possam derrotar e acabar com este regime que oprime o povo s\u00edrio e que mostrou ser uma garantia fiel dos interesses de Israel e dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Neste sentido, estamos contra o criminoso embargo de armas para os combatentes rebeldes na S\u00edria, imposto pela Uni\u00e3o Europeia e pela ONU. \u00c9 urgente organizar uma forte campanha internacional, a mais ampla poss\u00edvel, de apoio \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria. Nesta linha, est\u00e1 sendo organizado e convocado pelo Movimento Global de Solidariedade, uma rede de ativistas de v\u00e1rios pa\u00edses, um Dia Global de Solidariedade com a Revolu\u00e7\u00e3o S\u00edria, marcado para o dia 31 de maio. Nesta data, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 promover todo tipo de a\u00e7\u00f5es: marchas, atos em frente \u00e0s embaixadas s\u00edrias, eventos culturais, debates, etc., para colocar a discuss\u00e3o sobre a necessidade de apoiar a revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria e coletar apoio material para seus combatentes.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o caminho pelo qual devem avan\u00e7ar as organiza\u00e7\u00f5es socialistas revolucion\u00e1rias e qualquer organiza\u00e7\u00e3o que defenda as liberdades democr\u00e1ticas, a livre organiza\u00e7\u00e3o e express\u00e3o e esteja contra as ditaduras no mundo. O caminho da solidariedade ativa, militante, internacionalista com as lutas e as revolu\u00e7\u00f5es dos povos contra seus governos e contra o imperialismo. O povo s\u00edrio e seus combatentes, suas mil\u00edcias populares, n\u00e3o podem ser ou se sentir abandonados pela esquerda internacional, pensando que a \u201cesquerda\u201d est\u00e1 com os ditadores, devido ao nefasto papel do castro-chavismo e do stalinismo em todas as suas variantes. \u00c9 necess\u00e1rio que a esquerda mundial e todo o movimento sindical, social, popular, estudantil e de Direitos humanos tomem uma posi\u00e7\u00e3o clara de apoio \u00e0 vit\u00f3ria militar rebelde e se unam para realizar o que for necess\u00e1rio com o objetivo de ajudar no triunfo da revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria.<\/p>\n<p>\u00c9 nesta tarefa que, modestamente, mas com muita convic\u00e7\u00e3o, a LIT-QI est\u00e1 empenhada. Lutamos para que o povo s\u00edrio derrube, com suas armas e mobiliza\u00e7\u00e3o, a ditadura de Assad, que seria um enorme triunfo revolucion\u00e1rio dos s\u00edrios e de todos os povos do mundo e um impulso poderoso para o avan\u00e7o da revolu\u00e7\u00e3o socialista. A revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria deve triunfar e n\u00e3o se deter na queda do tirano; deve avan\u00e7ar at\u00e9 a tomada do poder pela classe trabalhadora e o povo s\u00edrios, iniciando assim a constru\u00e7\u00e3o de uma S\u00edria socialista, como parte da luta por uma Federa\u00e7\u00e3o de Rep\u00fablicas Socialistas do Oriente M\u00e9dio e do Norte da \u00c1frica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Declara\u00e7\u00e3o da Liga Internacional dos Trabalhadores &#8211; IV Internacional<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1178,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-1179","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-correio-internacional"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/siria_livre.jpg?fit=240%2C167","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1179","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1179"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1179\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1178"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1179"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1179"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1179"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}