{"id":1172,"date":"2013-05-20T11:07:19","date_gmt":"2013-05-20T10:07:19","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2013\/05\/20\/qual-a-resposta-do-movimento-sindical-docente-a-mais-uma-ofensiva-do-governo\/"},"modified":"2013-05-20T11:07:19","modified_gmt":"2013-05-20T10:07:19","slug":"qual-a-resposta-do-movimento-sindical-docente-a-mais-uma-ofensiva-do-governo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2013\/05\/20\/qual-a-resposta-do-movimento-sindical-docente-a-mais-uma-ofensiva-do-governo\/","title":{"rendered":"Qual a resposta do movimento sindical docente a mais uma ofensiva do governo?"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Para que mais uma vez os professores n\u00e3o sejam logrados pelas suas dire\u00e7\u00f5es, \u00e9 preciso que discutam nas escolas como levar a greve para a frente e impor aos dirigentes o respeito pela base que os elegeu.<\/strong><\/em> <\/p>\n<p class=\"western\">O an\u00fancio de Passos Coelho, no dia 3 de maio, de mais cortes e austeridade para cima dos trabalhadores e pensionistas, s\u00f3 n\u00e3o caiu que nem uma bomba porque deste governo j\u00e1 nenhum trabalhador, desempregado ou reformado espera seja o que for de bom.<\/p>\n<p class=\"western\">Coincidiu esse an\u00fancio com o primeiro dia do XI Congresso da Fenprof, a maior federa\u00e7\u00e3o sindical dos professores portugueses. No segundo dia, 4 de maio, seria de esperar que o secret\u00e1rio-geral M\u00e1rio Nogueira se dirigisse, do palco do F\u00f3rum Lisboa, n\u00e3o s\u00f3 aos professores e funcion\u00e1rios p\u00fablicos do pa\u00eds \u2013 mais diretamente atingidos pelas medidas \u2013 mas a todo o povo portugu\u00eas: afirmando que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 insustent\u00e1vel, e que cada dia que este governo est\u00e1 no poder j\u00e1 \u00e9 um dia a mais para quem trabalha ou trabalhou; animando as pessoas com propostas mobilizadoras; propondo discuss\u00e3o nas escolas e noutros locais de trabalho, em plen\u00e1rios com elevada participa\u00e7\u00e3o da base para preparar lutas necessariamente duras e prolongadas; para que este governo se demita, levando consigo a troika.<\/p>\n<p class=\"western\">Mas n\u00e3o foi isso que fez M\u00e1rio Nogueira.<\/p>\n<p class=\"western\"><strong>Demitir o governo, mas como? <\/strong><\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">A resolu\u00e7\u00e3o de luta que colocou \u00e0 vota\u00e7\u00e3o o secret\u00e1rio-geral da Fenprof foi uma manifesta\u00e7\u00e3o de professores (nem sequer propondo unidade com os outros trabalhadores da Educa\u00e7\u00e3o) para as calendas do dia 22 de Junho&#8230; Inclusive uma proposta de greve geral de dois ou mais dias, apresentada por um professor da Guarda, foi assobiada pelas hostes do aparato. A de greve \u00e0s avalia\u00e7\u00f5es e exames, subscrita por s\u00f3cios da corrente Autonomia Sindical, obteve uma vota\u00e7\u00e3o \u00ednfima (embora essa forma de luta fosse integrada na Resolu\u00e7\u00e3o final, sob a forma de apelo a outros sindicatos para \u201cem converg\u00eancia, ser convocada greve ou greves, a realizar este ano letivo, coincidentes ou n\u00e3o com per\u00edodos de exames ou avalia\u00e7\u00f5es\u201d).<\/p>\n<p class=\"western\">Se \u00e9 verdade que durante os dois dias do congresso os professores presentes (a maioria deles ligados \u00e0s dire\u00e7\u00f5es, pois a elei\u00e7\u00e3o dos delegados foi muito controlada por elas) gritaram continuamente \u201cGoverno para a rua! Demiss\u00e3o!\u201d, muitos outros perguntavam entre si: \u201cSim, estamos todos de acordo que o governo tem que ir embora, mas como se faz isso? Como vamos for\u00e7\u00e1-lo a demitir-se? \u00c9 essa a quest\u00e3o\u2026\u201d.<\/p>\n<p class=\"western\">A decis\u00e3o de uma manifesta\u00e7\u00e3o marcada para o final de junho, com os professores sozinhos e sem sequer um apelo a outros setores da Fun\u00e7\u00e3o P\u00fablica, ou mesmo outros sindicatos de docentes, n\u00e3o deixou ningu\u00e9m empolgado.<\/p>\n<p class=\"western\"><strong>Reviravolta surpreendente\u2026 <\/strong><\/p>\n<p class=\"western\">J\u00e1 depois do congresso, no dia 16 de Maio, reuniram num hotel de Lisboa nove organiza\u00e7\u00f5es sindicais de professores, entre elas as duas maiores, Fenprof e FNE. Numa reviravolta surpreendente decidem \u201cunir-se para lutar\u201d e radicalizam as propostas de luta: a manifesta\u00e7\u00e3o de professores \u00e9 antecipada de dia 22 para 15, e ser\u00e1 convocada uma greve \u00e0s avalia\u00e7\u00f5es de 11 a 14 de Junho, e uma outra para o dia 17 de Junho, coincidente com o 1\u00ba dia dos exames nacionais.<\/p>\n<p class=\"western\">De modo nenhum discordamos da radicaliza\u00e7\u00e3o das formas de luta, mas, sim, que ela seja decidida completamente por cima da base dos professores. Os mesmos dirigentes que nem 15 dias antes vaiavam formas de luta combativas decidem de repente ficar super-radicais? D\u00e1 que pensar\u2026 A decis\u00e3o n\u00e3o deixa de ser burocr\u00e1tica e \u00e9 isso que pode matar a pr\u00f3pria luta, por mais forte que pare\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"western\"><strong>Lutar com democracia de base<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\">Aconteceu no passado, com demasiada frequ\u00eancia, que os dirigentes sindicais levantaram greves nas v\u00e9speras do seu in\u00edcio, s\u00f3 porque o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o acenou com reuni\u00f5es de negocia\u00e7\u00e3o, das quais ali\u00e1s pouco ou nada acabou por resultar. Prometem-se mundos e fundos de luta, \u201cagora \u00e9 que \u00e9\u201d, e num \u00e1pice o minist\u00e9rio diz que est\u00e1 dispon\u00edvel para reunir com as dire\u00e7\u00f5es \u2013 e l\u00e1 se levanta a greve. Unilateralmente, claro est\u00e1, sem nenhuma consulta \u00e0 base.<\/p>\n<p class=\"western\">Esperamos que n\u00e3o seja esta a agenda escondida desta plataforma de sindicatos de professores: fazer barulho com uma luta muito forte s\u00f3 para exercer press\u00e3o para a negocia\u00e7\u00e3o. Mas numa situa\u00e7\u00e3o em que o governo n\u00e3o tem seja o que for para negociar com os professores, nada para oferecer em troca, visto que est\u00e1 completamente subordinado \u00e0 austeridade da troika e \u00e0s exig\u00eancias do pagamento da d\u00edvida, que se pode esperar do \u201cdi\u00e1logo\u201d com o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">Desejamos o maior sucesso desta greve, mas para isso ela tem que ser preparada cuidadosamente, com reuni\u00f5es nas escolas, plen\u00e1rios descentralizados para todos, sindicalizados e n\u00e3o-sindicalizados, etc. Sen\u00e3o poder\u00e1 ser um fiasco, e depois os dirigentes v\u00eam culpar os professores! Tamb\u00e9m j\u00e1 assistimos a isto. As dire\u00e7\u00f5es n\u00e3o consultam ningu\u00e9m, n\u00e3o preparam as mobiliza\u00e7\u00f5es, e depois queixam-se de que a classe  \u201cn\u00e3o se mexe\u201d.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">Para que mais uma vez os professores n\u00e3o sejam derrotados, \u00e9 preciso que re\u00fanam nas escolas e regi\u00f5es e discutam, n\u00e3o s\u00f3 a maneira de levar a greve para a frente com efic\u00e1cia, como tamb\u00e9m de a controlar, de decidir do seu curso e de impor aos dirigentes o respeito pelas decis\u00f5es que tomarem.<\/p>\n<p class=\"western\"><strong>Ana Paula Amaral (professora)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para que mais uma vez os professores n\u00e3o sejam logrados pelas suas dire\u00e7\u00f5es, \u00e9 preciso que discutam nas escolas como levar a greve para a frente e impor aos dirigentes o respeito pela base que os elegeu. O an\u00fancio de Passos Coelho, no dia 3 de maio, de mais cortes e austeridade para cima dos trabalhadores e pensionistas, s\u00f3 n\u00e3o caiu que nem uma bomba porque deste governo j\u00e1 nenhum trabalhador, desempregado ou reformado espera seja o que for de bom. 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