{"id":1147,"date":"2013-04-20T12:25:54","date_gmt":"2013-04-20T11:25:54","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2013\/04\/20\/nada-a-esperar-do-euro-e-do-bce-so-o-povo-soberano-pode-fazer-o-pais-sair-da-crise\/"},"modified":"2013-04-20T12:25:54","modified_gmt":"2013-04-20T11:25:54","slug":"nada-a-esperar-do-euro-e-do-bce-so-o-povo-soberano-pode-fazer-o-pais-sair-da-crise","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2013\/04\/20\/nada-a-esperar-do-euro-e-do-bce-so-o-povo-soberano-pode-fazer-o-pais-sair-da-crise\/","title":{"rendered":"Nada a esperar do Euro e do BCE. S\u00f3 o povo soberano pode fazer o pa\u00eds sair da crise!"},"content":{"rendered":"<p><br style=\"clear: both;\" \/><em>Em finais de janeiro, Portugal regressou ao mercado da d\u00edvida de longo prazo, naquilo que foi anunciado em grandes parangonas como um sucesso da pol\u00edtica de austeridade deste governo, e at\u00e9 um sinal de recupera\u00e7\u00e3o da nossa \u201csoberania financeira\u201d (Di\u00e1rio de Not\u00edcias, 21\/1).<\/em><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A primeira constata\u00e7\u00e3o que faz qualquer trabalhador ou pensionista \u00e9 que este aparente sucesso nada significa para o seu dia-a-dia, pois n\u00e3o se vislumbra nenhuma invers\u00e3o nas medidas de austeridade. Pelo contr\u00e1rio, j\u00e1 se anunciam novos cortes e sacrif\u00edcios! Em segundo lugar, vemos que esta nova coloca\u00e7\u00e3o de d\u00edvida&nbsp; (porque \u00e9 disso que se trata, mais um empr\u00e9stimo de milh\u00f5es para continuar a afundar o pa\u00eds) resulta, n\u00e3o do exerc\u00edcio da tal soberania, mas sim da interven\u00e7\u00e3o duma institui\u00e7\u00e3o externa ao pa\u00eds: o Banco Central Europeu (BCE).<\/p>\n<p>De facto, desde setembro que o BCE decidiu assumir a fun\u00e7\u00e3o de garante das d\u00edvidas soberanas no mercado secund\u00e1rio para todos os pa\u00edses da zona euro em processos de ajustamento (n\u00e3o s\u00f3 Portugal, portanto n\u00e3o tem sequer a ver com o facto de Passos Coelho ser \u201co bom aluno\u201d que tanto gosta de ser).<\/p>\n<p>O BCE assumiu que, em caso de necessidade, compraria os t\u00edtulos de d\u00edvida soberana desses pa\u00edses no mercado secund\u00e1rio. Foi por causa desta garantia que os chamados \u201cinvestidores\u201d se sentiram confiantes para comprar mais t\u00edtulos de d\u00edvida, o que conferiu ao leil\u00e3o de 23 de janeiro o tal sucesso, logo bem explorado pela propaganda do governo.<\/p>\n<p>Mas, afinal, porque se mostrou o BCE t\u00e3o generoso? Tornou-se de repente amigo dos pa\u00edses em dificuldades?<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Tudo para salvar o euro<\/strong><\/p>\n<p>O endividamento dos estados, empresas e fam\u00edlias \u00e9 hoje uma forma privilegiada de acumula\u00e7\u00e3o de capital, n\u00e3o s\u00f3 devido ao mecanismo dos juros, mas tamb\u00e9m \u00e0 especula\u00e7\u00e3o que os grandes do mundo financeiro fazem com os t\u00edtulos de d\u00edvida. Compram t\u00edtulos aqui, vendem-nos acol\u00e1, e com este jogo perp\u00e9tuo acabam realizando lucros extraordin\u00e1rios.<\/p>\n<p>Ao intervir neste mercado para dar garantias aos compradores de d\u00edvida, o BCE teve sobretudo como objetivo assegurar que os t\u00edtulos de d\u00edvida em euros n\u00e3o se depreciariam. Se a confian\u00e7a dos tais credores ca\u00edsse abruptamente, ent\u00e3o eles iriam desfazer-se das suas carteiras de t\u00edtulos em euros \u2013 provocando uma desvaloriza\u00e7\u00e3o geral do euro \u2013 e tenderiam a refugiar-se em moedas mais fortes (d\u00f3lares, ienes, etc.).<\/p>\n<p>Por isso o BCE tomou medidas para garantir que a confian\u00e7a no euro n\u00e3o se evapore (o que \u00e9 um risco real face \u00e0 cada vez maior dificuldade de os estados pagarem as suas d\u00edvidas) e que o euro continue a ser \u201catrativo\u201d para o capital financeiro.<\/p>\n<p>Foi esse o verdadeiro significado da interven\u00e7\u00e3o do BCE no mercado da d\u00edvida, e n\u00e3o um qualquer impulso benem\u00e9rito dirigido aos pa\u00edses sujeitos \u00e0 austeridade\u2026<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Soberania \u00e9 quando o povo mais ordena!<\/strong><\/p>\n<p>Afirmar que o regresso de Portugal aos mercados, ou seja, que a decis\u00e3o do governo de continuar a endividar-se (mesmo que a juros mais favor\u00e1veis) \u00e9 o mesmo que \u201crecuperar a soberania financeira\u201d, como titulava o DN, n\u00e3o lembra ao diabo\u2026 Soberania financeira \u00e9 no m\u00ednimo o poder de emitir e gerir a sua moeda, coisa que o pa\u00eds n\u00e3o faz desde que aderiu ao euro. Soberania \u00e9 n\u00e3o ter Bruxelas a dirigir a nossa economia, a mandar privatizar, fechar empresas e queimar produtos da terra e do mar, como acontece desde a ades\u00e3o de Portugal \u00e0 Uni\u00e3o Europeia (UE) em 1986. A verdadeira soberania \u00e9 quando a economia est\u00e1 ao servi\u00e7o das necessidades do povo, e n\u00e3o dos capitalistas que jogam na bolsa o dinheiro de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Soberania \u00e9 quando o povo mais ordena, e o povo portugu\u00eas est\u00e1 farto de ter a vida \u201cordenada\u201d pelos senhores da UE e do FMI!&nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Ana Paula Amaral, com colabora\u00e7\u00e3o de J. A. Dias<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em finais de janeiro, Portugal regressou ao mercado da d\u00edvida de longo prazo, naquilo que foi anunciado em grandes parangonas como um sucesso da pol\u00edtica de austeridade deste governo, e at\u00e9 um sinal de recupera\u00e7\u00e3o da nossa \u201csoberania financeira\u201d (Di\u00e1rio de Not\u00edcias, 21\/1).<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1146,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1147","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/murtsi_mar13_x500.jpg?fit=500%2C337","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1147","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1147"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1147\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1146"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1147"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1147"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1147"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}