{"id":1099,"date":"2013-03-07T00:00:10","date_gmt":"2013-03-06T23:00:10","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2013\/03\/07\/8-de-marco-que-igualdade-de-genero\/"},"modified":"2013-03-07T00:00:10","modified_gmt":"2013-03-06T23:00:10","slug":"8-de-marco-que-igualdade-de-genero","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2013\/03\/07\/8-de-marco-que-igualdade-de-genero\/","title":{"rendered":"8 de Mar\u00e7o: que igualdade de g\u00e9nero?"},"content":{"rendered":"<p>Neste dia simb\u00f3lico para a luta das mulheres pelos seus direitos e pela constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa, temos algumas reflex\u00f5es a fazer.<\/p>\n<p>A Europa vive uma crise financeira e econ\u00f3mica que a burguesia quer resolver atrav\u00e9s de medidas de austeridade que retiram direitos aos trabalhadores, em particular \u00e0s mulheres, e enfraquecem as pol\u00edticas de igualdade de g\u00e9nero.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <br \/>O impacto desta crise nas quest\u00f5es de g\u00e9nero e nos seus efeitos na qualifica\u00e7\u00e3o e na evolu\u00e7\u00e3o dos direitos das mulheres ser\u00e1 um estudo continuado. Segundo a Comiss\u00e3o para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), os dados estat\u00edsticos nacionais e internacionais demonstram que persistem discrimina\u00e7\u00f5es e desigualdades entre homens e mulheres. Em alguns aspetos, essa desigualdade aumentou em consequ\u00eancia da crise.<\/p>\n<p>Em Portugal, h\u00e1 uma elevada diferen\u00e7a salarial de g\u00e9nero, \u00e0 semelhan\u00e7a do que se passa nos restantes pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia. No nosso pa\u00eds, essa diferen\u00e7a situa-se atualmente na ordem dos 17,8%, sendo que essa desigualdade se acentua no caso de trabalhadores qualificados. Isso apesar de existir uma maior taxa de mulheres com n\u00edvel de escolaridade superior &#8211; em cada 100 licenciados 59 s\u00e3o mulheres e 41 s\u00e3o homens, segundo dados da Comiss\u00e3o para a Igualdade de G\u00e9nero. <\/p>\n<p>No discurso do poder, a igualdade entre homens e mulheres no acesso ao mercado de trabalho aparece como um valor adquirido. Mas \u00e9 s\u00f3 no discurso. <br \/><strong><br \/>Mais velhas, mais pobres<\/strong><\/p>\n<p>As contradi\u00e7\u00f5es n\u00e3o se ficam por aqui. De acordo com o \u00faltimo Inqu\u00e9rito Social Europeu (2010), existe um aumento brusco do \u201cmodelo de ganha-p\u00e3o feminino\u201d. Nos \u00faltimos 8 anos, a percentagem de casais em que a mulher assume o sustento da fam\u00edlia subiu de 2% para 16,5%. Segundo Sofia Aboim, a soci\u00f3loga que acompanha o estudo, \u00e9 uma mudan\u00e7a imposta pela crise, a afetar sobretudo os casais mais velhos (em torno de 64 anos). \u00a0<\/p>\n<p>O estudo de 2012 da Caritas Europeia, feito com dados do Eurostat, aponta ainda para um crescimento da taxa de pobreza em mulheres mais velhas, 21,4%, contra a taxa de 18% em homens mais velhos. Da mesma forma, essas mulheres est\u00e3o mais sujeitas a sofrerem priva\u00e7\u00e3o material grave (10,8%) em compara\u00e7\u00e3o com os homens (7,9%).<br \/><strong><br \/>Natalidade com queda de 20%<\/strong><\/p>\n<p>Os ataques dos governos S\u00f3crates e Passos Coelho aos direitos dos trabalhadores tiveram especial impacto nas pol\u00edticas sociais, com cortes nos abonos de fam\u00edlia, desinvestimento em creches p\u00fablicas e fecho de maternidades. <\/p>\n<p>Essas pol\u00edticas, combinadas com o aumento do desemprego e o rebaixamento salarial, fizeram aumentar a mortalidade infantil, por um lado, e decrescer drasticamente a taxa de natalidade. Passou-se de 2,5 \u00f3bitos por mil nados-vivos, em 2010, para 3,1 em 2011; mais 46 crian\u00e7as morreram em 2011 antes de completarem um ano de idade do que no ano anterior. A diretora de Pediatria da Maternidade Alfredo da Costa, Teresa Tom\u00e9, prev\u00ea para 2012 uma redu\u00e7\u00e3o de 20% na taxa de natalidade, possivelmente a maior dos \u00faltimos 60 anos. Os jovens, quando n\u00e3o emigram, n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de ter filhos.<\/p>\n<p>O aumento da viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 outro subproduto da crise, agravado pelo facto de, em muitos casos, as mulheres n\u00e3o terem condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas \u2013 e ajudas do Estado \u2013 para abandonar a casa onde vivem com o agressor. <\/p>\n<p><strong>Merkel e Esteves<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o nos convencem os planos das quotas e paridades, nem nos parece que mulheres em posi\u00e7\u00e3o de destaque, como Angela Merkel ou Assun\u00e7\u00e3o Esteves, entre outras, sejam motivo de regozijo para as mulheres da classe trabalhadora. Pelo contr\u00e1rio, essas duas mulheres representam os interesses da grande burguesia, interessada em acabar com as conquistas das mulheres trabalhadoras.<\/p>\n<p>As reivindica\u00e7\u00f5es das feministas burguesas s\u00e3o, em primeiro lugar, conseguir as mesmas vantagens, o mesmo poder e os mesmos direitos que os homens possuem nesta sociedade capitalista, ao passo que as mulheres trabalhadoras lutam, em nome da sua classe, pelos seus direitos e contra a desigualdade, para abolir todo o tipo de privil\u00e9gio que derive do nascimento ou da acumula\u00e7\u00e3o de riqueza. <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong><em>Lina Pereira<\/em><\/strong><\/span> <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste dia simb\u00f3lico para a luta das mulheres pelos seus direitos e pela constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa, temos algumas reflex\u00f5es a fazer. 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