{"id":1063,"date":"2013-01-23T11:56:17","date_gmt":"2013-01-23T10:56:17","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2013\/01\/23\/trabalhadores-da-gm-entram-em-greve-e-ocupam-via-dutra-no-brasil\/"},"modified":"2013-01-23T11:56:17","modified_gmt":"2013-01-23T10:56:17","slug":"trabalhadores-da-gm-entram-em-greve-e-ocupam-via-dutra-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2013\/01\/23\/trabalhadores-da-gm-entram-em-greve-e-ocupam-via-dutra-no-brasil\/","title":{"rendered":"Trabalhadores da GM entram em greve e ocupam Via Dutra no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>Os trabalhadores da General Motors de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, no Estado de S\u00e3o Paulo, entraram em greve, na ter\u00e7a-feira, dia 22 de janeiro, e ocuparam a Rodovia Presidente Dutra, que faz a liga\u00e7\u00e3o entre o Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, como forma de pressionar o governo de Dilma Roussef a proibir as 1.598 demiss\u00f5es programadas pela montadora.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>A ocupa\u00e7\u00e3o da Via Dutra aconteceu, no km 141, nos dois sentidos, em frente \u00e0 f\u00e1brica da GM, das 6h30 \u00e0s 7h30. Pneus foram queimados para interromper o tr\u00e2nsito e os trabalhadores tomaram a rodovia, com faixas e cartazes. Uma das faixas trazia a frase \u201cDilma, pro\u00edba as demiss\u00f5es na GM\u201d. Cerca de 4,5 mil trabalhadores participaram da manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a ocupa\u00e7\u00e3o, os metal\u00fargicos foram para as suas casas, dando in\u00edcio \u00e0 greve de 24 horas. A GM de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos possui 7.500 trabalhadores. A produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 100% parada e a f\u00e1brica deixar\u00e1 de produzir 480 ve\u00edculos (modelos S10, Classic e Blazer) e 2.400 motores e transmiss\u00f5es durante a greve.<strong><br \/><\/strong><\/p>\n<p>Os metal\u00fargicos est\u00e3o em luta em defesa do emprego e reivindicam que a presidente Dilma Rousseff assine uma medida provis\u00f3ria proibindo que empresas beneficiadas por incentivos fiscais, como \u00e9 o caso da GM, realizem demiss\u00f5es.<strong>\u00daltima negocia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os trabalhadores entram em greve um dia antes da \u00faltima rodada de negocia\u00e7\u00e3o entre GM e Sindicato dos Metal\u00fargicos, que acontece no dia 23 de janeiro, a partir das 9h, na sede do Ciesp (Centro das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo).<\/p>\n<p>No encontro, o Sindicato tentar\u00e1 chegar a um acordo com a montadora para que sejam preservados todos os postos de trabalho. Caso n\u00e3o cheguem a um entendimento, a negocia\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser estendida para o dia 26, \u00faltimo dia atingido pelo acordo anterior, firmado em agosto do ano passado.<\/p>\n<p>Nesse m\u00eas, a GM anunciara que fecharia o setor MVA (Montagem de Ve\u00edculos Automotores) da f\u00e1brica de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos e que demitiria 1.840 trabalhadores. Um acordo aprovado pelos metal\u00fargicos suspendeu a medida at\u00e9 o dia 26 de janeiro.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, mais de 300 funcion\u00e1rios j\u00e1 aderiram ao Programa de Demiss\u00e3o Volunt\u00e1ria (PDV) aberto pela empresa. Outros 779 est\u00e3o em lay-off (suspens\u00e3o de contrato de trabalho).<\/p>\n<p>Diversas rodadas de negocia\u00e7\u00e3o j\u00e1 aconteceram, mas a GM continua com o prop\u00f3sito de demitir. A montadora chegou a apresentar uma proposta com 17 pontos para redu\u00e7\u00e3o de direitos, mas n\u00e3o deu qualquer garantia de manuten\u00e7\u00e3o dos empregos.<strong><br \/><\/strong><\/p>\n<p>Como forma de evitar as demiss\u00f5es, o Sindicato prop\u00f5e, por exemplo, que seja mantida a produ\u00e7\u00e3o do modelo Classic em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos e que carros que hoje s\u00e3o importados passem a ser produzidos no Brasil. O Sindicato tamb\u00e9m concorda em discutir um novo acordo trabalhista, desde que haja garantia de empregos e investimentos.<strong>Manifesta\u00e7\u00e3o antecipada<\/strong><\/p>\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o de 22 de janeiro estava prevista para ocorrer, na verdade, no dia 23, mas o Sindicato decidiu antecipar.\u201cN\u00e3o podemos esperar o dia de amanh\u00e3. Queremos que esta manifesta\u00e7\u00e3o ecoe em Bras\u00edlia e que a presidente Dilma se some \u00e0 luta dos metal\u00fargicos\u201d, afirma o presidente do Sindicato, Antonio Ferreira de Barros.<\/p>\n<p>O dia 23 \u00e9 o Dia de A\u00e7\u00e3o Global contra os Ataques da GM, que acontece em oito pa\u00edses: Brasil, Estados Unidos, Argentina, Alemanha, Col\u00f4mbia, Espanha, Fran\u00e7a e It\u00e1lia. A ocupa\u00e7\u00e3o da Rodovia Presidente Dutra e a greve de 24 horas fazem parte das atividades.<\/p>\n<p>&nbsp;Fonte: <a href=\"http:\/\/www.sindmetalsjc.org.br\/\">http:\/\/www.sindmetalsjc.org.br\/<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>A crise econ\u00f3mica mundial e a GM<\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 18pt;\">Amea\u00e7a de demiss\u00f5es no Brasil faz parte da pol\u00edtica da montadora em todo o mundo<\/span><\/strong><\/p>\n<p>O final do ano de 2008, um dos momentos de aprofundamento da crise econ\u00f3mica, em particular nos Estados Unidos, marcou profundas transforma\u00e7\u00f5es na GM. Acossada pela crise, a empresa chegou a entrar em concordata. As suas a\u00e7\u00f5es chegaram a valer menos de um d\u00f3lar e o governo americano foi obrigado a intervir para impedir a bancarrota total da multinacional, o que teria consequ\u00eancias no agravamento da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica mundial.<\/p>\n<p>Em acordo que envolveu os ex-acionistas, o governo norte-americano, o governo canadiano e o VEBA, uma esp\u00e9cie de fundo de pens\u00e3o administrado pelo UAW (o sindicato nacional dos trabalhadores da ind\u00fastria automobil\u00edstica), a empresa conseguiu sair da concordata rapidamente e promoveu uma grande reestrutura\u00e7\u00e3o que j\u00e1 vinha sendo perseguida pela companhia h\u00e1 anos.<\/p>\n<p>O governo Obama ficou com a maioria das a\u00e7\u00f5es e o controle da administra\u00e7\u00e3o da GM. A sa\u00edda da concordata no in\u00edcio de 2009 implicou no fechamento de 17 f\u00e1bricas, na extin\u00e7\u00e3o de diversas marcas, na demiss\u00e3o de 35 mil trabalhadores e na cria\u00e7\u00e3o de uma \u201cNova GM\u201d, fruto da reestrutura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em colabora\u00e7\u00e3o com a burocracia sindical da UAW (que se transformou em \u201cs\u00f3cia\u201d da empresa), foram criadas novas estruturas salariais que rebaixaram para metade o sal\u00e1rio da nova gera\u00e7\u00e3o de trabalhadores \u2013 passou de 32 d\u00f3lares por hora para entre 12 e 16 d\u00f3lares. Essa foi a base da forte reestrutura\u00e7\u00e3o nos EUA, onde quem pagou a conta da crise foram os trabalhadores.<\/p>\n<p>Junto com isso, a empresa conseguiu altos lucros em pa\u00edses como Brasil, China, Coreia, que possibilitaram uma alta remessa de lucros para a matriz. Tamb\u00e9m ocorreu uma reestrutura\u00e7\u00e3o parcial na Europa, com a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho e o fechamento de plantas, como em Antu\u00e9rpia, na B\u00e9lgica.<\/p>\n<p>Com isso, a empresa retomou em 2011 a posi\u00e7\u00e3o de primeira montadora do mundo, derrubando a Toyota, afetada pelos efeitos do tsunami no Jap\u00e3o. Em 2012 a Toyota retomou a lideran\u00e7a, mas por uma pequena diferen\u00e7a.<strong>Reestrutura\u00e7\u00e3o internacional<\/strong><\/p>\n<p>Esta receita da GM foi amplamente utilizada pelas montadoras nos EUA e no mundo levando a uma precariza\u00e7\u00e3o geral do trabalho. Os trabalhadores hoje veem as suas condi\u00e7\u00f5es de vida deteriorar-se rapidamente. Fazer mais carros com menos trabalhadores e sal\u00e1rios menores \u00e9 o que faz a GM, utilizando tamb\u00e9m avan\u00e7adas tecnologias.<\/p>\n<p>Assim, apesar da crise econ\u00f3mica, cresce a produtividade do trabalho nos EUA e a competitividade da empresa, que se recupera e se aproveita do pequeno crescimento do mercado automobil\u00edstico norte-americano. A GM, agora, prepara-se para voltar integralmente \u00e0 Bolsa de Valores, e o governo Obama ir\u00e1 vender as suas a\u00e7\u00f5es e deixar o controlo da empresa.<\/p>\n<p>No entanto, a forte concorr\u00eancia entre os capitalistas, o crescimento das empresas asi\u00e1ticas e o aprofundamento da crise econ\u00f3mica na Europa fazem com que a reestrutura\u00e7\u00e3o seja permanente e cada vez maior. S\u00f3 assim as empresas podem manter as suas taxas de lucros e ganhar mais for\u00e7a, aumentando a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.<strong><br \/><\/strong><strong><br \/><\/strong><strong>Ofensiva das montadoras<\/strong><\/p>\n<p>Assistimos neste momento a uma sucess\u00e3o de ataques, com amea\u00e7as de fechamentos de empresas em v\u00e1rios pa\u00edses e o deslocamento da produ\u00e7\u00e3o para regi\u00f5es de baixo custo. At\u00e9 na Alemanha, onde n\u00e3o se fecha uma planta desde a Segunda Guerra Mundial, a GM quer acabar com a produ\u00e7\u00e3o na f\u00e1brica em Bochum em 2016. Na Fran\u00e7a, a PSA GM quer fechar uma planta, demitir at\u00e9 8500 trabalhadores e enfrenta uma greve neste momento.<strong><br \/><\/strong><\/p>\n<p>A Ford anunciou o fechamento da planta na B\u00e9lgica no final do ano passado, o que tamb\u00e9m tem gerado protestos. As sucessivas concess\u00f5es feitas nesta empresa pela burocracia sindical, com redu\u00e7\u00e3o de direitos e sal\u00e1rios, n\u00e3o impediram que a multinacional tomasse esta decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Na It\u00e1lia, a veterana Fiat tem promovido uma forte reestrutura\u00e7\u00e3o com diminui\u00e7\u00e3o dos postos de trabalho, fechamento de plantas e chantagens sobre os trabalhadores. Com a queda das vendas na Europa, cresce a concorr\u00eancia entre as empresas e as fus\u00f5es para aumentar a escala de produ\u00e7\u00e3o. Estima-se que apenas seis ou sete montadoras sobreviver\u00e3o em escala mundial a esse processo.<\/p>\n<p>&nbsp;<strong>Ataques no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>A ofensiva da GM no Brasil tem como pano de fundo esta situa\u00e7\u00e3o, apesar do crescimento das vendas. A vinda de novas empresas que praticam baixos sal\u00e1rios e normalmente se instalam em locais com fraca tradi\u00e7\u00e3o sindical pressionam ainda mais a reestrutura\u00e7\u00e3o. A \u201creceita GM\u201d espalha-se da matriz, nos EUA, para todo o mundo. Trabalhar mais com menos trabalhadores e sal\u00e1rios mais baixos, fechar f\u00e1bricas e diminuir os postos de trabalho. Por isto tamb\u00e9m deve ser enfrentada internacionalmente.<strong><br \/><\/strong><\/p>\n<p>As mobiliza\u00e7\u00f5es que se iniciam na Europa contra o fechamento de f\u00e1bricas mostram o caminho. O encontro realizado em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP) no ano passado entre oper\u00e1rios do Brasil, Espanha, Alemanha e Col\u00f4mbia apontou para a necessidade da luta unificada. As recentes manifesta\u00e7\u00f5es em Detroit (nos EUA) durante o Sal\u00e3o internacional do Autom\u00f3vel e a realiza\u00e7\u00e3o de um dia global de manifesta\u00e7\u00f5es no dia 23 de janeiro, apoiando a luta dos metal\u00fargicos da GM de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, s\u00e3o express\u00f5es dessa vis\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>Ainda s\u00e3o pequenas iniciativas, mas apontam o caminho. Contra a globaliza\u00e7\u00e3o capitalista, temos de apostar na globaliza\u00e7\u00e3o das lutas e da resist\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Luiz Carlos Prates (Mancha), diretor do Sindicato dos Metal\u00fargicos de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos e Regi\u00e3o<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os trabalhadores da General Motors de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, no Estado de S\u00e3o Paulo, entraram em greve, na ter\u00e7a-feira, dia 22 de janeiro, e ocuparam a Rodovia Presidente Dutra, que faz a liga\u00e7\u00e3o entre o Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, como forma de pressionar o governo de Dilma Roussef a proibir as 1.598 demiss\u00f5es programadas pela montadora.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1062,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-1063","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/gm_dutra_home.jpg?fit=400%2C212","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1063","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1063"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1063\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1062"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1063"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1063"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1063"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}