{"id":1061,"date":"2013-01-23T10:44:36","date_gmt":"2013-01-23T09:44:36","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2013\/01\/23\/nao-a-intervencao-do-imperialismo-frances-no-mali\/"},"modified":"2013-01-23T10:44:36","modified_gmt":"2013-01-23T09:44:36","slug":"nao-a-intervencao-do-imperialismo-frances-no-mali","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2013\/01\/23\/nao-a-intervencao-do-imperialismo-frances-no-mali\/","title":{"rendered":"N\u00e3o \u00e0 interven\u00e7\u00e3o do imperialismo franc\u00eas no Mali!"},"content":{"rendered":"\n<p>Desde o dia 11 de janeiro, o Mali est\u00e1 sob interven\u00e7\u00e3o francesa, com o apoio do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU e a colabora\u00e7\u00e3o das principais pot\u00eancias imperialistas (ainda que n\u00e3o da forma como a Fran\u00e7a queria).<\/p>\n<p>A justificativa do presidente \u201csocialista\u201d Fran\u00e7ois Hollande \u00e9 o \u201ccombate ao terrorismo\u201d. \u00c9 a mesma desculpa dos EUA para invadir e ocupar o Afeganist\u00e3o e o Iraque. Mas a interven\u00e7\u00e3o imperialista francesa tem como \u00fanico objetivo manter o controle sobre a sua ex-col\u00f3nia.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Com extrema arrog\u00e2ncia, o governo franc\u00eas fala de impedir que se instale a \u201cbarb\u00e1rie\u201d salafista, como se as bombas de seus avi\u00f5es sobre as cidades, que caem sobre a popula\u00e7\u00e3o civil, n\u00e3o fossem a express\u00e3o da barb\u00e1rie imperialista!<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 a interven\u00e7\u00e3o do imperialismo franc\u00eas, um dos maiores respons\u00e1veis pela extrema pobreza da \u00c1frica, que libertar\u00e1 o continente da fome e do atraso secular. Se as interven\u00e7\u00f5es imperialistas fossem garantia de progresso, a \u00c1frica seria muito pr\u00f3spera.<\/p>\n<p>A desculpa da interven\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, a luta contra os \u201cextremistas isl\u00e2micos\u201d, \u00e9 o disfarce para manter as fronteiras imperialistas da \u00c1frica e para que as empresas francesas continuem controlando as mat\u00e9rias-primas desta regi\u00e3o. \u00c9 uma guerra de agress\u00e3o colonial em apoio a um regime t\u00edtere, cujo objetivo \u00e9 massacrar o povo tuaregue que luta por sua autodetermina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>As fronteiras do Mali<\/strong><\/p>\n<p>O Mali foi uma col\u00f3nia francesa desde o fim do s\u00e9culo XIX at\u00e9 1960, quando conquistou a independ\u00eancia. Ap\u00f3s a crise da d\u00edvida dos anos 1980, este controle foi refor\u00e7ado com a privatiza\u00e7\u00e3o e a presen\u00e7a de multinacionais francesas nas minas de ur\u00e2nio, na telefonia (Orange), eletricidade (Bouygues), algod\u00e3o, etc.<\/p>\n<p>Um dos grandes problemas do Mali, consequ\u00eancia da presen\u00e7a imperialista, \u00e9 a divis\u00e3o entre os povos da regi\u00e3o. Entre eles se encontram os tuaregues, que habitam uma zona entre Arg\u00e9lia, Mali, N\u00edger, L\u00edbia, Chade, Burkina Faso e Nig\u00e9ria, totalizando de 1 a 1,5 milh\u00f5es de pessoas. Desde a independ\u00eancia do Mali, os conflitos com os tuaregues foram constantes, pois eles reivindicam seu pr\u00f3prio Estado nacional.<\/p>\n<p>O Movimento Nacional de Liberta\u00e7\u00e3o do Azawad (MNLA), grupo nacionalista laico que luta pela autodetermina\u00e7\u00e3o tuaregue, tomou as cidades de M\u00e9naka, Aguelok e Tessalit em 2012. O governo de Toumani Tour\u00e9 enviou tropas para sufocar o avan\u00e7o tuaregue. Mas o ex\u00e9rcito foi derrotado, o que provocou um golpe de Estado em mar\u00e7o, liderado pelo capit\u00e3o Amadou Sanogo e apoiado pelo imperialismo franc\u00eas. No final de maio, o MNLA e o Ansar Dine [organiza\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica] declararam o Estado independente de Azawad, que n\u00e3o foi reconhecido por nenhum pa\u00eds da regi\u00e3o. Este \u00e9 o verdadeiro pano de fundo da interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a Fran\u00e7a foi preparando o caminho para uma interven\u00e7\u00e3o armada. O antigo chefe da diplomacia de Sarkozy, Jupp\u00e9, declarou em fevereiro de 2012 que a chave era a \u201cintegridade territorial do Mali\u201d. A pol\u00edtica de Hollande seguiu o mesmo caminho. Uma de suas manobras foi conseguir o aval da ONU, em outubro de 2012, para preparar uma interven\u00e7\u00e3o. Em 20 de dezembro, o Conselho de Seguran\u00e7a aprovou o envio de militares.<\/p>\n<p><strong>Abaixo a interven\u00e7\u00e3o imperialista francesa!<\/strong><\/p>\n<p>O imperialismo franc\u00eas, encabe\u00e7ado pelo governo \u201csocialista\u201d, justifica a interven\u00e7\u00e3o para \u201cdeter a amea\u00e7a terrorista\u201d, mas o seu objetivo \u00e9 garantir a divis\u00e3o da \u00c1frica como foi definida h\u00e1 mais de um s\u00e9culo pelos imperialistas, separando povos com as mesmas tradi\u00e7\u00f5es e l\u00ednguas em diferentes Estados para garantir a pilhagem imperialista.<\/p>\n<p>A postura do Partido Comunista Franc\u00eas<em> <\/em>(PCF) e do Parti de Gauche<em> <\/em>(PG) de Melenchon, principais organiza\u00e7\u00f5es do <em>Front de Gauche <\/em>(FdG), \u00e9 lament\u00e1vel: n\u00e3o condenaram a interven\u00e7\u00e3o. E, para completar, alegam que a agress\u00e3o colonial deveria ser levada a cabo \u201csob a bandeira da ONU (PCF)\u201d. Isto \u00e9, d\u00e1 aval a uma agress\u00e3o colonial e, ao exigir que a interven\u00e7\u00e3o seja feita sob a bandeira das Na\u00e7\u00f5es Unidas, o que dizem \u00e9 que os demais Estados imperialistas devem se implicar nesta agress\u00e3o. \u00c9 o mesmo exigido pelo imperialismo franc\u00eas. Definitivamente, a declara\u00e7\u00e3o do PG e do PCF \u00e9 de solidariedade com a agress\u00e3o imperialista.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o francesa na guerra civil do Mali dista muito dos objetivos \u201chumanit\u00e1rios\u201d. A utiliza\u00e7\u00e3o da energia nuclear como principal provedor de energia para a ind\u00fastria e as resid\u00eancias faz com que tr\u00eas quartos da eletricidade gerada na Fran\u00e7a venham do ur\u00e2nio. Al\u00e9m disso, a exporta\u00e7\u00e3o proveniente de suas usinas alcan\u00e7ou um total de tr\u00eas bili\u00f5es de euros. O que Hollande tenta evitar com a interven\u00e7\u00e3o no Mali \u00e9 uma crise no fornecimento do ur\u00e2nio. E, portanto, o aumento dos pre\u00e7os da energia, que acabaria aprofundando a crise econ\u00f3mica na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>A depend\u00eancia do ur\u00e2nio \u00e9 vital para as empresas francesas. As jazidas conhecidas na regi\u00e3o que entrecruzam as fronteiras de v\u00e1rios pa\u00edses est\u00e3o estimadas em 5 mil toneladas de ur\u00e2nio. No N\u00edger (a 200 km da fronteira com o Mali) elas s\u00e3o exploradas pela empresa francesa Ar\u00e9va, e as reservas do Mali est\u00e3o na mira desta empresa.<\/p>\n<p>Estamos perante uma clara agress\u00e3o colonial. Assim como Bush, a interven\u00e7\u00e3o militar de Hollande tem os mesmos argumentos para esconder os mesmos objetivos: a pilhagem colonial.<\/p>\n<p>Fora as tropas francesas do Mali!<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e0 agress\u00e3o colonial!<\/p>\n<p>\u00c9 urgente desmascarar a pol\u00edtica imperialista francesa, fazer uma campanha contra a interven\u00e7\u00e3o e desmascarar a uni\u00e3o sagrada que, em nome dos \u201cdireitos humanos\u201d, perpetrar\u00e1 um novo massacre na \u00c1frica.<\/p>\n<p><strong>Renato Cesar e Ricardo Ayala &#8211; Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (LIT-QI)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o dia 11 de janeiro, o Mali est\u00e1 sob interven\u00e7\u00e3o francesa, com o apoio do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU e a colabora\u00e7\u00e3o das principais pot\u00eancias imperialistas (ainda que n\u00e3o da forma como a Fran\u00e7a queria). A justificativa do presidente \u201csocialista\u201d Fran\u00e7ois Hollande \u00e9 o \u201ccombate ao terrorismo\u201d. \u00c9 a mesma desculpa dos EUA para invadir e ocupar o Afeganist\u00e3o e o Iraque. 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