{"id":1052,"date":"2013-01-17T19:37:54","date_gmt":"2013-01-17T18:37:54","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2013\/01\/17\/mare-branca-toma-as-ruas-de-espanha\/"},"modified":"2013-01-17T19:37:54","modified_gmt":"2013-01-17T18:37:54","slug":"mare-branca-toma-as-ruas-de-espanha","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2013\/01\/17\/mare-branca-toma-as-ruas-de-espanha\/","title":{"rendered":"\u201cMar\u00e9 Branca\u201d toma as ruas de Espanha"},"content":{"rendered":"\n<p align=\"LEFT\"><em><strong>A poderosa luta dos trabalhadores da sa\u00fade em Espanha tingiu de branco as ruas do pa\u00eds. <\/strong><\/em><\/p>\n<p align=\"LEFT\">Devido \u00e0 crise econ\u00f3mica europeia, tamb\u00e9m em Espanha se aplicam os draconianos planos de privatiza\u00e7\u00f5es na sa\u00fade por parte do governo. A privatiza\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o dos hospitais (que tem sido mais um buraco financeiro em Portugal, por exemplo) est\u00e1 posta em marcha, e, al\u00e9m dos ataques gerais aos trabalhadores, outras medidas espec\u00edficas t\u00eam sido dirigidas ao sector da sa\u00fade.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p align=\"LEFT\">Ignacio Gonzalez, presidente da Comunidade de Madrid, anunciou o \u201cPlano de Sustentabilidade do Sistema de Sa\u00fade P\u00fablico\u201d, um nome pomposo para uma s\u00e9rie de ataques que mais n\u00e3o visam do que destruir o sistema de sa\u00fade espanhol, como por exemplo a subida do pre\u00e7o dos medicamentos e a taxa de um euro por receita (j\u00e1 aplicada na Catalunha), que s\u00f3 pode ter por objetivo a dissuas\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">A \u201csustentabilidade\u201d do sistema de sa\u00fade espanhol, segundo o governo de Rajoy, implica tamb\u00e9m a privatiza\u00e7\u00e3o de muitos hospitais e inclusive a remodela\u00e7\u00e3o do Hospital de la Princesa, um dos principais hospitais da capital do pa\u00eds vizinho. As medidas, segundo os sindicatos, podem atingir mais de um milh\u00e3o de utentes do sistema de sa\u00fade. A privatiza\u00e7\u00e3o dos hospitais precarizar\u00e1 m\u00e9dicos, enfermeiros e t\u00e9cnicos de sa\u00fade, em mais uma violenta e desumana maneira de \u201csalvar\u201d o sistema de sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"LEFT\"><strong>A resposta dos trabalhadores<\/strong><\/p>\n<p align=\"LEFT\">Este conjunto de medidas originou rapidamente respostas em hospitais por todo o pa\u00eds, assembleias de trabalhadores multiplicaram-se, discutindo formas de luta para salvar postos de trabalho e para preservar um sistema de sa\u00fade essencial \u00e0 vida da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Em v\u00e1rios hospitais foi convocada greve geral por tempo indeterminado, uma prova viva de que, em Espanha como em Portugal como no resto da Europa, os trabalhadores n\u00e3o s\u00f3 est\u00e3o cansados dos \u201cplanos de sustentabilidade\u201d que lhes arrasam as vidas, como t\u00eam coragem e for\u00e7a para lutar e dizer n\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Em muitos hospitais, o dia-a-dia passou a ser de reuni\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es que paravam o tr\u00e2nsito e tinham o apoio da popula\u00e7\u00e3o, que percebeu que o sistema de sa\u00fade \u00e9 sustentado pelos seus trabalhadores, n\u00e3o pelos governantes que mais n\u00e3o querem que privatizar um bem essencial para entreg\u00e1-lo como um neg\u00f3cio lucrativa \u00e0 patronal.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">\u201cEste conflito tem caracter\u00edsticas diferentes dos que temos vivido historicamente\u201d, disse Mar\u00eda Jos\u00e9 Garc\u00eda, enfermeira do Centro de Sa\u00fade Vicente Soldevilla, de Madrid, ao jornal<em> P\u00e1gina Roja<\/em>, do partido Corriente Roja. \u201cAt\u00e9 agora sempre foram dirigidos pelas centrais sindicais, mas agora s\u00e3o os pr\u00f3prios trabalhadores nos centros que se organizam atrav\u00e9s de assembleias e mecanismos de coordena\u00e7\u00e3o, entre os quais cumprem um papel importantes as novas tecnologias: foros, Internet&#8230;\u201d<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Apesar da for\u00e7a da resposta, muitas das lutas t\u00eam sido canalizadas para negocia\u00e7\u00f5es, e falta um esfor\u00e7o conjunto de uni\u00e3o dos trabalhadores da sa\u00fade entre si e que junte ainda a popula\u00e7\u00e3o. O arrastar da situa\u00e7\u00e3o \u2013 desde novembro &#8211; s\u00f3 beneficia o governo; \u00e9 preciso uma greve geral da sa\u00fade, que diga em un\u00edssono que a sa\u00fade p\u00fablica, universal e de qualidade \u00e9 um direito imprescind\u00edvel e ao qual nenhum corte pode chegar.&nbsp;<\/p>\n<p align=\"LEFT\"><strong>E em Portugal?<\/strong><\/p>\n<p align=\"LEFT\">Ap\u00f3s a greve dos m\u00e9dicos em meados do ano passado e de um acordo que a classe v\u00ea com desconfian\u00e7a, as lutas da sa\u00fade est\u00e3o num ponto de estagna\u00e7\u00e3o. O governo, pelo contr\u00e1rio, n\u00e3o para de atacar a sa\u00fade p\u00fablica e os direitos da popula\u00e7\u00e3o. Na v\u00e9spera do Natal, divulgou um compromisso feito com a troika, na sexta revis\u00e3o do memorando, para eliminar mil camas do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade (SNS), atrav\u00e9s de fus\u00f5es e fechos de hospitais e departamentos, iniciados em 2011. Sobre esta medida, a Ordem dos M\u00e9dicos lembrou que Portugal tem apenas 3,3 camas por mil habitantes, contra uma m\u00e9dia de 4,9 nos 34 pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f3mico (OCDE) e 8,2 na Alemanha. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, o ideal s\u00e3o 4,5 camas por mil habitantes.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Mas os cortes n\u00e3o v\u00e3o parar por a\u00ed. Dos 4 mil milh\u00f5es que o governo j\u00e1 disse querer cortar nas despesas do Estado este ano, 3,5 mil milh\u00f5es s\u00e3o para cortar nos minist\u00e9rios da Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o e Seguran\u00e7a Social.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Ap\u00f3s o an\u00fancio de novos cortes na sa\u00fade e das inenarr\u00e1veis declara\u00e7\u00f5es do secret\u00e1rio de Estado Adjunto do ministro da Sa\u00fade, Leal da Costa, praticamente pedindo aos portugueses para n\u00e3o adoecerem e recorrerem menos aos servi\u00e7os de sa\u00fade, \u00e9 tempo de trabalhadores e utentes se organizarem e lutarem nos seus postos de trabalho e nas ruas, contra um governo que n\u00e3o merece cr\u00e9dito e confian\u00e7a, mas sim a demiss\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"LEFT\"><strong>M.N.<\/strong><strong> (m\u00e9dico)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A poderosa luta dos trabalhadores da sa\u00fade em Espanha tingiu de branco as ruas do pa\u00eds. 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