{"id":1022,"date":"2012-12-31T00:16:47","date_gmt":"2012-12-30T23:16:47","guid":{"rendered":"http:\/\/alternativa.mas.org.pt\/index.php\/2012\/12\/31\/justica-para-victor-jara\/"},"modified":"2012-12-31T00:16:47","modified_gmt":"2012-12-30T23:16:47","slug":"justica-para-victor-jara","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/2012\/12\/31\/justica-para-victor-jara\/","title":{"rendered":"Justi\u00e7a para Victor Jara!"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma das melhores not\u00edcias deste fim de ano: o Tribunal de Apela\u00e7\u00f5es de Santiago, no Chile, ordenou a deten\u00e7\u00e3o de oito ex-oficiais do Ex\u00e9rcito chileno acusados pela tortura e morte do cantor, compositor e revolucion\u00e1rio Victor Jara no Est\u00e1dio Nacional, a 16 de setembro de 1973. Quase quarenta anos depois do crime, poder\u00e1 haver justi\u00e7a com a condena\u00e7\u00e3o dos assassinos de um artista que marcou toda uma gera\u00e7\u00e3o que lutava contra as ditaduras na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Transcrevemos um artigo de Diego Cruz publicado no site do PSTU (<a href=\"http:\/\/www.pstu.org.br\/\">http:\/\/www.pstu.org.br<\/a>) sobre a vida e a morte de Victor Jara.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\"><strong>Victor Jara, vida e morte de um cantor revolucion\u00e1rio<\/strong><\/span><\/p>\n<p>O genocida Augusto Pinochet morreu em dezembro de 2006 sem nunca ter sido julgado por seus crimes, dentre eles, o assassinato de milhares de ativistas pol\u00edticos. A ditadura chilena, no entanto, tentou silenciar n\u00e3o s\u00f3 os militantes, mas tamb\u00e9m toda uma gera\u00e7\u00e3o de artistas engajados que faziam de sua arte verdadeiras armas de transforma\u00e7\u00e3o social e de luta contra o imperialismo. O maior deles, o cantor Victor Jara, foi assassinado no Est\u00e1dio Nacional, ap\u00f3s ser brutalmente espancado e ter as duas m\u00e3os quebradas.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, mais de tr\u00eas d\u00e9cadas ap\u00f3s o golpe, enquanto o cad\u00e1ver do general esfria na cova e sua mem\u00f3ria \u00e9 amaldi\u00e7oada tanto por seus amigos quanto pelos inimigos, o canto de Victor Jara ainda ecoa. A maior express\u00e3o da chamada \u201cNova Can\u00e7\u00e3o Chilena\u201d ainda arrebata uma legi\u00e3o de admiradores em todo o mundo. Apesar de sua obra ter aparecido num contexto bem espec\u00edfico do longil\u00edneo pa\u00eds do continente americano, a sua tem\u00e1tica universal garante a atualidade desse artista que cantou com e para o povo e os trabalhadores.<\/p>\n<p><strong>Eterno retorno<\/strong><\/p>\n<p>Jara nasceu em 1932 num pobre povoado do Chile, chamado Quiriquina. O seu pai trabalhava no campo enquanto a sua m\u00e3e cantava m\u00fasicas folcl\u00f3ricas em vel\u00f3rios de crian\u00e7as da regi\u00e3o. Os humildes moradores daqueles povoados acreditavam que, quando uma crian\u00e7a morria, ascendia aos c\u00e9us para se tornar um anjo e tomar conta da fam\u00edlia. Portanto, celebrava-se o funeral com can\u00e7\u00f5es e dan\u00e7as tradicionais.<\/p>\n<p>Dividindo a casa com seis irm\u00e3os, o pequeno Victor testemunhava a rela\u00e7\u00e3o cada vez mais tensa entre os seus pais. O seu pai, Manuel, bebia cada vez mais, e as brigas com Amanda, a sua m\u00e3e, tornavam-se frequentes. At\u00e9 que, finalmente, Amanda resolve abandonar o campo e, junto com os filhos, tentar a sorte na cidade grande. Em Santiago, ela come\u00e7a a trabalhar como cozinheira.<\/p>\n<p>Amanda e Manuel seriam, anos depois, os personagens de uma das mais conhecidas can\u00e7\u00f5es de Victor, \u201cTe Recuerdo Amanda\u201d, em que ele relata o romance entre um oper\u00e1rio e a sua mulher, que tem apenas cinco minutos no dia para v\u00ea-lo, na hora do almo\u00e7o.<\/p>\n<p><em>Te recuerdo, Amanda,<br \/>la calle mojada,<br \/>corriendo a la f\u00e1brica<br \/>donde trabajaba Manuel.<br \/>La sonrisa ancha,<br \/>la lluvia en el pelo,<br \/>no importaba nada,<br \/>ibas a encontarte con \u00e9l.<br \/>Con \u00e9l, con \u00e9l, con \u00e9l, con \u00e9l.<br \/>Son cinco minutos. La vida es eterna en cinco minutos.<br \/>Suena la sirena. De vuelta al trabajo<br \/>y t\u0153 caminando lo iluminas todo,<br \/>los cinco minutos te hacen florecer<\/em><br \/>(\u2026)<\/p>\n<p>Jara, mais crescido, come\u00e7a estudar num liceu cat\u00f3lico, ingressando pouco depois na A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, um movimento fundado em 23 pelo Papa Pio XI com o objetivo de propagar a influ\u00eancia cat\u00f3lica. O adolescente Victor come\u00e7a ali a desenvolver as suas habilidades art\u00edsticas, seja com canto ou teatro. Enquanto isso, Amanda, j\u00e1 com seu pr\u00f3prio restaurante, sofre um infarto e morre. A fam\u00edlia se dissolve e Victor, profundamente transtornado, entra para o Semin\u00e1rio Redentorista de San Bernardo.<\/p>\n<p>Victor passou dois anos enclausurado no semin\u00e1rio, encantado pela m\u00fasica gregoriana e respeitando \u00e0 risca a r\u00edgida disciplina imposta pela ordem. No entanto, sentindo que n\u00e3o tinha voca\u00e7\u00e3o para seguir a vida mon\u00e1stica, deixa o semin\u00e1rio e \u00e9, poucos dias depois, convocado para servir o Ex\u00e9rcito. Ap\u00f3s cumprir o seu servi\u00e7o, ingressa num coro universit\u00e1rio numa montagem de Carmina Burana, para o Teatro Municipal de Santiago. Pouco depois, j\u00e1 envolvido com o teatro, entra na Escola de Teatro da Universidade do Chile.<\/p>\n<p>O artista tem ent\u00e3o uma passagem de sucesso pela vida teatral chilena. Ainda estudante dirige, junto com o amigo Alejandro Siveking, a pe\u00e7a \u201cParecido a la Felicidad\u201d, que percorre todo o pa\u00eds e a Am\u00e9rica Latina. Ao mesmo tempo, integra o grupo de m\u00fasica folcl\u00f3rica Cuncum\u00e9n e conhece Violeta Parra, figura que o influenciaria profundamente. Neste per\u00edodo, aproxima-se da juventude comunista e do movimento estudantil chileno.<\/p>\n<p>Mas foi mesmo no teatro que Victor Jara primeiro celebrizou-se, tornando-se reconhecido internacionalmente. Percebendo a sua voca\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s terminar sua forma\u00e7\u00e3o como ator, ingressa para o curso de diretor. Quando Atahualpa Del Cioppo, um diretor argentino de renome visita o pa\u00eds, exige que Jara seja seu codiretor para a montagem do \u201cC\u00edrculo de Giz Caucasiano\u201d, de Brecht. A s\u00f3lida carreira teatral permiti-lo assumir o cargo de diretor do curso de teatro da Universidade do Chile.<\/p>\n<p><strong>Nova Can\u00e7\u00e3o Chilena<\/strong><\/p>\n<p>A vida e obra de Victor Jara expressam perfeitamente o que foi a Nova Can\u00e7\u00e3o Chilena. Um amplo movimento cujo objetivo era resgatar as ra\u00edzes culturais do Chile e dos povos origin\u00e1rios da Am\u00e9rica Latina, recha\u00e7ando a ind\u00fastria cultural imperialista. N\u00e3o se tratava apenas de m\u00fasica, como o nome poderia sugerir, mas tamb\u00e9m de teatro, dan\u00e7a e in\u00fameros outros aspetos culturais.<\/p>\n<p>Tendo o seu auge nos anos 60, a m\u00fasica folcl\u00f3rica foi adotada por grupos de estudantes universit\u00e1rios que viajavam para o interior e investigavam todos os tipos de manifesta\u00e7\u00f5es da cultura popular. In\u00fameros grupos surgiram, como o Quilapayun, do qual Jara foi diretor art\u00edstico, e Inti-Illimani. Grupos que, embora divididos, continuam em atividade at\u00e9 hoje. Com o ascenso do movimento estudantil e oper\u00e1rio, tais grupos assumem uma postura engajada, empunhando letras com tem\u00e1tica social.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o era apenas a mensagem que se pretendia revolucion\u00e1ria. \u201c<em>N\u00e3o creio que ser cantor revolucion\u00e1rio signifique s\u00f3 cantar can\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Profundamente revolucion\u00e1rio \u00e9 salvar os valores dos nossos povos da penetra\u00e7\u00e3o imperialista. O canto mapuche, o canto qu\u00e9chua, o canto aymar\u00e1, t\u00eam tarefas a cumprir nas transforma\u00e7\u00f5es de nosso continente\u201d<\/em>, resume Victor Jara o significado da Nova Can\u00e7\u00e3o Chilena, numa entrevista.<\/p>\n<p>Da mesma forma, a revolu\u00e7\u00e3o cubana impactou a esquerda chilena e imprimiu um car\u00e1ter internacionalista \u00e0 consci\u00eancia dos artistas. \u201c<em>Devemos unir-nos para transformar e formar um continente novo\u201d<\/em>, pregou Jara.<\/p>\n<p>Politizados, os artistas do movimento engajaram-se de corpo e alma na campanha para a presid\u00eancia em 1970, viajando pelo pa\u00eds a pedir apoio para o candidato da Unidade Popular, Salvador Allende. A fronteira entre artista e militante, tema que at\u00e9 hoje provoca paix\u00f5es, parecia incompreens\u00edvel na \u00e9poca.<\/p>\n<p>Toda a esquerda impulsionava o movimento, a ponto de a juventude comunista financiar a grava\u00e7\u00e3o de discos de artistas do movimento. A Nova Can\u00e7\u00e3o Chilena, por\u00e9m, n\u00e3o se resumiu ao ambiente ass\u00e9ptico das universidades e da classe m\u00e9dia. Foi a trilha sonora da revolu\u00e7\u00e3o chilena, sendo adotada pelos trabalhadores e o povo pobre das <em>poblaciones<\/em>, os bairros de lata. Grupos de m\u00fasica folcl\u00f3rica e teatro popular multiplicavam-se nas regi\u00f5es mais pobres do pa\u00eds.<br \/><strong><\/strong><\/p>\n<p><strong>Golpe e mart\u00edrio<\/strong><\/p>\n<p>A d\u00e9cada de 70, embora tenha come\u00e7ado com a vit\u00f3ria da Unidade Popular, foi o pren\u00fancio da agudiza\u00e7\u00e3o do conflito de classes presenciado nos tr\u00eas anos seguintes. Em 1971, durante a comemora\u00e7\u00e3o da nacionaliza\u00e7\u00e3o das minas de cobre pelo governo, um jovem oper\u00e1rio amigo de Jara foi morto por um grupo fascista. Victor, transtornado com a trag\u00e9dia, dedica ao amigo a can\u00e7\u00e3o \u201cCuando voy al trabajo\u201d, onde reflete a vida do jovem oper\u00e1rio:<br \/><em><\/em><\/p>\n<p><em>Cuando voy al trabajo<br \/>pienso en ti<br \/>por las calles del barrio<br \/>pienso en ti<br \/>cuando miro los rostros<br \/>tras el vidrio empa\u00f1ado<br \/>sin saber quienes son, donde van.<br \/>Pienso en ti<br \/>mi vida, pienso en ti.<br \/>En ti compa\u00f1era de mis dias<br \/>y del porvenir<br \/>de las horas amargas<br \/>y la dicha de poder vivir.<br \/>Laborando el comienzo de una historia<br \/>sin saber el fin.<\/p>\n<p>Cuando el turno termina<br \/>y la tarde baja<br \/>estirando su sombra<br \/>por el tijeral<br \/>y al volver de la obra<br \/>discutiendo entre amigos<br \/>razonando cuestiones<br \/>de este tiempo y destino,<br \/>pienso en ti<br \/>mi vida, pienso en ti.<br \/>En ti compa\u00f1era de mis dias<br \/>y del porvenir<br \/>de las horas amargas<br \/>y la dicha de poder vivir.<br \/>Laborando el comienzo de una historia<br \/>sin saber el fin.<\/p>\n<p>Cuando llego a la casa<br \/>estas ahi,<br \/>y amarramos los sue\u00f1os.<br \/>Laborando el comienzo de una historia<br \/>sin saber el fin<\/em><\/p>\n<p>A polariza\u00e7\u00e3o social aprofunda-se nos anos seguintes. Jara havia sido demitido da Universidade do Chile, mas consegue emprego no departamento de extens\u00e3o da Universidade T\u00e9cnica.<\/p>\n<p>O boicote e o estoque de produtos realizados pela burguesia levaram o caos \u00e0 economia chilena. Impotente, o governo de Frente Popular parece esperar pelo golpe. J\u00e1 em 1973, o poeta Pablo Neruda aparece na televis\u00e3o chamando a unidade contra o iminente golpe fascista. No entanto, Allende n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o faz nada, como nomeia Pinochet comandante das For\u00e7as Armadas.<\/p>\n<p>Pouco mais de duas semanas depois, Pinochet lideraria o golpe que custaria a vida de Salvador Allende e de milhares de ativistas chilenos. Na manh\u00e3 de 11 de setembro, Victor Jara seguiu a orienta\u00e7\u00e3o da CUT (Central \u00danica dos Trabalhadores) e foi para a Universidade. L\u00e1, ele e os estudantes tentavam resistir \u00e0 pol\u00edcia, enquanto o pal\u00e1cio de La Moneda era bombardeado e Allende suicidava-se para n\u00e3o ser capturado.<\/p>\n<p>Todos foram presos e levados para o Est\u00e1dio do Chile. Jara tentou livrar-se do seu documento de identidade para n\u00e3o ser identificado, mas acabou sendo reconhecido por um oficial. No Est\u00e1dio, o cantor foi torturado por quatro dias. H\u00e1 controv\u00e9rsias sobre a sua morte. Alguns afirmam que suas m\u00e3os foram cortadas antes da execu\u00e7\u00e3o. Tal vers\u00e3o talvez tenha surgido com a similaridade das figuras de Jara e Che Guevara.<\/p>\n<p>No entanto, relatos de presos presentes no est\u00e1dio reunidos pela vi\u00fava de Victor, Joan Jara, d\u00e3o conta que o cantor teve as m\u00e3os quebradas durante as sess\u00f5es de tortura. \u201cCanta agora, filho da puta\u201d, provocava um oficial, que havia pedido exclusividade no comando das agress\u00f5es ao artista. Jara ent\u00e3o, no limite de suas for\u00e7as, p\u00f4s-se de p\u00e9 e cantou a can\u00e7\u00e3o \u201cVenceremos\u201d, hino da Unidade Popular:<\/p>\n<p>(\u2026)<br \/><em>Venceremos, venceremos,<br \/>Mil cadenas habr\u00e1 que romper,<br \/>Venceremos, venceremos,<br \/>La miseria sabremos vencer.<\/p>\n<p>Campesinos, soldados, mineros<br \/>La mujer de la patria tambi\u00e9n,<br \/>Estudiantes, empleados y obreros,<br \/>Cumpliremos con nuestro deber.<\/p>\n<p>Sembraremos las tierras de gloria,<br \/>Socialista ser\u00e1 el porvenir,<br \/>Todos juntos haremos la historia,<br \/>A cumplir, a cumplir, a cumplir<\/em><br \/>(\u2026)<\/p>\n<p>Foi morto logo em seguida.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ainda em meio a tortura, conseguiu escrever a sua \u00faltima can\u00e7\u00e3o, escondida em peda\u00e7os de papel por seus companheiros.<br \/><em><\/em><\/p>\n<p><em>Somos cinco mil<br \/>en esta peque\u00f1a parte de la ciudad<br \/>Somos cinco mil<br \/>\u00bfCu\u00e1ntos seremos en total<br \/>en las ciudades y en todo el pa\u00eds?<br \/>S\u00f3lo aqu\u00ed, diez mil manos que siembran<br \/>y hacen andar las f\u00e1bricas.<br \/><\/em><\/p>\n<p><em>\u00a1Cu\u00e1nta humanidad<br \/>con hambre, fr\u00edo, p\u00e1nico, dolor,<br \/>presi\u00f3n moral, terror y locura!<br \/><\/em><\/p>\n<p><em>Seis de los nuestros se perdieron<br \/>en el espacio de las estrellas.<br \/><\/em><\/p>\n<p><em>Un muerto, un golpeado como jam\u00e1s cre\u00ed<br \/>se podr\u00eda golpear a un ser humano.<br \/>Los otros cuatro quisieron quitarse todos los temores<br \/>uno saltando al vac\u00edo,<br \/>otro golpe\u00e1ndose la cabeza contra el muro,<br \/>pero todos con la mirada fija de la muerte.<br \/><\/em><\/p>\n<p><em>\u00a1Qu\u00e9 espanto causa el rostro del fascismo!<br \/>Llevan a cabo sus planes con precisi\u00f3n artera<br \/>sin importarles nada.<br \/>La sangre para ellos son medallas.<br \/>La matanza es acto de hero\u00edsmo.<br \/>\u00bfEs \u00e9ste el mundo que creaste, Dios m\u00edo?<br \/>\u00bfPara esto tus siete d\u00edas de asombro y de trabajo?<br \/>En estas cuatro murallas s\u00f3lo existe un n\u00famero<br \/>que no progresa,<br \/>que lentamente querr\u00e1 m\u00e1s la muerte.<br \/><\/em><\/p>\n<p><em>Pero de pronto me golpea la conciencia<br \/>y veo esta marea sin latido,<br \/>pero con el pulso de las m\u00e1quinas<br \/>y los militares mostrando su rostro de matrona<br \/>lleno de dulzura.<br \/><\/em><\/p>\n<p><em>\u00bfY M\u00e9xico, Cuba y el mundo?<br \/>\u00a1Que griten esta ignominia!<br \/>Somos diez mil manos menos<br \/>que no producen.<br \/>\u00bfCu\u00e1ntos somos en toda la Patria?<br \/>La sangre del compa\u00f1ero Presidente<br \/>golpea m\u00e1s fuerte que bombas y metrallas.<br \/>As\u00ed golpear\u00e1 nuestro pu\u00f1o nuevamente.<br \/><\/em><\/p>\n<p><em>\u00a1Canto que mal me sales<br \/>cuando tengo que cantar espanto!<br \/>Espanto como el que vivo<br \/>como el que muero, espanto.<br \/>De verme entre tanto y tantos<br \/>momento del infinito<br \/>en que el silencio y el grito<br \/>son las metas de este canto.<br \/>Lo que veo nunca vi,<br \/>lo que he sentido y lo que siento<br \/>har\u00e1 brotar el momento&#8230;<\/em><\/p>\n<p>O seu corpo s\u00f3 foi encontrado por sua mulher dias depois, com a ajuda de um jovem comunista que trabalhava no necrot\u00e9rio.<\/p>\n<p>Foi o fim de sua vida e o in\u00edcio do mito.<\/p>\n<p>Em pleno s\u00e9culo XXI, as suas can\u00e7\u00f5es ecoam em todo mundo, representando o ideal de artista e militante (ou seria militante-artista?) engajado e disposto a dar a vida por um mundo melhor. Tanto por suas can\u00e7\u00f5es, quanto por sua vida e tr\u00e1gica morte, fruto dos erros da Frente Popular e da ideologia da concilia\u00e7\u00e3o de classes, Victor Jara merecer\u00e1 sempre ser lembrado.<\/p>\n<p><strong>Diego Cruz<\/strong>, PSTU<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das melhores not\u00edcias deste fim de ano: o Tribunal de Apela\u00e7\u00f5es de Santiago, no Chile, ordenou a deten\u00e7\u00e3o de oito ex-oficiais do Ex\u00e9rcito chileno acusados pela tortura e morte do cantor, compositor e revolucion\u00e1rio Victor Jara no Est\u00e1dio Nacional, a 16 de setembro de 1973. Quase quarenta anos depois do crime, poder\u00e1 haver justi\u00e7a com a condena\u00e7\u00e3o dos assassinos de um artista que marcou toda uma gera\u00e7\u00e3o que lutava contra as ditaduras na Am\u00e9rica Latina. Transcrevemos um artigo de Diego Cruz publicado no site do PSTU (http:\/\/www.pstu.org.br) sobre a vida e a morte de Victor Jara.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1021,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[21],"tags":[],"class_list":["post-1022","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chile"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/mas.org.pt\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/victorjara1.jpg?fit=500%2C381","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1022","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1022"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1022\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1021"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1022"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1022"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/mas.org.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1022"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}