Saiu esta semana uma pequena notícia no Jornal Expresso [1], intitulado “Os homens continuam a matar mulheres”. Ainda que uma das conclusões da notícia seja que os feminicídios em Portugal têm diminuído (registaram-se 20 no ano de 2017, num universo de 475 desde 2004), a verdade é que em todos os lugares do mundo as mulheres continuam a sofrer pelo simples facto de serem mulheres.
Os dados são preocupantes e revelam que a violência contra as mulheres é um verdadeiro flagelo social. Em Portugal, 80% das vítimas de violência doméstica são mulheres, sofrendo violência psicológica, emocional, física, social, económica e sexual. As relações abusivas ocorrem sobretudo em casais mais velhos, mas na juventude cada vez mais se naturaliza a violência no namoro, o controlo, o assédio, etc. e embora a violência doméstica seja considerada crime desde 2000 (muito tardiamente na nossa opinião!), as mulheres que apresentam queixa, muitas vezes, não vêem os seus casos resolvidos, continuando a ser perseguidas pelos seus agressores (algumas até assassinadas após apresentarem queixa nas autoridades), estigmatizadas pelas autoridades e ridicularizadas pela justiça. Fica óbvio que os mecanismos de protecção são insuficientes e muitas vezes inoperantes. Existem também inúmeros casos de violência que nem chegam a ser reportados, por medo das vitimas e também devido à ineficácia nos meios de protecção e de justiça. As redes de apoio são escassas, as esquadras especializadas muitas vezes não funcionam correctamente e as casas abrigo também são problemáticas, pela falta de condições e pela própria concepção de que são as mulheres que devem sair de suas casas em situação de violência. É necessário que a perspectiva seja alterada, para uma punição real dos agressores e uma protecção concreta das vitimas, para evitar situações de dependência e medo. O Governo PS deveria canalizar mais recursos financeiros para tratar as questões de violência de género, investindo em mais e melhores esquadras especializadas, numa justiça que proteja as vitimas e não se preocupe em encontrar desculpas para justificar as agressões, numa reinserção social e económica das mulheres que sofreram às mãos da violência machista!
Basta de justiça machista!
Basta de impunidade!
Protecção das vitimas já!
Rebeca Moore
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