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Em Loures, juntamos forças contra a Xenofobia, por uma cidade 100% à esquerda

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candidaturalouresO Movimento Alternativa Socialista orgulha-se de participar nas Candidaturas Autárquicas do Bloco de Esquerda em Loures, naquela que já foi considerada uma “lista histórica” da esquerda, que une o BE, o MAS e o Livre.

Loures é o sexto maior Município do país, uma importante cidade entre as várias que servem de dormitório aos trabalhadores da região metropolitana de Lisboa. Tradicionalmente, em momento de eleições autárquicas é disputada entre o PS e a CDU – que obteve maioria relativa nas últimas eleições e governa o Município há quatro anos. Só por isso a disputa autárquica na cidade já merecia a atenção da esquerda. Mas, desta vez, Loures é palco de uma luta mais importante.

Derrotar a experiência “Trumpista” do PSD

Foi a atitude xenófoba do candidato da direita, André Ventura, que tem centrado a sua pré-campanha eleitoral no ataque à comunidade cigana, que fez de Loures o palco de uma disputa nacional. Loures parece assim servir de laboratório para uma tentativa de reanimar a direita através de um discurso “trumpista”. Se é verdade que a direita portuguesa nunca foi amiga dos imigrantes, negros e ciganos, a candidatura de Ventura deu um passo em frente. O seu discurso de ódio contra os ciganos – dizendo que esta comunidade vive quase inteiramente de subsídios públicos indevidos e que o reforço policial é a solução – reflecte a adopção da estratégia da direita radical no resto da Europa e nos EUA. A ideia é mobilizar os sectores mais conservadores da sociedade contra as minorias étnicas e dividir os sectores mais pobres - brancos, negros, ciganos e imigrantes - para que se combatam entre si e deixem, nos Municípios e no país, os mesmos de sempre governar como sempre. Toda a direita nacional reagiu: o CDS retirou o seu apoio a Ventura, mas o PSD não. Apesar das críticas de algumas figuras do partido, Passos Coelho não se demarcou: parece querer testar esta orientação mais radical em Loures. Se funcionar poderá ser uma forma de reerguer a direita nacionalmente. O PNR, por sua vez, apoiou o discurso xenófobo do candidato do PSD. Assim, as eleições neste município podem prenunciar uma batalha maior contra uma viragem xenófoba na direita portuguesa. É dever da esquerda “matar a serpente do ovo”, para que não cresça.

De entre a esquerda, foi o BE e o seu candidato na cidade quem reagiu à altura. Fabian Figueiredo defendeu prontamente a comunidade cigana – de resto, vários candidatos do BE são ciganos – e apresentou diversas queixas contra André Ventura. Isso elevou o debate à escala nacional: uma eleição local disputada entre PS e CDU, passou para a estar sob o olhar de todo o país, polarizada entre BE e o candidato xenófobo do PSD. O PS veio a público demarcar-se da direita e Bernardino Soares, presidente da Câmara pela CDU disse ver com “estranheza” as declarações de Ventura dado que “o atual executivo é composto por dois vereadores do PSD e um deles tem pelouros ligados à questão da integração”. Mas só o BE, até agora, se centrou em travar o candidato a Trump nacional.

Uma eleição polarizada entre as candidaturas do BE e do PSD

A verdade é que o PS, como sempre demarca-se da direita retoricamente, mas politicamente nada faz. A CDU mostra que este é também um dos seus calcanhares de aquiles e não se coloca na linha da frente do combate contra a xenofobia, eventualmente com medo de perder votos. Após 4 anos a governar a cidade com o PSD, o PCP não está, naturalmente, na melhor posição para dar uma batalha contra o candidato deste partido.

Esta não é, portanto, uma batalha eleitoral qualquer. O MAS defendeu que nestas autárquicas BE e CDU se apresentassem unidos, sem a direita e sem o PS. Isso permitiria reforçar uma alternativa à esquerda no país, contra a direita e independente do PS. E permitiria que, em autarquias como Loures ou Vila Franca de Xira, só para citar duas, tradicionalmente disputadas entre a CDU e o PS, fosse possível garantir a vitória da esquerda. Essa aliança pré-eleitoral não aconteceu: PCP e BE têm facilidade em chegar a acordo com o PS para aprovar Orçamentos de Estado feitos à medida de Bruxelas, mas não querem chegar a acordos à esquerda.

Por uma alternativa 100% à esquerda, em Loures e no país

Em Loures, após 4 anos de governação da CDU, em coligação com o PSD como vimos, as grandes mudanças ainda estão por fazer. Nos transportes, assim como no combate à precariedade não foram operadas mudanças centrais. Ao mesmo tempo os trabalhadores camarários estão num impasse, dado que quem governa o município está também à frente do sindicato do sector. A voz dos trabalhadores e da população pobre ainda está para se fazer ouvir.

É neste cenário que o MAS integra as candidaturas e a campanha do BE, junto com o Livre. O nosso objectivo é derrotar a viragem xenófoba da direita. Fazemo-lo sem nenhuma esperança em alianças com o PS e com uma postura de exigência face à CDU. Vemos, inclusive, com bons olhos, que neste caso o Livre tenha optado por uma aliança à esquerda, em vez de se juntar ao PS. Ao mesmo tempo, uma boa votação no BE permite uma aliança CDU-BE após as eleições, por uma cidade 100% à esquerda. Assim não haverá desculpa para renovar alianças com o PSD como a CDU tem feito em Loures ou com o PS, como BE e PCP têm feito no parlamento.

Loures, irá concentrar vários das questões políticas centrais que ditarão a vida do país nos próximos tempo. Está em causa, se por um lado, o PS recupera a autarquia, apoiado no prestígio da Geringonça ou se, como nas legislativas e presidenciais, se vê encalhado entre as votações à sua esquerda e à sua direita. Será também, como já vimos, a primeira oportunidade de travar uma reconfiguração extremista da direita portuguesa, na qual se deve empenhar toda a esquerda e os movimentos anti-racistas. É ainda um desafio à esquerda, que tem a oportunidade de construir uma perspetiva unitária, sem o PS e contra a direita. Como é sabido, é essa a nossa aposta, nos Municípios e no país, por uma alternativa 100% à esquerda, sem a direita nem o PS. Por isso estamos, mais que nunca, na luta também em Loures.

 
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