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A saída da crise exige caminho alternativo à esquerda

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Editorial do jornal Ruptura nº150, Maio/Junho 2017

A recente atitude do governo perante a visita do Papa a Fátima é simbolicamente ilustrativa da postura governamental de submissão perante os poderes estabelecidos.

E longe vão os tempos em que a esquerda parlamentar (BE e PC) se indignavam com os atropelos ao respeito pela laicidade (re)assumida por Portugal , como país, desde a revolução de 1974.

Sinais dos tempos onde o estrangulamento que a dívida pública (e o respectivo pagamento dos Juros) faz ao país e à vida dos trabalhadores deixou também de ser um tema de imediata resolução para a esquerda parlamentar que antes a queria ver ‘reestruturada’ no sentido de não pagar aquilo a que chamavam a ‘divida ilegítima’. Agora o plano passa a ser pagar tudo... a outro ritmo. Efetivamente o relatório comum do PS/BE assume querer ‘cumprir as regras europeias’ (leia-se reduzir o défice público e pagar juros e amortizações de toda a dívida). E até apresenta um plano conjunto para 30 anos (até 2048) cujas medidas (paliativas) se sintetizam na redução média das taxas de juro, recompras antecipadas e novas dividas a curto prazo. Um plano para manter o doente vivo, mas doente por mais 30 anos. Uma estratégia de mudar alguma coisa para manter o essencial como está.

Enquanto o orçamento de Estado continuar a pagar a divida que os grandes grupos da construção civil, os grandes patrões e os banqueiros fizeram (e que é deles e não nossa) e que os enriqueceu em milhares de milhões de euros (ao ponto de trocarem ‘prendas’ de 14 milhões de euros como deram a Ricardo Salgado), enquanto esta escandalosa situação continuar e só em juros desta divida forem pagos 8,3 mil milhões de euros por ano; os jovens, os trabalhadores e o povo português não irão ter empregos com salários dignos, direitos e sem precariedades; não irão ter serviços públicos de qualidade, nem os reformados irão ter pensões dignas que lhes permitam uma vida economicamente independente.

É por isso que a esquerda precisa de assumir outro programa e outra política:

- Retomar a luta pela suspensão imediata do pagamento da dívida.

- Lutar pela nacionalização da banca.

- Agir pela saída do euro e acabar com a subordinação à política da UE.

Esta será a forma de tomar um caminho económico capaz de melhorar qualitativamente a vida dos jovens e trabalhadores portugueses. É sob este programa que BE e PC se deviam unir em vez de se unirem no apoio ao governo PS/Costa fiel servidor dos acordos com a União Europeia.

No sentido da luta por uma nova política, desde já há que retomar a luta nos sectores público e privado, e na rua, pela reposição de direitos roubados e por salários dignos.

Um bom exemplo desta luta necessária foi dado neste início de Maio pelos trabalhadores dos SMTUC (transportes urbanos de Coimbra) que querem ver na prática a recuperação da anterior carreira profissional de motorista agente único. Perante a recusa dos sindicatos (STAL) em cumprirem a decisão do plenário dos trabalhadores para uma greve a 11 de Maio, os trabalhadores organizados pela sua CT decidiram em plenário a manutenção da data da greve e elegeram uma comissão de greve para aplicar as decisões do plenário.

Assim, e apesar das ameaças a administração em marcar faltas injustificadas a todos os que fizessem greve (dado esta não ter sido convocada pelos sindicatos), com um colectivo unido pelo debate e decisão democrática do plenário, os cerca de 250 motoristas concretizaram a maior greve de sempre nos SMTUC (apenas circulou 1 autocarro na parte da tarde) e 120 motoristas vieram a Lisboa para entregar uma petição na Assembleia da República, onde reafirmaram a disposição de levar a sua luta “até onde for preciso” para alcançar o direito à reposição da carreira e dos salários.

O MAS esteve presente e solidário com esta luta que constitui um bom exemplo a seguir para recuperarmos os direitos que nos foram roubados e exigirmos uma outra política a esta governação apoiada na esquerda parlamentar.