A BANCA – EXPLORAÇÃO EM MÁXIMOS

UM PROBLEMA ECONÓMICO E DE SAÚDE PÚBLICA

A banca portuguesa apresenta hoje, como nunca, milhares de milhões em lucros mas que não se refletem em qualquer melhoria na organização económica do país nem tão pouco na melhoria das condições de trabalho dos seus próprios trabalhadores, que eram cerca de 40 mil em 2020 e hoje, pouco mais de 35 mil, perdendo cerca de 3.579 trabalhadores. Destes, há uma elite de cerca de 2 mil que recebe remunerações na ordem das centenas de milhares de €uros/ano sem contar com os prémios que, para esta elite, são verdadeiramente pornográficos. Por outro lado, todos nós, o ‘público’ encontra-se com mais dificuldades em encontra ‘agências’ (e em sermos atendidos), dado que ultimamente os bancos fecharam mais de 100 balcões por ano. No final do ano passado, existiam 3.283 balcões, de acordo com a Associação Portuguesa de bancos (APB) enquanto que em 2020 existiam 3.826.

Assiste-se hoje ao esmagamento dos clientes, quer pelas comissões, taxas de juro e de esforço levando-os ao limite das possibilidades para conseguir um crédito e depois mantê-lo sem perder a casa. As condições de atendimento numa rede de balcões cada vez mais reduzida e centralizada nas grandes cidades, mas cada vez mais diluída no restante território nacional. As dificuldades de deslocação e os horários de atendimento cada vez mais reduzidos e condicionados, empurram os clientes para os canais alternativos como se a revolução digital fosse decretada e não um processo natural da evolução tecnológica da sociedade.

Os trabalhadores são tratados como “colaboradores”, na rede comercial como vendedores – por vezes de banha da cobra – ganham à peça pois a componente relativa a prémios de objectivos ganha terreno à retribuição fixa cada vez mais exígua. Este desequilíbrio está de mãos dadas com o aumento exponencial de doenças profissionais: os burnouts e a saúde mental, os AVCs, as paragens cardiorrespiratórias e, consequentemente, com as mortes de trabalhadores no activo.

Os mais novos, porque têm alternativas, fogem do trabalho bancário como o diabo da cruz e os mais velhos são espremidos ao limite das suas capacidades físicas e mentais porque, ao terem uma carreira contributiva já longa e próxima da reforma, não vislumbram outra alternativa senão ir aguentando.

E tudo isto para quê? Quando os milhares de milhões de lucro são sugados à economia portuguesa ao sair do país para acionistas estrangeiros e, em sentido contrário, são os contribuintes, clientes e trabalhadores que recentemente suportaram (e suportam) os enormes prejuízos da gestão danosa e de casino da banca. Para além da ganância há algum critério?

Só a organização da sociedade nesta causa poderá alterar este enorme desequilíbrio que lesa um país e a sua população – clientes e trabalhadores – pois de rédea solta, somos todos testemunhas que os banqueiros não têm critérios nem limites à sua ganância.

Os governos do PS como os do PSD/CDS (e agora também o da AD com o apoio do Chega e da IL -geringonça da direita com a extrema-direita) nunca fizeram nada para mudar este ´estado de coisas´. Pelo contrário criaram e criam todos os dias alterações ao código do trabalho, que facilita sempre a vida aos grandes capitalistas e ´patrões´da banca. A esquerda tradicional (BE, PC, Livre, e até o PAN que não é ‘carne nem peixe´) nunca se demarcou seriamente pelo descalabro das condições dos trabalhadores bancários, nunca mobilizaram este sector para protestos significativos, salvo um novo sindicalismo de sectores da esquerda revolucionária que animam, mobilizam e resistem em alguns importantes bancos, com alguns milhares de trabalhadores. Desta feita, o que faz falta é o fortalecimento à esquerda de novas alternativas revolucionárias, novo activismo sindical combativo, tudo o que o MAS no sector e os seus militantes têm estado empenhados há décadas, com provas dadas. Junta-te a nós.

NOTAS:

-Os milhões de lucros da banca só este ano: seis mil milhões de euros, assim ‘certinhos’: 6.288 milhões de euros. O Banco de Portugal confirma que são os maiores lucros de sempre da banca portuguesa. Foram 6.288 milhões de euros, mais 717 milhões do que no ano anterior. O Banco de Portugal explica que o sector ganhou mais em juros e comissões …

-A CGD, com o lucro mais elevado: 1.753 mil milhões;

-O Novo Banco teve o lucro mais alto de sempre, da sua história recente: 745 milhões:

-A CGD, o BCP-Millennium, o Novo Banco o Santander-Totta e o BPI, estes 5 bancos, acumularam por dia (!) quase 14 milhões de euros (limpos de impostos), um aumento diário de quase 10 milhões comparado com o ano de 2021.

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